Uma vida agitada
Na época atual, em um mundo onde poderes e magias são algo comum. Algumas pessoas voavam de diversas formas diferentes pelo céu enquanto a rua estava lotada de carros. Nesse meio tempo uma garota de 15 anos com cabelos longos castanhos passava correndo entre as pessoas. ─ Licença! Desculpa! Tô passando! ─ Ela dizia enquanto fazia movimentos ágeis desviando dos pedestres, pulando por cima de um homem, rolando por baixo de uma mulher gigante e depois pulando na parede de um prédio correndo por ela e caindo em frente a porta de uma casa tocando a campainha.
A porta se abre revelando um homem gordo com um cabelo castanho usando uma regata. Ele olha para a menina e diz:
─ Tá atrasada…
A menina entrega a caixa de pizza e junta as mãos pedindo desculpas.
─ Sinto muito, senhor. Minha bicicleta quebrou e eu tive que ir a pé.
Ele abre a caixa e vê a pizza completamente bagunçada e desfigurada, o homem então olha para o crachá dela.
─ Lina Mercier, não é? Seu chefe vai ouvir uma grande reclamação de você! ─ Ele diz fechando a porta com força.
Vendo isso, ela coloca as mãos no rosto e dá um pequeno grito de estresse se sentando em um banquinho de madeira ali perto. Ouvindo um beep em seu celular logo em seguida. “Você não vai vir me buscar hoje não, irmã?” ─ Merda! O Lucian!
A adolescente então volta a correr pelas ruas, dessa vez em direção a escola do irmão. Correndo por Nova York, ela vê a estátua da liberdade ao longe enquanto um casal se beijava em cima dela. Até que um homem com um terno e alguns panfletos na mão a para.
─ Ei, ei, garota! Com licença!
─ Ah, oi. Eu tô meio ocupada se conseguir deixar a publicidade pra outra hora.
─ Vai ser rapidinho, menina. Estamos convidando pessoas para a palestra sobre o futuro militar do país. O próprio herói de guerra Matthew Forger vai estar lá!
─ Que legal, que legal! Muito obrigada, agora eu preciso ir. ─ Lina diz com pressa já tentando correr até que o homem barra ela novamente.
─ Espera! Faça essa rápida pesquisa sobre o que acha dos militares do país atualmente!
Em resposta, a garota bufa e responde:
─ Com todo respeito, eu tenho um compromisso.
─ Quem responder a pesquisa estará automaticamente participando de um sorteio de 10.000$.
─ Primeira pergunta?
Depois de alguns minutos de pesquisa a corrida continua, passando por prédios, multidões e até por um cachorro gigante de duas cabeças ela finalmente chega ao destino. Ofegante, mas chega.
Uma escola humilde, sendo um pequeno prédio com a tintura branca um pouco desgastada. Um parquinho com um balanço faltando e um escorregador de metal no lado de fora, junto a portaria onde seu irmão estava esperando.
─ Arf… Oi.. Irmãozinho. Vamos... pra casa? ─ Ela fala ofegante.
─ Tá atrasada, mana. ─ Lucian diz.
─ É, já me falaram isso hoje. Vamos pra casa. ─ A garota diz esfregando o suor do rosto contra o moletom branco.
─ Eca. ─ O garoto responde com nojo do suor e pega na mão da irmã mais velha.
─ Quando você passar o dia inteiro entregando pizza pra gordos carecas você pode reclamar, ta? ─ Lina responde ainda um pouco cansada.
Os dois vão caminhando pelas ruas finalmente chegando em um pequeno apartamento. Entrando lá dentro é um local não muito espaçoso, com uma geladeira um pouco velha, uma televisão de tubo e uma cama e um pequeno colchão no chão ao lado dela junto a um ventilador de teto que a qualquer momento parecia que ia cair.
Após a caminhada já havia ficado um pouco tarde da noite, então os dois decidiram se deitar com a Lina deitando no colchão de baixo e Lucian deitando na cama. O colchão não é o mais macio do mundo, mas é melhor que dormir no chão, portanto eles conseguem cair no sono.
Com a sensação de sono profundo, no meio da noite, a garota sente seu irmão a cutucando.
─ Lucian? O que foi? ─ Ela diz sonolenta esfregando os olhos.
─ Eu tive um pesadelo, foi assustador! ─ O garoto diz abraçando sua irmã.
A menina então abraça seu irmão de volta acariciando sua cabeça.
─ Relaxa, irmãozinho. Foi só um sonho, seus amigos vão te zoar se souberem que ainda fica com medo de pesadelos. Você já tem 10 anos. ─ Ela brinca, tentando aliviar a situação.
─ É.. é que era tão real, tinha.. tinha monstros com olhos roxos brilhantes e chifres e… e eles.. eles tavam matando pessoas, Lina! E.. Eu conseguia sentir o cheiro deles! Era muito ruim!
─ Ei, ei… tá tudo bem agora, carinha. Você tá comigo, ta? Quer dormir comigo hoje?
O garoto apenas acena com a cabeça, se ajeitando perto dela e caindo no sono de novo.
No dia seguinte, Lina acorda em seu colchão. Ela lentamente se espreguiça e se levanta, tirando o seu pijama de gatinho e colocando um moletom branco, calça moletom e tênis juntamente a um cachecol preto. Ela então faz um ovo e um bacon para seu irmão e sai de casa.
Chegando no portão da escola ela passa pela multidão e chega até a sala de aula se sentando perto da janela, onde sua amiga a cumprimenta. ─ Oi, Lina. Dormiu bem?
─ Heh, acho que minhas olheiras respondem sua pergunta. Meu irmão não parou de roncar durante a noite.
─ É, você tá horrível. Certeza que não quer morar comigo por um tempo? Sei que deve ta sendo difícil pra você depois do que aconteceu. ─ Pergunta a amiga preocupada.
─ Eu já disse pra você Laura, não é simplesmente assim que funciona. Sua mãe já ta ajudando com um pouco de dinheiro eu não vou simplesmente exigir mais dela.
─ Isso já não é só sobre você, e quanto ao Lucian? Ele vai ficar vivendo assim, mal comendo no café da manhã e estudando naquela escola horrível? Você tem uma bolsa , mas e quanto a ele? ─ Laura questiona levantando um pouco a voz.
─ Eu sei, mas… ─ Antes que ela pudesse responder o professor entra na aula colocando seus livros sobre a mesa com um outro homem velho que vestia uma calça jeans, boné e camisa pólo.
─ Bom dia, alunos. Hoje nesta aula de história temos um convidado especial, o herói de guerra da nossa grande América. O veterano que lutou na segunda guerra mundial, Matthew Forger.
Quando este nome é dito toda a sala começa a cochichar animados, até que o velho toma a frente e diz:
─ Crianças! Prestem bem atenção! Vocês aqui são o futuro do país! deverão usar suas habilidades com honra e integridade por nossa nação. Por isso, a partir de hoje vocês terão aulas comigo sobre como usar seus poderes efetivamente em combate! Espero grandes coisas principalmente de você, senhorita Lina. Já foi membro de uma escola militar, então espero que seja um exemplo para seus colegas.
─ Er… sinto muito, senhor general, mas acho que não to conseguindo ser um exemplo nem pra meu irmãozinho. Quem dera pra uma classe inteira, hehe.
─ Bem, vamos ver quanto a isso. ─ Ele diz cerrando um pouco os olhos.
─ Enfim, agora que já estão familiarizados com o senhor forger, devemos começar a aula. Continuamos o nosso estudo com a queda do grande asteróide de Anúbis que trouxe consigo a doença dos deuses. Como todos sabemos, ela matou metade da população enquanto o resto ganhou habilidades extraordinárias. A nossa ciência ainda não consegue explicar como essa doença funciona, alguns dizem que foi realmente os deuses, outros dizem que foram alienígenas, outros dizem que é apenas uma doença comum que ainda não entendemos. Dessa forma, quero um trabalho escrito a mão para semana que vem sobre os diferentes olhares dos cientistas sobre esse evento. Podem começar agora.
A classe inteira resmunga incomodada, mas logo começam a trabalhar. Após algumas outras aulas comuns de história e matemática finalmente chega a hora do intervalo.
Lina sai da sala chegando até um pequeno pátio onde ela se senta encostada na parede. Ela abre a lancheira e começa a comer pão francês puro. O gosto não é uma maravilha, porém é nutritivo o suficiente. Até que ela olha de canto e vê um valentão chamado Andrew incomodando um garoto magrelo do nono ano. A garota suspira e guarda o pão no potinho da lancheira indo até a confusão.
─ O que foi, aberração? Vai chorar? Ninguém se importa com um lixo igual você. ─ Andrew provoca com um sorriso sádico, após ter dado um gancho com seu punho imbuído em pedras na barriga do garoto.
Vendo isso, Lina se aproxima e chuta a lateral da cabeça do valentão fazendo ele bater contra o concreto e até rachar um pouco a parede.
─ Vem cá, quem te machucou pra você ser tão escroto assim, colega? Você é caricato demais, tenta ser um bully mais autêntico.
A cabeça do valentão começa a sangrar e ele cerra os dentes olhando a garota com ódio antes de tentar socar sua cara. A adolescente revida se virando, pegando um de seus braços e o jogando por cima dela com um golpe de judô o derrubando no chão.
Humilhado, Andrew se levanta com o machucado ainda formigando e vai correndo para longe antes de dizer:
─ Eu ainda te mato, Mercier!
Lina olha para o garoto, ele estava usando luvas pretas finas e tinha olhos azuis, com pele totalmente pálida e cabelos negros. Ele olha de volta e diz:
─ O… oi, obrigado pela ajuda. Sério mesmo, qual o seu nome?
─ Prazer, me chamo Lina. Aquele cara sempre implica com você assim? Ele me parece meio bobão. Tipo um valentão de filme adolescente.
O garoto ri um pouco, abrindo um sorriso antes de responder: ─ É, ele é meio idiota. Meu nome é Mark, a propósito.
─ Bem, é um nome fácil de lembrar. Você parece bem legal, aquele cara só tava te maltratando porque sim? ─ A garota questiona.
─ Ah, é apenas porque eu sou do clube de desenhos, eu sei lá, acho que ele acha nerd. ─ Ele responde rindo um pouco
─ Você desenha? Que legal, eu queria aprender mas não tenho muito tempo, sabe?
─ Eu posso te ensinar qualquer dia desse, se você quiser. ─ Mark oferece.
─ Perfeito, enfim preciso ir pra aula agora. Se aquele cara te incomodar de novo, pode me falar que eu arranco os dentes dele. ─ Ela diz indo de volta para a sala de aula.
Ao fim do dia letivo, Lina está voltando para casa. O dia está um pouco frio e seu cachecol preto cobre um pouco de sua boca. Até que seu celular começa a vibrar muito e fazer muito barulho. Pegando ele, ela franze a testa confusa ao ver a notícia.
“NOTÍCIA URGENTE: milhares de criaturas roxas com olhos brilhantes, muito fortes, rápidas e resistentes com garras estão atacando Paris e algumas outras cidades como São Paulo, Londres, Tokyo e muitas outras. É de suma importância que todos permaneçam em casa ou busquem abrigo imediatamente até as autoridades lidarem com a situação. Fiquem seguros.” ─ Espera… o sonh…
Antes que ela pudesse terminar a frase CHCK
Uma grande garra roxa a empala, passando por suas costas e aparecendo na frente de seu abdômen. A garra é retirada e sua respiração fica pesada, sua visão borrada e um buraco na sua barriga. Sangue escorria sem parar até que ela cai inconsciente no chão.








