Outubro
Meados de Outubro.
Centro-oeste.
Em uma cidadezinha qualquer, há sempre suas acontecimentos curiosos. Coisas que viram assunto de causos. Coisas que no passado forma material para lendas, mitos e explicações para um mundo que não se entendia. Coisa do ser humano. As mitologias de cada lugar. Feitas pelo povo. Vistas pelos que são sensíveis ao olhar. Lembranças momentâneas que viraram algo mais, de tanto recontadas.
Vento forte que vinha por todos os lados. Nenhum sinal de chuva. Crianças brincando nas ruas e nas portas das casas se assustam. Os passantes observam. No céu. Pelo vento. Viam-se sacolas plásticas. Folhas de papel. Folhas de árvores que foram arrancadas. Folhas. De todas as cores. Alaranjado devido à poeira de terra que o vento carrega de longe, da terra e da areia levantadas das obras dos condomínios vizinhos, quando não de uma obra pública ou outra qualquer.
Depois de brigar pela direção, apareceu um pequeno redemoinho que apavora ainda mais. Miniatura dos que se viam nos livros da escola ou na TV em horário comercial. Os tornados dos USA.
Avançou devagar. Levava cada folha verde, sacola verde, dobrada pela força rotacional do vento, verde mas laranja. Depois de três dias da eleição, os santinhos de toda vila que estampavam de perto a cara de qualquer rosto, bem intencionado ou não, com as mesmas promessas da esquerda e da direita que convencem a grande maioria, por uma novidade que confira vantagem para a vida sofrida do povo. Assim alguns confiam seu voto. O cabresto de cada canto que infelizmente é a realidade negada. Ou assumida.
Num som característico, aproximou-se de uma escola. As folhas de papel com papel crepom voando. Os desenhos mal pintados e bem pintados. Os rabiscos que pareciam bonitos de cada criança. O que não estava preso por fitas no mural, foi recolhido pelo vento das mãos das crianças.
Dizem que se você entrar dentro de um redemoinho, ele te leva para cima. Você não volta.
Por isso, pouco antes advertiram os adultos daquela situação. Dada a velocidade, que não era nem grande como um carro, nem pequena como uma bicicleta, alguns perderam a nota do trabalho de classe.
Dizem que se você entrar dentro de um redemoinho, ele te leva para cima. Você não volta.
O redemoinho avançou devagar. Bambeando outra vez os fios da rede elétrica das casas e das ruas, os postes, os muros e as casas. Até repousar sobre uma gameleira sob um morro. Um pouco mais alto que ela, o rotacional de toda matéria de forma ordenada.
Cena curiosa.
Pessoas de longe em suas casas viram.
Pessoas passando viram.
As crianças viram.
Os cachorros viram.
Os passarinhos, não sei. Não se viam por perto.
E admirando aquele frio na barriga e na curiosidade, cultiva-se uma fagulha de lembrança em alguns.
Dizem que se você entrar dentro de um redemoinho, ele te leva para cima. Você não volta.








