Prólogo
Não havia chão.
Não havia teto, paredes, corpo — não havia *nada* que pudesse ser tocado ou nomeado, e ainda assim Laura existia dentro daquele nada com uma clareza aterrorizante. Ela sabia que era ela. Sabia que estava com medo. Sabia que algo havia saído errado de um jeito que não tinha palavra nem escala para descrever.
*O teste.* O pensamento veio e foi embora como fumaça. *Eu estava no corredor. Estava esperando.*
Depois disso — nada. Um corte. Como se o universo tivesse simplesmente decidido que aquele momento era o último e passado para outra coisa sem se dar ao trabalho de avisá-la.
Havia luz, mas não era luz. Havia movimento, mas não havia direção. Ela atravessou coisas que não tinham nome em nenhum idioma que conhecia — imensidões frias e silenciosas, correntes de algo que pulava como eletricidade sem ter de onde partir, vazios tão fundos que a ideia de fundo perdia o sentido. O tempo não existia ali ou existia demais, todos os tempos ao mesmo tempo, e ela era apenas uma faísca minúscula sendo carregada por uma correnteza que não se importava com ela.
*Eu estou morta*, pensou ela, com a estranha calma de quem já passou do pânico para o outro lado.
A correnteza não respondeu.
Ela continuou.
Não havia quanto tempo depois — porque depois também não existia — quando algo mudou. Não foi gradual. Foi uma mão. Não uma mão real, não dedos nem calor, mas a sensação inequívoca de ser *agarrada*, de haver uma direção no espaço de repente, um *ali* específico no meio do nada absoluto.
Algo a puxou.
E o nada acabou.








