O home que eu odiaria
O problema com pessoas ricas é que elas acham que podem comprar qualquer coisa.
Um café.
Uma empresa.
Uma notícia.
Uma pessoa.
Eu descobri isso aos vinte anos, quando finalmente percebi que meu sobrenome tinha comprado minha vida inteira antes mesmo de eu ter idade suficiente para escolher alguma coisa.
— Você está me ouvindo?
Levantei os olhos.
Sophie estava sentada na minha frente, segurando uma xícara de café e me encarando como se estivesse prestes a jogar o conteúdo inteiro na minha cabeça.
— Estou.
— Mentira.
— Estou pensando.
— Você está encarando a mesma página há dez minutos.
Olhei para o livro aberto sobre a mesa.
Ela tinha razão.
— Talvez eu esteja pensando muito.
Sophie revirou os olhos.
— Você precisa parar de pensar.
— Excelente conselho.
— Eu sei.
Ela tomou um gole do café.
— Aliás, você viu quem chegou?
— Não.
— Alexander Carter.
Meu corpo ficou imóvel por um segundo.
— E daí?
Sophie abriu um sorriso.
— Nada.
— Então por que você está sorrindo?
— Porque você acabou de fazer exatamente aquela cara.
— Que cara?
— A cara de quem quer fingir que não se importa.
Suspirei.
— Eu não me importo.
— Claro.
Antes que eu pudesse responder, ouvi uma movimentação perto da entrada.
Algumas pessoas começaram a olhar para o mesmo lugar.
E então eu o vi.
Alexander Carter.
Terno preto.
Relógio caro.
Expressão indiferente.
Ele entrou no salão como se aquele lugar pertencesse a ele.
Talvez pertencesse.
Nossos olhos se encontraram.
Por um instante, nenhum dos dois desviou.
Então ele caminhou diretamente na minha direção.
— Isabella Monteiro?
Franzi a testa.
— Sim?
Ele parou diante da mesa.
— Precisamos conversar.
Olhei para Sophie.
Depois para ele.
— Nós nos conhecemos?
— Ainda não.
— Então acho que não temos nada para conversar.
Ele se inclinou ligeiramente.
— Temos.
— Sobre?
Alexander colocou um envelope sobre a mesa.
Meu nome estava escrito nele.
Olhei para o envelope.
Depois para ele.
— O que é isso?
— Uma proposta.
Soltei uma pequena risada.
— Você costuma abordar mulheres desconhecidas com envelopes misteriosos?
— Só quando é importante.
Peguei o envelope.
Antes que pudesse abri-lo, ele disse:
— Se você aceitar, sua vida vai mudar.
Olhei novamente para Alexander.
— E se eu recusar?
Ele sustentou meu olhar.
— Então sua vida também vai mudar.
Meu sorriso desapareceu.
— Isso foi uma ameaça?
Alexander deu um passo para trás.
— Não.
Então virou-se e começou a sair.
Parecia que a conversa tinha terminado.
Mas antes de chegar à porta, ele parou.
Sem olhar para trás, disse:
— Leia antes de decidir.
Fiquei olhando para o envelope.
Meu nome.
A assinatura de Alexander Carter.
E uma sensação inexplicável de que, naquele momento, eu tinha acabado de abrir a porta para a pior decisão da minha vida.
Ou para a melhor.
Ainda não sabia.
Mas eu descobriria.
Muito em breve.








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