Ecos da Floresta Sombria
Ecos da Floresta Sombria
Capítulo 1: O céu que não devia existir.
Lurdes nunca acreditou em destino.
Acreditava em provas, em aulas chatas, em mensagens por responder, e em músicas ouvidas de madrugada com os fones escondidos debaixo da almofada.
A sua vida era comum – talvez demasiado comum.
Até aquela noite.
O céu não ficou escuro como numa tempestade.
Ele ficou... negro.
Sem estrelas.
Sem lua.
Sem som.
Ela estava no quintal, o telemóvel ainda na mão, quando sentiu um arrepio percorrer – lhe a espinha. O ar ficou pesado. O vento parou. Era como se o mundo tivesse prendido a respiração.
— isto não é normal... – murmurou.
E então ouviu.
Não com os ouvidos.
Mas dentro da cabeça.
"Finalmente..."
O coração disparou. O chão sob seus pés começou a tremer levemente, e uma sombra pareceu formar–se diante dela não como uma pessoa... mas como ausência de luz.
A última coisa que viu foi o céu a rachar como vidro. E depois... silêncio.
Quando abriu os olhos, a relva tinha desaparecido.
A sua casa tinha desaparecido.
O mundo inteiro tinha desaparecido.
No lugar dele havia uma floresta densa, húmida, iluminada por uma lua prateada que definitivamente não era a mesma.
Ela levantou–se devagar.
— Onde é que estou...?
Um estalo de galho atrás dela a tirou dos seus pensamentos.
E viu dois olhos vermelhos a observá-la na escuridão.
Mas não eram ameaçadores.
Eram... intensos.
A figura saiu da sombra.
Alto. Cabelos escuros. Olhar profundo como a própria noite.
—Então... – disse ele, com a voz baixa e firme – finalmente acordaste.
—Quem és tu? – perguntou ela, dando um passo atrás.
Ele inclinou ligeiramente a cabeça.
— "Black."
O nome ecoou nela como se já tivesse ouvido antes.
E de alguma forma... parte dela não sentiu medo.
Sentiu reconhecimento.








