Primeira Noite
16 de Outubro de 1998
Em uma noite fria, ouvia-se o farfalhar das folhas secas, naquela madrugada de outono. Tarde da noite, em uma casa, afastada da vila, entre os pinheiros da floresta, encontrava-se uma mulher, desenhando em meio a escuridão. Eram esboços de criaturas horripilantes, deformadas, fora daquilo que poderia ser considerado real, criaturas que pareciam desafiar qualquer lógica da natureza.
Podia-se dizer que ela possuía certo interesse, para este estilo de desenho, por mais peculiar que seja. Ela continuava desenhando, totalmente focada e alheia à ventania e ao frio que a rodava naquele ambiente. Buscava sempre captar emoção em uma ilustração tão cruel, como se mesmo no meio de toda crueldade ainda restasse algum sentimento oculto.
Enquanto desenhava sua mente era tomada pelas antigas lembranças que seu pai contava sobre as criaturas mórbidas, lendas, histórias que existiam além da floresta, lembrou-se de uma frase que seu pai dizia: "Nunca tente ir além das fronteiras, pois aquele que tem grande fantasia, logo acaba vivendo sua morte". Essas palavras ficaram com ela por anos. Principalmente depois daquela noite em que o pai entrou na floresta e nunca mais voltou. Ninguém soube explicar o que tinha acontecido; só sobraram boatos, perguntas sem resposta e o vazio que ele deixou
Ela colocou o lápis sob o papel, olhou ao redor, observando o porão deveras pequeno, mal iluminado, o chão feito de pedregulhos, uma janela com vista as árvores; possuindo apenas a mesa, uma estante no canto aos pedaços e o mal cheiro de coisas velhas e mofo. Ela levanta, sobe as escadas até a cozinha, olha para o relógio: era 2:56. Ela decide dormir, era tarde de fato; ela se deita, seus olhos percorrem mais uma vez as árvores, onde os galhos batiam contra a janela, olhou para o relógio pela última vez que marcava: 2:59, às 3h ela havia dormido.








