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Reflexões Distorcidas

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Summary

Crianças desaparecendo, eventos sobrenaturais ocorrendo, e refletir no seu subconsciente, talvez não seja tão bom quanto parece. Rodrigo, um jovem de 22 anos que cuida sozinho de sua irmã caçula, vê sua vida desmoronar quando ela some de forma inexplicável. Ao lado de Vanessa e Marcos, dois pais que viveram experiências parecidas, Rodrigo inicia uma busca pela verdade e descobre que os desaparecimentos não são obra de criminosos comuns. Algo maior se esconde por trás dos sequestros: uma força que invade o subconsciente humano, manipula memórias e oferece uma falsa sensação de perfeição. Até onde eles irão para resgatar as crianças? E será que elas precisam ser salvas? Leia até o fim, você não irá se arrepender. Reflexões Distorcidas é um thriller brasileiro de ficção, suspense e mistério, inspirado em séries como Stranger Things e Dark, onde a maior ameaça não vem do vazio... mas da própria mente humana

Genre
Thriller
Author
felipi
Status
Ongoing
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
16+

CAPÍTULO 1: Outro mundo

Uma melodia longa e melancólica de uma flauta propagava-se pelo ar. Uma menina pequena a tocava, acima do escorregador, pressionando seus dedos cobertos de terra em cada furo de tom.

— O que achou? — perguntou, esboçando um sorriso radiante a seu irmão.

Rodrigo, um jovem de 22 anos, reagiu em um silêncio ensurdecedor, com lágrimas partindo dos seus olhos desgastados até cair ao queixo.

— Por que tá parado aí? Não me ouviu, não?

Ele passa a mão sob o rosto, enxugando as lágrimas.

— Ouvi sim, isso foi incrível, Laura! — Ele segura a mão de sua irmã, suja de terra, e se limpa na camisa. — Já está tarde, lave suas mãos e vamos embora. Temos que acordar cedo amanhã.

O barulho do despertador o interrompe. Rodrigo sobressaltou-se em sua cama, com os olhos semiabertos. Olhou sua escrivaninha de madeira riscada, sua cadeira de escritório quebrada e a porta de seu guarda-roupa quase pulando pra fora.

— De novo... esse sonho — murmurou, levantando-se da cama e caminhando ao quarto de sua irmã.

— Laura, tá na hora. Vamos — chamou, batendo quatro vezes na porta.

Ela abriu, vestida com seu uniforme escolar e com sua bolsa preparada.

— Eu já tô pronta — Ela o olhou, com o rosto contraído. — Você não se arrumou? Faltam 20 minutos.

Suas sobrancelhas se ergueram ligeiramente. Rodrigo correu até a sala e olhou o relógio:

6:40

— Por que não me avisou antes, droga!

Desajeitado, correu até seu quarto e se trocou em um piscar de olhos. Laura o esperava, rindo dos movimentos desengonçados dele.

— Sabia que os alienígenas não vieram do espaço? Eles vieram do mar.

— Não é hora para isso, a gente vai se atrasar! — ele rosnou, enfiando o pé às pressas no sapato.

— Você quase nem liga para o que eu digo, chato. — Ela virou as costas, com os braços cruzados.

— Pronto, vamos para o carro. — Ele abriu a porta da frente, tentou virar a chave várias vezes para fechá-la. — Não tá indo, droga, vai!

Após poucas tentativas, desistiu e levou a chave consigo. Entrou no carro, colocou sua irmã no banco de trás e girou a chave, pisando no acelerador o máximo que pôde.

Ao chegar na escola com a visão ofuscada pelo sol, o estacionamento estava cheio. Com o sangue fervendo, estacionou no meio da rua, destrancou o carro e ajustou a alça da mochila dela no ombro rapidamente.

— Se cuida, Laura. Tchau — acenou sua mão bruscamente, pisando no acelerador.

Na calçada, ela acenou lentamente de volta, com os olhos caídos.

— Laura, finalmente você apareceu de novo. Já achei que tivesse mudado de escola — o diretor a recebeu em frente ao portão de ferro enferrujado. — Entre, a aula já vai começar. Sua sala é do terceiro ano, do fundamental, lembra?

— E como eu ia esquecer isso? — retrucou, andando à sua sala, enquanto ele desviou o olhar, constrangido.

Ela chega em sua sala, com cartazes aleatórios pendurados na porta por fita adesiva. Bate três vezes antes de entrar.

— Entre! — a professora exclama.

Ao abrir, viu diversos lugares desocupados — metade da turma não vinha mais.

Ela se sentou na cadeira mais próxima e retirou seus materiais da mochila, um a um, enquanto crianças berravam à tona em seus tímpanos.

— Ei, qual seu nome, garota? — A menina tinha cabelo preto, liso e úmido, com olhos tão verdes a ponto de cheirar a mato fresco. Sua expressão era mais hostil do que um lobo faminto.

— Meu nome é Laura. Esses olhos são reais mesmo? — perguntou, sem nenhuma expressão.

Ela respirou fundo e bateu seu pé na mesa de Laura, derrubando seus lápis.

— E por que não seria? Tá com inveja?

— É mais fácil ter inveja de qualquer um do que de você — retrucou, roubando dois lápis da garota e os quebrando, com um olhar fulminante. — Agora estamos quites? Ou vai continuar?

A menina acenou lentamente com a cabeça.

— Só vou me desculpar porque gostei das suas tranças — elogiou, soltando um riso frouxo. — Meu nome é Beatriz, e eu gostei de você. Vou ser sua nova melhor amiga a partir de hoje.

Beatriz ergueu a mão para sua amiga, e Laura ergueu também, desconfiada. As duas apertaram as mãos uma da outra.

— Anda mais rápido, vai!

Já haviam se passado 32 minutos desde que Rodrigo saiu de casa. Ele trabalha no supermercado Starcolder no centro da cidade. Além do motor falhar, a roda do carro já furou duas vezes. Ao chegar, estacionou o carro sem controle sob sua respiração, abriu-o ligeiramente, correndo até seu depósito. Lá, viu seus colegas segurando baldes enquanto pisavam em enormes poças de água.

— O que aconteceu aqui?

Em sua frente, seu chefe o encarava. Naquele momento, ele quis se trancar em uma caixa e nunca mais abrir.

— Você atrasou novamente. Que porcaria, hein! Será que um dia você vai chegar mais cedo? Um único dia!?

Com a visão turvada pelo ódio, respirou fundo e o respondeu:

— Me desculpe...

— Não tem essa de desculpa. Se você se atrasar de novo, estará na rua!

Calado, continuou seu caminho a seu armário número 12. O lugar cheirava a papelão e mofo, e pra piorar, seu colega Joaquim, um jovem de 19 anos, o seguiu.

— Caramba... que esporro.

— Vai ficar me seguindo ou vai trabalhar? — rosnou, enquanto Joaquim disfarçadamente ria.

— Eu só tô tentando saber o que houve, ué. Tem problema se preocupar com os amigos? Por que atrasou hoje?

— Nada demais — disse, cerrando seus punhos.

— Tá bom, então. Precisamos arrumar essa bagunça, tá vazando água em todo lugar aqui.

O tempo voou, e o pôr do sol surgiu mais cedo.

Na escola, Beatriz guardou seus materiais. O sinal tocou, e as crianças saíram atropelando tudo no caminho.

— Laura, você não vai guardar seus materiais?

Distraída em meio à multidão, encolheu os ombros.

— Eu não vou embora agora, só vou embora depois.

— Depois quando? Já vai anoitecer.

— Tenho que esperar meu irmão me buscar. Ele chega só depois.

Beatriz arregalou os olhos, indignada.

— E você vai ficar esperando aqui? Vai ouvir seu irmão? Não achei que você fosse tão boba. Por que não vai sozinha?

— Eu não posso ir. Nenhuma criança pode.

— Então vai comigo. Eu te levo. Você é chata, mas ainda é minha nova melhor amiga.

Uma luz abriu nos olhos de Laura. Ela nunca havia ido sem que o irmão a buscasse.

— Entendi. Vou com você. Só quero ver a cara dele quando chegar em casa.

Ela arrumou seus materiais e os colocou na mochila, transbordando de felicidade.

As duas passaram pelo portão de ferro da escola, e Beatriz apontou para o carro de seu pai.

— Olha, é aquele ali! Meu pai vai te deixar na sua casa. Você só precisa dizer onde é pra ele que ele leva. — Beatriz abriu a porta para Laura entrar. — Pai, essa é a Laura, minha nova melhor amiga. Pode levar ela na casa dela?

O pai de sua amiga estava pálido, com uma jaqueta preta e uma boina. Seus olhos pareciam não ter cor alguma. Laura logo o estranhou: o homem não dizia qualquer palavra, nem mexia nenhum músculo.

— Tá tudo bem com seu pai, Beatriz?

— Está sim. Por quê?

O homem seguiu em diante, apenas movendo os braços para controlar o volante.

— Ufa, finalmente acabou nosso turno, não é, Rodrigo?

Ele destrancou seu armário e levou sua mochila.

— Não vai me dar tchau de novo, não? Tá bom, tchau.

Rodrigo abriu seu carro e o acelerou para buscar Laura. A luminosidade da lua estava mais forte naquela noite. Seu corpo estava tenso: fazia uma hora que deveria ter buscado sua irmã.

Quando chegou, percebeu os portões fechados. Franzio a testa, pois o portão devia ficar aberto — sua irmã estava lá.

Ele bateu no portão uma vez. Ninguém atendeu. Angustiado, bateu novamente, mas ninguém atendia. Começou a andar de um lado para o outro. Passaram-se 5 minutos, 10 minutos, 20 minutos, mas ninguém atendeu. Não havia mais ninguém na escola.

Seu coração estava martelando contra o peito. Ele ligou o carro e foi até sua casa rapidamente, tão rápido quanto um guepardo faminto. Quando chegou, pisou no freio e estacionou o carro sem cuidado nenhum. A primeira coisa que viu foi a porta aberta.

Para ele, qualquer som havia desaparecido. Seus passos eram curtos demais. Ele entrou: o ar estava gelado, mais gelado do que o normal.

Olhou a cozinha — não tinha ninguém.

Olhou a sala — não tinha ninguém.

Olhou seu quarto — não tinha ninguém.

O frio e o desespero aumentaram a cada passo e respiro que dava. No quarto de Laura, havia algo incomum.

Luminoso, frio e sereno.

Era um outro mundo.

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