1 | Gold Mask
CARTER
Sexta-feira, 21h22
As mãos grandes e calejadas dele sobem pelas minhas coxas, afastando-as. “Riven”, suspiro, arqueando as costas quando seus lábios roçam a pele sensível logo acima da minha calcinha. Já estou ansiando por ele, meu núcleo latejando enquanto ele engancha os dedos na renda e a arranca de mim.
Há algo selvagem no olhar dele quando me encontra já molhada para ele; algo tão destituído de humanidade que não estou totalmente convencida de que ele ainda está no controle. O turbilhão negro que engole o cinza em suas íris confirma isso: seu lobo está assumindo o comando.
Antes que eu possa falar, sua língua desliza, arrastando-se pelo meu calor e apagando qualquer resquício de pensamento racional que me restava. O mundo se estreita até que não reste nada além de mim, dele e do seu enorme...
“Você está trabalhando?!”
Dou um pulo, fechando meu laptop tão rápido que quase prendo os dedos. “Não, eu estava só...”
“Papo furado, sua antissocial de primeira. Tem uma festa bombando na sala ao lado, e quem está aqui no escuro escrevendo de novo? Carter fucking Pierce.”
“Olha como fala comigo.” Levanto-me, alisando meu vestido. “Espere só até ‘Carter fucking Pierce’ estar estampado na capa de todas as livrarias por aí.”
“Pelo menos a parte da imaginação você domina.” Payton abre a porta completamente, deixando a luz intensa entrar. “Vamos lá. Você está gostosa demais para ficar se lamentando aqui sozinha.”
Puxo a bainha do meu vestido, que mal cobre a tatuagem na minha coxa.
Droga. Eu deveria ter usado uma fantasia normal.
Sigo Payton de volta para a festa. A música pulsa pelo ar, pesando no meu peito. Eu nem gosto de festas, mas aqui estou eu, fingindo que gosto, porque quero ficar de bem com a Helen. E porque, francamente, eu mereço uma folga.
Eu tenho uma noite só para mim. Uma. Eu não estive apenas cuidando da minha avó; eu basicamente vivi como ela. Minha vida se tornou uma rotina de mercado, cozinha, trabalho e colocar uma senhora para dormir. Se eu ficar mais duas semanas assim, provavelmente vou começar a fazer tricô só para não enlouquecer.
Mas esta noite, meu primo assumiu o comando, o que significa que finalmente tenho a noite livre.
E pretendo aproveitar de verdade.
O lugar é iluminado demais, cheio demais e lotado de gente que não tenho o menor interesse em ver fora do horário de expediente.
Bem, exceto a Payton. Eu gosto de tomar café com ela nos nossos dias de folga. Ela é uma encrenqueira nata, mas me faz rir e mantém minha cabeça no lugar quando começo a pirar.
E tudo bem, eu também não me importo de ver o Huck. Ele está posicionado perto da cabine do DJ — logo atrás de uma garota vestida de Katniss Everdeen — tenho quase certeza de que é a Layla? — e do Sherlock Holmes com quem ela está conversando.
Nunca pensei que me interessaria por um cara como o Huck, embora interessar possa ser exagero. Ainda assim, ele me pegou desprevenida. Ele não é o tipo de cara que eu costumava escolher. Direto demais, bruto demais. Mas tem algo nele; algo que a cena que escrevi mais cedo aparentemente me deixou inclinada a explorar.
Escrever geralmente não me excita, nem mesmo as cenas mais imundas, mas há algo nesta história. Tem ouro nela; sinto isso vibrando sob minha pele.
Talvez seja porque ela é minha.
Pela primeira vez, não estou imitando a voz de outro autor. Não estou me espremendo em uma caixa minúscula que outra pessoa construiu, torcendo para que ninguém perceba o fantasma fazendo todo o trabalho pesado.
O destino glamoroso de um ghostwriter. Fucking maravilhoso.
Não por muito tempo, porém. Essa releitura de Chapeuzinho Vermelho é meu bilhete para sair das sombras. Minha própria rebelião. Uma ode a cada garota que viu a Fera se transformar no Príncipe Adam e imediatamente torceu o nariz.
Porque, vamos ser honestas, todas nós preferíamos a Fera.
Então eu pensei... E se a Chapeuzinho Vermelho não fosse uma garotinha doce levando doces para a vovó? E se ela fosse uma jovem feroz com uma missão?
E se o Lobo Mau fosse um lobisomem muito, muito gostoso?
Payton aparece ao meu lado com duas bebidas nas mãos. “O Sr. Darcy ali está te encarando desde que você chegou”, ela murmura, me entregando um copo. “Talvez vocês devessem fundir suas histórias: Orgulho e Preconceito encontra... espera, o que você deveria ser? Betty Boop?”
Reviro os olhos e puxo o capuz sobre a cabeça. “Chapeuzinho Vermelho, obviamente.”
Payton ri pelo nariz. “Não sabia que a Chapeuzinho usava um vestido desses.”
Puxo a bainha novamente, mas a droga da peça sobe cada vez que me movo. “É minha fantasia de Halloween do ano passado. O convite dizia ‘personagem de livro favorito’. Achei que serviria.”
Ela me olha por cima da borda do copo, de forma sugestiva. “Ah, com certeza está fazendo alguma coisa.”
O calor sobe ao meu rosto instantaneamente. Giro tão rápido que meu vestido gira junto, piorando a situação. “Certo, chega disso. Eu vou me trocar.”
A mão de Payton envolve meu pulso. “Não vá. Estou brincando. Você está gostosa, criminosamente gostosa. Só tome uma bebida e circule um pouco. A Helen acabou de chegar e vai adorar te ver entre os vivos.”
Hesito, então cedo. “Está bem, vou ficar. Mas se isso não me render pontos com ela, eu vou te pegar.” Dou um gole longo na bebida que ela me deu. É mais forte do que eu esperava, queimando minha garganta de um jeito que alivia o nó no meu estômago, mas não faz absolutamente nada em relação ao barulho que me pressiona por todos os lados. O grave pulsa forte o suficiente para sacudir meus ossos, e as pessoas gritam para serem ouvidas acima dele.
Não. Talvez eu não tenha socializado exatamente, mas existi no mesmo cômodo que outros humanos. Por enquanto, isso basta.
Caminho pelas paredes, mantendo o capuz levantado como se isso me tornasse invisível, e saio da sala principal. O corredor é mais escuro, mais fresco e abençoadamente silencioso. Meus ombros relaxam um pouco.
Não aguentei nem cinco minutos. Deus, eu realmente estou me tornando minha avó.
Sigo em direção ao meu escritório, uma pequena sombra vermelha se esgueirando pela escuridão. Quando meus dedos tocam a maçaneta, algo — talvez instinto — atrai minha atenção para trás.
No final do corredor, meio escondido pelas sombras, está um homem.
Alto. Largo. Completamente imóvel.
Ele está todo de preto e usa uma máscara de lobo dourada.
Quase dou um pulo ao vê-lo, então solto uma risadinha nervosa. “Fuck, você me assustou”, murmuro, levantando meu copo em um brinde irônico. “Tenho que admitir, você incorporou bem o personagem.”
Ele não responde, na verdade, nem se move. Ele apenas fica lá, me observando.
Um calafrio percorre minha espinha, retorcendo meu estômago de um jeito que não é totalmente indesejado. Deus, claro que eu fico excitada ao ver uma máscara de lobo. Eu basicamente me condicionei a isso.
“Certo”, murmuro, recuando para dentro do meu escritório. “Continue fazendo... isso.”
Entro, fecho a porta rápido demais e solto o ar. Meu pulso está acelerado, estou realmente preocupada com meu pobre coração. Com a mão pressionada contra o peito, espreito pela janela estreita ao lado da moldura.
Ele se foi.
Não há nada lá além da luz fraca e um corredor vazio.
Engulo em seco e volto para minha mesa. Meu laptop me chama; a adrenalina persistente se transforma em algo quente e delicioso.
Eu preciso escrever.
Abro o documento e mergulho direto na cena: a boca de Riven, o arco ofegante de Scarlet, a sensação de perder o controle...
A porta faz um clique.
Dou um salto. “O que foi—”
Huck entra, com as sobrancelhas erguidas como se eu fosse a irracional por ter me assustado. “Pierce.”
“Coroner”, respondo, girando na cadeira para encará-lo. “Você me assustou. Eu já estava tensa por ter encontrado o lobo.”
Ele inclina a cabeça, curioso. “Lobo?”
“Acho que sim. Aquele com a máscara dourada? Definitivamente algo canino.”
Um som de desinteresse sai dele enquanto se aproxima. “Então, o que você deveria ser? Uma Annie sexy?”
Minhas sobrancelhas se juntam, depois saltam. “Annie? A órfã?! Jesus Cristo, não. Eu sou a Chapeuzinho Vermelho. Como é que nenhum de vocês—”
“Você está bonita”, ele interrompe suavemente. “Você deveria usar vestidos mais vezes. Como está essa bebida?”
Olho para meu copo. “Forte e doce. A sua?”
“Vazia.”
Recosto-me na cadeira, com minha capa de veludo vermelho envolvendo meus ombros. Faço minha melhor voz de homem. “Quer que eu busque um refil para você, querido?”
Ele sorri, divertido. “Que tal eu buscar um para você?”
Levanto meu copo. “Ainda está pela metade.”
Ele estende a mão e o pega da minha mão mesmo assim. “Posso provar?”
Dou de ombros. “Fique com ele todo. Não é bem o meu tipo de bebida.”
Huck bebe tudo de uma vez. “Doce, de fato.” Ele estuda a borda do copo... então lambe os lábios. “É protetor labial de morango que você está usando?”
Estalo os lábios, exagerando para mostrar. “Mirtilo.”
Algo muda na expressão dele, mais sombria, mais pesada. O tipo de olhar que acende um pavio bem lá no fundo do meu estômago. Eu memorizo imediatamente para descrever em uma cena mais tarde.
“Mais doce que a bebida em si”, ele murmura.
O calor percorre meu corpo, intenso e rápido. Seus olhos descem para minha boca, e tudo acende novamente. Coloco uma mecha de cabelo atrás da orelha inocentemente. “Aposto que é ainda mais doce direto da fonte.”
O olhar dele sobe, fixando-se no meu. “Isso é um convite, Pierce?”
“Só estou dizendo”, murmuro, inclinando a cabeça para ele. “Aposto que você nem consegue sentir o gosto do mirtilo misturado com o álco—”
Nem consigo terminar a frase.
Huck me agarra, rápido, puxando-me para ficar em pé como se eu não pesasse nada. Seus braços prendem minha cintura, sólidos e quentes, e então sua boca está na minha, forte o suficiente para roubar o último suspiro que eu tinha.
Solto um suspiro contra ele, os lábios se abrindo sem hesitação. Sua língua desliza contra a minha e, meu Deus, eu derreto.
Eu preciso disso. Preciso me soltar, parar de viver como uma freira sobrecarregada e lembrar que tenho um corpo. Um que merece atenção.
As mãos dele descem para minha bunda, apertando como se estivesse tentando me puxar para dentro dele, como se quisesse que ficássemos entrelaçados bem aqui no chão do meu escritório. O volume em sua calça pressiona meu quadril, e meus joelhos cedem instantaneamente.
Ele termina o beijo primeiro, ofegante, com a testa quase encostada na minha. “Certo, quer sair daqui?”
Minha respiração treme. “Sim. Só... deixe-me pegar minhas coisas.”
Ele acena com a cabeça, recuando, com o maxilar tenso. “Vou pegar um pouco de água para você, sim? Para te deixar mais sóbria. Não gostaria que ninguém me acusasse de tirar vantagem de uma mente confusa.”
“Minha mente está perfeitamente clara”, sussurro, com o peito subindo e descendo como se eu tivesse acabado de correr uma maratona. “Mas... sim. Água seria bom.”
Quando ele sai, pego o pequeno espelho na minha bolsa e faço uma rápida avaliação dos danos. Meus lábios estão vermelhos, meu cabelo um pouco selvagem, mas de um jeito bom. Alcancei sob meu vestido para ajustar a calcinha, que já está úmida... principalmente por cortesia de Riven, mas Huck não precisa saber disso.
Coloco minha bolsa no ombro, o coração ainda disparado pelo beijo.
Hora de conseguir alguma inspiração para minha história.
Sexta-feira, 21h48
Chuto os copos vazios do McDonald’s e coloco as pernas para fora do Volkswagen do Huck. O mundo gira um pouco enquanto tropeço atrás dele. Meu corpo ainda vibra pelo beijo, mas o álcool está me atingindo. Eu tomei o quê, meio copo? Pular o jantar é um erro de principiante.
Ele empurra a porta da frente com o ombro e faz um gesto para eu entrar. O lugar está escuro, as cortinas fechadas, o único brilho vindo de um enorme aquário no centro da sala. A luz azul ondula sobre tudo — sofá, carpete, paredes —, distorcendo o espaço o suficiente para me deixar ainda mais tonta.
Meu cérebro parece... sobrecarregado, de certa forma. Cada detalhe me atinge ao mesmo tempo: o sofá de couro rachado, a mesa de madeira pesada, o cheiro forte de poeira queimando nos radiadores antigos. É muita coisa para assimilar de uma vez só.
Huck entrelaça seus dedos aos meus e me leva escada acima, falando pelos cotovelos sobre o trabalho. Sigo atrás dele, com o coração batendo rápido demais, a respiração um pouco curta. Sinto-me elétrica, nervosa — não daquele jeito fofo de frio na barriga, mas como se tivesse tomado três cafés de estômago vazio. Talvez seja apenas nervosismo; faz tempo que não vou para casa com ninguém.
No quarto, ele me gira direto para um beijo, quente e rápido. Retribuo o beijo, enroscando meus dedos em seu cabelo, deixando-o assumir o controle. Ele me joga na cama e sobe em mim, com as mãos já em movimento. Ele está abrindo o zíper, empurrando o tecido para o lado, apressando tudo como se não tivesse tempo a perder.
Minha pele solta faíscas ao toque dele, mas errado — intenso e elétrico, como estática em vez de calor. Meus membros parecem formigar, leves e pesados ao mesmo tempo.
Tenho sorte de ainda estar um pouco molhada do encontro anterior, porque não houve zero preliminares. Ele coloca uma camisinha e entra em mim com um gemido baixo, e eu deixo. Meu corpo reage no piloto automático, mas não há construção, nenhum calor no meu estômago. Apenas... movimento.
Fico olhando para o teto por cima do ombro dele. As sombras nadam preguiçosamente. Meu cérebro volta para a cena que escrevi mais cedo: um homem fictício fazendo coisas fictícias com dedicação fictícia.
É, conseguir inspiração definitivamente não está acontecendo aqui esta noite.
Huck termina com um grunhido curto. Eu não. Ele desaba ao meu lado e adormece em segundos.
O efeito passa bruscamente, minha visão embaçando nas bordas. Não estou bêbada, apenas estranha. Meu coração corre, mas meus membros parecem afundar no colchão.
Huck ronca uma vez e vira para o lado.
Solto o ar lentamente. Eu queria sentir algo esta noite... só não isso.
Eventualmente, a exaustão me consome.
Muito bem, conseguimos te conquistar?
Este capítulo (e todos os da Carter!) foram escritos por esta que vos fala 🙋♀️ Você reconheceu minha escrita? 😏
Agora, o que você ainda está fazendo aqui? Vá encontrar o lobo mau no capítulo 2! 💋









got a feeling this is gonna make me forget I usually wait until stories complete as love to get lost within it but omg you got me changing my rules again Viv 😘🔥🤤 dam the blurb had me intrigued how the three of you will meld it but first chapter got the hook in already haha😘🥰
I’m hooked after the first chapter, good job there are four more to read otherwise I would be suffering withdrawl symptoms! 😂🩷🥰
I know this story is going to be a gem!! 💎
I already like Carter! 🥰