Capítulo 1
O sol da manhã iluminava a imponente fachada do Hospital Alencar, um dos maiores e mais respeitados hospitais do país.
Todos que passavam por ali conheciam aquele sobrenome.
Alencar.
Um nome construído com décadas de dedicação à medicina, pesquisas inovadoras e milhares de vidas salvas.
No último andar do prédio, onde funcionava a presidência, Pedro Alencar observava a cidade através da enorme janela de vidro.
Mesmo aos cinquenta e oito anos, continuava impondo respeito apenas com sua presença.
— O próximo congresso precisa ser impecável — disse ele, fechando uma pasta.
Ao seu lado, Lúcia Alencar sorriu.
— Você nunca muda.
— Excelência nunca sai de moda.
Naquele momento, alguém bateu à porta.
— Entre.
Gabriel Alencar entrou usando um jaleco branco.
Aos trinta anos, era considerado um dos médicos mais brilhantes do país.
— Pai, a cirurgia terminou. O paciente está estável.
Pedro sorriu discretamente.
— Eu sabia que você faria um excelente trabalho.
Enquanto os três conversavam sobre o hospital...
Em outro ponto da cidade...
Uma jovem caminhava lentamente pelo campus da Universidade Nacional de Arquitetura.
Ela carregava um enorme tubo de projetos e um caderno cheio de desenhos.
Seu nome era Sofia Alencar.
Pouquíssimas pessoas sabiam que aquela estudante simples era filha da família mais famosa da medicina.
Ela preferia esconder esse detalhe.
Parou diante de um prédio moderno.
Seus olhos brilhavam.
Com um lápis nas mãos, começou a desenhar cada detalhe da fachada.
As linhas surgiam naturalmente.
Como se aquela arquitetura já existisse dentro de sua imaginação.
— Um dia... vou projetar edifícios que mudem a vida das pessoas... — murmurou.
— Sabia que encontraria você aqui.
Sofia sorriu ao ouvir aquela voz.
Era sua melhor amiga, Marina Costa, colega da faculdade.
— Você está desenhando de novo?
— Não consigo evitar.
Marina observou o projeto.
— Você nasceu para isso.
Sofia abaixou a cabeça.
— Pena que meus pais não pensam assim.
Ela fechou o caderno lentamente.
Ainda doía lembrar do dia em que contou que abandonaria a Medicina.
Seu pai nunca aceitou aquela decisão.
Na memória de Sofia, aquela discussão parecia ter acontecido ontem.
— Arquitetura? — Pedro havia perguntado, incrédulo.
— Sim, pai.
— Você quer jogar fora tudo o que construímos?
— Eu só quero seguir meu sonho.
— Seu sonho é continuar o legado desta família!
— Não... esse sempre foi o seu sonho.
O silêncio tomou conta da casa.
Naquela noite, Pedro decidiu que não pagaria mais os estudos da filha.
Mas Gabriel nunca permitiu que Sofia desistisse.
Todos os meses, enviava dinheiro para ajudá-la.
— Você vai conseguir — ele dizia.
Ela jamais esqueceu aquelas palavras.
Respirando fundo, Sofia voltou a olhar para o desenho.
Naquele instante, fez uma promessa silenciosa.
Provaria que escolher a Arquitetura não havia sido um erro.
Mesmo que precisasse enfrentar o mundo inteiro.
Ela ainda não sabia...
Mas, naquele mesmo dia, o destino começava a preparar um encontro que mudaria sua vida para sempre.
Do outro lado da cidade...
Um homem estacionava um carro esportivo preto diante de um prédio espelhado de cinquenta andares.
Funcionários observavam pela janela.
Alguns engoliam em seco.
Outros fingiam trabalhar.
Todos sabiam quem acabara de chegar.
Arthur Albuquerque.
O novo CEO.
O homem que não aceitava erros.
E que, sem imaginar, estava prestes a cruzar o caminho de Sofia Alencar.








