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THE ANATOMY OF OBSESSION

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Summary

A historia se basea em Theo Sinclair, um psicologo esquizofrenico e obsessivo, que se apaixona pelo seu paciente. Na capa podemos ver Theo e Roger, Roger é uma das suas visões, que incentiva ele a matar e stalkear sua paciente, com o tempo ele começa a se acostumar a matar e vira o assassino em série mais procurado de Chicago. Uma história curta. O livro é pura ficção, contem violencia explicita e sexo explicito.

Status
Complete
Chapters
20
Rating
n/a
Age Rating
18+

CAPÍTULO 1

Chicago tinha duas personalidades.

A primeira aparecia nos cartões-postais: prédios altos, restaurantes caros, turistas sorrindo para câmeras e pessoas fingindo que não estavam com frio.

A segunda era a que eu conhecia.

Chuva, metrô atrasado e gente que atravessava a rua olhando para o celular como se a morte fosse apenas uma notificação que ainda não tinha chegado.

Eu gostava mais da segunda.

Era mais honesta.

Olhei para o relógio.

2:57 horas da tarde.

Três minutos.

Meu próximo paciente chegaria às três.

Três minutos são bastante tempo.

Você pode se apaixonar em três minutos.

Pode arruinar sua vida em três minutos.

Pode tomar uma decisão que vai perseguir você pelo resto dela.

Ou pode simplesmente ficar olhando para um relógio e esperando alguém abrir uma porta.

Eu estava fazendo a última opção.

A porta abriu.

— Theo Sinclair?

Levantei os olhos.

Ela entrou.

E, por algum motivo, o resto da sala pareceu ficar alguns segundos mais silencioso.

Cabelo escuro, preso de qualquer jeito. Uma blusa larga, saia preta, tênis e pequenas argolas nas orelhas. Uma mochila pendurada em um ombro.

Ela parecia desconfortável.

Não comigo.

Com o lugar.

Fazia sentido.

Ninguém entra voluntariamente em um consultório de psicologia pensando:

"Que ótimo. Mal posso esperar para falar sobre meus problemas."

— Sou eu.

Ela entrou completamente.

— Milo.

— Prazer, Milo.

— Prazer.

Ela sentou no sofá.

Eu peguei a ficha.

Milo Hayes. Dezenove anos.

Estudante.

Algumas informações básicas.

Motivo da consulta.

Ansiedade.

Problemas de autoestima.

Dificuldade para dormir.

Nada especialmente incomum.

Mas havia uma coisa interessante.

Ela estava olhando para a sala inteira.

Não para mim.

Para os livros.

Para a janela.

Para o relógio.

Para a pequena planta perto da estante.

Ela estava procurando uma saída.

Ou procurando alguma coisa.

Talvez as duas.

— Primeira vez fazendo terapia? — perguntei.

— Sim.

— Então você ganhou o prêmio de pior maneira possível de passar uma terça-feira.

Ela soltou uma risada curta.

Boa.

Humor defensivo.

Interessante.

— Você sempre fala assim? — ela perguntou.

— Assim como?

— Como se nada fosse sério.

Parei por um instante.

— Eu acho que algumas coisas são sérias demais para serem tratadas com seriedade o tempo inteiro.

Ela me encarou.

Dessa vez diretamente.

— Isso foi profundo.

— Eu estava tentando parecer inteligente.

Ela riu.

E eu sorri.

Profissionalmente.

Claro.

Profissionalmente.

Ela falou durante quase quarenta minutos.

Faculdade.

Amigos.

A mãe.

Solidão.

O medo de decepcionar as pessoas.

Falou sobre ser uma garota trans com a naturalidade de quem já estava cansada de transformar isso em uma apresentação para desconhecidos.

Eu não perguntei nada desnecessário.

Não precisava.

Ela queria ser tratada como uma pessoa.

Então foi exatamente assim que eu a tratei.

Milo.

Dezenove anos.

Uma garota tentando descobrir o que fazer com a própria vida.

Como quase todo mundo.

A diferença era que algumas pessoas tinham dinheiro para pagar um psicólogo enquanto tentavam descobrir.

— Meu namorado acha que eu penso demais — ela disse.

Parei de escrever.

Namorado.

Ah.

É claro.

Porque o universo nunca perde uma oportunidade de adicionar uma pequena piada.

— E você acha que ele está errado?

— Completamente.

— Por quê?

Ela deu de ombros.

— Eu penso bastante. Não acho que seja demais.

— Existe diferença.

— Obrigada.

— Não agradeça ainda.

Ela sorriu.

Eu também.

Mas minha cabeça já estava trabalhando.

Namorado.

Ela tinha namorado.

Informação irrelevante.

Completamente irrelevante.

Eu era psicólogo.

Ela era minha paciente.

Além disso, eu não sabia absolutamente nada sobre ela.

Nada.

Então por que eu queria saber?

Às 3:51, Milo levantou.

— Acho que foi bom.

— Também acho.

— Semana que vem?

— Se você quiser.

Ela colocou a mochila nas costas.

— Eu quero.

Então abriu a porta.

Antes de sair, olhou para trás.

— Tchau, Theo.

— Tchau, Milo.

A porta fechou.

Silêncio.

Olhei para a ficha em cima da mesa.

Milo Hayes.

Peguei a caneta.

Coloquei a ficha na gaveta.

Fechei.

Pronto.

Acabou.

Uma paciente.

Uma sessão.

Nada mais.

Levantei e fui até a janela.

Lá embaixo, Chicago continuava fazendo aquilo que Chicago fazia melhor:

ser indiferente.

Pessoas andando.

Carros passando.

Um casal discutindo na calçada.

Uma mulher fumando sozinha.

Um homem correndo para pegar o ônibus.

Milhares de histórias acontecendo ao mesmo tempo.

E nenhuma delas tinha qualquer relação comigo.

Voltei para a mesa.

Abri a gaveta.

Peguei a ficha novamente.

Milo Hayes.

Dezenove anos.

Namorado.

Ansiedade.

Insônia.

E aquele sorriso.

Fechei os olhos.

— Não.

Falei sozinho.

Porque às vezes você precisa dizer algumas coisas em voz alta para fingir que acredita nelas.

Guardei a ficha.

Dessa vez, tranquei a gaveta, com uma copia da ficha.

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Good Writing

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Compelling Plot

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Strong Dialog

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