Capítulo 1 — O novo guarda-costas
A mansão Soydere despertava lentamente naquela manhã.
O enorme jardim estava impecavelmente cuidado, os carros luxuosos permaneciam estacionados diante da entrada e os funcionários já estavam ocupados com os preparativos para mais um dia na residência da família mais influente da cidade.
No andar de cima, porém, ninguém parecia ter pressa.
Nazli Soydere ainda estava na cama.
O quarto era enorme, decorado com elegância e cheio de detalhes que mostravam o estilo da jovem. Sobre uma poltrona, havia algumas roupas que ela havia experimentado na noite anterior. Em frente ao espelho, várias bolsas e acessórios estavam cuidadosamente organizados.
O celular de Nazli tocou pela terceira vez.
Ela abriu os olhos lentamente.
— Quem está me ligando tão cedo...? — murmurou, pegando o aparelho.
Era Leila.
Nazli atendeu ainda sonolenta.
— Oi...
— Nazli! Finalmente! Você está acordada?
— Agora estou.
— Nós combinamos de sair às dez!
Nazli olhou para o relógio.
— São nove e meia?!
— Exatamente!
Nazli levantou-se imediatamente.
— Meu Deus! Por que você não me ligou antes?
Leila soltou uma risada.
— Eu liguei três vezes.
— Então você deveria ter insistido!
— Você é impossível.
Nazli sorriu.
— Eu sei.
Depois de desligar, ela correu para o closet.
Enquanto isso, no andar inferior, Emir Soydere já estava sentado à mesa com o pai.
Ao contrário da irmã, Emir havia começado o dia há horas.
Uma pasta cheia de documentos estava aberta diante dele.
— Precisamos revisar os números da filial de Istambul — disse o pai.
Emir assentiu.
— Já pedi os relatórios. Devem chegar ainda hoje.
O pai observou o filho por alguns segundos.
— Você sabe que, em breve, essas decisões estarão nas suas mãos.
Emir fechou a pasta.
— Eu sei.
— E está preparado?
Emir olhou para ele com tranquilidade.
— Estou.
Antes que a conversa continuasse, passos apressados foram ouvidos no corredor.
Nazli apareceu na sala.
— Bom dia!
Emir levantou os olhos dos documentos.
— Você está atrasada.
— Eu sei.
— Como sempre.
Nazli fez uma careta.
— Bom dia para você também, Emir.
Ele apenas voltou aos documentos.
— Vai sair?
— Vou encontrar a Leila.
O pai de Nazli olhou para ela.
— Você vai acompanhada.
Nazli parou.
— Como assim?
— A partir de hoje você terá um novo guarda-costas.
Ela franziu a testa.
— Outro?
— Sim.
— Pai, eu já disse que não preciso disso.
— E eu já disse que não estou perguntando.
Nazli cruzou os braços.
— Isso é ridículo.
Emir levantou uma sobrancelha.
— Você consegue transformar até um guarda-costas em um problema.
— Emir!
Ele sorriu discretamente.
— Só estou dizendo.
Nazli voltou-se para o pai.
— Eu consigo cuidar de mim mesma.
— Não duvido. Mas você continua sendo minha filha.
Ela suspirou, contrariada.
— E quando ele chega?
O pai respondeu calmamente:
— Hoje.
Nazli revirou os olhos.
— Ótimo. Mais uma pessoa para controlar minha vida.
Ela pegou a bolsa e caminhou em direção à porta.
— Nazli.
Ela se virou.
— O quê?
— Seja educada com ele.
Ela sorriu ironicamente.
— Não prometo.
E saiu.
Emir acompanhou a irmã com os olhos por alguns segundos.
— Isso vai ser interessante — comentou.
O pai apenas sorriu.
Enquanto isso, muito longe dali, um carro preto percorria as ruas da cidade.
No banco traseiro estava um homem vestido de maneira impecável, com expressão séria e olhar atento.
Magnus.
Ele havia recebido as instruções naquela manhã.
Seu próximo trabalho seria diferente de todos os outros.
Ele seria responsável pela segurança de uma jovem chamada Nazli Soydere.
Magnus olhou pela janela.
Ainda não sabia que aquela missão mudaria completamente sua vida.
E Nazli também não fazia ideia de que o homem que ela estava prestes a conhecer se tornaria uma das pessoas mais importantes de sua história.
Continua...








