A garota do fundo da sala
O sinal tocou.
Aurora entrou na sala carregando sua mochila e foi direto para o lugar de sempre: a carteira no fundo, perto da janela.
Ela gostava daquele lugar. Dali conseguia observar o movimento do corredor e conversar com suas amigas durante o intervalo.
Seus cabelos eram muito longos, com ondas naturais 2A que desciam por suas costas. Aurora passou a mão pelos fios antes de se sentar.
— Você demorou! — Lívia reclamou.
— Minha mãe pediu para eu esperar ela terminar uma coisa — Aurora respondeu.
Ágata, irmã gêmea de Lívia, colocou o caderno sobre a mesa.
— Alguém fez a atividade de matemática?
As três olharam para ela.
— Não me diga que você esqueceu de novo — disse Cleo, rindo.
— Eu não esqueci! Eu só... não entendi.
Lívia começou a rir.
— Você nunca entende matemática.
— Eu tento! — Ágata respondeu, fazendo uma cara indignada.
Aurora riu.
Era assim quase todos os dias.
As quatro eram muito diferentes, mas estavam sempre juntas.
Aurora era mais reservada e sonhadora. Lívia era divertida e tinha cabelos cacheados. Ágata, também cacheada, era sincera e não gostava nem um pouco de matemática. Cleo tinha cabelos longos, lisos e pretos, além de olhos verdes que chamavam bastante atenção.
Aurora às vezes ficava insegura por ser muito baixinha. Também tinha momentos em que achava que seu nariz não combinava com seu rosto, embora suas amigas nunca enxergassem aquilo como um problema.
— Aurora — Cleo chamou.
— O quê?
— Você está viajando de novo.
Aurora sorriu.
— Estava imaginando como seria conhecer a Coreia.
Lívia abriu um sorriso.
— Um dia a gente vai.
— Com certeza.
Nesse momento, o professor entrou.
— Bom dia, turma. Antes de começarmos, temos um aluno novo.
A sala ficou em silêncio.
Um garoto entrou.
Ele era um pouco alto, tinha cabelos ondulados 2A e olhos castanhos.
— Pode se apresentar — pediu o professor.
O garoto olhou para a turma.
— Meu nome é Noah.
Aurora levantou os olhos.
Noah olhou diretamente para ela.
Por algum motivo, Aurora sentiu que aquele olhar demorou mais do que deveria.
O professor apontou para uma carteira.
— Pode se sentar ali.
A carteira ficava perto de Aurora.
Noah passou por ela e se sentou.
Aurora voltou a olhar para o caderno.
Mas não conseguiu prestar atenção na aula.
Alguma coisa naquele garoto parecia diferente.
E ela ainda não sabia por quê.








