A CASA
Capítulo 1 — A Casa
A placa enferrujada apareceu depois de uma curva.
BEM-VINDOS A BLACKWOOD.
Damon observou a cidade pela janela do carro.
Poucas casas. Ruas quase vazias. Árvores enormes cercando tudo como se escondessem a cidade do resto do mundo.
— Que lugar animado — murmurou.
Seu irmão, Adrian, soltou uma risada no banco da frente.
— Você queria se mudar para Nova York. A gente veio parar no meio do nada.
— Percebi.
No banco ao lado, sua mãe continuava olhando o mapa no celular.
— A casa fica mais alguns minutos daqui.
Damon voltou a olhar pela janela.
Alguma coisa naquela cidade o incomodava.
Ele não sabia dizer o quê.
Talvez fosse o silêncio.
Quando o carro finalmente entrou em uma estrada cercada por árvores, Damon percebeu que o sinal do celular havia desaparecido.
— Ótimo — disse ele. — Nem internet.
— Sobreviva — Adrian respondeu.
Pouco depois, a casa apareceu.
Era enorme.
Antiga, com paredes claras já desgastadas pelo tempo, janelas altas e uma varanda de madeira que parecia precisar de alguns reparos.
Mas havia algo diferente nela.
Damon sentiu um arrepio.
Uma das janelas do segundo andar estava aberta.
— Quem deixou aquela janela aberta?
Sua mãe franziu a testa.
— Não sei.
Damon continuou encarando a janela.
Por um instante, teve a impressão de ver alguém parado atrás dela.
Um garoto.
Ele piscou.
Nada.
— Damon?
Ele virou o rosto.
— O quê?
— Você está bem?
— Estou.
Mas não estava.
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Mais tarde, enquanto a família descarregava as caixas, Damon decidiu explorar os arredores.
A floresta começava poucos metros atrás da casa.
Ele caminhou até a cerca e encontrou uma pequena placa de madeira presa a uma árvore.
NÃO ENTRE APÓS O PÔR DO SOL.
Damon arqueou uma sobrancelha.
— Sério?
— Você sempre ignora placas?
A voz veio atrás dele.
Damon se virou rapidamente.
Um garoto estava do outro lado da cerca.
Cabelo bagunçado, mochila jogada sobre um ombro e um par de óculos que escorregava um pouco pelo nariz.
Ele parecia estar tentando parecer tranquilo.
Não estava funcionando.
— Você é novo, né? — perguntou o garoto.
— Sou.
— Damon?
Damon estreitou os olhos.
— Como você sabe meu nome?
O garoto apontou para a casa.
— A cidade inteira já sabe que alguém comprou aquela casa.
— Isso é meio assustador.
— Você ainda não viu nada.
Damon ficou em silêncio por alguns segundos.
— E você é?
O garoto sorriu.
— Noah.
Antes que Damon pudesse responder, Noah olhou para a floresta.
O sorriso desapareceu.
— Você deveria ficar longe daqui depois que escurecer.
— Por quê?
Noah voltou a olhar para ele.
Dessa vez, não havia brincadeira em seu rosto.
— Porque algumas coisas em Blackwood não gostam de ser encontradas.
Um vento frio atravessou as árvores.
E, vindo do meio da floresta, Damon ouviu um sussurro.
Seu nome.
Damon.
Ele olhou para Noah.
Noah também tinha ouvido.
E, pela primeira vez, os dois perceberam que aquela cidade talvez escondesse muito mais do que qualquer um deles imaginava.








