Capítulo 1 — O emprego perfeito
Luna estava contando as últimas moedas da carteira quando o celular vibrou.
Saldo disponível: R$ 18,40.
Ela fechou os olhos por alguns segundos.
— Perfeito...
O aluguel venceria em quatro dias.
Ela precisava de um emprego. Não de um emprego qualquer. Precisava de um emprego que pagasse muito.
Depois de quase uma hora procurando anúncios, um chamou sua atenção.
PROCURA-SE FUNCIONÁRIA DOMÉSTICA
Residência particular.
Horário flexível.
Moradia opcional.
Salário: R$ 25.000 por mês.
Luna franziu a testa.
— Vinte e cinco mil?
Leu novamente.
Não havia erro.
O anúncio não dizia o nome do contratante. Apenas fornecia um endereço e um número de telefone.
Ela hesitou.
Aquilo parecia bom demais.
Ou perigoso demais.
Mesmo assim, ligou.
Uma voz masculina atendeu.
— Residência Kurov.
— Oi... eu estou ligando sobre a vaga de empregada.
Silêncio.
— Você tem experiência?
— Tenho.
— Pode começar amanhã?
Luna olhou para sua carteira.
— Posso começar hoje.
Pela primeira vez, o homem pareceu demonstrar alguma emoção.
— Interessante.
A mansão ficava afastada da cidade.
Luna percebeu isso assim que o motorista a deixou diante dos enormes portões de ferro.
A propriedade parecia pertencer a outro mundo.
Jardins perfeitamente cuidados. Árvores antigas. Uma fonte de pedra no centro da entrada.
E a mansão.
Era enorme.
Escura.
Elegante.
Assustadoramente silenciosa.
As portas se abriram antes mesmo que ela tocasse a campainha.
Um homem de terno apareceu.
— Senhorita Luna?
— Sim.
— Entre.
Ela atravessou a porta.
O interior era ainda mais impressionante.
Quadros antigos cobriam as paredes. Havia esculturas japonesas, relógios antigos e objetos que pareciam valer mais do que tudo que ela já havia possuído na vida.
Então ouviu passos vindos da escadaria.
Luna levantou os olhos.
Um homem descia lentamente.
Alto.
Elegante.
Cabelos escuros.
Camisa preta com as mangas dobradas até os antebraços.
Ele parou no último degrau.
E olhou diretamente para ela.
Por alguns segundos, nenhum dos dois disse nada.
Então ele sorriu discretamente.
— Você é a nova funcionária?
— Sou.
— Damien Kurov.
Ele estendeu a mão.
Luna apertou.
A mão dele estava fria.
— Luna.
Damien não soltou imediatamente.
Seus olhos permaneceram nela por um instante longo demais.
Depois ele a soltou.
— Espero que goste da casa.
Luna tentou sorrir.
— É... bonita.
Damien olhou para ela novamente.
— Algumas coisas bonitas podem esconder coisas desagradáveis.
Ela riu, pensando que fosse uma brincadeira.
— Vou tentar lembrar disso.
Damien sorriu.
— Faça isso.
Naquela noite, Luna recebeu as chaves do quarto.
Antes de dormir, ouviu um carro deixando a propriedade.
Ela se levantou e olhou pela janela.
O carro de Damien desapareceu pela estrada escura.
Ela não sabia para onde ele estava indo.
Não sabia por que um homem tão rico precisava de uma funcionária morando dentro daquela mansão.
E certamente não sabia que, naquela mesma noite, outra pessoa estava prestes a morrer.
E que o homem que havia acabado de contratá-la estava segurando a chave do quarto dela.
Uma chave que, algum dia, talvez ela desejasse nunca ter recebido.








