Introdução
A Origem dos Dois Reis
Muito antes de Katay ser governada por dois reis, o reino conheceu apenas um trono.
A dinastia da família Park, localizada no Leste Asiático, era governada pelo Rei Gyeongheon e pela Rainha Lee Ji-ae. O casal teve dois filhos: Joon-ho, o primogênito e herdeiro do trono, e Seung-heo, o segundo filho.
Joon-ho casou-se com Soo-ah, uma jovem plebeia. Dessa união nasceram dois filhos: Park Ji-hoon e Park Min-seok.
Enquanto Ji-hoon crescia destinado a assumir grandes responsabilidades.
Min-seok desenvolvia uma forte ligação com o tio Seung-heo. Os dois eram próximos, e ninguém poderia imaginar que, um dia, essa relação estaria ligada a uma das maiores tragédias da história de Katay.
Seung-heo era casado com a princesa Jina.
Apesar de possuir posição, riqueza e proximidade com o trono, carregava consigo uma grande frustração: não tinha filhos.
Quando o Rei Gyeongheon morreu, Joon-ho tornou-se o novo soberano de Katay, recebendo o nome régio de Rei Munjong.
Mas Seung-heo não aceitou o destino que lhe fora imposto. Movido pela ambição, aliou-se ao General Choi Tae-sung e começou a conspirar contra o próprio irmão. O objetivo era simples e perigoso: derrubar Munjong e tomar o trono.
Entretanto, havia alguém dentro da conspiração que não permaneceria em silêncio.
Han Mi-yeon, esposa do General Choi Tae-sung, decidiu trair os conspiradores e revelou o plano ao Rei Munjong.
Alertado, o rei preparou uma emboscada.
Ao lado de seu fiel guarda, Kang Dae-hyun, Munjong enfrentou o próprio irmão.
A batalha foi brutal.
Espadas se chocaram, homens caíram e o sangue manchou o chão.
No fim, Munjong venceu.
Seung-heo estava derrotado e gravemente ferido. Sabendo que sua vida chegava ao fim, aproximou-se do irmão uma última vez.
Munjong esperava ouvir uma súplica.
Mas Seung-heo apenas se aproximou de seu ouvido e sussurrou algumas palavras.
O rosto do rei mudou.
Por um instante, até mesmo o homem que acabara de vencer uma batalha pareceu temer aquilo que ouvira.
— O que você disse? — perguntou Munjong.
Seung-heo apenas sorriu.
Então morreu.
Munjong permaneceu imóvel diante do corpo do irmão, coberto de sangue e com aquelas palavras ecoando em sua mente.
Ninguém soube o que Seung-heo havia lhe contado naquele momento.
Naquele mesmo dia, porém, o rei tomou uma decisão que mudaria para sempre o futuro de Katay.
Ao lado de seu secretário, Munjong redigiu um decreto secreto e o enviou para aprovação da corte.
O conteúdo daquele decreto estabeleceria uma nova forma de governar o reino.
Munjong não queria que seus filhos repetissem a história que acabara de viver.
Por isso, determinou que seus dois filhos, Ji-hoon e Min-seok, um dia governariam Katay juntos.
Dois irmãos.
Dois reis.
Um único trono.
Anos mais tarde, quando chegou o momento de cumprir o decreto de Munjong, Ji-hoon e Min-seok receberam seus nomes régios.
Ji-hoon tornou-se o Rei Taeheon.
Min-seok tornou-se o Rei Hyeonjo.
Assim nasceu o reinado dos dois irmãos.
Um sistema criado para impedir que o sangue de uma família voltasse a ser derramado pelo poder.
Mas Munjong não poderia prever que, muitos anos depois, seus filhos enfrentariam um conflito diferente.
Porque dividir um trono poderia ser possível.
Dividir pensamentos, valores e destinos seria muito mais difícil.
E talvez as últimas palavras de Seung-heo ainda não tivessem terminado de cumprir o seu propósito.
O legado dos guardas
Após a queda de Seung-heo, o Rei Munjong jamais esqueceu aqueles que haviam permanecido ao seu lado durante a batalha.
Kang Dae-hyun e outros guardas leais receberam um privilégio concedido pela coroa: suas famílias poderiam deixar as regiões onde viviam e se estabelecer nas proximidades do palácio, onde receberiam proteção e melhores condições de vida por seus serviços ao reino.
Mas havia um problema.
As antigas disputas políticas ainda deixavam marcas.
As famílias daqueles que haviam participado da queda de Seung-heo poderiam ser reconhecidas por seus antigos nomes e, consequentemente, tornar-se alvo de perseguições ou vinganças.
Por isso, antes de se mudarem para perto do palácio, algumas famílias receberam uma nova identidade.
Seus nomes foram alterados.
Os nomes de seus filhos também.
Era uma forma de protegê-los das consequências de uma guerra política que já havia terminado, mas cujas feridas ainda permaneciam abertas.
Boa Leitura
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