CAPÍTULO 01
Mais um final de semana em uma pequena cidade do interior de São Paulo.
O sol entra tímido pela janela, mas a claridade não consegue quebrar a penumbra que parece pairar sobre a sala.
Theodoro Silveira, 38 anos, um mestre de obras com ombros largos e músculos definidos, está deitado no sofá de tecido escuro. Seus cabelos curtos e escuros, já com alguns fios grisalhos nas têmporas, estão desalinhados.
Uma barba bem feita emoldura seu rosto, que carrega as marcas de uma vida árdua.
Ele veste apenas um shorts preto, revelando um tronco trabalhado, com tatuagens que se estendem pelos braços e parte do peito. Um colar dourado com um pingente discreto repousa sobre a pele bronzeada, e um relógio robusto no pulso esquerdo reflete a pouca luz ambiente.
A televisão à sua frente está ligada, transmitindo algum programa matinal sem importância, mas os olhos de Theodoro não estão realmente nela. Ele segura o controle remoto frouxamente na mão, os dedos pousados sobre os botões.
Sua cabeça está ligeiramente inclinada, o olhar fixo em um ponto invisível, perdido em pensamentos. Há uma caneca de café vazia sobre a mesinha de centro, um lembrete solitário de um café da manhã consumido sem prazer.
O silêncio na casa é pesado, interrompido apenas pelo som abafado da TV.
Theodoro respira fundo, um suspiro que parece carregar o peso de um mundo. A imagem de Ana Paula, sua ex-mulher, dança em sua mente, como um fantasma insistente que se recusa a ir embora.
O abandono dela ainda é uma ferida aberta, supurando lentamente, embrutecendo ainda mais sua alma já calejada pela vida. Ele passa a mão no rosto, como se tentasse espantar os pensamentos que o atormentam, mas a solidão e a amargura se recusam a dar trégua. O sábado de manhã, que deveria ser um momento de descanso, é apenas mais um lembrete do vazio deixado para trás.

A ausência de Ana Paula não era sentida apenas por Theodoro. No quarto ao lado, Davi Lucca, o enteado de 18 anos, também lidava com o abandono.
Diferente do padrasto, Davi Lucca exibia uma juventude vibrante e um físico atlético, moldado pelos anos no futebol americano.
Ele tinha uma estatura média, mas a constituição robusta e os ombros largos sugeriam força. Seus cabelos eram castanhos e o rosto, ainda com traços juvenis, transmitia uma expressão de seriedade e foco, como a de um quarterback pronto para uma jogada decisiva.
Embora não aparentasse a idade de Theodoro, a tensão em sua postura e o olhar distante revelavam que o abandono da mãe o atingira profundamente, talvez o forçando a amadurecer antes do tempo, assim como um jovem quarterback que precisa assumir o comando do time inesperadamente.
O ranger de uma porta se abre e Davi Lucca, ainda com a expressão séria, mas com a leveza da juventude em seus movimentos, surge do corredor.
Ele veste uma camiseta folgada e bermuda, seus músculos delineados pelas atividades esportivas. Seus cabelos curtos, cortados de forma prática, caem um pouco sobre a testa.
Theodoro, que ainda está no sofá, vira a cabeça em direção ao som.
_Davi, meu filho. Pega uma cerveja pra mim na geladeira? Aquele calor já tá batendo.
Davi Lucca acena com a cabeça e segue para a cozinha, seus passos leves.
Theodoro o segue com o olhar, notando a agilidade e a vitalidade do garoto.
Davi Lucca abre a geladeira.
A luz fria ilumina seu rosto enquanto ele vasculha as prateleiras. Ele se inclina, buscando no compartimento inferior.
Para alcançar a cerveja desejada, ele se agacha, os joelhos se flexionando e o corpo descendo em um movimento fluido.
A bermuda estica-se firmemente em suas pernas musculosas e em suas nádegas, que se arredondam e se projetam levemente para trás com o movimento.
A pose é atlética e natural, um reflexo do treinamento intenso no futebol americano.
Por um instante, Theodoro tem uma visão clara das nádegas bem torneadas de Davi Lucca, um vislumbre rápido e inesperado que o faz engolir em seco.
Theodoro desvia o olhar rapidamente, uma leve tensão em sua mandíbula.
Ele pigarreia, tentando ignorar a imagem que ficou em sua mente.
Davi Lucca se levanta com a cerveja na mão, alheio à breve turbulência no pensamento do padrasto.
Ele caminha de volta para a sala, estendendo a garrafa gelada para Theodoro.
_Aqui, Theo.
Theodoro pega a cerveja, seus dedos roçando os de Davi Lucca por um instante.
_Obrigado, Davi.
O mestre de obras abre a garrafa, o som do gás escapando preenchendo o pequeno silêncio entre eles. Ele toma um longo gole, o líquido gelado descendo por sua garganta, mas o calor que ele sentia não era apenas o do dia.
Theodoro toma mais um gole de sua cerveja, observando Davi Lucca que, em vez de retornar ao quarto, senta-se na ponta do sofá oposto, mexendo no celular.
O silêncio retorna, mas agora está carregado de uma tensão diferente, um elefante na sala que ambos se esforçam para ignorar.
Theodoro decide quebrar o gelo, a voz um pouco mais áspera do que o habitual :
_ Então... já se conformou?
Davi Lucca levanta os olhos do celular, a testa franzida.
_Com o quê?
_ Com o fato de que a Ana Paula... sua mãe... nos deixou. E ainda por cima com um sujeito qualquer.
Davi Lucca larga o celular no sofá com um baque surdo, a expressão endurecendo. Seus punhos se fecham.
_ Me conformar? Eu tô é com raiva! Muita raiva, Theodoro! Como ela pôde fazer isso? Como ela pôde simplesmente sumir, como se a gente não significasse nada? Como se eu não significasse nada pra ela!
A voz de Davi Lucca aumenta de volume a cada palavra, a frustração e a mágoa explodindo. Ele se levanta, os olhos marejados de fúria e tristeza.
_ Sabe Theo e o pior é saber que ela tá por aí, vivendo a vida dela, com outro cara, enquanto a gente tá aqui, catando os pedaços.
Theodoro se levanta do sofá, largando a cerveja na mesinha de centro. Ele caminha lentamente até Davi Lucca, a robustez de seu corpo transmitindo uma sensação de solidez, mesmo com a dor evidente em seu próprio olhar. Ele coloca uma mão pesada no ombro do enteado.
_ Eu sei, filho. Eu sei que dói. E é uma raiva justificada. É revoltante, sim. Ninguém merece passar por isso.
Seus olhos se encontram. A raiva nos olhos de Davi Lucca começa a ceder espaço para a tristeza.
_ Mas a gente não pode deixar isso nos derrubar. Ela fez a escolha dela. Uma escolha covarde, eu concordo. Mas a nossa vida continua. E a gente tem que seguir em frente.
Ele aperta o ombro de Davi Lucca, um gesto de conforto e apoio que atravessa a barreira do "padrasto" e "enteado", tornando-se algo mais profundo.
_Não vai ser fácil. Vai ter dia que a raiva vai te consumir, vai ter dia que a saudade vai apertar. Mas a gente não tá sozinho nisso. Estamos juntos. E juntos, meu guri, a gente vai superar isso. A gente vai dar a volta por cima. Eu te garanto.
Davi Lucca olha para Theodoro, a fúria ainda presente, mas agora misturada a uma ponta de esperança, de alívio por não estar sozinho nessa batalha.
Ele assente levemente com a cabeça, incapaz de dizer qualquer coisa, mas a mensagem de Theodoro parece ter encontrado um lugar dentro dele.
O toque no ombro de Davi Lucca é um porto seguro, um lembrete de que, apesar da partida de Ana Paula, ele ainda tinha alguém ao seu lado.
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A luz da tarde banha o campo de futebol americano com uma luz dourada e intensa. O cheiro de grama recém-cortada e suor paira no ar.
Davi Lucca, vestindo o uniforme de treino do time — uma camiseta vermelha com o número 13 nas costas e a palavra "PURDY" acima, e calças justas douradas com listras brancas e vermelhas nas laterais —, está no meio do campo, participando de exercícios de aquecimento e alongamento com seus colegas.
Theodoro está de pé na lateral do campo, ligeiramente afastado do grupo de pais e outros espectadores, observando Davi Lucca.
Ele não é um fã assíduo de futebol americano, mas a presença do enteado no campo o puxou até ali. Seus braços estão cruzados sobre o peito, e um boné esconde um pouco seus olhos, mas sua atenção está completamente voltada para Davi Lucca.
O treino é dinâmico. Os jogadores correm, pulam, agacham-se. Theodoro observa a desenvoltura de Davi Lucca, a forma como ele se move com precisão e força. Em um determinado momento, durante um exercício de alongamento ou preparação, Davi Lucca se inclina para frente, apoiando as mãos nos joelhos, ou se agacha ligeiramente, com as mãos na cintura, como se estivesse se preparando para uma arrancada.
Nessa posição, a calça justa do uniforme realça a forma de suas pernas e nádegas. Os músculos das coxas e glúteos de Davi Lucca, desenvolvidos pelo esporte, ficam evidentes sob o tecido.
As nádegas, em particular, apresentam um volume e uma firmeza notáveis, arredondadas e proeminentes sob o uniforme.
A imagem é de um corpo atlético, forte e vibrante, em plena juventude e potência física.

Theodoro pisca lentamente, seus olhos percorrendo a silhueta do enteado. Não há malícia em seu olhar, mas uma espécie de apreciação quase inconsciente da beleza física e da vitalidade que Davi Lucca exala.
É um contraste gritante com o seu próprio corpo, calejado e marcado pelo tempo e pelo trabalho pesado, e também com a sombra de tristeza que ainda paira sobre ambos.
Por um breve instante, Theodoro se perde em sua observação, uma sensação estranha e indescritível crescendo em seu peito, algo além da preocupação ou do dever. Ele balança a cabeça sutilmente, como se para afastar o pensamento, e foca novamente na dinâmica do treino.








