Capítulo 1 - A Noite Deveria Ter Ficado Esquecida
Capítulo 1
A tempestade tinha cancelado todos os voos saindo de Chicago O’Hare até as onze da noite. A chuva batia nas janelas do terminal em cortinas implacáveis, e os atendentes do portão já tinham desistido de repetir as mesmas desculpas resignadas pelos alto-falantes. Lila estava sentada no canto mais afastado da sala VIP, pernas cruzadas em uma poltrona baixa de couro, no terceiro copo de Cabernet de cortesia. O vinho era surpreendentemente bom, melhor do que a porcaria de caixa que ela costumava comprar, e tinha transformado a ponta afiada da sua frustração em algo mais quente, mais imprudente.
Do outro lado da sala quase vazia, um homem estava sozinho em uma mesinha perto do vidro do chão ao teto. Quarenta e poucos, talvez início dos cinquenta. Cabelos escuros com fios prateados nas têmporas, mangas arregaçadas até os cotovelos, antebraços fortes e marcados por anos de disciplina, não de exibição. Ele digitava no laptop sem parar, testa franzida, ignorando o caos lá fora. Algo na intensidade silenciosa dele fazia o olhar dela voltar sempre.
Quando os olhos dos dois finalmente se encontraram, os dela curiosos, os dele frios e sem pressa, ele não sorriu. Apenas sustentou o contato por três longos segundos, depois inclinou a cabeça na direção da cadeira vazia à sua frente.
Lila se levantou, copo na mão, e atravessou o carpete sem pressa.
— Se importa se eu escapar da solidão? — perguntou, voz baixa, com um toque de provocação.
Ele fechou o laptop pela metade. — Nem um pouco. Só aviso que sou péssima companhia quando estou trabalhando.
— Você parece estar se esforçando muito para não olhar a tempestade — disse ela, sentando-se. — Ou qualquer outra coisa.
Um leve sorriso tocou o canto da boca dele. — Culpado. Victor.
— Lila. — Ela ergueu o copo num brinde discreto. — E eu também não estou aqui para conversar. Só… barulho que não seja trovão.
Eles conversaram como estranhos quando o tempo já lhes tinha sido roubado: diretos, sem filtros, sem fingir que haveria um amanhã. Ele trabalhava com consultoria, sempre entre cidades, atrás do próximo contrato. Ela voltava para casa depois de um fim de semana que tinha desandado, amigos que deram para trás, uma cidade que parecia menor a cada retorno. O vinho não parava de chegar, os funcionários da sala reabasteciam discretamente e sumiam de novo.
Quando as luzes do teto diminuíram para o silêncio da madrugada e o último atendente desapareceu pelo corredor, o espaço de repente pareceu menor. Íntimo. Carregado.
Victor olhou na direção da divisória de vidro que separava a sala principal das suítes VIP privativas. — Eles têm chuveiros lá atrás. Para passageiros com voos atrasados. Deviam estar trancados depois das dez.
O pulso de Lila acelerou. — Deviam estar.
Ele a observou por um longo segundo. — Você não é o tipo de mulher que pede permissão.
— Nem o tipo que espera por ela.
Ele se levantou primeiro. Ela o seguiu.
O corredor estava mal iluminado, apenas as faixas de emergência brilhando na base das paredes. A terceira porta estava entreaberta, alguém descuidado ou talvez de propósito. Victor a empurrou. Lá dentro, paredes de mármore claro, um chuveiro de chuva, um banco estreito e um espelho de corpo inteiro de frente para o boxe. A porta se fechou atrás deles. Sem tranca. Nenhum dos dois se importou.
Ele se virou, encurralando-a contra a parede fria sem ainda tocá-la.
— Me diz para parar — disse ele, voz baixa e áspera.
Lila ergueu o queixo. — Nem pense nisso.
A boca dele se chocou contra a dela, forte, possessiva, com gosto de bourbon e do último fio de controle finalmente se rompendo. Ela gemeu no beijo, dedos já arrancando os botões da camisa dele enquanto ele puxava o vestido dela para cima das coxas num movimento brusco. A mão dele encontrou a calcinha de renda encharcada, e ele rosnou contra os lábios dela.
— Puta merda, você já está pingando.
— Fiquei te observando a noite toda — ela ofegou. — Imaginando essas mãos em mim em vez daquele maldito teclado.
Ele a girou de frente para o espelho, puxando as alças finas do vestido para baixo até os seios dela saltarem livres. Eram obscenos, cheios, pesados, redondos demais, transbordando das mãos dele quando as segurou, mamilos escuros já duros e implorando. Victor não conseguia parar de olhar como balançavam e tremiam, tão grandes que transbordavam das palmas, mamilos inchados e escuros contra a pele clara, perfeitos para morder, apertar, marcar, prova de que ela tinha sido feita para ser arruinada. As mãos dele os cobriram com força, polegares circulando, beliscando até ela arquear as costas contra o peito dele com um grito agudo.
— Olha só para você — ordenou ele, voz grossa de sujeira. — Olha como essa bocetinha linda está desesperada pelo pau de um estranho.
Ela encarou o próprio reflexo, pupilas dilatadas, lábios inchados e molhados, e gemeu quando os dedos dele deslizaram entre suas coxas, separando os lábios, circulando o clitóris com precisão impiedosa.
— Abre mais — ele mandou. — Deixa eu ver como você é gulosa.
Lila apoiou as palmas no espelho, pernas tremendo enquanto obedecia. Ele enfiou dois dedos dentro dela sem aviso, curvando-os com força naquele ponto sensível até os joelhos dela falharem.
— Meu Deus… isso… porra.
— Isso. Rebola nos meus dedos como a putinha safada que você é.
Ela se empurrou contra a mão dele, buscando o alongamento, a queimação. Ele acrescentou um terceiro dedo, metendo fundo e rápido, o polegar pressionando o clitóris até as coxas dela tremerem e a respiração sair em soluços entrecortados.
Quando ela estava escorrendo pela mão dele, ele a puxou, girou-a de novo e a empurrou de joelhos no piso frio.
— Abre essa boca.
Ela obedeceu, ansiosa, suja, língua achatada e pronta. Ele libertou o pau, grosso, cheio de veias, já vazando na ponta, e o enfiou entre os lábios dela num movimento lento e deliberado. Ela engasgou com a grossura, olhos lacrimejando, mas o levou mais fundo, afundando as bochechas, gemendo enquanto a cabeça batia no fundo da garganta.
— Porra, boa garota. Engasga com ele. Leva cada centímetro como se tivesse sido feita para isso.
Ele agarrou o cabelo dela, controlando o ritmo, devagar no começo, depois mais rápido, quadris avançando até lágrimas escorrerem pelo rosto dela e a saliva pingar do queixo. Ela o olhou por entre os cílios molhados, olhos suplicantes, e ele gemeu fundo na garganta.
— Chega.
Ele a puxou pelos braços, girou-a de frente para o banco e a dobrou sobre ele. O vestido se amontoou na cintura, ele abriu as coxas dela com o joelho, alinhou-se e a penetrou num só golpe brutal.
Lila gritou, unhas arranhando o mármore enquanto ele a preenchia por completo, grosso, esticando, implacável. Não lhe deu tempo para se ajustar. A boceta dela o apertava como um punho de veludo, incrivelmente apertada, quente e escorregadia, cada parede sedosa se contraindo como se tentasse puxá-lo mais fundo e nunca mais soltar. Ela era tão estreita que ele precisou forçar a entrada, a abertura dela tremendo e se alargando ao redor do pau grosso, ordenhando-o com espasmos rítmicos que quase o fizeram gozar na hora. A queimação era deliciosa para ela, uma dor aguda e prazerosa que a fez ofegar e arranhar o banco, os músculos internos tremendo ao redor dele como se tivesse sido feita para recebê-lo e só a ele, apertando com tanta força que ele rosnou, lutando para não gozar ali mesmo. Ele a fodeu com força, quadris batendo contra a bunda dela, uma mão segurando o quadril com força suficiente para deixar marcas, a outra envolvendo a garganta dela por trás.
— Diz de quem é o pau que está arruinando essa bocetinha apertada.
— Seu, porra… seu.
— Fala mais alto.
— Seu, Victor… Meu Deus, por favor.
Ele estendeu a mão, dedos encontrando o clitóris dela de novo, esfregando em círculos rápidos enquanto metia mais fundo, o som molhado de pele contra pele ecoando no mármore. Ela gozou primeiro, costas arqueadas, coxas tremendo, um grito engasgado rasgando a garganta enquanto se contraía ao redor dele, apertando com tanta força que ele sibilou.
Ele não parou. Continuou metendo nela, perseguindo o próprio gozo com estocadas brutais até enterrar-se até o fim e gozar com um gemido rouco, pulsando quente e fundo dentro dela.
Ficaram assim por longos segundos, ofegantes, molhados, tremendo, até ele finalmente se retirar. O gozo escorreu pela coxa dela, e ele o recolheu com dois dedos, empurrando-o de volta para dentro dela, possessivo e sujo.
— Fica aí — murmurou no ouvido dela. — Até embarcar no seu voo.
Lila se endireitou nas pernas bambas, o vestido caindo no lugar, coxas grudentas, coração ainda acelerado. Encarou os olhos dele no espelho uma última vez, escuros, satisfeitos, já distantes.
Saiu primeiro, sem uma palavra, sem olhar para trás.
A madrugada ainda estava longe, mas a noite parecia encerrada.
Ela estava enganada.
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