Capítulo 1
40 is the new 20Copyright © 2024 by Naomi Todos os direitos reservados.
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Alex
"Ela teve quantos??" pergunto, com os olhos arregalados de descrença.
"Três. Três caras, um em cada buraco", Ruby responde com indiferença, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
"Tipo boca, xoxota..." eu começo, tentando processar.
"Isso, e o cu", ela confirma, balançando a cabeça para dar ênfase.
"Puta merda! Como? Estou tentando imaginar", inclino-me para frente na cadeira.
"Aqui, deixa eu te desenhar", ela oferece, pegando um papel e uma caneta na mesa. Ela se curva, com a testa franzida em concentração enquanto desenha.
Estamos todas sentadas no pátio do nosso café favorito. Que se dane o bar, todas nós odiamos vinho, e estamos cansadas demais para doses e coquetéis.
O sol da tarde projeta um brilho quente sobre nós, deixando as cadeiras e a mesa de metal levemente quentes ao toque. O cheiro de café passado na hora se mistura com o aroma suave das flores desabrochando no jardim próximo. Risadas irrompem ao redor da mesa.
"Viu, viu!" Ruby aponta para o desenho, com os olhos brilhando de diversão.
"Espera um minuto, caralho. Por que o seu desenho é de uma garota com as pernas para o ar? Ela virou acrobata nas horas vagas? Você está me dizendo que dois caras podem entrar por ali sem esbarrar um no outro?" pergunto, balançando a cabeça em descrença.
"Hahaha, eles provavelmente gostam do atrito, da sensação...", Kim entra na conversa, rindo e limpando uma lágrima do olho.
"Quem dera eu conseguisse me dobrar assim. Sabe como seria mais fácil?", Ruby suspira, seu rosto iluminando-se com a ideia.
"Você deveria vir fazer ioga com a gente", sugiro, olhando para Ruby com sinceridade.
"Foda-se a ioga. Vocês e essas posições estranhas, não sei como vocês não soltam um barro no meio da aula, com todo esse alongamento e movimento."
O grupo explode em mais uma crise de risos. Os garçons, acostumados com nossas palhaçadas, sorriem enquanto passam. Este é o nosso espaço, nosso cantinho do mundo onde podemos ser nós mesmas, não importa o quão louca a discussão fique.
Então, se você não adivinhou, somos um bando de mulheres de quase 40 anos falando sobre nossas leituras mais recentes, bem, pelo menos para nós, leia-se: smut… e muito. Agora, não vivemos debaixo de uma pedra, não nos leve a mal. Mas quando uma de nós descobriu isso… tivemos que compartilhar com as outras.
Nunca fomos muito ligadas nisso. Se é que dá para chamar de clube do livro, é um clube de smut, um clube de sexo... meu Deus, isso soa errado. Não estávamos interessadas em nenhum desse material de leitura. Ou em ler, para falar a verdade. Sabemos sobre pornô, papo safado e ménages; não somos ingênuas. Mas essa porra está em outro nível. Quando você está lendo... é outro nível.
No mês passado, nossa obsessão foi BDSM. Sim, esse foi interessante... de novo, já tínhamos ouvido falar, mas, porra, as pessoas sabem escrever muito bem sobre esse assunto. Brincamos que um dia queremos experimentar... mas quando, onde e, o mais importante, com quem?
Meus pensamentos são interrompidos quando —
"Gente, gente, ele gozou na boca de um dos caras... depois cuspiu na boca da garota", Ruby exclama, com os olhos arregalados de espanto.
"Puta merda, você está mentindo", respondo, inclinando-me mais, com a curiosidade aguçada.
"Não, não, olha", ela insiste, entregando o livro, com o dedo apontando para o parágrafo.
Nós nos amontoamos ao redor dela, nossos olhos percorrendo o texto. Ao lermos o que Ruby tinha acabado de ler, olhamos uma para a outra, chocadas.
"Queria que alguém cuspisse na minha boca... um pouco de porra", ela suspira, sua voz sumindo de forma sonhadora.
"Hahaha, você é foda demais. Amiga, a única coisa que vão cuspir na sua boca é o vômito do seu filho se você estiver segurando ele do jeito errado, de boca aberta", provoco, minha risada ecoando pelas paredes do pátio.
"Eca, que nojo", Ruby faz uma careta ao pensar, franzindo o nariz.
"E imagina ele com grumos, leite morno com grumos." Continuo provocando.
"Eca", as duas dizem em uníssono. Kim afastou seu prato, com o rosto franzido de nojo.
"Esse cheesecake parece menos apetitoso agora", ela resmunga, empurrando a sobremesa.
Fecho o livro com um estalo e olho para minhas amigas, um sorriso se abrindo no meu rosto.
"Sabe o que me deixa confusa? Como nesses livros essas jovens de 20 e poucos anos conseguem um homem sexy, às vezes dois ou três... que são mais velhos... porra, que cuidam delas", digo, balançando a cabeça em descrença.
"Pois é, né? Enquanto estamos aqui tentando transar e talvez conseguir um cara só", Kim acrescenta, com um tom de frustração na voz.
"Sim, meu Fernando não está mais dando conta do recado", Ruby suspira dramaticamente.
"Meu Deus, Ruby, para de dar nome aos seus vibradores. É estranho", digo, revirando os olhos.
"Por que não? Assim, se eu estiver falando sobre ele, as pessoas vão pensar que é uma pessoa real. 'Ah, o Fernando me fez sentir muito bem', 'Ah, o Fernando sabe o ponto certo'", Ruby explica com um sorriso malicioso.
Todas nós caímos na risada, o som se espalhando pelo pátio e atraindo a atenção de outros clientes. Damos a eles olhares de desculpa e dizemos "DESCULPA" com os lábios.
"A gente realmente deveria ler essas coisas em outro lugar", digo, tentando recuperar o fôlego entre as risadas.
"Tipo em um sex shop", Kim sugere.
"Oh, essa é uma ótima ideia de negócio. Em vez de um café com livros chatos, abrimos um café com livros safados. E podemos vender café e pão doce", Ruby propõe, seu rosto iluminando-se de empolgação.
"Hahaha... só você mesmo para pensar em uma coisa dessas", digo, balançando a cabeça.
"Por favor, você sabe que é uma boa ideia. Se você quiser entrar, seremos todas sócias iguais", Ruby diz, com o tom ficando sério por um momento.
Eu a empurro de brincadeira, causando outra onda de risadas em nosso grupo.
Eu sou Alex, abreviação de Alejandra. Ninguém nunca se dá ao trabalho de me chamar pelo nome completo, então é Ale ou Alex.
Sou uma mulher solteira de 39 anos, divorciada. Um dos meus filhos tem 16, e tenho um de 22. Tive o mais velho com a idade jovem e fresca de 18 anos. Não ganhei o prêmio por superar a gravidez na adolescência, mas fazer o quê.
Sou policial e, na época, era casada com meu namorado da faculdade. As coisas mudaram quando ele decidiu ser ambicioso demais... E quando digo ambicioso, não falo na cama. Estou falando de como ele ficou obcecado pelo trabalho. Ele também é policial.
Depois de ter nosso segundo filho, fui dona de casa por quase cinco anos e precisava voltar ao mercado de trabalho. Eu não estava ficando mais jovem. Ele, por outro lado, não queria que eu voltasse.
Ele queria que eu ficasse em casa, limpasse, cuidasse das crianças e fosse uma dona de casa perfeita como a mãe dele. E embora eu saiba o quanto de trabalho isso exige e respeite, eu precisava me sentir mais... útil. Precisava me sentir mais como eu mesma. Quando completei 35 anos, estávamos divorciados. Ele lutou com unhas e dentes para não se divorciar. Não foi um divórcio horrível, mas também não foi dos mais agradáveis.
Mas eu estava cansada de agradá-lo. Chegou a minha vez. Nosso relacionamento é... bem, ele existe. Ele tentou voltar comigo, mas eu simplesmente não estou apaixonada por ele. Eu o amo porque ele é o pai dos meus filhos, mas estar apaixonada? Não, isso se perdeu há muito tempo.
Ele é um bom pai, mas eu queria que ele estivesse mais presente para as crianças. Durante a maior parte do nosso casamento, senti que desempenhei os papéis de mãe e pai. Agora sei o que você está pensando, talvez ele estivesse traindo. E, para ser sincera, quem dera. Talvez se ele tivesse, esse relacionamento teria acabado há muito tempo. O relacionamento dele com os filhos é um pouco complicado, para dizer o mínimo.
Kim, 39 anos, é recém-divorciada e, ironicamente, advogada de divórcios. Este é o terceiro divórcio dela. Ela quer quebrar o recorde da mãe e estar no quarto marido antes dos 45. Ela não tem filhos.
E a louca é a Ruby, 39 anos, dona de uma boate. Ela tem um filho e é solteira. Ela se tornou mãe recentemente e seu pequeno tem apenas um ano de idade. O resultado de uma noite só. Ela sempre foi a mais selvagem de nós três. Mas, apesar de ser dona de uma boate, ela é bem ingênua em certos assuntos.
Somos todas latinas canadenses de primeira geração. Nos conhecemos no ensino fundamental e nunca mais nos separamos. Mesmo que às vezes não pudéssemos estar fisicamente uma com a outra, ao longo dos anos estivemos sempre a um telefonema de distância.
"Então..." Kim fecha o livro com um estalo decidido. "Vamos falar de Vegas." Ela levanta as sobrancelhas, olhando para nós, esperando.
"Achei que tínhamos falado... e achei que iríamos para um lugar mais legal... menos barulhento...", digo.
"Não, vocês duas conversaram sobre isso... eu ainda prefiro Vegas", Kim acrescenta.
"Vegas é superestimada... e tem um cheiro estranho. E é quente demais... e odeio ficar me sentindo grudenta... deixa eu reformular... gosto de me sentir grudenta, mas pelos motivos certos", Ruby diz, rindo. "Acho que para os nossos 40 anos deveríamos ir para algum lugar onde pudéssemos conhecer homens exóticos e sensuais. Altos o suficiente para escalar, lábios que você só quer devorar por horas, olhos que te cativam, sabe, aqueles olhos que dizem: 'Vem cá, mami... eu quero cuspir porra na sua boca'."
"Meu Deus, você ainda está nisso? Hahahaha. Achei que essa imagem mental tivesse ficado para trás depois do comentário do leite com grumos", digo rindo.
"Nããão, vai precisar de muito mais do que leite com grumos..."
"Ok, vamos parar de falar de leite com grumos. Gente, para onde vamos?", Kim diz com uma cara de nojo.
"Bem, eu tenho uma ideia...", digo piscando para elas.
As duas dizem: "O quê?"
"Que tal... Itália?"
As duas olham para mim, com os olhos arregalados: "Itália?!"
"Sim... Itália. Que jeito melhor de comemorar nosso aniversário do que com homens italianos gostosos e sensuais?"
"Eu topo", Kim acrescenta. Claramente adorando a ideia.
"Porra, com certeza, eu topo", Ruby concorda. Claro que ela toparia. Ela está sempre pronta para qualquer coisa.
"Sim... ótimo!! Meu Deus, estou tão animada!!! Ok, precisamos resolver a babá para você, Ruby. Os meus ficarão com o pai deles." Começo a falar sem parar, estou muito animada.
"Você tem certeza de que seu ex vai conseguir lidar com o adolescente?", Ruby pergunta, com preocupação estampada no rosto.
"Ele não tem escolha. Luca é um ótimo garoto, Christian é que é um idiota. Ele precisa disso tanto quanto o Luca. Eles precisam se conectar mais. Um mês deve ajudar... né?"
"Se 16 anos não resolveram, o que te faz pensar que um mês vai resolver?", Ruby rebate, levantando uma sobrancelha.
"Puta merda, ela tem razão", admito, sentindo uma pontada de dúvida.
"E quanto à Elena?", Kim pergunta, voltando sua atenção para mim.
"Ela vai ficar bem. De qualquer forma, ela está na universidade agora, então não precisa se preocupar", tranquilizo-as, pensando na minha filha independente e de personalidade forte.
"Ok, meninas, temos muito o que planejar. O mês que vem não pode chegar rápido o suficiente. Nós precisamos disso... precisamos muito", digo, sentindo uma onda de empolgação me invadir.
A ideia de explorar a Itália, vivenciar sua cultura e possivelmente conhecer alguns homens exóticos e sensuais faz nossos corações dispararem de emoção. Batemos nossas xícaras, selando nosso pacto com a promessa de aventura e diversão.
Todas: "Itália, baby!!!" gritamos em uníssono.
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