Epílogo
𝐕𝐚𝐧𝐜𝐨𝐮𝐯𝐞𝐫, 𝐂𝐚𝐧𝐚𝐝𝐚́. 𝐅𝐞𝐯𝐞𝐫𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟏𝟎 - 𝐣𝐨𝐠𝐨𝐬 𝐎𝐥𝐢́𝐦𝐩𝐢𝐜𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐢𝐧𝐯𝐞𝐫𝐧𝐨.
Ashley manteve o sorriso nos lábios. Os fãs aplaudiam de pé, mostrando-lhe que estava tudo bem. Mas ela sabia que não. Foi sua primeira participação nas olimpiadas, com dezessete anos, representando o Brasil, contra o Japão e a Escócia. Ficou em segundo lugar quando prometeu fielmente conseguir o primeiro. Prometeu em todas as coletivas de imprensas que subiria no palanque mais alto e morderia a medalha de ouro. Em contrapartida, Reina sorria largo para as câmeras focadas em seu rosto absurdamente simétrico, ela ganhou o primeiro lugar, com dezenove anos. Ashley dizia a si mesma que Reina só tinha mais experiência, que com um pouco mais de trabalho, ela conseguiria ultrapassá-la, mas ela já faria dezoito no próximo mês. Não estava conseguindo se convencer com essa desculpa.
"Todos te amamos e acreditamos em você." Sua mãe disse com um beijo estalado em sua cabeça e um abraço forte. Ashley sorriu e aceitou o carinho, os olhos de seu pai diziam 'ela está emotiva'. Ela sorriu contra o ombro da mãe.
"Sim, eu sei." Respondeu, sem conseguir evitar a frieza.
"Você ainda é muito jovem, segundo lugar pra uma adolescente e primeira vez? Seu talento vai superar qualquer esforço." O pai disse.
"Claro, eu sei." Eles se entreolharam, ela sentou finalmente. Seus dedos gelados desamarravam o patim com certa força. Ela não estava brava por ter perdido, sabia aceitar uma derrota quando sabia desde o começo que não conseguiria vencer, ela estava brava porque criou expectativas além do que se permitia normalmente. Ashley se esforçou tanto para isso quanto das outras vezes.
O banho no vestiário foi curto, a água quente relaxou seus musculos, mas era uma pena que não derreteu seu cérebro. Ao arrumar a toalha no canto do armário, observou o casaco que usava sempre após uma patinação, com a logomarca da redbull nas costas. Eles ainda iriam querer patrociná-la após hoje? Pensou.
"Problemas no paraíso?" A voz perguntou. Era forte e marcante, o inglês perfeito quase não facilitou para Ashley conseguir entender rápido.
Quando o armário foi fechado, Ashley quase caía para trás, talvez sua inveja lhe empurrando? "Não é da sua conta." resmungou, mal-humorada.
Reina riu, parecia que estava guardando aquela maldita risada há muito tempo exatamente para quela ocasião. "Quem sabe um dia você possa ser boa, como eu."
Agora foi a vez de Ashley rir com despreso. "Eu vou ser melhor que você. Hoje foi só um estímulo, logo, logo, eu vou chegar no clímax."
Reina levantou uma sobrancelha para Ashley, que caminhava lentamente com seu casaco em mãos. "'Estimulo? Que porra é essa? Tá trepando com a vida ou o quê?"
O sorriso torto no rosto de Ashley esfriou o coração de Reina, talvez até tenha acelerado um pouco. "É, e ela vai gozar gostoso pra mim."








