O Encontro de Dois Mundos
POV: Orion Vex
O cheiro de suor, couro e linimento era o meu oxigênio. Mas hoje, o Apex Grappling Lab parecia ligeiramente diferente. Olhei para o meu joelho direito, envolto em uma faixa compressiva. Há três meses, um estalo maldito durante uma defesa de queda me tirou do octógono. Eu, o atual campeão mundial peso-pesado de luta livre regularizada, o homem mais poderoso de Nova Iorque, estava confinado a uma rotina de treinos leves de braço e tronco.
"Não abaixa a cabeça, Vex. Você é o maldito rei dessa cidade," sussurrei para mim mesmo, encarando o espelho da minha sala privada.
Aos 25 anos, eu tinha tudo: dinheiro, fama, um corpo esculpido por anos de treinos brutais, olhos azuis que a mídia descrevia como "hipnóticos" e uma postura dominantemente gay que nunca escondeu de ninguém quem eu era. Eu não pedia licença para existir. Minha família — Arthur e Clara Vex — me apoiava incondicionalmente. Minha mãe sempre chorava na ala VIP antes das lutas, implorando para eu me cuidar, mas o orgulho nos olhos dela e do meu pai era o que me movia.
A porta da sala abriu e Reader Nightshade, meu treinador e braço direito na federação, entrou com um sorriso de canto.
— O homem chegou, Orion. O melhor fisioterapeuta de combate do país. O cara trabalha milagres. E, bem... você disse que queria alguém competente. Ele está na sala de fisio te esperando.
— Ótimo. Vamos ver se ele é tudo isso ou só marketing — respondi, levantando-me e caminhando com uma leve coceira de impaciência.
Ao passar pelo corredor principal, vi Liora Venhalis, minha grande amiga. O público achava que éramos namorados, um boato que alimentávamos estrategicamente para proteger o maior segredo dela: Liora amava mulheres, e no mundo corporativo tradicional dela, manter as aparências com o campeão mundial era um escudo perfeito. Ela piscou para mim. Kael e Zarek, meus outros dois irmãos de alma, me deram tapinhas nas costas.
Entrei na sala de fisioterapia de última geração. Meus olhos, no entanto, ignoraram os aparelhos de laser e as macas de alta tecnologia. Eles travaram no homem de costas para mim.
Cabelos pretos, ombros largos que preenchiam perfeitamente a camisa social, uma postura ereta e dominante. Quando ele se virou, meus olhos azuis colidiram com um par de olhos âmbar intensos. Senti uma descarga elétrica imediata percorrer minha espinha. Ele tinha 25 anos, a minha idade. E uma presença que rivalizava com a minha.
— Orion Vex — eu disse, estendendo a mão, deixando minha aura de dominância natural transbordar. — O dono do lugar.
POV: Dorian Valerius
Eu sabia o peso do nome Apex Grappling Lab, mas entrar na fortaleza de Orion Vex era outra história. Eu vinha de uma família tradicional, amorosa e muito convencional. Meus pais, Silas e Celeste Valerius, me criaram para ser o melhor no que faço. Meus amigos de farra, Alex Sterling e Sam Vance, viviam me arrastando para clubs para beber e caçar mulheres, afinal, eu sempre fui hétero e convicto da minha masculinidade dominante. Mas trabalho era trabalho.
Quando Reader Nightshade me ligou no dia anterior, ele omitiu quem seria o paciente premium. Quando o campeão mundial entrou pela porta, meu coração errou uma batida, algo extremamente raro para mim.
Orion Vex era um colosso. Olhos azuis cortantes, cabelos pretos desalinhados de forma sexy, e um corpo que parecia esculpido em mármore. Ele exalava testosterona, poder e uma homossexualidade assumida e feroz que não pedia desculpas a ninguém.
Quando ele estendeu a mão, segurei com firmeza. Nossos olhares se fixaram. Uma disputa silenciosa de território e dominância começou bem ali, no aperto de mão. A pele dele era quente.
— Dorian Valerius — respondi, sustentando o olhar dele, recusando-me a me curvar diante do homem mais cobiçado de Nova Iorque. — Sou o homem que vai colocar você de pé para esmagar seus oponentes de novo. Se você me deixar trabalhar, é claro.
Orion deu um sorriso de canto, os olhos descendo descaradamente pelo meu corpo, analisando meu peito definido sob a camisa. Um calafrio estranho — e perigosamente excitante — subiu pelo meu abdômen.
— Gosto de homens determinados, Dorian. Vamos ver como são as suas mãos no meu corpo.
Aquela frase ecoou na minha mente. Eu era hétero. Pelo menos, achava que era até sentir o peso daquele olhar azul me despindo inteiramente.








