Alcateia de Elite

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Resumo

Este é um romance de lobisomem fofo (e apimentado!) sem magia, lobos brancos, guerras ou mortes trágicas, etc. Apenas um romance comum... com garras. Na esperança de consertar seu casamento em crise, os pais de Lola e Flynn se mudam com eles para uma nova cidade em busca de um recomeço. Os gêmeos são matriculados para o último ano na escola Willow Creek High e logo percebem que há algo diferente nas pessoas daquela cidade. A maioria dos estudantes parece ter uma carreira de modelo pela frente; são todos perfeitamente bronzeados e inegavelmente atléticos. Some isso aos uivos durante a noite e ao medo que os moradores têm da floresta, e fica claro que algo muito estranho está acontecendo...

Status
Completo
Capítulos
45
Classificação
4.9 80 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo Um

Bem-vindos, anjos!

Algumas coisinhas:

♡ Nem sempre menciono contracepção ou ISTs, por favor, assumam que os personagens estão se prevenindo e não brincando de roleta russa da gravidez.

♡ Uso o inglês britânico. POR FAVOR, não corrijam minha ortografia com o inglês americano (é super irritante, desculpe 😩, nem todo mundo escreve palavras com 'z' ou apenas um 's').

♡ Dito isso, se notarem algum erro gramatical, seria ótimo se pudessem apontar.

♡ Escrevo romances maduros. As palavras ‘clit’ (clitóris) e ‘cock’ (pau) vão aparecer. Se isso não faz seu estilo, por favor, saia sem reclamar.

♡ Vocês podem me seguir no Instagram, naughtyxchristian.


Shifters são minha trama favorita, então eu estava vivendo um sonho escrevendo esta aqui para vocês. Espero de verdade que gostem!


Obrigada e aproveitem! L x


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Meu despertador toca. Pressiono a tela do celular cegamente até a música irritante parar. A tentação de afundar de volta na cama e cobrir a cabeça com o travesseiro é forte, mas a luz do sol entrando pelas cortinas me lembra por que coloquei o despertador para tocar.

Tenho aula amanhã.

Foram dois meses de verão e tudo acaba amanhã. Coloquei o despertador ontem à noite tentando me acostumar com a rotina novamente. Me arrependo agora, mas sei que o despertador de amanhã será ainda pior, porque terei que sair de casa de verdade.

São apenas oito horas. Terei que levantar às sete e meia amanhã e já estou sofrendo por antecedência. Amo minha cama, quero ficar nela para sempre. Viro-me para a janela, torcendo o nariz ao ver as cortinas brancas com flores laranja. Eu não amo essas cortinas.

Só nos mudamos para esta casa na semana passada, então cortinas não são exatamente prioridade. Nem sei como se compra cortinas novas. Será que tem que pedir na Amazon? Contratar alguém para vir aqui, medir e fazer? Foda-se, nem ideia.

Com um gemido que faria um alce sentir orgulho, me arrasto para fora do conforto da cama e vou cambaleando para o banheiro. Tomo um banho, ficando debaixo da água quente com o mesmo desejo que sentia pela minha cama. Já são quase nove menos quinze quando termino de me secar, me vestir, arrumar o cabelo e passar maquiagem. Ainda há muitas caixas no meu quarto, mas as primeiras coisas que tirei foram meus itens essenciais, como produtos de higiene.

“Dolores! Desça aqui, por favor!”

Murmuro entre dentes minha mãe me chamando pelo nome completo. Ela sabe que eu odeio. Até me inscrevi na escola nova como ‘Lola’. Não tem a menor chance de eu ser a aluna nova e ser chamada de Dolores. Isso só me faz lembrar do filme Mudança de Hábito, e não tem como eu ser párea para a Whoopi Goldberg.

Puxo as mangas do meu moletom para cobrir a maior parte das mãos e vou arrastando os pés escada abaixo com minhas meias felpudas. Posso até estar de pé, mas não tenho a menor intenção de sair de casa por enquanto.

Minha família está reunida na cozinha em volta da mesa de jantar. Minha mãe senta de um lado. Meu gêmeo, Flynn, está sentado diretamente à frente dela com um lugar vago ao lado dele que foi puxado para mim. Na cabeceira da mesa está meu pai, que exibe uma expressão de esperança no rosto.

“Seu pai tem uma notícia, sente-se”, diz a mamãe, apontando para a cadeira.

Cruzo os braços sobre o peito e estreito os olhos para o meu pai.

“Você dormiu com outra aluna sua?”

Flynn abafa uma risada e o rosto do meu pai cai. O da minha mãe se contorce de dor e me arrependo de ter feito o comentário, sabendo que também a feriu. Não era minha intenção.

“Dolores!” Ela me repreende. “Como se atreve a ser tão grosseira. Sente-se, agora.”

Fecho os dentes e resisto à vontade de revirar os olhos. Deslizo para a cadeira à frente dele, na outra cabeceira da mesa, em vez da que escolheram para mim. Prefiro ter a mesa inteira entre nós. Ninguém diz nada por um minuto estranhamente longo. Mantenho minha expressão entediada e espero alguém falar. Meu pai pigarreia e se senta mais ereto na cadeira.

“Enfim, a minha notícia. Fui aceito como professor convidado na Universidade de Willow Creek”, diz ele.

Ele olha em volta da mesa com expectativa, sem dúvida querendo algum tipo de parabéns ou talvez aplausos. Ele não vai ganhar porra nenhuma de mim.

Três meses atrás, minha mãe encontrou uma mensagem no celular do meu pai. Uma mensagem simples. Plantou uma semente de dúvida na cabeça dela. Uma semana depois, quando meu pai voltou de um jantar fora, ela encontrou batom na camisa dele e o confrontou.

Ele confessou tudo, desmoronando como o babaca culpado que é. Ele estava dormindo com uma de suas alunas - uma garota de vinte anos - há quase um mês.

A infidelidade dele destruiu minha mãe. Destruiu todos nós, na verdade. Flynn começou a festejar, beber e chegar depois do toque de recolher. Eu comecei a ignorar meu pai. Acho que disse um total de cem palavras para ele nos últimos meses. Não estou nem um pouco mais perto de perdoá-lo. Ele não ficou arrependido por tempo suficiente, na minha opinião.

Claro, houve desculpas, lágrimas e alguns gestos como flores e chocolates para a mamãe. Houve brigas e confissões. Ele desmoronou e se ajoelhou em um momento de fraqueza. E, no entanto, apesar de tudo isso, tenho a suspeita de que ele faria de novo se tivesse a chance. Não acho que ele vá sair procurando ativamente para traí-la, mas tenho a sensação de que, se alguém oferecesse de bandeja, ele não é um homem forte o suficiente para recusar.

E é por isso que não acho que ele mereça minha atenção. Ou a da nossa mãe.

Ela deveria tê-lo deixado, na minha opinião. Eu estava pronta para isso. Tinha encontrado um apartamento para ela alugar, tinha pegado nossas malas e dito que iria com ela, mas ela não quis deixá-lo. Em vez disso, propuseram um recomeço.

Mamãe é cirurgiã e foi transferida. Ela conseguiu uma vaga no Hospital do Condado de Willow Creek, e nos mudamos para cá. Um recomeço para a família Greenwood.

Foda-se isso.

Não vejo como isso vai mudar as coisas. Se bobear, meu pai só tem novas opções. Nossa casa nova é linda, fica a apenas quinze minutos a pé da escola e a dez minutos de carro do centro da cidade. Fica a 20 minutos do hospital para a mamãe. O problema é que ela está sempre de plantão, então duvido que vá ficar em casa o tempo todo. Não o suficiente para ficar de olho no papai.

Eu fiz um escândalo sobre a mudança no início. Eu sei, sou boa nisso. Tentei me recusar a deixar nossa cidade antiga e minha escola antiga. Mas sou adolescente, não é como se eu tivesse voz sobre o que acontece conosco. Tive que desistir da luta e me mudar.

Não vai ser tão ruim, no entanto. Além de professor, meu pai é pintor. Ele encontrou um estúdio para alugar que, aparentemente, tem ‘a iluminação perfeita’. Fica a uns quinze minutos da nossa casa e será onde ele passará a maior parte do seu tempo fora do trabalho.

Flynn e eu temos dezessete anos, então nossos pais acham tranquilo ficarmos sozinhos em casa, o que é bom, porque vai ser assim na maior parte do tempo. Com meu pai no estúdio e a mamãe no hospital, teremos a casa nova toda para nós boa parte do tempo. De certa forma, eu gosto disso.

“Legal”, Flynn murmura com sarcasmo, finalmente quebrando o silêncio.

“Deveríamos estar todos felizes pelo seu pai, esta é uma oportunidade emocionante”, diz a mamãe.

Consigo ver a tensão no sorriso dela. Quando seu marido te trai com uma aluna, dificilmente é confortável enviá-lo para a tentação com uma lista nova de alunas para escolher em uma cidade nova.

“Muito emocionante”, murmuro e me levanto. Não consigo me controlar, as palavras escapam enquanto o amargor toma conta: “Tente se manter na linha desta vez, tá?”

“Dolores!” mamãe grita.

Papai se levanta, os pés de madeira da cadeira arrastam pelo piso enquanto ele se levanta num salto.

“Como se atreve a ser tão desrespeitosa, mocinha!” Ele dispara. Ele sabe que odeio quando me chama assim. “Você acaba de perder o privilégio de usar o carro por uma semana.”

Fico levemente irritada com o castigo, mas me forço a dar de ombros. “Beleza.”

“Sua mesada está suspensa por duas semanas!” Ele grita atrás de mim enquanto me viro para sair da cozinha. “Vá para o seu quarto!”

“Já ia mesmo”, murmuro entre dentes.

Subo a escada de dois em dois degraus e entro no meu quarto. É infantil, mas bato a porta atrás de mim. Me jogo na cama e encaro o teto, me perguntando por que caralhos meu pai teve que arruinar tudo para nós.

Nós éramos felizes, não éramos?

Viro de bruços e pego minha leitura atual, escolhendo me perder em um livro para me acalmar.

Estou uns capítulos à frente quando a porta se abre. Não preciso olhar para saber que é o Flynn.

“Toc toc”, ele diz inutilmente.

Viro de lado e olho para ele. As pessoas dizem que somos parecidos, mas acho que é só porque temos o mesmo nariz arrebitado e olhos castanhos-turvos. Ele tem cílios mais longos que os meus e eu poderia estrangulá-lo por isso.

Meu cabelo é uma mistura de preto e castanho, mantenho longo e até os cotovelos. É super cacheado, então costumo trançar. O cabelo do Flynn é um castanho bem mais claro que o meu e ele tenta aquele visual bagunçado, porém curto. Não sei se ele fica bem, para mim ele é só meu irmão irritante. Ele é mais que isso, na verdade. É verdade o que dizem sobre gêmeos, ele é minha alma gêmea. Não sei o que faria sem ele.

“Está bem?”

Dou de ombros e me sento, fechando o livro. Flynn fecha a porta atrás de si e senta na cadeira da minha escrivaninha.

“O quão puto você acha que o papai ficou com meu comentário?” Pergunto, sorrindo de forma maligna.

“Muito puto, ele só parou de reclamar faz uns cinco minutos”, Flynn responde e sorri de volta. “Mas foi engraçado pra caralho. Queria ter o seu colhão.”

“É, suas bolas são bem pequenas em comparação, você nunca diz porra nenhuma”, provoco, e ele me olha feio.

É verdade, no entanto. Flynn sente o mesmo que eu sobre o papai, mas ele odeia confronto, então nunca disse nada. Ele defende a mamãe e deixa claro que está do lado dela, mas não faz as mesmas alfinetadas ou comentários maldosos que eu faço. Mesmo quando éramos mais novos, era eu quem enfrentava os outros alunos se fossem maldosos com ele; ele nunca dizia nada, ele é um gigante gentil.

E ele é um gigante. Ele é uns quinze centímetros mais alto que eu. Ele joga basquete, futebol e rugby. Metade do tempo livre ele passa jogando esporte, a outra, jogando videogame. É um milagre eu vê-lo de vez em quando, na verdade.

“Você sabe que eu não gosto de confronto”, ele responde, me fazendo sorrir de canto.

“Eu sei, sou a vadia dessa dupla de gêmeos.”

Ele franze a testa com minha resposta e balança a cabeça.

“Você não é uma vadia, Lol, você defende quem ama. Eu diria que você é a pessoa mais gentil que conheço.”

Meu peito fica apertado de emoção, estou tocada pelas palavras dele. Me viro e pego meu travesseiro, batendo nele.

“Para, você vai me fazer corar. Além disso, você tem que dizer isso, compartilhamos o DNA.”

Ele sorri de lado e arranca o travesseiro da minha mão. Dou um gritinho enquanto ele bate em mim, me fazendo rir. Jogando o travesseiro de volta na cama, ele se levanta e caminha até a porta.

“Não se preocupe com o carro, eu te levo por aí essa semana.”

Sorrio docemente para ele da cama.

“É por isso que você é o melhor irmão de todos.”

“É, é. Aliás, o papai vai para o estúdio logo e você estará livre. Quer ir até o centro da cidade explorar?”

“Com certeza!”