Chapter 1
Antes da Escuridão
Acordei cedo naquela manhã. Era meu primeiro dia de aula na universidade, e eu ainda achava um pouco estranho pensar nisso. Parecia que tinha sido ontem que eu era apenas uma criança no ensino fundamental. O tempo realmente passava depressa.
Agora, aos dezoito anos, eu estava prestes a começar uma nova etapa da minha vida: havia ingressado no curso de Medicina, uma das minhas maiores paixões. Sempre achei a profissão fascinante. Afinal, poder cuidar das pessoas, aliviar seu sofrimento e, principalmente, salvar vidas era algo que eu considerava extraordinário.
A luz do sol atravessava as frestas da cortina, incomodando meus olhos. Levantei um pouco a cabeça do travesseiro e, ainda sonolenta, peguei o celular para conferir as horas.
07h15.
Meus olhos se arregalaram.
— Meu Deus! A aula começa às oito!
Afastei as cobertas e corri para o banheiro. Tomei um banho quente, tentando ser o mais rápida possível. Depois, escovei os dentes, lavei o rosto e voltei para o quarto.
Peguei o celular novamente.
07h28.
— Ainda dá tempo…
Respirei fundo e me sentei diante do espelho para fazer uma maquiagem básica. Apliquei um pouco de corretivo, blush e pó, passei rímel nos cílios e finalizei com um toque de iluminador. Para completar, escolhi um batom avermelhado, apenas o suficiente para dar um pouco de cor aos meus lábios.
Gostei do resultado. Não queria nada muito elaborado para o primeiro dia.
Em seguida, separei meus materiais e os coloquei na bolsa: caderno, livro, estojo, celular, fones de ouvido, bloco de anotações, garrafa de água e alguns chicletes. Conferi tudo mais uma vez, certificando-me de que não havia esquecido nada.
Antes de sair, ainda consegui preparar um café da manhã.
Peguei algumas torradas, espalhei mel por cima e acrescentei pedacinhos de frutas. Para deixar tudo mais bonito, organizei as frutas sobre as torradas e prendi alguns pedaços com pequenos palitos. Também servi um copo de suco de laranja.
Sentei-me à mesa e aproveitei aquele breve momento de tranquilidade.
Estava delicioso.
Quando terminei, peguei minha bolsa e saí de casa em direção à universidade.
O sol estava forte naquela manhã, e o céu tinha um azul tão bonito que era difícil não admirá-lo. Enquanto caminhava, observei as pessoas passando pelas ruas, algumas apressadas, outras aparentemente despreocupadas com o tempo.
Talvez fosse um bom começo.
Ao chegar ao campus, fiquei alguns instantes observando o lugar. A universidade era ainda mais bonita do que eu imaginava. O prédio tinha uma arquitetura moderna e sofisticada, com grandes janelas e corredores espaçosos. Havia flores espalhadas pelos jardins, acrescentando um toque delicado à paisagem.
O ambiente parecia agradável.
Como ainda faltava um pouco para a aula começar, decidi me sentar em um dos bancos do pátio. Coloquei a bolsa ao meu lado e observei o movimento ao redor, tentando me acostumar àquele lugar novo.
Mais à frente, algumas meninas conversavam animadamente. Pareciam ter a minha idade e estavam tão à vontade umas com as outras que imaginei que já se conhecessem havia algum tempo.
Enquanto eu as observava discretamente, uma delas se despediu das amigas e caminhou em minha direção.
— Olá, bom dia! — cumprimentou-me com um sorriso simpático.
— Bom dia! — respondi, retribuindo o sorriso.
— Você é nova por aqui, não é? Acho que nunca te vi antes.
— Sou, sim. Hoje é meu primeiro dia. — Fiz uma pequena pausa antes de perguntar: — Qual é o seu nome?
— Sophie. E o seu?
— Chloe. Prazer em conhecer você!
— O prazer é meu! Gostei do seu nome.
— Obrigada! O seu também é bonito.
Sophie sorriu e se sentou ao meu lado.
— Está ansiosa para começar as aulas?
— Um pouco. Acho que ainda estou tentando acreditar que finalmente entrei na universidade.
— Eu entendo! No começo, tudo parece meio estranho. Mas você acaba se acostumando.
— Espero que sim. Aliás, quantos anos você tem?
— Dezenove. E você?
— Dezoito.
— Está no primeiro período?
— Sim! Comecei agora. E você?
— Estou no terceiro. Daqui a pouco já vou para o quarto.
— Nossa, então você já conhece bem o lugar!
— Um pouquinho, pelo menos. — Ela riu. — E o que você está cursando?
— Medicina. Sempre quis seguir essa área.
— Que interessante! Deve ser um curso bem difícil.
— Imagino que seja. Mas é algo de que gosto muito, então quero me dedicar bastante.
— Tenho certeza de que você vai se sair bem!
Agradeci, um pouco sem jeito com o elogio. Depois, perguntei sobre o curso dela.
— Faço Moda! — respondeu, animando-se imediatamente. — Sempre gostei de criar roupas, pensar em combinações, desenhar peças… Amo essa parte criativa. Quero aprender cada vez mais sobre como transformar minhas ideias em algo real.
— Que legal! Deve ser incrível poder criar suas próprias peças.
— É mesmo! Às vezes, fico tão empolgada com uma ideia que nem percebo o tempo passar.
Olhei para ela com mais atenção. Sophie tinha um estilo muito próprio, e suas roupas pareciam combinar perfeitamente com sua personalidade.
— Agora entendo por que você é tão estilosa — comentei. — Amei sua tiara de estrelinhas com esse moletom rosa. Ficou muito bonito!
Ela tocou delicadamente a tiara, sorrindo.
— Obrigada! Gostei muito do seu cabelo também. Essas ondas ficam lindas em você.
— Obrigada! — respondi, sentindo minhas bochechas esquentarem um pouquinho.
Gostei de conversar com Sophie. Ela parecia simpática, e foi um alívio perceber que talvez eu não precisasse passar o dia inteiro sem conhecer ninguém.
De repente, um sinal sonoro ecoou pelo campus, anunciando o início das aulas.
Sophie se levantou e ajeitou a bolsa no ombro.
— Acho que precisamos ir. Foi muito bom conhecer você, Chloe! Te vejo no intervalo?
— Claro! Boa aula para você.
— Para você também. Até daqui a pouco!
— Até!
Despedi-me dela com um sorriso e segui em direção ao prédio onde ficavam as salas de aula.
Caminhei pelo corredor, conferindo os números nas portas até encontrar a minha. Entrei e percebi que ainda havia poucos alunos. Escolhi uma cadeira na fileira do meio, meu lugar preferido. Não gostava muito de ficar na frente, com a sensação de que todos poderiam me observar, mas também não queria me sentar no fundo da sala.
Coloquei a bolsa ao lado da cadeira e tirei meu caderno e meu estojo.
Pouco depois, a professora entrou.
— Bom dia, alunos! Meu nome é Jolie, e hoje começaremos com uma introdução à Anatomia Humana.
Endireitei a postura, interessada.
Anatomia Humana sempre tinha despertado minha curiosidade. Antes mesmo de ingressar em Medicina, eu gostava de aprender sobre o funcionamento do corpo, os órgãos e a maneira como todas as partes trabalhavam em conjunto. Esperava me sair bem naquela disciplina.
A professora parecia gentil e demonstrava conhecer muito bem o conteúdo. Enquanto explicava, fazia anotações no quadro, apresentando conceitos e termos que eu ainda precisava aprender.
Tentei acompanhar tudo, registrando as informações mais importantes no caderno. O assunto era complexo, mas eu estava disposta a me dedicar.
Ainda assim, o cansaço começou a aparecer. Minha manhã tinha sido bastante corrida, e meu estômago já dava sinais de que precisava de mais alguma coisa.
Olhei discretamente para o relógio.
Ainda faltava um pouco para o intervalo.
Suspirei baixinho e voltei minha atenção para a professora. Eu precisava me concentrar, afinal, aquele era apenas o começo.
Quando finalmente o sinal tocou, guardei meus materiais e saí da sala quase imediatamente. Estava ansiosa para comer alguma coisa.
Segui até o pátio e encontrei uma cantina. Aproximei-me do balcão e cumprimentei a funcionária.
— Bom dia!
— Bom dia, querida! O que vai querer?
Observei rapidamente o cardápio.
— Gostaria de um cupcake de morango e um suco de uva, por favor.
A funcionária pegou meu pedido, entregou-me o lanche e recebeu o pagamento. Agradeci e procurei uma mesa vazia, onde me sentei para comer.
O cupcake tinha uma aparência deliciosa. A cobertura rosada estava decorada com pequenos detalhes que o deixavam ainda mais bonito.
Dei a primeira mordida.
— Nossa, que delícia! — murmurei para mim mesma.
Comi tranquilamente, aproveitando aquele momento antes de voltar às aulas. Depois de terminar o lanche, decidi explorar um pouco mais a universidade. Afinal, eu ainda não conhecia quase nada daquele lugar.
Caminhei pelos corredores, observando as salas, os jardins e os espaços de convivência. Algumas pessoas conversavam em pequenos grupos, enquanto outras andavam apressadas, carregando livros e mochilas.
Eu estava distraída, admirando o ambiente, quando ouvi passos rápidos atrás de mim.
Antes que pudesse me virar, alguém esbarrou em meu ombro.
Perdi o equilíbrio e caí no chão.
— Ah! — exclamei, surpresa.
— Desculpa! Não foi minha intenção! — disse uma voz masculina.
O rapaz se abaixou imediatamente e estendeu a mão para me ajudar.
— Tudo bem, não se preocupe — respondi, aceitando sua ajuda.
Levantei-me e ajeitei a roupa, um pouco constrangida com o ocorrido.
— Obrigada por me ajudar.
— Por nada.
Foi então que olhei para o rosto dele.
Seus olhos eram verdes, de um tom que me fez parar por um instante. Tinha os cabelos castanho-claros, levemente desalinhados, e traços harmoniosos que lhe davam uma aparência marcante.
Ele era bonito.
Muito bonito, na verdade.
Por um breve momento, nossos olhares se encontraram. Havia algo na expressão dele que não consegui compreender, embora talvez fosse apenas minha impressão. Eu ainda estava tentando me recuperar da surpresa do esbarrão.
O rapaz esboçou um sorriso discreto.
— Preciso ir. Desculpa mais uma vez!
— Tudo bem!
Ele se afastou rapidamente, desaparecendo entre os estudantes que circulavam pelo corredor.
Fiquei parada por alguns segundos, acompanhando-o com o olhar até perdê-lo de vista.
Que rapaz estranho…
Não sabia explicar por que aquele breve encontro tinha chamado tanto a minha atenção. Talvez fosse apenas porque eu ainda estava me acostumando à universidade. Afinal, era meu primeiro dia, e tudo parecia novo.
Balancei a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos, e voltei para a sala.
As aulas continuaram, e o restante da manhã transcorreu sem grandes acontecimentos. Ainda estudávamos Anatomia Humana, e eu me esforcei para acompanhar as explicações, embora minha mente insistisse em retornar, de vez em quando, ao encontro no corredor.
Eu sequer sabia o nome dele.
Por que, então, continuava me lembrando daquele momento?
Quando as aulas finalmente terminaram, guardei meus materiais e deixei a universidade.
O sol ainda brilhava intensamente, mas, enquanto caminhava de volta para casa, já não prestava tanta atenção ao céu ou às flores pelo caminho.
Meus pensamentos estavam em outro lugar.
Naquele rapaz de olhos verdes que eu provavelmente nunca mais veria.
Ou, pelo menos, era o que eu imaginava.








