Capítulo 1
Capítulo 1 - A estranha experiência que deu início à minha jornada.

Dedico estas memórias ao meu único irmão, que Deus o tenha.
Desde o derradeiro dia da minha experiência, eu venho escrevendo tudo no meu diário, dia após dia, durante muito tempo.
Cada dia eu puxava pela memória e conseguia uma lembrança nova, algumas frases, pensamentos meus, coisas que ouvi, senti e vivi.
Apesar de agora eu já estar de cabelos brancos e ralos, a ponto de nem mais cobrirem a cabeça direito, minha memória ainda guarda muita coisa do dia da experiência.
No meu diário eu ia colocando palavras soltas, muitas subindo por cima das outras; as lembranças desordenadas: coisas do começo no fim, coisas do meio no começo. Setas ligando uma coisa à outra. Rabiscos para eu seguir e organizar as ideias. Uma verdadeira colcha de retalhos.
Mas, sem motivo, depois de anos, resolvi que alguém precisava saber, não pra ensinar nada, nem pra mudar ninguém, porque eu mesmo não mudei quase nada, só pra contar a história mesmo.
Então destrinchei o diário, ordenei as coisas, tudo do melhor jeito que pude, e espalhei aqui.
Confesso que tive que encher muitas conversas com minhas próprias palavras, porque eu recordava bem o rumo das prosas, mas as palavras certinhas, isso eu não tinha condições de recordar; ninguém teria.
Mas do rumo das conversas entre eu, ele e outras pessoas, eu me lembro bem e é assim que vou contar.
E foi assim que tudo começou...

Já era tarde da noite e o sono não vinha de jeito nenhum. Eu estava no computador assistindo umas pegadinhas engraçadas, rindo sozinho igual bobo, quando aconteceu algo sobrenatural.
Do nada, senti uma mão pesada pousando no meu ombro. Meu ombro afundou devagarzinho, como quando alguém apoia a mão sem pedir licença. Na mesma hora, uma voz bem baixa sussurrou no meu ouvido:
— “Essa noite a verdade vai ser revelada.”
Meu corpo inteiro gelou. Comecei a tremer na hora. Achei que tinha alguém atrás de mim, talvez um ladrão dentro de casa. Fiquei alguns segundos parado, sem coragem de olhar pra trás.
Então me virei bem devagar.
Não tinha ninguém.
Mas, no exato momento em que me virei, senti aquela mão saindo do meu ombro lentamente, como se alguém estivesse ali e tivesse acabado de me soltar. O tempo todo eu estava com aquele arrepio, daqueles que levantam até os cabelos.
Eu não fazia ideia do que aquela “verdade” queria dizer. Na hora, pensei logo no pior.
Fiquei parado, esperando aquela voz voltar a falar comigo, mas não ouvi mais nada. O silêncio ficou estranho demais.
Depois comecei a pensar que talvez eu estivesse ficando leso da cuca. Pensei: “isso não é normal”. Resolvi deitar e tentar dormir pra esquecer aquilo tudo.
Só que, no instante em que fechei os olhos, veio um sono muito pesado. Parecia que eu tinha tomado daqueles remédios fortes que derrubam a pessoa em segundos. Não consegui resistir.
Quando abri os olhos de novo, eu não estava mais no meu quarto.
Eu estava em um lugar completamente diferente.








