Prólogo
A moral da história é que eu sou um idiota.
Eu sei, a moral da história geralmente só aparece no final, mas essa é mesmo importante, então eu quis antecipar.
Primeiro, acho que eu deveria dizer que essa não é uma história típica de amor. Essa nem sequer é uma história de amor. Mas começa como todas elas.
Duas pessoas se conhecem por acaso. Elas se apaixonam, planejam um futuro juntas... e depois tudo dá errado. Muito errado.
Mas antes de dizer por que esta deu errado, eu preciso mostrar por que todas as outras também deram. E como todas elas sempre parecem destinadas ao mesmo fim.
É verdade que eu também me apaixono fácil demais. Preciso admitir. Eu pensei que isso mudaria com o tempo, mas nunca mudou. Eu mandava cartas, escrevia poemas. E, como tinha poucos amigos, ninguém aparecia para dizer como eu parecia idiota.
Eu vivia apaixonado. E tudo o que eu mais desejava... era ter alguém.
Mas eu mudei! E como não mudar. Eu passei anos achando que a única resposta para quando se dizia: — Eu te amo!, era: — Ah, droga!
E tudo começou tão cedo...
Minha primeira desilusão amorosa. Vocês também guardam essas coisas?
Eu tinha 12 anos na época. E entreguei uma carta para a garota da escola que eu gostava, perguntando se ela namoraria comigo. Ela nunca respondeu se sim ou não. Ela riu. E mostrou para as amigas dela, para que rissem, também.
Eu acho que foi um não.
Duas semanas depois, e eu a vejo matando aula no banheiro com outro garoto. De início, eu achei que eles pudessem ser irmãos, mas desconfiei que não, depois que eles beijaram de língua.
Eles até poderiam ser irmãos, mas aí seria bem estranho.
Eu voltei correndo para casa, e chorei abraçado no travesseiro, pensando se algum dia seria amado. Pobre pequeno eu, as coisas ficariam ainda tão piores.
Eu nunca me senti totalmente curado disso, e isso ainda viria a influenciar todo o resto.
Mas aí vão duas coisas que vocês precisam saber sobre mim: hoje em dia, eu ainda tenho poucos amigos, e por isso, frequentemente ainda pareço idiota. E sobre a parte de viver apaixonado? Talvez eu não tenha mudado tanto.








