AS ESCRITURAS DE LUNARA
“Antes que existissem matilhas, existia a Lua.
Antes que existissem Alfas, existia o vínculo.
E antes que houvesse promessas, Lunara já conhecia o destino de cada alma.”
Desde a Primeira Lua, o Livro de Lunara é a maior relíquia do povo lobo.
Conta a lenda que seus primeiros versos foram escritos pela própria deusa e confiados
aos Primeiros Alfas para que jamais esquecessem que a verdadeira força de uma matilha
não nasce de suas garras, mas dos vínculos que escolhe honrar.
Ao longo dos séculos, nenhuma palavra foi alterada.
Cada Canto preserva uma lembrança.
Cada Verso guarda um ensinamento.
Os filhotes aprendem seus primeiros trechos antes mesmo da Primeira Transformação.
Os Alfas juram lealdade sobre suas páginas ao assumir a liderança da matilha.
As Lunas recebem uma cópia manuscrita durante a Cerimônia do Vínculo, como símbolo de que, a partir daquele dia, carregarão não apenas o coração de seu companheiro, mas
também o equilíbrio de toda a alcateia.
Nos funerais, os anciãos recitam o Último Canto, lembrando que nenhuma alma desaparece
enquanto permanecer sob a luz de Lunara.
Existe, porém, um ensinamento que jamais é explicado aos filhotes.
Os anciãos dizem que cada lobo deverá compreendê-lo por si mesmo.
“Lunara jamais responde às preces imediatamente.
Ela responde através do destino.”
Que estas páginas sejam lidas da mesma forma que os antigos liam o Livro de Lunara.
Não em busca de respostas para o futuro.
Mas para compreender as escolhas que moldam o presente.








