Amor à primeira vista?
Eu não sei se acredito em amor à primeira vista.
Na verdade, acho que naquela época eu nem sabia o que era amor.
Eu estava no sétimo ano da escola. Devia ter meus treze ou quatorze anos, por aí. Era apenas mais uma manhã de escola, daquelas que parecem completamente comuns enquanto estão acontecendo e que, anos depois, a gente descobre que foram o começo de alguma coisa.
Havia um evento acontecendo naquela manhã. Eu estava com minhas amigas quando, em algum momento, olhei para longe.
E vi um menino.
Não sei explicar exatamente o que aconteceu naquele instante. Não foi como nos filmes, em que tudo para, uma música começa a tocar e o mundo inteiro desaparece.
Foi mais simples.
Eu olhei.
E achei ele lindo.
Sim, mesmo longe pude sentir algo diferente e que havia me intrigado aquele momento.
Fiquei curiosa.
A primeira coisa que fiz foi perguntar às minhas amigas:
— Quem é aquele menino?
Elas me contaram.
E, logo depois, veio a informação que eu definitivamente não queria ouvir:
Ele já estava namorando.
Então, como qualquer adolescente sensata — ou pelo menos como eu achei que era sensato fazer naquela época — decidi deixar para lá.
Ou tentei.
Porque eu nunca esqueci aquele menino.
Lembro de vê-lo se divertir com os amigos e rir sem parar, mal sabia ele que chamou minha atenção sem esforço.
Algum tempo depois, aconteceu um aniversário surpresa de uma colega que nós dois conhecíamos.
E ele estava lá.
Eu o vi novamente.
Dessa vez, não era apenas um garoto distante no meio de um evento da escola. Ele estava ali, perto o suficiente para que eu pudesse conhecê-lo.
O problema era que eu não tinha coragem nenhuma de chegar nele.
Então fiz o que, na minha cabeça, parecia uma excelente solução.
Pedi para uma amiga perguntar se ele teria interesse em me beijar.
Sim.
Eu poderia ter simplesmente ido falar com ele.
Mas aparentemente, naquela idade, mandar uma amiga fazer o trabalho era muito mais fácil.
Acredito que eu tinha medo da rejeição por não me achar o suficiente.
Mas adivinha? Ele também queria.
Quando o vi do lado de fora, junto com os amigos, meu coração começou a bater diferente.
A sensação era como um frio na barriga.
Ele olhou para mim.
Nós sorrimos um para o outro.
E então ele se aproximou.
Ou talvez tenha sido eu que me aproximei. Até hoje não sei dizer exatamente quem deu o primeiro passo.
Só lembro das mãos dele me puxando delicadamente para perto.
E então aconteceu.
Nos beijamos.
O toque foi delicado.
Mas o beijo era quente.
Eu lembro do vento batendo em nós enquanto estávamos ali.
Lembro da sensação daquele momento.
E lembro, principalmente, do que aconteceu depois.
Cheguei em casa e não conseguia parar de pensar nele.
No beijo.
Naquele garoto que eu tinha visto de longe pela primeira vez e que, de alguma forma, agora tinha deixado uma marca na minha cabeça.
Nós trocamos números.
E foi assim que começou.
Passamos a conversar bastante.
Por meses.
Não sei dizer exatamente quanto tempo. Talvez quase metade de um ano.
Eu só sei que, durante aquele período, ele começou a deixar de ser apenas “o menino bonito que eu tinha visto na escola”.
Comecei a conhecer quem ele era.
Descobri que ele gostava de mexer com coisas de computador. Ele me mostrava o que fazia, explicava coisas que eu sinceramente não entendia quase nada.
Eu olhava para a tela do celular tentando acompanhar as imagens que ele me enviava.
Não entendia.
Mas achava incrível.
Sempre achei a coisa mais interessante, claro, se tornava interessante ao vê-lo me mostrar.
Talvez eu tenha entendido muito pouco sobre tudo o que ele havia me apresentado naquela época, mas entendia perfeitamente uma coisa:
Eu gostava de vê-lo feliz falando sobre aquilo que amava.
E talvez esse tenha sido um dos primeiros momentos em que comecei a me apaixonar não apenas pela aparência daquele garoto, mas por quem ele era.
Se apaixonar nessa época foi uma droga.
Não porque eu não queria.
O motivo é que eu era muito nova.
E meus pais não permitiam que eu namorasse.
Por mais que eu tivesse tentado conversar e explicar que obedeceria cada regra aplicada por eles, infelizmente não obtive sucesso.
Pensei por algumas noites enquanto chorava de raiva pela situação.
Eu poderia esconder.
Poderíamos viver alguma coisa em segredo.
Mas eu não queria isso.
Eu queria algo sério.
Queria poder estar com ele sem precisar olhar para os lados com medo de que meus pais pudessem ver e eu acabasse por complicar ele de alguma forma.
Queria poder levá-lo comigo para os lugares.
Queria poder apresentar aquele menino para as pessoas e dizer, sem medo:
“Ele é meu.”
E, principalmente, eu não queria que ele fosse colocado dentro de um relacionamento que eu não tinha condições de oferecer.
Então tomei uma decisão que, para uma menina daquela idade, parecia impossível.
Eu precisava deixá-lo ir.
Lembro de dizer que, se ele quisesse, poderia ficar com outra menina.
Ela gostava dele.
E eu não queria ficar no caminho.
Eu não queria ser o motivo para que ele também ficasse preso esperando por algo que talvez nunca pudesse acontecer.
Disse que, se fosse para ser, algum dia nós nos encontraríamos novamente.
E então nós paramos de conversar.
Completamente.
Eu não lembro exatamente das palavras que usei.
Mas lembro de ter chorado.
Lembro de ter ficado desesperada.
Lembro de ter feito aquilo enquanto gritava, chorava e tentava convencer a mim mesma de que estava fazendo a coisa certa.
Talvez aquela tenha sido a primeira vez que eu descobri que amar alguém também podia significar abrir mão.
Eu deixei aquele garoto ir.
E minha vida continuou.
A escola continuou.
Os dias continuaram.
Os anos passaram.
Mas, em algum lugar dentro de mim, aquela história nunca terminou de verdade.
Porque eu ainda lembrava dele.
Do garoto que eu tinha visto de longe naquela manhã.
Do sorriso.
Do vento.
Do beijo.
E da promessa que eu mesma havia feito sem saber se algum dia seria cumprida:
Se fosse para ser, nós nos encontraríamos novamente.








