Capítulo 1
Sou o Miguel, tenho 16 anos. Moro na aldeia e vivo com o meu pai e a minha avó. Todas as pessoas da aldeia são boas, mas, às vezes, vêm forasteiros a arranjar confusão.
Mais um dia acordo de manhã cedo. Minha avó ia bater em mim.
Penso: isto acontece desde pequeno, diz que é para ter força, mas acho estranho. Lembro-me da primeira vez, tinha 4 anos, deu-me um pontapé, desmaiei logo.
Agora consigo desviar.
- Ela diz:
Rapaz malcriado, devias deixar a tua avó acertar.
- Eu disse:
Já a seguir, dói muito, usas muita força.
- Ela disse:
Teu pai, quando era pequeno, levava.
- Disse:
Mas ele aguenta, eu não.
- Ela disse:
Mas ensinei-te a lutar.
- Eu disse:
Mas eu nunca pedi para aprender.
Fez uma cara feia. - Ela disse:
Comer está na mesa.
Desci as escadas, meu pai já estava a comer.
- Ele disse:
Bom dia, filho.
- Eu disse:
Bom dia, peguei, comi um pão e bebi um sumo.
- Ele disse:
Come devagar, ninguém vai roubar a tua comida.
- Eu disse:
Tenho que ir para a escola.
- Minha avó disse:
Este miúdo não é como o seu pai burro.
- Meu pai disse:
Mãe, não sejas assim.
- Avó disse:
Foste à cidade e voltaste sem mulher e com o meu neto.
- Meu pai disse:
Cala-te, mãe.
O ambiente estava a ficar pesado, é melhor dar corda aos sapatos.
- Eu disse:
Até logo.
- Ele disse:
À noite quero falar contigo.
- Eu disse:
Está bem, chau.
Pensei: o que meu pai quer desta vez?
Saí, dei de comer ao meu cão chamado Leão, mandava esse estilo, foi para a escola. Era perto de casa, o caminho era bonito, como sempre, só árvores. Era como respirar o melhor oxigénio, mas, como era uma aldeia onde todos se conheciam, era uma felicidade pura.
Entrei na escola, não era muito grande, pois vivia na aldeia. Fui direto para a sala, sentei-me à janela.
Não conseguia ficar atento na sala de aula, pois ficava pensando no que o meu pai disse. Tem havido, ultimamente, discussões entre eles, mas não sei o porquê, eu só quero aproveitar a vida e sem confusões.
Tocou para o almoço. Não era muito popular, pois tinha uma cicatriz no olho, mas isso também não me incomodava. Abri a lancheira, era peixe com arroz.
Pensei: o problema deve ser muito grande.
O resto das aulas correu bem, fui para casa. Meu pai estava com a cara inchada, nem perguntei porquê, sei perfeitamente quem fez isso, foi a minha avó.
- Eu disse:
Que querias falar?
- Ele disse:
À noite falamos, é importante para ti.
Minha avó entra e diz:
Parece que apanhaste pouco.
Silêncio, pois eu e o meu pai sabíamos que, quando a minha avó ficava chateada, não havia muito a fazer. Fui ver os animais, dei de comer, limpei a casota do Leão, depois fui tomar banho. Saí, já estava de noite. Ia a descer, a minha avó saltou, ia a dar um pontapé, quase acertou. Desviei, mas caí pelas escadas.
- Minha avó disse:
Vês, ainda tens muito a aprender.
- Eu disse:
Claro.
Pensei: a continuar assim, morro de susto.
Comemos, ninguém disse nada, acabámos de comer.
- Meu pai disse:
Vem comigo lá fora.
- Eu disse:
Está bem.
Pensei: e agora a tal notícia, vamos ver o que é?








