LITTLE MONSTER
ROSE
O quarto estava escuro.
Não era a escuridão da pobreza ou do abandono; era uma escuridão curada. Intencional. Um único foco de luz âmbar vinha de uma luminária de chão vintage, enquanto o resto era engolido pela sombra. A chaise longue tinha a cor de vinho merlot derramado e era estofada em mohair macio. As paredes tinham papel de parede com damasco em carvão. O ar cheirava a tuberosa e a algo mais intenso por baixo — poder, talvez. Ou raiva vestida de controle.
A figura que entrou não acendeu as luzes. Ela não precisava. Ela se movia pela escuridão como se fosse dona dela, porque era.
Seu cabelo era ruivo — não aquele laranja sem brilho de tintura de farmácia, mas algo mais rico. Mogno com reflexos acobreados, cortado em camadas que se moviam quando ela respirava. Camadas caras. O tipo que você consegue quando para de contar quanto as coisas custam porque ganhou cada centavo com o próprio suor. Ela usava calças de látex que abraçavam suas pernas como uma segunda pele, um top peplum vermelho que afinava na cintura e abria no quadril, e saltos que poderiam servir como armas.
Seus lábios eram vermelhos. Um vermelho brilhante e perigoso. O tipo de vermelho que diz: Eu sei exatamente o que estou fazendo e você vai pagar por isso.
O rosnado naqueles lábios era uma obra de arte.
Rose Castellano — embora ninguém nesta sala ousasse chamá-la assim — relaxava em sua chaise, com as pernas longas cruzadas nos tornozelos e o corpo arrumado com a precisão descuidada de uma mulher que sabe que está sendo observada. Porque estava.
Na tela à sua frente, Ethan estava de joelhos.
Ele tinha trinta e sete anos. Gerente de um fundo de investimento. Casado com uma instrutora de Pilates loira chamada Jessica que não sabia onde ele estava agora. Seu apartamento era um monumento de vidro ao seu próprio sucesso — janelas do chão ao teto, uma cozinha onde ele nunca cozinhou e uma cama que dividiu com a esposa apenas duas vezes no último ano. E lá estava ele, ajoelhado sobre a pedra importada, com o pau vazando na mão e os olhos úmidos de desespero.
“Olhe para você”, Rose ronronou.
Sua voz era veludo envolto em uma lâmina. Suave. Quente. Mortal. O tipo de voz que fazia os homens esquecerem seus próprios nomes.
“Tão fucking patético. Já está babando por mim e eu nem comecei ainda.”
Ethan choramingou. Literalmente choramingou. O som era agudo e fino, como um cachorro que apanhou demais, mas continua voltando para pedir mais.
“Por favor, Rose…”
Ela deixou o silêncio se estender. Deixou ele suar. Deixou ele se perguntar se tinha cruzado uma linha que nem sabia que existia. Então —
“Me chame do jeito certo, carteira.”
A correção foi imediata. “Senhorita Rose. Por favor, Senhorita Rose.”
“Bom garoto.”
Ela se inclinou para frente. O movimento foi lento, deliberado, calculado. Deu a ele uma visão perfeita de seus seios fartos; o top decotado e o toque de renda preta não escondiam nada das pontas escuras por baixo. O pau de Ethan tremia na mão dele. Uma gota de pré-go escorreu pelos seus nós dos dedos.
“Agora”, disse Rose, acomodando-se nas almofadas, “mande o primeiro tributo. Quinhentos dólares. Agora mesmo. Pelo privilégio de olhar para mim.”
A mão dele tremeu enquanto ele alcançava o celular. Ela o observou tatear a tela, viu seus dedos escorregarem na senha, viu o momento exato em que a transferência foi feita. A notificação apitou em seu laptop alguns segundos depois.
Quinhentos dólares. O preço de um bom jantar. Um par de sapatos. Uma parcela de carro. A dele.
Agora era dela.
Rose sorriu lentamente. O tipo de sorriso que fazia os homens esquecerem suas esposas, seus valores e seu amor-próprio.
“Um pay pig tão bom. Mas isso não é o suficiente para esta noite.” Ela descruzou as pernas. Deixou que ele visse um vislumbre da renda preta. Deixou que ele ouvisse o sussurro de suas coxas se abrindo. “Eu quero mais.”
Ethan soltou um som como se tivesse levado um soco.
“Mande mais mil. E acaricie esse pau inútil enquanto faz isso. Lentamente.” A voz dela baixou, fria e dura como um tapa. “Se você gozar sem permissão, vou te deixar seco e te bloquear. Você nunca mais vai me ver. Entendeu?”
“Sim, Senhorita Rose.”
“Então faça.”
Ele se acariciou. Lentamente. Seus olhos estavam fixos na tela, na sombra escura entre as coxas dela, na curva de sua cintura, no sorriso que não prometia nada e ameaçava tudo. O dinheiro foi transferido. Rose viu a notificação aparecer com a satisfação de um gato vendo um rato correr direto para sua boca.
“Mmm, isso é melhor. Veja como você obedece rápido quando seu pau está latejando.” Ela riu suavemente — cruel e doce ao mesmo tempo, um som que ela aperfeiçoou ao longo de anos de prática. “Você trabalha tanto por todo esse dinheiro. Todas essas horas. Todos esses negócios. E você simplesmente entrega tudo para mim, como a puta desesperada que você é.”
Ela inclinou a cabeça. As camadas ruivas deslizaram sobre seus ombros. Seus olhos brilharam na luz âmbar.
“Mais dois mil. Agora. E me diga o que você é enquanto envia.”
A voz de Ethan falhou enquanto ele digitava. “Eu sou seu escravo financeiro patético, Senhorita Rose. Seu pay pig inútil.”
O dinheiro caiu na conta dela.
Rose soltou um gemido satisfeito. Não era real — nada daquilo era real — mas era alto o suficiente para ele ouvir, e era só isso que importava. O som foi direto para o pau dele, que agora estava roxo, latejando e vazando constantemente no chão.
“Bom garoto. Agora faça edging para mim. Chegue bem perto do limite… mas não ouse gozar.” Ela se inclinou para frente novamente, a voz baixando para um sussurro conspiratório. “Vou te sugar completamente esta noite. Cada centavo da sua conta é meu. E você vai me agradecer por isso enquanto seu pau vaza como uma torneira quebrada.”
Ethan estava tremendo agora. O corpo todo agitado. Sua mão bombeava desesperadamente, os olhos grudados nela, a boca entreaberta.
“Senhorita Rose… por favor… vou mandar tudo…”
Rose riu, baixo e encantada. “Oh, eu sei que vai, baby.” Ela fez uma pausa, deixando a respiração ofegante dele preencher o quarto silencioso enquanto ele pendia à beira da ruína e do prazer.
Então: “Agora mande dez mil. Prove que você me pertence.”
Ele mandou.
A sessão terminou uma hora e quarenta e cinco minutos depois.
Ethan foi esvaziado em quarenta e três mil dólares e soluçava de gratidão. Rose o deixou gozar no final, depois que ele esvaziou a conta corrente, depois que prometeu a ela seu próximo bônus, depois que agradeceu pelo privilégio de ser destruído. Ela assistiu ele se sujar todo no chão com o interesse desapegado de quem assiste a um documentário sobre a natureza.
Então ela fechou o laptop. A tela ficou preta. O estúdio ficou em silêncio. Rose guardou suas coisas, tirou os saltos mortais, trancou as portas pesadas de seu espaço de trabalho alugado e caminhou até o carro.
Sentada sozinha no veículo, ela não sentiu satisfação. Não sentiu nojo. Não sentiu quase nada. Esse era o objetivo.
Ela nunca fodía os homens. Nunca os tocava. Nunca os deixava chegar a trinta metros de seu corpo. Ela não queria as mãos deles. Não queria as bocas deles. Não queria nada deles, exceto o dinheiro, a submissão e aquele olhar nos olhos deles quando percebiam que dariam tudo para ela em troca de nada.
Ela nunca mais tocaria em outro homem. Não porque estivesse esperando por um. Não porque acreditasse em amor, segundas chances ou finais felizes. Ela parou de acreditar em tudo isso há quatro anos, no chão de um aeroporto, com duas malas, um colar roubado e um telefone que nunca tocava.
Ela tinha parado.
O trajeto até o apartamento levou doze minutos.
Sua confeitaria ocupava o andar térreo de um armazém convertido no distrito das artes — tijolos aparentes, vigas de aço e vitrines cheias de bolos que pareciam arquitetura. A padaria estava fechada agora, as luzes baixas, as vitrines vazias. O letreiro na porta dizia CASTELLANO PATISSERIE em letras de folha de ouro. Abaixo, em letras menores: Somente com hora marcada.
Ela construiu tudo isso. Tudo. A padaria. A lista de clientes. A reputação. O negócio paralelo que pagava pelo espaço de trabalho, pelas coisas boas e pela mensalidade da escola particular que ela já estava pesquisando para uma criança que tinha mal três anos de idade.
Ela construiu tudo sozinha.
Rose estacionou em sua vaga reservada e pegou o elevador privativo para o último andar. As portas abriam direto em seu apartamento — um loft espaçoso com tetos de quatro metros, vigas expostas e uma parede de janelas que dava para o horizonte da cidade. A cozinha era profissional, com cobre reluzente, bancadas de quartzito profundo e eletrodomésticos que custavam mais do que o carro da maioria das pessoas. A sala de estar era cheia de couro e madeira escura. Havia flores frescas na mesa de centro. Peônias. Suas favoritas.
E no canto, enrolada em uma poltrona minúscula feita sob medida para ela, estava Luna.
A babá, Sarah, tinha dezessete anos e já era melhor na confeitaria do que a maioria dos profissionais três vezes mais velhos. Rose a encontrou dois anos atrás, trabalhando no balcão de uma padaria de supermercado, decorando bolos com rosas de glacê que pareciam ter brotado no próprio bolo. Ela a contratou na hora. Agora, Sarah aprendia na cozinha quatro dias por semana e cuidava de Luna nas noites em que Rose precisava... trabalhar.
Esta noite, Sarah estava com Luna no colo. A bebê — não, não era mais uma bebê, era uma menina, uma pessoa com opiniões, preferências e uma risada que conseguia quebrar o coração de Rose ao meio — folheava um livro pop-up sobre animais da floresta. Uma coruja de papel saltou da página, e Luna bateu nela com a palma da mão, encantada.
“Boo!” ela gritou. “Boo, mamã!”
“Coruja”, Sarah corrigiu gentilmente. “Isso é uma coruja, Luna-bug.”
“Boo.”
Rose saiu do elevador e a cabeça de Luna virou rapidamente. Seu rosto — aquele rostinho redondo e perfeito, com cachos escuros, olhos sérios e uma boca que estava apenas aprendendo a sorrir — se iluminou em uma gargalhada de pura alegria.
“Ma-má!”
O som atingiu Rose no peito. Sempre. Não importava quantas sessões ela tivesse feito. Quantos homens tivesse esvaziado. Quantas muralhas tivesse construído ao redor de si mesma. Aquele som — a voz de sua filha chamando por ela — estilhaçava tudo.
“Oi, baby”, ela sussurrou. “Oi, minha joaninha.”
Ela atravessou a sala e pegou Luna do colo de Sarah. A menina veio de bom grado, seus bracinhos se enrolando no pescoço de Rose, a bochecha macia pressionada contra o ombro da mãe. Ela cheirava a xampu de bebê, creme de manteiga e algo que era só dela.
“Ma-má”, Luna disse de novo, mais firme desta vez. Uma afirmação, não um pedido. Uma declaração.
“Sim, baby. A mamã está aqui.”
Sarah juntou suas coisas. Rose a pagou em dinheiro — mais do que o valor comum, sempre mais — e a acompanhou até o elevador com Luna ainda pendurada em seu quadril.
“Na quinta-feira no mesmo horário?” Sarah perguntou.
“Talvez. Eu te mando mensagem.”
“Você sempre manda mensagem.” Sarah sorriu. “Até quinta, Rose. Tchau, Luna-bug.”
“Boo!” Luna gritou para as costas dela.
Rose riu. Ela não conseguiu evitar. O som a surpreendia sempre — sua própria risada, enferrujada pelo desuso, arrancada dela por essa pequena pessoa que achava que corujas se chamavam “boo” e que copos medidores eram os objetos mais fascinantes do universo.
Depois que Sarah saiu, Rose trancou tudo. Verificou o sistema de segurança. Verificou de novo. O hábito tinha quatro anos e ela nunca o quebrou — trincos, câmeras, sensores de movimento, um botão de pânico ligado diretamente a uma empresa de segurança privada. Ela comprou o prédio especificamente porque ele podia ser fortificado. Porque ninguém entrava a menos que ela deixasse.
Porque ninguém jamais machucaria ela ou sua filha. Jamais. Novamente.
Ela levou Luna para o banheiro e encheu a banheira. A hora do banho era sagrada. Luna batia na água com o entusiasmo de um golfinho minúsculo, molhando as calças de látex de Rose, o chão do banheiro e a toalha que deveria evitar exatamente aquilo. Rose não ligava. Ela observou o rosto da filha — aqueles olhos escuros e sérios que enrugavam nos cantos quando ela ria, aqueles cachos colados na testa, aquelas mãozinhas batendo na água — e sentiu algo se abrir dentro do peito.
“Eu te amo”, ela disse. Saiu feroz. Quase desesperado. “Eu te amo tanto, minha joaninha. Você sabe disso? Você sabe?”
Luna olhou para cima. Sua expressão era solene. Então ela sorriu — um sorriso de verdade, o que mostrava todos os seus quatro dentinhos minúsculos.
“Mamã!”
“Só sua”, sussurrou Rose. “A mamã é só sua. Sempre. De ninguém mais. Só você e eu.”
“Só”, Luna repetiu. Uma palavra nova. Um presente.
Os olhos de Rose arderam. Ela não choraria. Não chorava há quatro anos e não ia começar agora, sentada no chão do banheiro com calças de látex de três mil dólares enquanto sua filha espirrava água de banho em seu rosto.
“Só”, ela concordou. “Agora fique quieta, pequeno monstro. Precisamos lavar esses cachos.”









Tank you naughty man why did you do this, why did you leave her? I’m not going to hate him for it or at least not yet until I find out more. Rose is pretty ruthless draining men’s bank accounts. Ok they give the money willingly but still,she doesn’t seem bothered about doing it.
my his this scene was intense
I am so ready for Tank's story 🥳 He has always seemed like a rock to me-strong, steady and almost impossible to read- and after being such a mysterious presence throughout the previous three books. I can't wait to get inside his head 😁 Honestly, this chapter was incresibly intense. That scene with her as a dominatrix, surrounded by those walls, was unforgettable. I do think Thank needs to suffer a little bit 😈