O Harém MxM

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Resumo

Um garoto chamado Hush é arrancado de sua casa e levado para o Harém Imperial para ser um escravo sexual. A vida entre as belas e glamorosas paredes do Harém não é o que parece. O Harém é um lugar perigoso, repleto de política e competição. No Harém, ele é apresentado a outros garotos que se parecem com ele, todos reunidos com um único propósito: satisfazer. A satisfação no Harém pode significar a diferença entre a vida e a morte. No Harém, o sexo não é para entretenimento. No Harém, o sexo é seu único meio de sobrevivência.

Status
Completo
Capítulos
12
Classificação
4.7 7 avaliações
Classificação Etária
18+

1

O barulho das correntes.

As algemas estavam em nossos pulsos.

Nós cinco estávamos espremidos num espaço muito pequeno. Não conheço esses garotos, mas conheço suas histórias. Tem que ser a mesma história que a minha. Quando as figuras sombrias vieram no meio da noite e os levaram.

— Vocês sabem para onde estamos indo? — um garoto pergunta.

Ele parece desesperado. É bonito à sua maneira. Talvez me lembre um pouco do meu irmão mais velho. Ele se parece muito comigo. Meu irmão não tem esses olhos, no entanto. Meu irmão não tem medo de nada. Esse garoto parece ter medo da própria sombra, e nesta caravana escura havia tantas sombras.

— Não — um deles responde.

O garoto fica quieto de novo, mas não deixa o assunto morrer por muito tempo. — Meu nome é Polo.

— Ahmed — diz o garoto mais próximo dele. — Eu apertaria sua mão, mas...

Ahmed olha para as algemas presas a correntes grossas e pesadas. Ele tenta sorrir, o mais suave que consegue. Tem um sorriso bonito. Dentes branquíssimos. Todos nós temos dentes muito brancos. Todos temos rostos ovais. Eu encosto meu rosto ovalado na solidez das grades.

— Eu sou Syed e este é meu irmão Ramzi.

Os dois irmãos não se parecem mais do que o resto de nós. Syed é menor, mais franzino. Ramzi parece um soldado. Não tiro os olhos de Ramzi por um bom tempo. Ele é lindo. A maneira como se encosta na carruagem é linda. É forte, musculoso, e se porta como se estivesse acima do que está acontecendo agora. Todos nós nos parecemos, mas ele é, de longe, o melhor de nós. É, de longe, o mais bonito.

Ele percebe. — O que está olhando?

Seus olhos fixam em mim. Não respondo. Desvio o olhar rápido para a escuridão.

— Deixa ele, Ramzi — Syed diz.

Ramzi assente ao pedido do irmão e obedece, mas os outros garotos agora parecem interessados em mim. Sou o único que não se apresentou.

— Qual é o seu nome? — Polo me pergunta.

Nenhuma resposta.

Ahmed suspira. — Acho que ele não consegue falar.

— Talvez ele só esteja com medo — Polo explica. — Não há motivo para ter medo.

Ele está tentando me consolar, mas não sou criança. Sou um jovem. Sei que isso é ruim. Os homens vieram no meio da noite como soldados. Eram tantos. Invadiram minha casa. Minha família tentou impedi-los, mas não adiantou.

— É isso que você acredita? — Ramzi pergunta a Polo. — Acha que vamos ficar bem? Você não faz ideia de para onde estamos indo, faz?

Eles são estranhos. Nós também éramos estranhos, exceto Ramzi e seu irmão Syed. O desconforto na carruagem, até entre os dois irmãos, me apavorava. Syed tinha uma lágrima escorrendo pelo rosto. Acho que ele sabe para onde estamos sendo levados. Acho que os dois irmãos sabem. Estão reagindo de formas diferentes. Enquanto Syed parece emotivo, Ramzi parece aceitar a verdade com mais naturalidade.

— Vocês dois sabem para onde estamos indo?

— Olhem para nós. Não temos certas coisas em comum? — Ramzi pergunta. — Poderíamos ser todos irmãos. Nossos olhos grandes. Nossos corpos esguios. Nossos tons de pele são todos parecidos.

Ele tinha razão. Eu já tinha notado antes. Nossa pele varia de um marrom amarelado a um tom médio tostado. Nem mais claro, nem mais escuro. Todos temos cabelos pretos como a noite, cortados acima do rosto.

O irmão dele completa o pensamento. — São nossos olhos, principalmente. Ele nos quer por causa dos nossos olhos.

Nossos olhos eram todos cor de avelã. Eu nem tinha reparado nisso antes. Todos tínhamos olhos cor de avelã, com tons variados de verde, âmbar e até azul misturados. Mesmo na escuridão, sem luz refletida, dava para ver que todos compartilhávamos essa característica.

— Quem é ele? — Polo pergunta.

Ahmed logo emenda. — Vocês sabem quem nos levou?

Syed se vira. Parece muito desconfortável. Os dois irmãos definitivamente sabiam quem nos levou, e agora estava claro que tinham medo de dizer. Ramzi, porém, parecia o mais corajoso dos dois. Abriu a boca, e com um arrepio, a verdade veio à tona.

— O Deus-Rei — Ramzi declara. — Dizem que ele não sangra. Dizem que não morre. Todo mundo sabe que, quando ele conquista suas terras, leva seus filhos. Seu império vem com a lua crescente. Eles queimam. Matam. Saqueiam. E, quando terminam, levam garotos como nós, porque somos o que ele gosta.

— Gosta para quê?

— Agora somos escravos — Ramzi responde. — E não qualquer tipo de escravos.

O barulho das correntes nos lembra das algemas nos pés e nas mãos. As roupas sujas que nos deram para vestir. A longa viagem que não parece ter fim. Isso era escravidão. Polo e Ahmed pareciam ter ignorado todos os sinais até Ramzi anunciar. Talvez só não quisessem acreditar que isso pudesse acontecer com eles.

Ahmed é alto. Tem as pernas mais compridas de todos nós. Elas se esticam de um lado a outro da caravana. Mesmo assim, parece encolher, se encolhendo diante da ideia do que o Deus-Rei quer conosco.

— Você está assustando eles — Syed diz ao irmão.

— Eles merecem saber a verdade — Ramzi retruca.

— Queremos saber. Queremos saber... — Polo diz.

Ele fala por todos nós. Ahmed fica quieto, no entanto. Acho que ele não quer saber. Eu também já ouvi o suficiente, mas dá para ver que Polo tem uma personalidade curiosa. É uma mente livre, e talvez isso seja bom. Não digo uma palavra. Só cruzo os braços e me pergunto se Ramzi se importaria se eu olhasse para ele só mais um pouco. Em meio a toda essa desgraça, pelo menos ele estava ali para admirar. Pelo menos podia ver o contorno dos seus lábios ou como seus olhos cor de avelã pareciam ter um pouco mais de verde que os nossos. Ramzi me pega olhando de novo. Dessa vez, não se afasta nem fica bravo. Olha direto para mim.

— Ouvi dizer que ele é doente. Ouvi dizer que ele e seu povo têm os fetiches mais nojentos, e que precisa de garotos com olhos cor de avelã para satisfazê-los.

— São só histórias que nossos pais contavam para nos assustar e nos fazer nos comportar — Syed explica.

Me pergunto se Syed está dizendo isso mais para se convencer do que para nos tranquilizar. Ele força um sorriso, como alguém que segura algo que deveria soltar.

Ahmed parece deixar isso de lado. No momento seguinte, entra em desespero: lágrimas, pânico e raiva. Começa a socar as paredes, gritando para que o soltem. A caravana não para. Nem sequer diminui a velocidade. O chilique de Ahmed só quebra o silêncio por um tempo. É só algo para assistir.

— Chutar e gritar não vai adiantar — Ramzi diz a ele.

É uma reação muito humana. Uma parte de mim quer fazer o mesmo que Ahmed. Quero chutar, gritar, me debater, entrar em pânico. Mas não faço nada disso. Só tento esfregar a pele debaixo das algemas. Tento ajeitar as correntes e encontrar algum conforto nesse momento olhando para o corpo lindo de Ramzi.

— Que tipo de fetiches? — Polo pergunta.

Polo é obcecado por detalhes. Dá para ver nos olhos dele o quanto está preocupado. Provavelmente achava que logo se casaria com uma jovem. Estava na idade. Era bonito. Muitas garotas da cidade deviam se jogar em cima dele. A atenção provavelmente subiu à cabeça. O que ele não esperava era receber outro tipo de atenção por causa da sua aparência.

— São só histórias — Syed garante.

— Que tipo de fetiches tinham nas histórias? — Polo insiste. — Preciso saber...

— Em uma história, você fica numa sala e ele tira todas as suas roupas. Depois, traz os 100 generais dele para o mesmo lugar, e você tem que chupar cada um até eles gozarem — Ramzi diz.

Ahmed entra em pânico. Polo balança um pouco. Já sei que ele vai passar mal.

— Só histórias — Syed repete.

Ramzi balança a cabeça. — Eles precisam estar preparados, Syed. Só piora. Em outras histórias, os 100 generais mijam em você. Em outras, cagam em você.

Polo já aguentou o suficiente. Vira-se e vomita a poucos centímetros de mim. Syed e Ahmed reagem com nojo, mas eles mesmos provocaram isso ao falar do assunto. Ramzi só cobre a boca, como se tentasse não vomitar também. A caravana não para. Vamos ter que viajar horas, talvez dias, com esse vômito.

Horas se passam antes que a conversa recomece. Talvez seja porque nossas mentes se enganaram, achando que o vômito de Polo não fede mais. Ou talvez tenhamos simplesmente parado de ligar. Ahmed parece ser o que mais se revolta com isso.

Ahmed balança a cabeça. — Prefiro morrer.

A frase vem do nada, mas, naquele momento, olhando para Ahmed, acredito que ele está pensando nisso. Imagina dormir como um homem livre e acordar como escravo. Os outros reagem como se ele estivesse exagerando. Não dizem nada, mas a reação deles é estranha quando Ahmed fala isso.

— Ouvi dizer que muitos dos garotos antigos do Deus-Rei estão mortos — Ramzi responde. — É por isso que ele precisa de mais. Ele se cansou dos antigos e os matou. Eles não o agradaram como deveriam.

— Só histórias — Syed diz.

— Você sabe que não, Syed — Ramzi afirma. — Os pesadelos são reais.

— Escravos de um império... — Polo percebe.

Ramzi balança a cabeça. — Não só escravos. Somos escravos sexuais dele.

Dou risada naquele momento. Não sei por quê.

— Acha isso engraçado? — Ramzi pergunta.

O irmão lança um olhar duro para ele. — Ramzi, seja legal com ele.

~

Quando a caravana para, as portas se abrem, e homens negros como piche tiram Ahmed primeiro. Ele luta com eles, e ouço a surra lá fora. Sou o próximo a ser retirado depois de Ahmed. Acho que o mataram, porque não o vejo mais, mas o chão sob meus pés está manchado de vermelho-fresco com o sangue dele.

Os homens negros não me parecem soldados... Usam roupas brancas longas e têm um pó estranho no rosto para deixar a pele, já escura, ainda mais negra.

Consigo me levantar. Além da porta, vejo algo que parece o começo de um palácio. Não tenho certeza, mas parece um complexo extenso, e não uma única construção. Há vários prédios baixos, com pátios largos, galerias e passagens. Árvores bonitas, jardins e fontes de água por toda parte. Os edifícios são cercados por esses pátios. Sou levado para fora. Não vejo o sol há tanto tempo. Há tanto tempo. Caio no chão e sou puxado de volta, só para ver um homem. Minha garganta está seca. Meus olhos, marejados. Estou morrendo de medo.

— Seja forte — Polo me diz.

Ele está atrás de mim. Estão soltando as correntes das nossas pernas para que possamos andar. Fico surpreso quando não vejo Syed. Percebo que estamos em uma espécie de ponte grande.

— SYED, NÃO!

Levo um susto quando ouço a voz de Ramzi. Vem do nada, e de repente percebo que Syed chutou um dos homens negros no rosto quando tiraram as algemas dos seus pés. Olho ao redor e não sei para onde ele acha que vai, mas então vejo o olhar nos olhos de Syed.

Aquela tensão reprimida que ele escondia parece se libertar, como as correntes nos tornozelos. Ele corre tão rápido, tão longe.

E então se joga da ponte.

— Meu Deus — Polo diz.

Ele faz o sinal da cruz. É cristão. Como eu. Nossos captores vão até a beirada e nos deixam chegar perto para ver o que aconteceu. Lá embaixo, Syed está empalado em rochas pontiagudas. Faço o sinal da cruz também quando vejo. Quero chorar, mas não choro. Só olho para Ramzi. Ele não demonstra emoção. Só balança a cabeça naquele momento e morde o lábio ao ver o irmão empalado nas rochas.

Agora somos três.

Polo, Ramzi e eu.

— Avante — os homens negros nos ordenam.

Não temos tempo para lamentar Syed. Eu tinha começado a conhecê-lo. Me pergunto se Polo ou até Ramzi estão pensando em segui-lo. Polo parecia enojado a ponto de passar mal na caravana. Ramzi parecia saber melhor o que esperar.

Polo olha para Ramzi. — Sinto muito.

Abro a boca e sussurro a mesma coisa para ele, mas falo tão baixo que Ramzi mal me nota. Ele se vira para Polo, no entanto, e seus olhos parecem fortes.

— Ele já era um homem — Ramzi explica a Polo. — Escolheu seu caminho...

É uma maneira estranha de ver as coisas. Syed se matando, no entanto, deixou claro que, quando dizia que eram só histórias, era para nos confortar, mas, no fundo, ele sabia que não eram. De alguma forma, os irmãos sabiam exatamente o que estava acontecendo. Me pergunto como. Me pergunto como sabiam o que esperar.

— Silêncio — os homens negros ordenam.

~

Me separam de Polo e Ramzi.

Não sei bem por quê. Sou levado por um portão enorme. Nunca vi uma construção tão grande. O portão parece ter sido feito para um titã.

Talvez esse Deus-Rei seja mesmo um deus.

Faço o sinal da cruz de novo. Não posso pensar assim. Só existe um Deus.

A imensidão do portão de pedra mostra o poder desse império. O arco central leva a um corredor abobadado enquanto caminhamos. Há caligrafia estrangeira na estrutura, lá no alto. Não consigo ler. De cada lado do corredor, há salas que parecem ser de guardas.

Quando passamos pelo portão principal, há um enorme pátio. O pátio é um parque cheio de pavões e gazelas. Enquanto caminhamos, vejo essas figuras estrangeiras estranhas me encarando, me observando... analisando meu corpo. Os estrangeiros estão vestidos com roupas estranhas. Roupas bordadas, como as do homem que vi antes. Nunca tinha visto nada parecido. É difícil baixar a cabeça. Deveria estar com medo, mas fico impressionado com a beleza desse lugar. Há câmaras enormes, torres altas, portões imensos e dormitórios.

Por fim, sou jogado em um cômodo, e os homens negros vão embora.

— É um novato — uma voz diz.

Levanto os olhos e vejo um garoto. É o garoto mais bonito que já vi na vida. Tem 1,90 m, dentes brancos, pele morena clara, olhos cor de avelã e cabelos escuros. Seu corpo esguio está completamente nu, exceto por um colar dourado no pescoço. Reparo no tamanho do pau dele. É bem comprido. A coisa pende de um abdômen perfeitamente definido e destaca a grandiosidade de sua forma física, macio, com quase 25 centímetros.

— Qual é o seu nome? — outra voz pergunta.

Não respondo. Acho que o primeiro garoto é a pessoa mais linda que já vi na vida, até ver o segundo se aproximar. Seus lábios são carnudos. Seus olhos, cor de avelã. Sua pele é bronzeada, e seu corpo parece ter sido esculpido por um artista ao longo de uma década.

A princípio, juro que é um sonho. Onde estou? Quem são esses garotos lindos?

O primeiro garoto... o garoto nu suspira e cruza os braços. — Ele é mudo?

O segundo balança a cabeça. — Você está assustando ele, Basil.

— Eu não fiz nada — Basil responde.

— Vista uma roupa, Basil — o segundo garoto diz.

— Por quê? Eu nunca uso roupa.

— Lá fora, as pessoas geralmente usam roupas — o segundo garoto explica. — Ou você já é escravo há tanto tempo que esqueceu como é o mundo real? Está assustando ele.

Basil suspira, relutante, me lança um olhar irritado e se vira para ir embora. É tão alto e esguio. Quando se vira, sua bunda é perfeita. Parece quase sustentada pela vontade de Deus. Não consigo tirar os olhos dele até o segundo garoto, o de olhos cor de avelã, colocar a mão no meu rosto.

— Meu nome é Manuel — ele diz. — Qual é o seu?

Manuel parece esperançoso de que eu quebre meu silêncio, mas, quando não o faço, ele olha para Basil, que finalmente voltou com nada mais que um tipo de lenço na cintura. O lenço mal cobre a jiboia que ele chama de pênis. Ele se encosta na parede, esticando o corpo musculoso e os ombros largos. Deve achar que tem o corpo mais bonito do mundo, e tenho que admitir que ele provavelmente só perderia para o que se chama de Manuel.

Basil olha para o lenço e para o pau que aparece por baixo. — O quê? Estou cobrindo as partes importantes. Não sou eu que o deixei mudo.

Manuel suspira, voltando minha atenção para ele. — Qual é o seu nome, Quieto?

Nenhuma resposta.

— Por que não o chamamos de Hush? — Basil pergunta. — Ele é fofo. Parece aquele cachorrinho que o Sultão me comprou. Lembra dele?

"Você não está ajudando o Basil."

"Claramente, você também não. Ele não está dizendo nada. Os outros estão esperando. Ele precisa de um banho. Está fedendo. E se o Sultão vier visitar?"

Manuel assente, "Tudo bem se a gente te chamar de Hush? Até você se sentir à vontade para dizer seu nome?"

Eu encaro Manuel.

Assinto.

Manuel sorri de volta. Seu rosto é feito daquilo com que os sonhos são feitos. "Pega na minha mão, Hush."

Não me mexo.

Basil ri. "Viu... eu te disse que não era eu. Ele também não parece gostar de você."

Manuel suspira um pouco. "A gente não vai te machucar, Hush. Pega na minha mão. Por favor..."

~

Entramos em uma sala. Parece que estou entrando em um quadro. Tem homens nus por toda parte. Eles parecem estar descansando em uma área de banhos. Olho ao redor, desesperado, procurando por Ramzi ou Polo. Não os vejo aqui. Será que conseguiram sair vivos?

"Garoto novo!", Manuel anuncia para a multidão.

Devem ter umas duas dúzias deles. Todos são homens. Não. São todos garotos. Jovens, da minha idade, e todos têm uma coisa em comum: os olhos cor de avelã. São os garotos mais perfeitos que já vi na vida. Quando entro, estão por toda parte. Alguns parecem estar tomando café. Outros fumando narguilés.

Há um clima de erotismo no ar, mesmo que ninguém esteja transando. Alguns andam à vontade, como o Basil. Alguns têm o pau tão grande quanto o dele. Outros têm bundas mais redondas. Alguns são mais musculosos que o Basil. Uns são morenos, outros bronzeados como o Manuel, e alguns são bem pálidos, com a pele num tom rosado suave.

"Vamos dar uma olhada nele", diz uma voz.

Um garoto se aproxima. Ele é negro, de pele escura. Usa um turbante e está vestido, exceto pelo peito. Definitivamente é um dos mais musculosos. Quando ele chega perto, parece dar confiança aos outros, que também se aproximam. De repente, estou cercado por todos esses garotos lindos.

Basil cruza os braços. "Os eunucos só o deixaram aqui. Não disseram quem ele era."

O garoto que lidera os outros respira fundo. "O cabelo dele está emaranhado. Ele fede a peixe."

"A gente não sabe de onde ele veio, Alexios", diz Manuel.

"Você perguntou?"

Manuel lança um olhar duro para o garoto. "O que você acha? Ele não responde a nenhuma das minhas perguntas. O Basil disse que a gente devia chamar ele de Hush."

O garoto principal, Alexios, me examina. A expressão no rosto dele mostra que não está muito impressionado comigo. Não sei quem ele é, mas pela forma como se porta, acho que se acha importante. Talvez seja mesmo. Os outros parecem respeitá-lo. Olhando para Alexios, dá para entender por quê. Ele tem traços fortes, a pele escura, o maxilar definido. O torso musculoso parece esculpido em bronze puro.

"A gente ia dar um banho nele, Alexios", diz Basil, com um tom estranho, como se estivesse procurando elogios.

"Não precisa. Enquanto eu estiver por aqui, o Sultão não vai se interessar por mais ninguém."

Alexios me olha com desdém antes de se afastar. Consigo ver um pouco da alma dele quando alguns outros o seguem, apressados. Eles não parecem muito animados em me ver ou em tentar fazer eu falar, como o Manuel.

Estou parado em frente a uma banheira.

"Desculpa pelo Alexios", explica Manuel. "Ele é o garoto favorito do Sultão. Faz um tempo que é o favorito. O sultão o presenteia com frequência. Ele manda aqui. É o favorito."

A forma como falam do Alexios é quase como se tivessem medo dele. Lembro de como as pessoas o seguiam, bajulando. Definitivamente tinham medo dele, e me pergunto quanto poder o favorito de um harém pode ter de verdade. De qualquer forma, ele era um escravo. E agora eu também era. Todos nós éramos escravos.

"A cabeça dele ficou ainda maior depois que o Constantine fugiu daqui."

Fugiu? Era possível escapar...

Meus olhos se arregalam.

"Você reconhece esse nome, né?", Basil me pergunta.

Balanço a cabeça. O nome Constantine não significa nada para mim, mas a ideia de que ele fugiu daqui, sim. Então era possível. Era possível passar pelos portões do palácio.

"Constantine Palatina. Ele também é do harém. Mal posso esperar até o Constantine voltar e colocar o Alexios no lugar dele. Constantine é o melhor de nós. Aposto que você já ouviu falar dele. Ele é o filho mais novo do antigo imperador Constantine, do Império Bizantino. Dá para imaginar o que ele estava fazendo num lugar desses? Bom, não existe mais Império Bizantino. Os otomanos também tomaram isso."

Não respondo.

Manuel sorri. "O Constantine vai voltar para salvar a gente."

Levanto as sobrancelhas.

"O Constantine foi o único que conseguiu escapar daqui. Ele levou o amante e os dois fugiram. Prometeu que um dia voltaria para nos buscar."

Basil suspira. "Ele não vai voltar. Está apaixonado em algum lugar. Por que voltaria por nós? Nem o Constantine consegue escapar dos otomanos duas vezes."

"Você sabe onde está?", Manuel me pergunta.

Balanço a cabeça.

Basil ri. "Ele não faz a menor ideia."

Manuel suspira. "Você está no Império Otomano."

Otomano. Eu sabia exatamente quem eles eram, mesmo que continuasse olhando para Manuel como se não entendesse. Otomano era a nuvem negra. Os otomanos eram o império devastador que escureceu o mundo enquanto o conquistava. O Sultão era o rei desse império. Ele mandava em tudo. Lembro do dia em que chegaram às minhas terras e transformaram o eterno azul em vermelho com suas bandeiras. Lembro do dia em que vieram me buscar.

Manuel continua. "Meu nome é Manuel, e esse é o Basil. Você foi capturado. É um escravo do Sultão e agora trabalha no harém."

Basil tira a roupa na mesma hora. "Odeio essa palavra. Escravo. A gente é mais tipo... artista."

Estremeço. Tenho medo só de pensar nisso. O Basil parece gostar. Ele faz parecer que essa vida não é tão ruim assim.

Ver o Basil tão à vontade com a nudez me deixa nervoso.

Manuel cruza os braços. "Você ainda não entendeu por que está aqui, né?"

Balanço a cabeça.

Basil sorri. "Ele vai aprender."

Basil diz isso como se não fosse nada. Não demonstra emoção. Nem parece se importar. Talvez já tenha aceitado isso há muito tempo.

"No Império Otomano, os regimes são dominados e incorporados. Para evitar que fortunas sejam herdadas e impedir que os nobres fiquem poderosos demais, o império manda um garoto para cá. Para ser um dos Amados."

"A gente é os Amados. Um jeito chique de dizer que a gente deixa o sultão nos comer. Cru. Quantas vezes ele quiser", diz Basil.

Manuel ignora o Basil. Fixa os olhos em mim. "Quem é você, Hush? Já está à vontade para nos dizer seu nome?"

Eu continuo... olhando, sem expressão.

"Ele não vai contar", responde Basil.

Manuel suspira. "Acho que não importa mais. Estamos aqui por um motivo, e só um: agradar o Deus-Rei."

Basil e Manuel tiram minha camisa. Eu me debato quando tentam tirar minha calça. Alguns dos outros garotos ainda estão olhando. Um deles toca uma harpa. Para de tocar quando Manuel tenta tirar minha calça. Essa área tem várias salas interligadas. Enquanto passa por elas, Manuel explica que uma é a sala quente, outra morna, a intermediária e a fria. Algumas têm banheiras luxuosas, com pilares tão altos que parecem desaparecer, e áreas de descanso cheias de homens nus e deslumbrantes.

Há vários acessórios espalhados: panos de seda, caixas de joias, saboneteiras, espelhos grandes, tigelas de hena e frascos de perfume.

"Você não tem escolha. É importante estar limpo. Para o Sultão, limpeza é quase como santidade. Até a menor sujeira pode fazer ele te castigar."

Basil sorri. "É melhor se acostumar."

Assinto.

É o Manuel quem tira minha camisa. O Basil tira minha calça.

O banho começa. Não posso admitir, mas não é ruim ter dois homens cuidando de mim assim. Manuel começa a esfregar sabão na minha frente. Basil faz o mesmo nas minhas costas. Manuel não tira os olhos de mim enquanto faz isso. Ele me esfrega com força.

"Você está com medo?", Manuel me pergunta.

Assinto.

"Se eu te beijasse, ia te deixar mais tranquilo?", ele pergunta.

Não respondo. Basil ri.

"Agora quem é que está assustando ele?", Basil pergunta ao Manuel.

Manuel suspira. "Não é minha intenção. Só lembro como eu estava assustado quando cheguei. A única coisa que ajudou foi me acostumar a ser tocado de jeitos que eu não queria antes dos oficiais aparecerem. Eles não são nem de longe tão atraentes quanto os caras daqui. É bom treinar com a gente antes que aqueles velhos nojentos cheguem."

Esses garotos não estão brincando. São escravos sexuais. De repente, sinto uma pena enorme deles. Já tinha ouvido falar de haréns, mas não sabia que existia um com prisioneiros políticos usados para manter as terras conquistadas sob controle. Eu só conhecia o harém que o Sultão usava para ter herdeiros.

"Eles são todos nojentos. E você tem que agradá-los. Tem que fazer o que eles mandam. Chupa os paus feios e rosados deles. Deixa eles enfiarem os paus feios e rosados em você", Basil suspira fundo. "É horrível..."

"Vai ajudar treinar. Confia em mim", diz Manuel. "Quando eu cheguei, o Constantine me ajudou."

Basil assente. "Ele me ajudou também. O Constantine é o melhor."

"A gente pode te mostrar. Só se você quiser", oferece Manuel.

Fico hesitante, sem saber o que a oferta do Manuel realmente significa. Nesse momento, Basil se inclina e começa a beijar o Manuel. Os dois garotos perfeitos se devoram na minha frente. Basil agarra a bunda do Manuel, que retribui. Meu pau endurece ao ver isso. Era comum garotos da minha idade explorarem coisas com outros garotos. Mais cedo ou mais tarde, porém, eram obrigados a se casar e esquecer essas experiências. Com esses garotos, não era assim. Eles podiam explorar para sempre.

"Quer se juntar a nós?", Basil pergunta.

Balanço a cabeça.

"Não força ele. Vamos só mostrar", diz Manuel.

Nesse momento, Basil sorri, se ajoelha e, em segundos, puxa o pau do Manuel e o enfia na boca. Fico chocado ao ver Basil chupando o pau do Manuel no meio do banho. O mais impressionante é que os outros garotos na sala nem parecem notar ou se importar com o que eles estão fazendo.

Manuel se encosta na borda da piscina. Enfia o torso forte e musculoso na garganta do Basil. Começa a foder a boca dele com desespero. Ao observá-los, percebo que meu próprio pau está duro. Começa a vazar pré-gozo.

Ninguém parece notar quando Manuel segura as bordas da banheira.

Ninguém liga quando Basil engole o pau do Manuel até o fundo.

Só eu me importo quando Manuel solta um gemido profundo. "Onde eu devo gozar?"

Basil sorri, tirando o pau do Manuel da boca por um segundo. "Eu engulo."

E então acontece! Manuel enfia o pau até o fundo na garganta do Basil. Vejo as veias saltarem no pau dele. Basil continua chupando até a boca transbordar de porra. O sêmen escorre pelo rosto perfeito... pelo queixo perfeito. É a maior quantidade de porra que já vi na vida. Fico tão chocado que meu corpo começa a tremer.

Manuel e Basil olham para mim e riem quando terminam. Demoro um pouco para entender por que estão rindo. Meu pau está pulsando, soltando porra pela minha coxa. Não é pré-gozo. Tive um orgasmo completo só de ver os dois se pegando.

Manuel sorri. "Não se preocupe, Hush. Você vai se acostumar. Já está quase na hora do jantar. Imagino que não queira ir nu. Pode pegar emprestada uma roupa minha."

"Garotos novos ficam nus até receberem presentes, Manuel. Você conhece as regras", retruca Basil.

Manuel me encara por um tempo. "A gente quebra as regras. Só dessa vez."

~

A mesa onde estou sentado está cheia de garotos. Os garotos lindos. Quando me aproximo com o Manuel, sou parado. É o tal Alexios. Ele nos impede e aponta para o chão.

"Garotos novos sentam ali...", Alexios diz. "No chiqueiro."

Olho para onde ele está apontando. Só tem um garoto ali. Reconheço o rosto na hora. Polo! É um dos garotos com quem viajei.

"Isso é realmente necessário?", Manuel pergunta ao Alexios.

"Ele precisa saber qual é o lugar dele. Eu estou aqui em cima. E ele está lá embaixo...", Alexios diz. "Nu."

Nesse momento, Alexios começa a rasgar as roupas que o Manuel me deu! Tento me defender, mas os outros garotos se juntam a ele. Eles rasgam, puxam, destroem as roupas. Cada vez que tento resistir, me dão socos na cabeça.

Uma gargalhada enche a sala. Manuel parece discordar, mas não faz nada para me defender. Sou tratado como lixo, empurrado para onde o Polo está sentado, e percebo que ele está completamente nu. Tem uma coleira no pescoço. Não sei onde o Polo esteve esse tempo todo, mas claramente não foi tratado como eu. Quem quer que o tenha recebido não foi nem de longe tão gentil quanto o Manuel.

Quando me jogam no cercadinho retangular, vejo o Polo. Minha boca cai quando olho para o rosto dele.

"Você está bem. Graças a Deus. Fizeram isso comigo..."

Os braços do Polo estão sangrando. O rosto parece que foi queimado com alguma coisa. Olho ao redor, me perguntando quem. O império? O sultão?

"Alexios", diz Polo. "Ele jogou ácido no meu rosto. Disse que eu era bonito demais."

Levo um susto.

Olho para o Alexios. Ele está sentado à mesa, sem se importar com nada. Não é à toa que todos têm tanto medo dele. Não é à toa que os garotos nessa sala fazem tudo o que ele manda. Ele foi capaz de jogar ácido no rosto de alguém só por ser bonito demais.

Polo continua. "Consegui bloquear o pior, mas meus braços estão sangrando. Mas chega de falar de mim. Fico feliz que você esteja bem. Pensei que tivessem te matado. Ou pior, que você tivesse se matado", Polo me diz. "Consegue acreditar como esses garotos são perfeitos?"

Olho para os garotos.

Depois de ver o que fizeram com o Polo, não sei o que sentir. Os corpos deles são perfeitos, como se malhassem o tempo todo. A gente ia ficar igual a eles se ficasse aqui tempo suficiente. Me pergunto como esse lugar pode ser tão horrível se você for um desses garotos. Alguns parecem realeza. O colar que o Basil usa no pescoço parece valer o suficiente para alimentar aldeias inteiras. Não consigo parar de olhar para eles. São tão lindos.

A sala está cheia de conversas, e a gente é tão novo que não faz parte disso. Alexios não deixa o Manuel me trazer um prato, mas permite que ele traga sobras de comida que já foram mordidas. Não como, mas empurro para o Polo, que parece mais do que feliz em devorar.

"Parece que somos só nós dois", Polo me diz. "O Ramzi provavelmente se matou depois que o irmão dele fez isso. Que pena. Ele parecia saber muito sobre esse lugar. Parece que tem hierarquia aqui."

"Ramzi...", digo.

A boca do Polo cai. "Você acabou de falar?"

"Ramzi..."

Polo fica chocado. "Então você fala, afinal?"

Minha voz é fraca. Tão fraca, mas aponto para a porta. "Não, Polo. O Ramzi está entrando ali..."

Nesse momento, Ramzi entra, mas não está nu e humilhado como o Polo e eu. Quando vê as pessoas no harém do Sultão, não vem para a mesa dos porcos. Senta-se na outra ponta da mesa, na frente do Alexios. Os outros ficam chocados quando ele entra. Não o batem. Não riem dele. Não tentam rasgar as roupas dele. Há um respeito claro por ele. Fico confuso.

Ramzi se senta à mesa, e dá para ver que o Alexios e alguns outros ficam incomodados com a presença dele. Isso não me surpreende. O que me surpreende é o nível de respeito que demonstram por ele.

Eles também não o chamam de Ramzi.

"Então o Constantine voltou, afinal...", diz Alexios.