Acampamento Religioso (Crônicas de Ryland, Livro 2)

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Resumo

Após o desastre na casa do Lago Oculto, Ryland está em frangalhos. Seus sentimentos estão confusos, ele não sabe o que quer e nem quem é mais. Depois de uma briga feia com seu pai, Victor, Ryland é enviado para um Acampamento Religioso na zona rural do Mississippi, onde suas aventuras tomam um rumo inesperado e pra lá de hot... © 2018, 2024 Valerian L. Geroux Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser usada ou reproduzida de qualquer maneira, sem permissão por escrito, exceto no caso de breves citações incluídas em artigos críticos e resenhas. Publicado no Inkitt mediante permissão exclusiva da VLG Publishing. Este livro é uma obra de ficção. Referências a pessoas reais, eventos, organizações, estabelecimentos ou locais destinam-se apenas a proporcionar uma sensação de autenticidade e são usadas para promover a narrativa ficcional. Todos os outros personagens, bem como todos os incidentes e diálogos, são fruto da imaginação do autor e não devem ser considerados reais.

Status
Completo
Capítulos
15
Classificação
5.0 6 avaliações
Classificação Etária
18+

Chapter 1

Ryland acordou em sua cama em Spokane e respirou fundo. Ele puxou o ar pelo nariz e soltou lentamente pela boca, tentando fazer seu coração parar de bater tão rápido. Dizia a si mesmo, repetidas vezes, que estava tudo bem, que as coisas estavam sob controle e que poderia ter sido muito, muito pior.

Ele se levantou e olhou pela janela do quarto. Ainda estava escuro lá fora, então checou o despertador na mesa de cabeceira. Eram apenas alguns minutos depois das cinco da manhã. O adolescente de cabelos castanhos suspirou e esfregou os olhos cansados. Depois que o horror — como ele chamava em sua mente — aconteceu, ele vinha acordando muito cedo e não conseguia mais voltar a dormir. Sabia que deveria estar relaxado agora e deixar tudo para trás, mas não conseguia. A situação inteira o corroía por dentro. Ele até perdeu dois quilos, e não gostou disso. Não ajudava em nada o fato de o tio Tanner ter simplesmente voltado para Michigan como se nada tivesse acontecido, e de seu pai mal falar com ele agora.

Ryland vestiu uma cueca e saiu do quarto, atravessou o corredor e entrou no banheiro. Ele congelou no lugar assim que abriu a porta. Seu pai, Victor Lucas, estava lá usando o vaso sanitário.

“Pai”, disse Ryland, confuso. “O que você está fazendo aqui?”

O rosto do pai ficou vermelho-sangue enquanto ele olhava para o filho e tentava se cobrir.

“Desculpe, Ryland”, ele disse com uma voz grave. “O banheiro da suíte entupiu, então vim usar este. Não achei que você estaria acordado tão cedo.”

“Eu também não”, disse Ryland. “Vou esperar lá fora até você... terminar.”

Ryland saiu do banheiro e fechou a porta. Seu coração disparou novamente, como acontecia todas as vezes que tinha que encarar o pai agora. Ambos tentavam ao máximo evitar um ao outro, mesmo sendo os únicos na casa. Tinha ficado mais fácil nas últimas duas semanas, mas antes disso era praticamente impossível, com todos os amigos e parentes vindo visitar e tentando ajudar como podiam. De alguma forma, isso fazia Ryland se sentir ainda mais culpado por tudo o que aconteceu. Ele e o pai tinham que fingir que estava tudo bem, e nenhum dos dois estava fazendo um bom trabalho nisso. Felizmente para eles, muita gente apenas achava que eles estavam passando por um momento difícil devido à situação em que se encontravam. Ryland tentava não pensar nisso, mas era difícil.

Ele ouviu o pai dar descarga e lavar as mãos. Então Victor saiu do banheiro.

“Desculpe, da próxima vez que eu usar o banheiro, vou tentar trancar a porta”, disse Victor, acenando e tentando evitar os olhos do filho.

“Faça isso, por favor”, disse Ryland, entrando no banheiro e trancando a porta atrás de si.

Ele tirou a cueca e ligou a água no modo pelando. Enquanto esperava o banheiro encher de vapor, ele escovou os dentes, observando sua expressão abatida. Nem mesmo seus olhos verdes tinham o brilho descuidado de costume, e tudo por causa da culpa extrema que Ryland sentia pelo que aconteceu.

O horror aconteceu há cerca de cinco semanas, quando sua mãe o deixou em Hidden Lake, no estado de Montana, onde tinham uma casa. Seu pai estava tirando férias da civilização lá, como fazia todo ano, uma vez por ano, e tudo começou a desmoronar quando Ryland o flagrou se masturbando na frente da TV.

No início, Ryland não deu importância, até seu pai dizer que o tio Tanner, irmão de sua mãe, estava ficando lá com eles. Então a luz acabou e Ryland descobriu um segredo de dez anos que o pai e o tio escondiam de todos: eles tinham um relacionamento sexual e usavam a casa do lago para fugir de todo mundo e poderem passar um tempo juntos todos os anos.

As coisas ficaram ainda mais intensas quando o tio Tanner ultrapassou os limites do normal e Ryland se viu sexualmente envolvido com ambos, seu pai e seu tio. Ele não se importou nem um pouco. Na verdade, para sua própria surpresa, ele gostou imensamente e queria mais. Mas depois que ele se empolgou e fez sexo com um lenhador que resgataram na floresta, seu tio e seu pai tiveram que sentar com ele para dizer que precisava estabelecer prioridades e que o relacionamento sexual incestuoso deles precisava acabar. Eles decidiram ter um último fuck-fest antes de colocar um ponto final em tudo, e enquanto Ryland transava com o pai e ao mesmo tempo era penetrado pelo tio, sua mãe chegou para surpreendê-los na casa do lago e viu tudo.

Ryland fechou a torneira e entrou sob o chuveiro fervente. A água quente despertou seus sentidos e ele se sentiu muito melhor imediatamente. Ele se ensaboou e deixou a água correr pelos músculos enquanto se esfregava com uma esponja. Mas não importava o quanto se esfregasse, ele ainda se sentia sujo pelo que tinha acontecido com sua mãe.

Quando Tabitha Lucas viu o marido, o filho e o irmão se pegando pra valer, ela tentou fugir, sem saber como lidar com aquilo. Enquanto Victor e Ryland corriam atrás dela, ela perdeu o controle do carro ao bater em uma das árvores ao redor do lago e sofreu um acidente terrível. Depois que a ambulância chegou com um helicóptero e tiraram a mãe de Ryland do carro, levaram-na para o hospital mais próximo, onde ela teve que passar por uma cirurgia de emergência porque quebrou cinco costelas.

Após cinco longos e estressantes dias na UTI, Tabitha Lucas acordou.

Ryland, Victor e Tanner, os três esperaram sem dormir, com medo daquele exato momento, mas torcendo para que a mãe, esposa e irmã acordasse, não importando o que isso significasse para todos. Eles se sentiam culpados pelo que aconteceu com Tabitha e temiam que ela não acordasse, mas também tinham medo do momento em que ela despertasse e contasse a todos o que viu e o que realmente causou o acidente.

Felizmente para os três, Tabitha Lucas acordou e não disse nada. Quando Victor decidiu ser o primeiro a visitá-la e tentar explicar tudo, ficou surpreso e chocado ao ver que Tabitha o recebeu de braços abertos, como se nada tivesse acontecido. Confuso, Victor falou com o médico, que explicou que Tabitha sofreu uma lesão cerebral que a fez perder algumas de suas memórias recentes, e que as chances de recuperá-las eram quase nulas. Assim, os três estavam fora de perigo, e Tabitha ia viver.

Aliviado, o tio Tanner se despediu de forma desajeitada e foi embora assim que pôde. Ryland e Victor esperaram até que Tabby melhorasse, então a levaram para um hospital em Spokane e voltaram para casa.

Amigos da família e parentes vinham visitar Ryland e Victor em casa todos os dias, trazendo comida e tentando saber como Tabitha estava. Eles contavam a mesma história para todos: ela foi surpreendê-los na casa do lago, mas no caminho perdeu o controle do veículo e sofreu um acidente de carro bem feio. Ela ia ficar bem e ia sobreviver, mas precisava de um tempo extra para se recuperar. Depois de um tempo, as pessoas pararam de vir e agora restavam apenas Ryland e Victor, e eles já não sabiam mais como ser pai e filho, não depois de tudo o que aconteceu entre eles.

Ryland desligou o chuveiro e saiu. O banheiro inteiro estava nebuloso por causa do vapor e parecia mais uma sauna do que um banheiro. Ele pegou uma toalha e se secou, e depois de enrolar a toalha na cintura, Ryland saiu para voltar ao quarto e se vestir. Era a última semana do ensino médio e, infelizmente, ele não podia faltar mais do que já tinha faltado.

“Ei, Ryland”, disse a voz do seu pai vindo do corredor assim que ele saiu do banheiro. Ryland olhou para cima e viu Victor parado no fim do corredor, olhando para ele. “Você pode vir aqui, por favor? Acho que precisamos conversar.”

“Eu ia me arrumar para a escola”, disse Ryland, tentando evitar olhar para o pai. Pai e filho tinham os mesmos olhos verdes e eram muito parecidos, exceto pela diferença de idade.

“Por favor”, implorou o pai. Ryland suspirou e tentou se preparar mentalmente para o que quer que viesse. O pai estava de calça de pijama, mas sem camisa, e aquilo era uma pura tortura para Ryland. O motivo pelo qual o adolescente não suportava estar perto do pai era que, agora que sabia que sua mãe ia viver e não tinha ficado com sequelas permanentes do que fizeram, ele não queria nada além de aprofundar seu relacionamento erótico e sexual com o pai. Esse pensamento estava sempre no fundo de sua mente, torturando cada momento em que estava acordado. Ele caminhou em direção à sala.

“Sente-se, por favor”, disse Victor.

Ryland sentou-se, colocando a toalha entre as pernas porque não estava usando cueca por baixo.

“Isso não pode continuar assim, Ryland”, disse seu pai.

O que não pode continuar como?”, perguntou Ryland, mesmo sabendo exatamente do que o pai estava falando.

Isso”, disse Victor. “O jeito que nós agimos um com o outro.” Ele suspirou e olhou para Ryland com olhos exaustos. Ryland não tinha notado até então, mas parecia que seu pai também tinha perdido um pouco de peso. Ryland se perguntava como o tio Tanner estava lidando com a situação toda. Ele provavelmente era quem estava tirando isso de letra, e Ryland não pôde deixar de senti inveja dele. “Falei com o médico da sua mãe ontem à noite. Ela vai ter alta em alguns dias, e não podemos agir como estranhos quando ela chegar em casa.”

Ryland não disse nada, apenas encarou um ponto fixo à sua frente.

Victor sentou-se ao lado do filho e deu um tapinha desajeitado em suas costas. “Eu sei que é difícil, filho, e todos nós passamos por uma provação. Mas o destino não quis que sua mãe sofresse pelos nossos erros, e ela é alegremente ignorante sobre o que presenciou na casa de Hidden Lake. Vamos apenas nos recompor, seguir em frente e viver uma vida feliz.”

O pau de Ryland ficou ereto assim que o pai o tocou, então ele fechou os olhos e tentou não pensar nisso.

“O que vai acontecer com você e o tio Tanner?”, perguntou ele baixinho.

“Eu e Tanner conversamos antes de toda essa bagunça com sua mãe acontecer e decidimos que era hora de acabar”, disse Victor. “Eu e ele nem vamos mencionar isso de novo. Nossas férias em Hidden Lake acabaram. Isso eu posso te prometer.”

Ryland acenou. “E quanto a você e a mim?”, ele perguntou, quase inaudível.

Victor tirou a mão do ombro do filho como se tivesse se queimado. “O que tem nós? Eu te disse, Ryland, isso está te confundindo, filho. Não posso acreditar que você quer continuar com algo assim depois do que aconteceu com sua mãe.”

“O que aconteceu com a mãe foi um acidente, e você sabe disso”, disse Ryland. “Mas ela está se recuperando muito bem e voltando para casa completamente curada. E ela não se lembra de ter visto o que não deveria ter visto.”

“Ryland, isso é loucura! Você vai algum dia deixar isso pra lá? Foi um erro te envolver porque você obviamente não consegue parar! Você é gay ou algo assim?”

“Não! Eu não sou gay! Mas eu não consigo parar de pensar em você!”, gritou Ryland, com os olhos enchendo de lágrimas novamente.

“Bem, eu também não consigo parar de pensar em você, mas eu tenho que viver com isso!”, Victor gritou de volta.

E então, tudo foi por água abaixo. Ryland se levantou, a toalha caindo no chão da sala, seu pau apontando para cima. Toda a raiva, o ódio e a luxúria que ele sentia tomaram conta. Ele empurrou o pai no sofá da sala, subiu em cima dele e o beijou com uma paixão avassaladora. O pai lutou por alguns segundos e tentou empurrar o filho, mas acabou cedendo, perdendo-se no beijo do filho.