Chapter 1
Capítulo 1 — O garoto que não sabia como se aproximar
O céu estava azul, algumas nuvens cobriam o sol, e as ruas estavam cheias de estudantes indo para a escola.
Entre eles, caminhava um garoto de cabelo branco e olhos claros.
Seu nome era Tsuki.
Aos dezesseis anos, Tsuki era conhecido por quase ninguém.
Na sala de aula, sentava-se perto da janela, prestava atenção nas explicações dos professores e raramente conversava com os colegas. Quando alguém tentava falar com ele, normalmente respondia com poucas palavras.
Por isso, muitos pensavam que ele era frio ou que simplesmente não gostava de ninguém.
Mas estavam enganados.
Tsuki gostava de conversar. Gostava de fazer piadas, de ajudar as pessoas e de ouvir histórias interessantes. Em casa, conseguia falar durante horas.
O problema era que, na escola, nunca encontrava coragem para mostrar esse lado de si mesmo.
— Mais um dia... — murmurou, olhando para o portão da escola.
Ele respirou fundo e entrou.
A primeira aula
— Bom dia, turma! — anunciou o professor, entrando na sala.
— Bom dia! — responderam os estudantes.
Tsuki foi até sua carteira e colocou a mochila ao lado da mesa.
Enquanto os colegas conversavam sobre jogos, animes e os acontecimentos do fim de semana, ele ficou olhando pela janela.
Um pequeno gato estava sentado perto do muro da escola.
Os olhos de Tsuki brilharam.
Que fofinho... Será que ele tem dono? Será que gosta de ração de peixe?
Ele quase se levantou para ir até o animal, mas o sinal tocou.
— Tsuki! — chamou o professor.
O garoto virou-se imediatamente.
— S-sim?!
Alguns alunos olharam para ele.
— Pode ler a primeira questão para a turma?
— Ah! Claro!
Tsuki começou a ler. No início, sua voz saiu baixa, mas, depois de algumas palavras, ficou mais firme.
Quando terminou, uma garota sentada algumas carteiras à frente sorriu.
— Você tem uma voz bonita.
Tsuki congelou.
— Hã?
— Sua voz. É bonita! — repetiu ela, sorrindo.
O rosto dele ficou vermelho.
— O-obrigado...
A garota voltou a prestar atenção na aula, como se não tivesse acontecido nada.
Mas Tsuki continuou pensando naquelas palavras durante vários minutos.
Ela falou comigo... E ainda me elogiou...
Ele escondeu o rosto atrás do livro.
Talvez aquele dia não fosse tão comum quanto imaginava.
O encontro no corredor
No intervalo, Tsuki saiu da sala para comprar alguma coisa na cantina.
Ele caminhava distraído quando ouviu um barulho perto da escada.
Uma pilha de cadernos havia caído no chão, espalhando folhas pelo corredor.
Uma estudante tentava recolher tudo sozinha.
Várias pessoas passaram por ela, mas ninguém parou.
Tsuki hesitou.
Será que devo ajudar? E se ela achar estranho? E se eu atrapalhar?
Ele ficou parado por alguns segundos.
Então se lembrou de como se sentiria se estivesse naquela situação.
Tsuki aproximou-se e começou a recolher as folhas.
— Eu ajudo você.
A estudante levantou a cabeça, surpresa.
— Ah! Obrigada!
— Não foi nada. Acho que esta folha também é sua.
Ele entregou o último papel.
A garota juntou os cadernos contra o peito e fez uma pequena reverência.
— Você me salvou! Eu estava tentando pegar tudo antes que o sinal tocasse.
Tsuki soltou uma risada.
— Então chegamos a tempo de salvar os cadernos.
A garota riu também.
Por alguns instantes, os dois ficaram conversando. Tsuki descobriu que ela gostava de desenhar, e ela descobriu que ele adorava animais.
Quando percebeu que estava conversando naturalmente com alguém, Tsuki ficou surpreso.
Ele não precisou fingir ser outra pessoa.
Não precisou encontrar uma frase perfeita.
Só precisou ser ele mesmo.
— Bem, preciso ir para a sala — disse a estudante. — Obrigada de novo, Tsuki!
Ele arregalou os olhos.
— Como você sabe meu nome?
— Está escrito no seu crachá!
Ela apontou para o crachá preso ao uniforme e saiu rindo.
Tsuki olhou para o próprio peito.
— Ah...
Depois começou a rir sozinho.
— Que vergonha...
Mas, pela primeira vez em muito tempo, aquela vergonha não parecia tão ruim.
Uma mudança inesperada
Na última aula, o professor anunciou uma atividade especial para o restante do semestre.
— Este ano, nossa escola participará de um projeto chamado Laços do Coração. Os alunos terão oportunidades de trabalhar juntos, conhecer pessoas novas e ajudar a comunidade.
A turma começou a conversar animadamente.
Tsuki escutava em silêncio.
Conhecer pessoas novas?
Trabalhar em grupo?
Ele não sabia se aquilo era uma boa notícia ou um desastre anunciado.
— Espero que todos participem — continuou o professor. — Às vezes, uma única conversa pode mudar o dia de alguém.
Tsuki olhou pela janela.
Lembrou-se da garota dos cadernos. Lembrou-se do elogio que recebera naquela manhã.
Talvez fosse possível mudar.
Talvez ele pudesse fazer amigos.
Talvez pudesse encontrar pessoas com quem conversar sem sentir que precisava fugir.
Quando o sinal tocou, Tsuki guardou os materiais e saiu da sala.
No corredor, encontrou a mesma estudante do intervalo.
— Tsuki! Até amanhã!
Ele levantou a mão e respondeu:
— Até amanhã!
A garota sorriu e foi embora.
Tsuki ficou parado por um instante.
Então sorriu também.
Era um pequeno começo.
Ele ainda não sabia, mas aquele ano escolar traria encontros inesperados, amizades improváveis, desafios e sentimentos que jamais imaginara experimentar.
Seu mundo, antes silencioso, estava prestes a se encher de vozes.
E cada encontro poderia abrir espaço para um novo coração.
Fim do capítulo 1.








