Legacy by H at Inkitt
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LEGACY

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Summary

Heloan, Fernando e Natan são três amigos comuns que descobrem um antigo mistério ligado às suas próprias famílias. Determinados a mudar seus destinos, eles embarcam em uma perigosa jornada em busca da verdade. Mas suas investigações acabam colocando-os no caminho de um perigoso terrorista que procura a mesma coisa - e está disposto a matar para encontrá-la. Agora, enquanto atravessam ruínas, cidades e lugares esquecidos, os três precisam descobrir o segredo antes que ele caia nas mãos erradas.

Genre
Adventure
Author
H
Status
19h ago
Chapters
1
Rating
n/a
Age Rating
16+

CAPÍTULO 1: O INÍCIO DA JORNADA

O céu estava começando a escurecer quando Heloan saiu de casa.

Não havia nada de especial naquela noite. O trânsito seguia normalmente, pessoas voltavam do trabalho, bares começavam a encher e as luzes da cidade tomavam conta das ruas.

Heloan caminhava olhando para o celular enquanto digitava uma mensagem.

Fernando: "Tu tá vindo?"

Heloan respondeu:

Heloan: "Tô chegando."

Poucos segundos depois, outra mensagem apareceu.

Natan: "Se ele chegar antes de mim, fala que eu tava preso no trânsito."

Heloan soltou uma risada.

Heloan: "Você mora a três ruas de onde a gente vai se encontrar."

Natan: "Trânsito é trânsito."

Heloan guardou o celular.

— Esses dois ainda vão me matar...

O lugar combinado era um pequeno bar quase vazio, onde os três costumavam se encontrar.

Fernando já estava sentado em uma das meas.

— Finalmente.

— Cheguei na hora.

— Você chegou oito minutos atrasado.

— Então cheguei quase na hora.

Fernando balançou a cabeça.

— Cadê o Natan?

— Deve estar chegando.

— Aposto que vai aparecer dizendo que teve algum problema.

Como se tivesse sido invocado pela conversa, Natan entrou pela porta.

— Desculpa o atraso.

Fernando olhou para ele.

— E aí?

— Trânsito.

— Você mora a três ruas daqui.

— Trânsito de pedestres.

Heloan começou a rir.

— Senta logo.

Natan puxou uma cadeira.

— Então... por que você chamou a gente?

Heloan ficou alguns segundos em silêncio.

Ele colocou o celular sobre a mesa.

Na tela havia uma fotografia antiga.

Fernando se inclinou para olhar.

— Que isso?

— Encontrei isso ontem.

— Onde?

— Nas coisas do meu avô.

Natan pegou o celular.

A fotografia mostrava três homens diante de uma construção antiga, parcialmente destruída. A imagem estava envelhecida, mas havia algo estranho no fundo.

Um símbolo estava gravado em uma das paredes.

Fernando franziu a testa.

— Isso é o quê?

— Não sei.

Heloan ampliou a fotografia.

— Mas eu já vi esse símbolo antes.

Natan olhou para ele.

— Onde?

Heloan abriu outra imagem.

Depois outra.

E outra.

Todas eram fotografias antigas pertencentes à família dele.

O mesmo símbolo aparecia em todas.

Fernando ficou sério.

— Espera...

Ele pegou o celular da mão de Heloan.

— Isso aqui é da sua família?

— É.

— E essas pessoas?

— Meu avô. O homem do lado era amigo dele.

Natan apontou para o canto da fotografia.

— E aquele cara?

Heloan demorou para responder.

— Não sei.

Os três ficaram em silêncio.

Então Fernando percebeu algo.

— Heloan...

— O quê?

— Olha a data.

Heloan conferiu.

1968.

Fernando olhou novamente para a fotografia.

— Então como essa mesma marca aparece numa foto que sua família tem de 1931?

Heloan não respondeu.

Pela primeira vez naquela noite, ele parecia realmente preocupado.

Ele abriu uma última fotografia.

A imagem mostrava uma mulher jovem diante de uma casa antiga.

No verso, havia uma anotação feita à mão:

"Se alguém encontrar isto, não procure o legado."

Natan levantou os olhos.

— Tá de brincadeira.

Heloan virou a fotografia.

No verso havia mais uma frase.

"Ele não deve ser encontrado."

Fernando encostou-se na cadeira.

— Quem é "ele"?

Heloan olhou para os dois.

— É exatamente isso que eu quero descobrir.

E, naquele momento, nenhum dos três fazia ideia de que aquela fotografia seria a primeira pista de uma história que havia começado muito antes de qualquer um deles nascer.

Na manhã seguinte, Heloan caminhava pela rua com o celular encostado ao ouvido.

— Escuta, pode ser que seja uma oportunidade boa. Já ouviu falar de relíquias antigas? E se nossa família tiver algum vestígio? Ou algo assim?

Do outro lado da linha, Natan soltou uma pequena risada.

— Não sei, cara. Muito improvável. Porque ninguém nunca teria nos dito sobre isso? E por que só agora isso seria descoberto?

Heloan olhou para o outro lado da rua, ainda pensativo.

— Não sei, cara, mas veja... se for algo grande, pode ser uma mudança. Uma grande mudança.

Houve alguns segundos de silêncio.

— Bom, a gente nem sabe onde procurar. Deixa isso quieto, mano.

Heloan respirou fundo.

— Ok. Tudo bem então.

— Valeu, mano. E não se esqueça de avisar o Fernando que temos que ir no evento de carros essa semana, hein.

— Beleza, eu aviso.

— Falou.

— Falou.

A ligação terminou.

Heloan tirou o celular do ouvido e o colocou no bolso.

Continuou caminhando.

Por alguns segundos, tentou esquecer aquilo.

Tentou pensar no evento de carros, nos amigos, na rotina... em qualquer coisa que não fossem aquelas fotografias.

Mas não conseguia.

A imagem do símbolo gravado na pedra continuava em sua cabeça.

1931.

1968.

Duas fotografias. Duas gerações diferentes.

O mesmo símbolo.

E aquela frase escrita no verso:

"Não procure o legado."

Heloan parou diante de uma faixa de pedestres.

Seu olhar ficou perdido por alguns instantes.

— Que porra é esse legado...?

O sinal abriu.

As pessoas começaram a atravessar.

Heloan voltou a andar.

Sem perceber, havia passado por uma pequena banca de antiguidades.

E, atrás do vidro empoeirado da vitrine, havia uma pequena peça de metal.

Um medalhão antigo.

Heloan passou direto.

Deu três passos.

Parou.

Voltou.

Seus olhos se fixaram no objeto.

No centro do medalhão havia um símbolo.

O mesmo símbolo das fotografias.

Heloan ficou imóvel.

— Não é possível...

Ele se aproximou da vitrine.

E, pela primeira vez, percebeu que talvez Natan estivesse errado.

Talvez aquilo realmente fosse uma oportunidade.

Uma grande mudança.

Três dias depois.

Fernando estava em frente ao espelho, escovando os dentes enquanto terminava de se arrumar para o evento de carros que acontecia semanalmente no bairro de Natan.

Seu celular vibrou sobre a pia.

Era uma mensagem de Natan:

Natan: Dessa vez, não vou me atrasar.

Fernando riu e respondeu:

Fernando: Óbvio. É em frente à sua casa.

Poucos segundos depois, outra mensagem apareceu.

Heloan: Aí, mano. Depois do evento vamos no barzinho. Quero mostrar uma parada pra vocês.

Fernando respondeu diretamente pela notificação:

Fernando: Beleza. Vou avisar o Natan.

O evento estava movimentado.

Carros modificados ocupavam boa parte da rua, pessoas conversavam ao redor dos veículos e o som dos motores preenchia o ambiente.

Depois de algumas horas, os três finalmente deixaram o evento.

Caminhavam juntos em direção ao bar onde costumavam se encontrar.

Natan olhou para Heloan.

— Então, que parada é essa que você falou?

— Calma. Chegando lá vocês vão ver.

Fernando olhou desconfiado.

— Espero que não seja outra foto velha.

Heloan apenas sorriu.

— Confia.

Pouco depois, chegaram ao bar.

Os três se sentaram na mesa de sempre.

Heloan colocou a mão no bolso e retirou cuidadosamente um pequeno objeto metálico.

Colocou-o sobre a mesa.

CLINC.

Fernando olhou para o objeto, confuso.

— Que isso?

Natan, assim que viu o medalhão, arregalou os olhos.

— Ah, não...

Heloan abriu um sorriso de satisfação.

— Pois é.

Ele empurrou o medalhão para o centro da mesa.

— Encontrei o medalhão das imagens.

Fernando pegou o objeto.

— Tá de sacanagem? Sério?

— Sério.

Natan aproximou o rosto para observar melhor.

— Onde você achou isso?

— Numa loja de antiguidades. E já pesquisei sobre a origem.

Heloan virou o medalhão entre os dedos.

— Parece ser mesopotâmico.

Fernando franziu a testa.

— Mesopotâmico?

— Sim.

Natan ficou alguns segundos olhando para o objeto.

— Meu Deus... isso é loucura, pô.

Heloan recostou-se na cadeira.

— Nada. Confia. Eu tô sentindo que é uma coisa grande.

Fernando levantou a mão e chamou o garçom.

— Escuta, vamos ver... onde isso levaria a gente?

O garçom se aproximou.

— Pode trazer uma bebida pra mim, por favor?

Depois de fazer o pedido, Fernando voltou sua atenção ao medalhão.

— Você acha mesmo que isso vale dinheiro?

— Provavelmente.

— Quanto?

Heloan deu de ombros.

— Bom... sei lá. Mais de um milhão, sem dúvidas.

Natan, que até então parecia pouco interessado, imediatamente mudou de expressão.

Olhou novamente para o medalhão.

— Bom...

Ele pegou o objeto.

— Talvez não seja tanta perda de tempo assim.

Os três começaram a rir.

Heloan recuperou o medalhão.

— Eu vou pesquisar algumas fontes e tentar ver algumas viagens pra gente.

Fernando e Natan concordaram.

— Nos avise — disseram os dois quase ao mesmo tempo.

Heloan ficou olhando para os dois por alguns segundos.

Então sua expressão mudou.

— Nós somos burros.

Fernando franziu a testa.

— O quê?

— A gente é amigo há esse tempo todo...

Heloan pegou o celular.

— E nunca fez um grupo?

Os três ficaram em silêncio.

Fernando arregalou os olhos.

— Caraca... é mesmo.

Natan começou a rir.

— Isso iria facilitar nossa vida, definitivamente.

Heloan abriu o aplicativo de mensagens.

— Beleza! Vou fazer.

Ele começou a digitar.

— Até mais, pessoal.

— Falou.

— Tamo junto.

Os três se levantaram e seguiram caminhos diferentes para suas casas.

Heloan caminhava sozinho pela rua, com o medalhão guardado no bolso.

Pegou o celular.

Na tela, o novo grupo estava criado.

"OS 3 IDIOTAS"

Heloan sorriu.

Mas, antes de guardar o aparelho, uma nova mensagem apareceu.

Natan: "Só não vai gastar todo nosso dinheiro antes da gente descobrir se isso realmente vale alguma coisa."

Heloan respondeu:

"Primeiro a gente descobre. Depois fica rico."

Ele guardou o celular.

Heloan continuou pesquisando.

Durante dias, passou horas procurando referências ao símbolo encontrado no medalhão, comparando fotografias antigas, documentos históricos e registros de objetos mesopotâmicos.

Quanto mais procurava, mais dúvidas apareciam.

Nenhuma informação parecia levar a algum lugar.

Duas semanas se passaram.

Durante esse tempo, os três continuaram conversando sobre o assunto no grupo que haviam criado, mas a empolgação inicial começava a diminuir.

Natan: "Alguma novidade?"

Heloan: "Nada concreto ainda."

Fernando: "Então continuamos pobres."

Natan: "Pelo menos isso não mudou."

Heloan ria das mensagens, mas não desistia.

Até que, numa tarde, algo finalmente mudou.

Ele estava sentado diante do computador, cercado por anotações e imagens antigas.

Abriu mais uma página.

Parou.

Voltou.

Leu novamente.

Seu olhar ficou fixo na tela.

— Não...

Heloan aproximou o rosto do monitor.

A página mostrava uma representação de um antigo artefato circular.

Ao lado dela, havia uma fotografia de outro objeto praticamente idêntico ao medalhão que ele havia encontrado.

Heloan abriu várias imagens.

Os dois objetos tinham o mesmo formato.

O mesmo símbolo.

A mesma estrutura.

Mas havia uma diferença.

Eles eram complementares.

Duas peças redondas que, quando colocadas lado a lado, formavam uma única figura.

Heloan começou a pesquisar freneticamente.

Documentos.

Registros de escavações.

Catálogos antigos.

Relatos de historiadores.

Até encontrar uma informação que fez seu coração acelerar.

Segundo alguns registros, os dois artefatos não eram simples medalhões.

Eram descritos como uma espécie de chave.

Uma chave associada a uma das maiores cidades da Antiguidade.

Babilônia.

Heloan ficou alguns segundos em silêncio.

— Babilônia...

Mas havia algo ainda mais estranho.

Ele continuou lendo.

O medalhão que possuía não era o original.

Era uma réplica produzida séculos depois, aparentemente baseada em uma tradução incorreta e utilizada como adereço em antigas peças teatrais.

Uma cópia de uma cópia.

Mas o outro...

O outro era real.

Heloan desceu a página.

Seu coração disparou.

Uma das peças originais seria colocada em um leilão em Nova York na semana seguinte.

Ele ficou olhando para a tela.

Um sorriso lentamente apareceu em seu rosto.

Pegou o celular.

Abriu o grupo.

Digitou:

Heloan: "Galera."

Nenhuma resposta.

Heloan: "ACORDA."

Fernando respondeu primeiro.

Fernando: "Que foi?"

Natan: "Você descobriu alguma coisa?"

Heloan tirou uma foto da tela e enviou.

Heloan: "o nosso é falso"

Silêncio.

Alguns segundos depois:

Fernando: "falso?"

Heloan respondeu:

"É bom que o inglês de vocês estejam afiados"

Poucas horas depois, os três já estavam discutindo passagens, hospedagem e tudo que precisariam para a viagem.

O plano era simples.

Ir para Nova York.

Encontrar o artefato.

Descobrir o que aquela suposta chave realmente escondia.

E, se possível, comprar a peça antes que alguém descobrisse seu verdadeiro valor.

Dias depois.

O aeroporto estava movimentado.

Heloan caminhava ao lado de Fernando e Natan, cada um carregando sua própria bagagem.

Fernando olhou para os dois.

— Só pra deixar claro...

Natan virou o rosto.

— O quê?

— A gente está indo pros Estados Unidos por causa de dois pedaços de metal que podem nem fazer merda nenhuma.

Heloan continuou andando.

— Basicamente.

Fernando respirou fundo.

— E você acha isso uma boa ideia?

Heloan olhou para ele.

— Não.

Natan riu.

— Pelo menos ele é sincero.

Heloan sorriu.

— Mas eu acho que vale a pena.

Os três continuaram caminhando pelo aeroporto.

À frente deles, o portão de embarque aguardava.

Destino: Nova York.

E nenhum dos três sabia que, naquela viagem, eles não seriam os únicos interessados no medalhão.

Porque alguém já estava esperando que aquela peça aparecesse.

E essa pessoa sabia exatamente o que a chave de Babilônia poderia abrir.

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