Episódio: Jatobá
Certa vez, em um Brasil remoto.
História de um povo marginalizado.
História de um povo desvalorizado.
História de um povo escravizado.
Conta-se hoje a vida de Jatobá.
Jovem negro condenado a trabalhar sem um
tostão arrecadar
Jatobá, filho de uma mãe.
Jatobá, filho de um pai.
Jatobá, apenas um rapaz.
Um sujeito nascido em uma época onde, para
gente como ele, não tinha paz.
Não tinha tempo de viver.
Era trabalhar até o dia que morrer.
Época onde se fazia lei para inglês ver.
Ouvia, à noite, sua mulher ser violentada.
Dias que matar seu senhor, por tudo, cogitava.
Todo dia se acordava.
Todo dia se levantava.
Todo dia, pra trabalhar, se arrumava,
Em sua boca, o gosto
amargo da vida.
O seu olho já não mais
cintila.
Seu cabelo cacheado
não se valoriza igual à cultura
negra.
À noite, se arrumava.
De manhã, na casa do senhor,
trabalhava.
Ao cair da noite, a cidade
se encaminhava.
Em suas lástimas,
rezava.
Pedia a santo, pedia a
Orixá, pedia a Jesus, pedia a Oxalá
para a sua história se
encerrar, pedindo até a cidade chegar.
Graxa, graxa, graxa.
Na cidade trabalhava.
Quando amanhã chegava,
O trabalho parava,
para o dono e sua casa
voltava.
O dinheiro contava,
mas quase tudo entregava.








