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Museu das Almas de bronze

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Summary

# Sinopse: Entre o mistério de um crime oculto e a travessia por fendas dimensionais, dois mundos colidem. Dorian Gray é um pesquisador e homem da ciência, acostumado com o rigor do mundo urbano e racional. Sua vida muda drasticamente na noite em que o curador do museu local é brutalmente assassinado em um ritual macabro e sem precedentes: com o peito aberto, os órgãos internos da vítima foram removidos e substituídos por estatuetas bizarras, moedas de bronze arcaicas e uma misteriosa flor. Ao tentar investigar a relíquia por conta própria, Dorian encaixa a flor na estátua de bronze correspondente, desencadeando uma reação mágica violenta que rasga a estrutura do espaço-tempo. Sugado por uma fenda dimensional, o humano cético despenca do céu e vai parar direto em Ignisfer — um reino medieval dominado por forças ancestrais, dragões e magia. Resgatado (e capturado) por Valerius, o arrogante e imponente príncipe semideus do reino, Dorian se vê preso em uma realidade hostil, coberto de lama e desprovido de qualquer tecnologia. Enquanto o mortal mimado tenta manter a sanidade usando o sarcasmo e uma boca suja como escudo, Valerius encontra no forasteiro vindo do céu o entretenimento mais fascinante de sua vida.

Status
20h ago
Chapters
4
Rating
n/a
Age Rating
18+

#Cap 1: O peso do café quente. POV: Dorian

Novathoorn era o tipo de cidade que parecia permanentemente presa sob uma camada de fuligem e chuva fria. Não importava a estação do ano, o céu sempre ostentava aquele tom cinza-asfalto chato, condizendo perfeitamente com a minha vontade de estar em qualquer outro lugar do planeta.

Girei o copo de uísque barato sobre a mesa de madeira riscada do escritório. O líquido dourado balançava contra o gelo já meio derretido, ao lado de uma pilha indecente de relatórios não lidos. Era terça-feira, três da tarde. Eu deveria estar bebendo café, mas o café da delegacia tinha gosto de pneu queimado e desespero.

— Se o chefe te pegar com esse copo aí antes das cinco, Dorian, ele te joga pela janela do terceiro andar — resmungou Miller, sem tirar os olhos do monitor do computador. O brilho da tela destacava as olheiras profundas do meu parceiro.

— O chefe nem lembra em qual andar fica o nosso departamento, Miller — respondi, dando um gole curto. O álcool desceu queimando a garganta, aquecendo um pouco do frio que parecia ter impregnado nos meus ossos. — E se ele me jogar pela janela, pelo menos me dá três dias de folga médica. É um risco que estou disposto a correr.

— Você é ridículo — intrometeu-se Sarah, jogando uma pasta pesada direto em cima do meu teclado com um baque seco. — Em vez de filosofar sobre o seu alcoolismo funcional, lê isso aqui. Roubo de uma estátua do século XVIII no distrito oeste. O proprietário jura que o ladrão entrou voando.

— Voando — repeti, erguendo uma sobrancelha. — Ladrões com jetpack. Finalmente o crime em Novathoorn está se modernizando.

— Ou mais um maluco chapado. — Sarah suspirou, ajeitando o coldre no ombro. — A cidade tá cheia deles essa semana.

Puxei a pasta e comecei a folhear as fotos sem muito entusiasmo. O dia a dia de um investigador em Novathoorn se resumia a isso: furtos burocráticos, maridos infiéis, brigas de bar e relatórios preenchidos em três vias. Nada que exigisse mais do que dois neurônios funcionando e uma dose decente de sarcasmo para aturar os depoimentos.

Eu gostava do tédio. O tédio significava que ninguém estava tentando me dar um tiro.

O telefone fixo na minha mesa começou a tocar, quebrando o zumbido monótono do ar-condicionado quebrado. Pensei em ignorar e deixar cair na caixa postal, mas Miller me encarou com um olhar que dizia "atende essa porra ou eu jogo esse copo na sua cara".

Soltei um suspiro pesado, apoiei o copo na mesa e puxei o gancho.

— Investigador Dorian. Se for sobre o cachorro perdido da Sra. Higgins, diga a ela que o bicho provavelmente virou petisco de mendigo.

— Agente Dorian, cala a boca e escuta — a voz do Capitão Vance do outro lado da linha veio acompanhada pelo som de sirenes de fundo e uma estática violenta. Ele parecia alterado, o que era raro para um homem que parecia um cadáver empalhado na maior parte do tempo. — Esquece a burocracia. Quero você no Museu de História e Antiguidades agora.

— O museu? O que aconteceu? Acharam mais um vaso quebrado do Egito?

— Temos um homicídio. E não é um homicídio qualquer — o tom do Capitão Vance caiu para um sussurro tenso, quase desconfortável. — A cena tá feia, Dorian. Para de lerdeza e anda logo.

A ligação caiu antes que eu pudesse responder.

Fiquei encarando o fone mudo por alguns segundos. Olhei para o copo de uísque, depois para a pasta de roubos imbecis na minha mesa.

— O que foi? — perguntou Sarah, percebendo a mudança na minha cara.

— O dever chama — murmurei, levantando e vestindo meu colete por baixo do paletó. Ajustei a gravata preta e peguei a arma na gaveta. — Parece que o dia normal acabou.

---

O trajeto até o distrito histórico de Novathoorn levou vinte minutos sob uma chuva fina que transformava os faróis dos carros em borrões amarelados. Estacionei na calçada oposta ao Museu de História e Antiguidades, onde três viaturas já piscavam suas luzes vermelhas e azuis contra a fachada de pedra escura do prédio.

A fita amarela de "CENA DO CRIME - NÃO ULTRAPASSE" tremulava com o vento frio.

Passei por baixo da fita, mostrando meu crachá para o oficial na porta, que apenas assentiu com a cara fechada. O ar dentro do museu era estranho. Não tinha o cheiro habitual de poeira e cera de piso; cheirava a ferro fundido e algo sutilmente queimado, como eletricidade estática no ar antes de uma tempestade.

Subi a escadaria principal até o grande hall de exposições. O Capitão Vance estava parado perto de uma das colunas, fumando um cigarro — o que era estritamente proibido dentro do prédio, mas ninguém parecia se importar naquele momento.

— Agente Dorian — Vance disse, soltando a fumaça sem nem me encarar direito. — Avisando desde já: a perícia nem começou a fotografar. O legista disse que precisa de um minuto lá fora antes de desmaiar.

— Você tá me deixando ansioso, chefe. O que aconteceu? Alguém tomou uma facada por causa de um artefato roubado?

— Antes fosse uma facada. Dá uma olhada você mesmo. Mas não pisa na poça.

Caminhei em direção ao centro do hall, pisando com o máximo de cuidado para não sujar a sola do meu sapato italiano de couro. Desviei de vitrines de vidro que exibiam espadas enferrujadas e moedas antigas. No centro da sala, sob a luz fraca dos refletores de emergência, estava o corpo. Ou o que restava dele.

Parei a dois metros de distância. A visão fez a minha garganta amargar instantaneamente.

A vítima era o curador do museu. Ele estava ajoelhado, mas de uma forma grotesca e não humana: os dois joelhos tinham sido deslocados para trás, forçados contra o chão de mármore até estraçalhar as articulações. Os braços estavam torcidos como galhos secos atrás das costas, com os ossos dos cotovelos perfurando a própria pele. A cabeça estava caída para trás num ângulo impossível, presa apenas por retalhos de músculo e pele da nuca, deixando a garganta exposta num rasgo fundo e seco.

O pior, porém, era o tórax. O peito do homem fora totalmente serrado do osso do esterno até o umbigo, aberto como as páginas de um livro sombrio. Não havia coração, pulmões ou estômago; a cavidade torácica inteira tinha sido limpa com uma precisão cirúrgica perturbadora. Em vez de órgãos, o cavalo de carne estava completamente abarrotado de moedas antigas e estatuetas de bronze fosco, empilhadas umas sobre as outras, banhadas em uma poça espessa de sangue pisado.

Ao redor do cadáver, traçados geométricos perfeitos cobriam o chão, desenhados com o sangue que ainda escorria dos joelhos do homem.

— Que porra é essa...? — murmurei, sentindo um arrepio incômodo subir pela espinha.

Tirei do bolso interno do paletó um lenço de seda dobrado com cuidado. Eu detestava sujeira, e a mera ideia de respingo daquele sangue coagulado na minha roupa me dava náuseas. Baixei-me devagar, tomando o cuidado de manter a barra da calça longe do chão manchado.

No centro daquela bagunça macabra, cravada bem no meio do monte de bronze dentro da caixa torácica, havia uma flor de tom avermelhado profundo, quase negra nas pontas. As pétalas pareciam vivas, inteiras e aveludadas, sem uma única gota de sangue sobre elas.

Com o lenço de seda cobrindo cuidadosamente os meus dedos, estendi a mão e toquei de leve a borda de uma das pétalas.

No milissegundo em que o pano encostou na flor, uma faísca disparou.

*Estalo.*

Recuei a mão num reflexo rápido, o coração dando um baque forte contra as costelas. Minha visão falhou por um milésimo de segundo — juro que vi uma sombra chifruda refletida no chão de mármore por uma fração de tempo, mas quando pisquei, era apenas a minha própria sombra sob os refletores.

Guardei o lenço no bolso com uma careta de nojo, limpando as mãos no ar por puro reflexo.

— Agente Dorian? — Vance franziu a testa. — Ficou pálido. Vai passar mal também?

— Não — limpei a garganta, me levantando rápido e ajustando as abotoaduras da camisa com desdém. — Só me pergunto quem tem tanto tempo livre para fazer uma carnificina tão teatral sem acionar um único alarme. Isso não é obra de gangue local, chefe. E nem preciso dizer o quanto é nojento estragar um piso de mármore desse jeito.

— A perícia vai demorar horas para tirar esse pesadelo daqui — disse Vance, soltando uma última tragada do cigarro e jogando a bituca dentro de um copo de plástico descartável. — Vamos voltar para a delegacia. Você assume o relatório inicial.

Apenas assenti. Dei uma última olhada para a cavidade torácica do curador, abarrotada de estatuetas de bronze brilhando sob o sangue denso. A imagem grudou na minha mente como tinta fresca. Quem quer que tivesse feito aquilo não tinha apenas matado um homem; tinha performado uma obra de arte doentia, cirúrgica e sem deixar uma única impressão digital para trás.

Afastando-me do perímetro da cena com passos cuidadosos para manter o couro dos meus sapatos intacto, segui o Capitão em direção à saída do museu. A chuva em Novathoorn parecia ter aumentado, caindo pesada e fria sobre o teto do meu carro durante todo o trajeto de volta.

Passamos o restante da tarde e o início da noite enfurnados no escritório. Cruzamos os dados da vítima, checamos o histórico de segurança do prédio, verificamos o tráfego das câmeras da rua e buscamos por qualquer antecedente ou ameaça recente. Nada. O homem era uma folha em branco: um historiador pacato, sem dívidas, sem inimigos aparentes e sem qualquer ligação com seitas ou grupos radicals.

O silêncio do arquivo e a ausência completa de pistas normais eram perturbadores. Não havia marcas de arrombamento, nem sinais de luta. Como alguém abria o peito de um homem inteiro, limpava seus órgãos e o preenchia com quilos de bronze no meio da madrugada sem fazer um único ruído que ativasse os sensores de som?

Era simplesmente impossível. Parecia... sobrenatural. Um pensamento ridículo para um investigador racional como eu, mas a única explicação matemática para o que tínhamos visto.

— Chega por hoje — Vance resmungou por volta das nove da noite, fechando a pasta de arquivos com força sobre a mesa. — Se eu encarar essas fotos por mais cinco minutos, não durmo um segundo hoje.

— Eu nem pretendo tentar dormir — respondi, massageando as têmporas e sentindo a dor de cabeça bater forte.

Saímos da delegacia e fomos direto para um bar decadente a duas quadras dali, o *The Rusty Anchor*. O lugar cheirava a cerveja choca, mofo e fumaça de cigarro, com uma iluminação neon amarelada que falhava de vez em quando. Era exatamente o tipo de esconderijo que precisávamos para esquecer o mundo lá fora.

Sentamo-nos em uma mesa ao fundo, longe da porta de entrada. O balcão de madeira surrada acumulava marcas de copos de décadas de bêbados locais.

— O que vai ser? — a barmaid perguntou, batendo um pano encardido na mesa.

— Traga a garrafa mais forte que tiver aí — pedi, desabotoando o primeiro botão do colar da camisa e soltando um pouco a gravata. — E não economize no gelo.

Minutos depois, dois copos grossos e uma garrafa de bourbon escuro com alto teor alcoólico pousaram na nossa frente. Sirvi uma dose generosa para Vance e transbordei o meu próprio copo. O líquido dourado queimou a minha garganta de imediato, espalhando uma onda de calor pelo peito que tentou suprimir a sensação incômoda de frio que a visão do corpo tinha deixado na minha espinha.

As horas começaram a se diluir na mesma velocidade em que o nível do bourbon na garrafa baixava. O relógio de parede do *The Rusty Anchor* já passava da meia-noite, emitindo um estalo seco a cada segundo que se esgotava no silêncio pesado que se formou entre nós.

Ao redor, o bar tinha esvaziado quase por completo. Apenas o som fraco da chuva batendo contra os vidros embaçados e o zumbido do refrigerador de bebidas nos faziam companhia.

Apoiei os cotovelos na madeira marcada de marcas de cigarro, encarando as fotos da cena do crime espalhadas entre os nossos copos. Mesmo sob a luz amarelada e vacilante do bar, o horror capturado naquelas imagens mantinha o seu peso.

— Vamos do começo. De novo — murmurei, massageando os olhos doloridos. O álcool já deixava os meus reflexos um pouco mais lentos, mas a minha mente continuava martelando no mesmo ponto cego. — O curador entra no museu às sete da noite. As luzes se apagam às oito, de acordo com a programação automática. Ninguém entra. Ninguém sai. O sensor de presença não detecta nada até as nove e meia, quando o alarme dispara.

— E em uma hora e meia — Vance completou, a voz rouca depois de quatro doses puras — alguém arranca os órgãos dele, limpa a cavidade torácica sem deixar um único gingo de gordura ou tecido sobrando, e preenche o espaço com exatamente duzentas e quarenta peças de bronze. Tudo isso em um silêncio absoluto.

— Sem ferramentas cirúrgicas encontradas — acrescentei, batendo o indicador na borda da mesa. — Os cortes nas costelas e no osso do peito não foram feitos por uma serra médica ou um bisturi. O corte é liso, Vance. É como se a carne e o osso tivessem sido derretidos ou cortados por algo incrivelmente quente e afiado no mesmo milissegundo.

— E os traçados no chão? — Vance inclinou-se para a frente, a testa franzida em vincos profundos. — A perícia disse que as linhas desenhadas com o sangue formam uma geometria perfeita. Um círculo externo com ângulos internos de precisão milimétrica. Ninguém desenha um diagrama perfeito no escuro, usando o sangue de uma vítima agonizante, em questão de minutos. Nem com uma régua.

— A menos que o assassino não seja humano — soltei a frase sem pensar, e a palavra pareceu flutuar no ar do bar como uma heresia perigosa.

Vance me encarou por longos segundos antes de dar uma risada curta, sem um pingo de alegria, e virar mais um gole.

— Se eu colocar isso no relatório oficial, o superintendente me manda para um reformatório psiquiátrico antes do amanhecer, Agente Dorian. "O suspeito é um fantasma com mania de grandeza e apreço por antiguidades". Quer que eu assine embaixo?

— Eu sou um homem da ciência e da lógica, chefe — respondi, inclinando a cabeça para trás e encarando o teto descascado do bar. — Mas a lógica exige que, quando você elimina o impossível, o que sobra, por mais absurdo que seja, tem que ser a verdade. Humano nenhum faz aquilo. Não naquele tempo. Não com aquela precisão grotesca. E com certeza não sem deixar uma pegada de lama na entrada.

O silêncio voltou a nos engolir. Ficamos tentando criar cenários: uma gangue usando produtos químicos desconhecidos, um surto psicótico planejado por meses, uma ilusão de ótica no sistema de segurança... Mas cada teoria que lançávamos na mesa ruía em questão de segundos diante dos fatos frios.

Nenhum assassino comum colocaria uma flor que não murcha e que emite eletricidade no peito de uma vítima. Nenhum criminoso de Novathoorn transformaria um cadáver num mostruário macabro de moedas e estatuetas com sorriso de demônio.

E finalmente a bebida cobrou seu preço. O peso daquela imagem macabra misturado ao álcool acumulado fez Vance ceder. Ele tentou levantar da mesa, mas cambaleou levemente, apoiando as duas mãos pesadas na madeira riscada para não cair. A expressão no rosto do meu chefe não era apenas de embriaguez; era o cansaço cru de um homem que encarou algo que a sua mente se recusava a digerir.

— Chega, Dorian... — ele resmungou, a voz arrastada, balançando a cabeça devagar. — Eu não dou conta disso hoje. Se eu ficar mais um segundo olhando para essas fotos, essa porra dessa cidade me enlouquece de vez.

Acompanhei Vance até a calçada úmida do bar. A noite em Novathoorn parecia ter ficado ainda mais densa, com o vapor saindo das nossas bocas a cada respiração fria. Não demorou para um táxi amarelo e gasto surgir dobrando a esquina, cortando a névoa com os faróis fracos. Ajudei o velho a entrar no banco de trás. Antes de fechar a porta, ele me encarou através do vidro meio aberto, os olhos vermelhos e distantes.

— Não fica procurando o que não existe, garoto — ele sussurrou, quase num aviso. — Vai para casa.

O carro partiu, sumindo na escuridão da rua molhada e deixando apenas o ruído dos pneus no asfalto.

Fiquei ali, parado na calçada silenciosa. O vento frio batia no meu rosto, mas o álcool ainda queimava no meu peito, me mantendo estranhamente desperto. Eu devia ter seguido o conselho dele. Devia ter ido para o meu apartamento, tomado um banho quente e fingido que nada disso era problema meu até a manhã seguinte.

Mas a verdade é que eu não conseguia.

Aquele crime não parecia uma história com começo, meio e fim. Parecia um abismo. A imagem daquele peito aberto, a sensação metálica no ar e o toque quente naquela flor estranha continuavam cravados na minha cabeça como um anzol. A lógica que sempre guiou a minha vida estava desmoronando, e uma curiosidade sombria, quase perigosa, começava a assumir o controle.

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