Klaus: A Irmandade Kyro #2

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Resumo

Livro #2 da série A Irmandade Kyro!

Gênero
Drama
Autor
Layla Knight
Status
Completo
Capítulos
50
Classificação
4.3 3 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

ARIADNA

Eu nunca fui boa na cozinha, mas quando você não tem escolha a não ser preparar o jantar todas as noites desde os 12 anos, acaba aprendendo. Agora, cozinho com frequência. Até gosto. Mas ficar inventando pratos que agradassem tanto ao meu irmãozinho quanto ao meu pai, bem mexicano, estava cada vez mais difícil. Um só queria saber de comida cheia de aditivos, e o outro seguia uma dieta equilibrada à risca. Nem precisava perguntar quem era quem, né?

Infelizmente, o preço era todo meu, já que o papai não sabia cozinhar nem pra salvar a própria vida, mesmo sendo chefe do Cartel Mexicano. Mas meu irmãozinho às vezes me ajudava.

“Precisa de ajuda, mana?”

Olhei por cima do ombro para o meu irmão.

“Tô quase acabando aqui, mas podia dar uma mão com a louça.”

Isaiah, meu irmãozinho, fez uma careta e, a contragosto, arregaçou as mangas para começar. Odeia lavar louça, mas sempre se oferecia para me ajudar quando dava, mesmo com a correria do colégio.

“É salsa que você tá fazendo?”, ele perguntou.

“É.”

“Vai comer com o quê?”

“Enchiladas e salada.”

Nem precisei olhar para saber que ele tinha feito cara feia pro cardápio da noite.

“Fica tranquilo”, garanti. “Fiz suas enchiladas separadas. Sem feijão.”

Nossa mãe faleceu quando Isaiah ainda era pequeno, então ele não teve tanto contato com a comida mexicana quanto eu. A mamãe adorava cozinhar, e eu amava tudo o que ela preparava. Depois que ela se foi, amigos e parentes tentaram ajudar, mas o papai fechou a porta para todo mundo, dizendo que nós três éramos uma família e dávamos conta sozinhos. Na época, achei difícil entender, mas hoje vejo que ele se agarrou a nós como forma de lidar com a perda.

Meu pai era muitas coisas – na maioria, ruins, horríveis e terríveis –, mas amava minha mãe de todo o coração. Guardou todas as coisas dela, manteve o quarto do jeito que estava quando ela estava viva e carregava uma foto dela na carteira.

Se isso não era amor, então eu não sei o que é.

Isaiah era novo demais para lembrar, mas depois que a mamãe faleceu, foi como se o papai tivesse desligado. Só trabalhava, trabalhava e trabalhava, nos deixando com os guardas e homens de confiança dele. Todos eram legais, já que éramos filhos do Jefe, mas nenhum deles sabia cozinhar pra salvar a própria pele. De vez em quando, as mães ou esposas deles mandavam comida pra gente, mas Isaiah nunca provava.

No ensino médio, descobri minha paixão pela cozinha, igual à mamãe, e comecei a me aventurar entre as panelas. O papai ficou aliviado, porque não precisava mais comer delivery, e a gente criou o hábito de jantar juntos quase todas as noites, como uma família. Mas Isaiah ainda torcia o nariz para a comida da nossa cultura. Eu achava graça, mas o papai detestava. Era provavelmente a única coisa no meu irmão de que ele não se orgulhava.

“Valeu, mana.”

“Só não conta pro papai, tá? Ele vai encher meu saco por fazer comida separada pra você. Lembra da última vez?” Só de pensar no que aconteceu meses atrás, já me encolhi. O papai viu que eu estava preparando pratos diferentes para Isaiah e o obrigou a comer um panelão inteiro de feijão. Foi suor, lágrimas e um carpete estragado à toa, porque no fim ele só passou a odiar feijão ainda mais.

“Fica tranquilo”, ele riu. “Já aprendi a lição. Não vou cometer o mesmo erro de novo.”

-

“Essas enchiladas estão incríveis. Quase tão boas quanto as da sua mãe.” Papai se inclinou sobre a mesa para beijar minha têmpora. “Obrigado por preparar o jantar, querida.”

Meu peito se encheu de orgulho com o elogio.

“De nada, papai.”

“O papai tem razão. Essas enchiladas estão mesmo uma delícia”, disse Isaiah, sentado à minha frente na mesa. Ele ficava à direita do papai, e eu à esquerda. O lugar da mamãe, em frente ao papai, continuava vazio, como nos últimos 13 anos.

Tínhamos uma mesa grande na sala de jantar, que usávamos nas raras ocasiões em que a família ou alguns homens do papai vinham jantar, mas na maioria das vezes comíamos na mesinha de quatro lugares da cozinha. Como fazíamos quando a mamãe ainda estava viva.

Sorri para ele quando o papai não estava olhando.

“Como foi na escola, Isaiah?”, perguntei ao meu irmão.

“Foi normal.” Ele deu de ombros. “Tem um trabalho de inglês que ainda não fiz.”

“Quando é pra entregar?”

“Amanhã”, ele admitiu, sem graça.

Lancei um olhar de reprovação, mas só pela metade. “Por que você sempre deixa tudo pra última hora?”

“Sei lá, mas pode me ajudar depois do jantar? Você sabe que eu sou um desastre em inglês. Mal tô passando.” Os olhos dele imploravam.

“Tá bom”, suspirei, dramática. Claro que era chato Isaiah sempre deixar tudo pra última hora, mas eu não me importava de ajudar. Éramos próximos e adorávamos passar tempo juntos.

“Não se preocupe com o trabalho, nino. Faça quando der. Se os professores tiverem algum problema, diga que eles podem vir falar comigo”, disse o papai. “Você vai trabalhar comigo no Cartel depois do colégio, e lição de casa não vai te ajudar em nada nisso.”

“Para de falar isso, papai”, suspirei, dessa vez irritada. “O Isaiah vai pra faculdade depois do colégio. Ele já foi aceito na NYU com admissão antecipada, lembra?”

Fiquei tão orgulhosa quando Isaiah recebeu o e-mail da NYU confirmando que tinha entrado para estudar Administração.

“Pra que faculdade pra um chefe do Cartel?”

“O Isaiah não vai ser chefe do Cartel.”

“Ainda não, pelo menos”, papai sorriu daquele jeito charmoso de sempre. “Você tem que esperar seu velho bater as botas antes de assumir como chefe, Isaiah.”

“Eu sei, papai”, Isaiah riu, mas o som saiu forçado. Lançou um olhar de pânico quando o papai não estava olhando, mas eu apenas apertei os lábios e não disse mais nada sobre o assunto.

Eu estudei Marketing na NYU e hoje trabalho remotamente para uma startup cujo público é formado principalmente por influencers, além de alguns artistas e celebridades em ascensão. Tive algumas propostas ótimas em Los Angeles, quase o emprego dos sonhos, mas não consegui me imaginar deixando meu irmão sozinho com o papai e o resto do Cartel. Não porque não confiasse neles, mas porque sabia muito bem como eles eram.

Meu coração se partia só de pensar no meu irmãozinho doce, gentil e carinhoso mudando sob a influência do Cartel Mexicano. Sabia que um dia isso seria inevitável, já que o papai sempre planejou que Isaiah assumisse o lugar dele, mas faria de tudo para preservar o que havia de bom nele pelo maior tempo possível.

Papai pigarreou alto. “Tenho uma coisa pra conversar com vocês dois.” Terminou a última enchilada e limpou a boca no guardanapo. “Devia ter contado antes, mas andei adiando. Infelizmente, não dá mais pra adiar.”

Isaiah e eu nos entreolhamos. O que quer que fosse, não devia ser nada bom.

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Layla Knight

25.04.2024

querida – querida

jefe – chefe/patrão

nino – filho/criança

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