O Trem Ainda Segue

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Resumo

Um jovem e uma mulher mais velha embarcam no mesmo trem, rumo a um amor que desafia a idade, o tempo e as expectativas do mundo. Nunca foi apenas um desejo; foi uma conexão forjada no silêncio, comprovada por anos de separação. Mas o destino os separa, e quando finalmente se reencontram, a vida deixou suas marcas: a paralisia, a culpa e os fantasmas da traição erguem-se entre eles. O amor deles sobreviveu aos escombros? O **Trem** ainda segue quando os trilhos estão enferrujados e as estações mudaram? Embarque nesta jornada — e descubra se um amor que começou em movimento pode perdurar quando tudo está parado.

Status
Completo
Capítulos
19
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
18+

Chapter 1

O alarme de seu Nokia—um celular que ela mantinha há sete anos porque os botões ainda funcionavam sob a ponta calejada de seus dedos—tocou às 5h15 da manhã. O som parecia o de um pequeno pássaro preso dentro da carcaça de plástico. Vasanti já estava acordada, sentada na beira da cama de teca que pertencia a seu pai, a sua mãe e agora, tecnicamente, a ela, embora os documentos de propriedade ainda trouxessem o nome do pai com aquela letra tâmil assertiva que parecia gritar na página, mesmo após a morte. O apartamento em Egmore, uma unidade de dois quartos em um prédio chamado *Srinivasam*, na Gandhi Irwin Road, cheirava ao sambar de ontem e àquele perfume mineral característico do concreto antigo de Madras, que suava pelas paredes durante as monções, mas guardava um silêncio seco e talcado no calor de abril.

Ela se moveu em silêncio. Nandini, sua filha, estava com vinte anos agora, cursava o terceiro ano de literatura no Ethiraj College e dormia com o peso da inconsciência justa dos jovens, que acreditam estar exaustos por terem estudado durante três horas. Vasanti a deixou dormir. Eram minutos dourados, os vinte minutos entre o despertar e o apito da chaleira, quando o apartamento pertencia apenas a ela e à luz cinzenta que filtrava pelas palmeiras de coco que cresciam no espaço estreito entre o *Srinivasam* e o vizinho *Anand Bhavan*.

No banheiro, ela olhou para o rosto. Quarenta e seis anos. O número parecia matematicamente impossível, um erro de cálculo. A mulher no espelho tinha cabelos que ela ainda tingia com hena todos os domingos — *quinta-feira*, ela dizia às mulheres na loja, *eu só uso hena, nada de química* —, mas as raízes já nasciam em um cinza-aço. A pele ao redor dos olhos tinha a textura marcada de um saco de papel que foi amassado e alisado vezes demais. Mas suas mãos. Suas mãos eram as mãos de uma mulher que sobreviveu. Elas empacotaram produtos em uma loja têxtil em T. Nagar quando Nandini tinha nove anos, contando o troco com dedos que ainda lembravam o toque de um marido que partiu sem fechar a porta direito, como se estivesse apenas saindo para comprar cigarros. Elas esfregaram o chão de uma farmácia em Mylapore quando Nandini tinha doze. Aprenderam a digitar notas fiscais com dois dedos em uma papelaria em Alwarpet quando Nandini tinha quinze. E, nos últimos cinco anos, lidaram com as páginas delicadas, finas como papel de seda, de Bíblias.

Às 6h, ela já estava vestida. Um sári de algodão, algodão *Chettinad*, marrom-avermelhado com uma fina borda dourada — prático para o trem, respeitável para a loja. Ela preparou sua *dabba* de almoço — arroz, rasam, um pedaço de peixe frito da noite anterior — e colocou na bolsa de pano. A bolsa era uma relíquia, de lona com alças de couro, dada pelo Sr. Thomas, o dono da Thomas Bible Bookroom em Tambaram, no dia em que ele parou de chamá-la de "a ajuda temporária" e começou a chamá-la de "a gerente". Isso foi há três anos, embora a transição tenha sido gradual, como a forma pela qual os subúrbios de Chennai engoliam a cidade, um limite invisível de cada vez.

Ela trancou o apartamento — três trancas, um hábito dos primeiros anos, quando tinha pavor de tudo — e desceu as escadas. O *kaka* que dormia no saguão, um velho chamado Palani que conhecera seu pai, mexeu-se em seu tapete. "Saindo cedo, *amma*?"

"Trem cedo, *thatha*."

"Que Deus a proteja."

Ela sorriu. Era uma bênção cristã, oferecida por um vigia hindu a uma mulher hindu que ia trabalhar em uma livraria cristã. Só mesmo em Madras.

A caminhada até a estação de Egmore levava sete minutos. A rua já estava viva com o *tilintar* da bicicleta do leiteiro, o *baque* dos idlis úmidos sendo servidos nas folhas de bananeira na lanchonete da esquina, o grito dos corvos brigando por uma cabeça de peixe perto da sarjeta. A estação ferroviária erguia-se diante dela como um hino de concreto, o sol da manhã atingindo a sujeira da fachada e tornando-a dourada. Ela pegava aquele trem há doze anos. Conhecia cada rachadura nos azulejos da plataforma. Sabia que o terceiro pilar da escadaria tinha um ponto ideal onde o ventilador realmente funcionava. Sabia que o trem de Tambaram das 6h27 chegaria três minutos atrasado, todo dia, sem falta, porque o condutor, um homem com um bigode que parecia um guidão de bicicleta, gostava de tomar seu chá em Perambur.

O trem chegou. A multidão era a de sempre — funcionários públicos, estudantes universitários, mulheres como ela que viajavam para os subúrbios para trabalhar em lojas, escolas e hospitais. Ela encontrou seu lugar, na janela se tivesse sorte, embora hoje tenha ficado de pé, segurando o trilho superior, com a *dabba* equilibrada no quadril. O trem cheirava a suor, flores de jasmim e graxa industrial. Quando saiu de Egmore, a cidade se desenrolou para trás — Chetpet. Nungambakkam. Kodambakkam, e então o longo trecho pelos terrenos pantanosos em direção ao sul.

Ela observou a cidade mudar pela porta aberta. O concreto deu lugar aos telhados de zinco, e depois voltou ao desenvolvimento agressivo dos corredores de TI. Tambaram não era mais a vila que era quando seu pai comprou o apartamento em Egmore, em 1985. Era uma cidade, um terminal, um lugar onde a cidade exalava. E lá, no lado oeste da estação, em um prédio pintado de um azul-marinho digno com letras douradas, ficava a Thomas Bible Bookroom.

O Sr. Thomas já estava lá quando ela chegou, às 7h45. Ele tinha setenta e dois anos, um homem cuja coluna havia se curvado após anos lendo letras miúdas, e estava arrumando a vitrine — as novidades, a *Bíblia de Estudo* em tâmil, livros devocionais em inglês com capas que pareciam o pôr do sol. Ele a viu e fez que sim com a cabeça. Ele não deu bom-dia. Eles haviam superado essas formalidades anos atrás.

"A encomenda chegou", disse ele, com sua voz de um tâmil áspero dos distritos do sul, misturado com as consoantes secas de alguém que aprendeu inglês com missionários. "Nos fundos. NIV letras grandes. Duzentas cópias."

"Vou conferir a nota fiscal", disse Vasanti.

Ela entrou na loja. Era um espaço sagrado, embora não da maneira que um templo é sagrado. Era um lugar de silêncio ordenado. As prateleiras subiam até o teto, repletas da palavra de Deus em dezessete idiomas. Bíblias em tâmil dividiam espaço com Novos Testamentos em telugu. Havia Bíblias de Estudo em malaiala para os cristãos sírios que migraram para o sul, Bíblias em inglês para os anglo-indianos que ainda viviam nas colônias ferroviárias, e até algumas Vulgatas em latim encadernadas em couro para estudiosos raros. O ar cheirava a papel, cola e à poeira peculiar da santidade impressa.

Ela foi para a sala dos fundos, um espaço pequeno com uma mesa de aço e um ventilador que clicava como um metrônomo. Este era o seu domínio. Ali, ela gerenciava as contas. Os 14% de participação. Era um número que ainda a fazia hesitar às vezes quando calculava os lucros mensais. Não era um salário. Era uma parceria. O Sr. Thomas fizera aquilo três anos atrás, depois de encontrá-la chorando na sala dos fundos — não por causa do marido, por quem ela já tinha parado de chorar a essa altura, mas por causa das mensalidades da escola de Nandini, uma demanda repentina por um curso de computação que Vasanti não podia pagar. Ele entrou, viu a calculadora e as lágrimas, e disse: "Você não é uma serva aqui, Vasanti. Você é o motivo pelo qual esta loja ainda dá dinheiro. Estou velho. Esqueço os pedidos. Você lembra de tudo. Você conversa com os clientes. Você sabe a diferença entre uma Concordância e um Comentário. Você deveria ter uma participação."

Quatorze por cento. Isso significava que, no mês passado, quando venderam quarenta e três Bíblias para uma igreja em Chitlapakkam e vinte guias de estudo para um seminarista, ela levou para casa não apenas seu salário de vinte mil rúpias, mas oito mil e quatrocentas adicionais. Isso significava que as mensalidades da faculdade de Nandini estavam pagas. Significava que o apartamento em Egmore tinha uma geladeira nova. Significava dignidade.

Ela passou a manhã desempacotando a remessa de NIV, verificando cada livro em busca de erros de impressão, com os dedos percorrendo as letras douradas nas lombadas. Um cliente entrou — um jovem, nervoso, procurando uma Bíblia para a mãe em Tirunelveli. Vasanti perguntou: "Tâmil ou inglês? Católica ou protestante?" Ela o guiou até a edição *Virakesari*, explicou a diferença entre o Antigo e o Novo Testamento com a paciência de quem passou doze anos explicando coisas para pessoas que precisavam de orientação. Ele saiu grato, segurando a bolsa como se contivesse joias.

Às 13h, ela almoçou na sala dos fundos, não na mesa — o Sr. Thomas insistia nisso: "Os livros merecem respeito, comemos longe deles" —, mas em um pequeno banco perto da janela que dava para o terminal rodoviário de Tambaram. Ela observava a multidão. Doze anos atrás, ela era uma delas, lutando, desesperada. Agora, ela tinha um banco, uma participação, uma filha na faculdade.

A tarde trouxe os clientes habituais. A Sra. David, a senhora que vinha toda terça-feira comprar folhetos para a escola dominical que ela dirigia em sua varanda. O seminarista que pedia comentários sobre Coríntios e encarava Vasanti com a intensidade particular dos jovens que confundem atenção feminina com revelação espiritual. Vasanti lidou com ele com a mesma gentileza firme que usava para lançamentos contábeis desalinhados.

Às 18h, ela fechou a loja. O Sr. Thomas tinha ido embora às 16h, seus joelhos o incomodando. Ela contou os ganhos do dia, trancou a caixa registradora no cofre, desligou as luzes. A loja tornou-se uma caverna de sombras e letras douradas. Ela ficou por um momento na porta, olhando para trás. Aquele lugar a salvara. Não exatamente Deus — ela ainda rezava para Murugan às sextas-feiras, acendendo uma lâmpada no apartamento em Egmore —, mas aquela estrutura, aquele negócio de vender palavras sagradas, tinha sido o andaime que a segurou quando a partida do marido tentou destruí-la.

O trem de volta para Egmore estava lotado com o êxodo noturno. Ela ficou de pé novamente, espremida entre um homem que lia o *Dinamalar* e uma mulher com três filhos que deixavam suas bananas caírem o tempo todo. O trem a embalava. Ela pensou em Nandini. Sua filha tinha vinte anos. Linda, afiada, estudando poesia. Nandini tinha oito anos quando o pai partiu. Ela mal se lembrava dele, o que talvez fosse uma misericórdia. Ela lembrava apenas de Vasanti, a constante, a mulher que voltava para casa toda noite naquele trem, cheirando a papel e determinação.

A plataforma de Egmore estava iluminada com luzes de sódio quando ela chegou, às 19h45. Ela foi para casa caminhando através da multidão noturna — as barracas de *golti* abrindo para o jantar, os vendedores de flores montando jasmim para as orações da manhã seguinte, o som de músicas de cinema ecoando de uma loja de conserto de celulares.

Nandini estava na mesa, estudando sob a luz da lâmpada fluorescente, o cabelo solto pelas costas. "Amma, você está atrasada."

"Trânsito nos trilhos. O que você comeu?"

"Idli da lanchonete da esquina. Não se preocupe, não gastei seu dinheiro. Usei minha mesada."

Vasanti trocou de roupa, colocou um sári de dormir, lavou o rosto e voltou para a pequena área de jantar. Ela abriu a bolsa e tirou a parte do dia — seu cálculo, escrito em um pequeno papel. Ela o depositaria no banco amanhã. Os 14%. Ela olhou para Nandini, debruçada sobre seus livros, e pensou: *Ele não me tirou nada. Ele apenas foi embora. Eu construí o resto.*

Mais tarde, deitada em sua cama, ouvindo os trens estrondando à distância — um som tão constante quanto o seu próprio batimento cardíaco —, Vasanti calculou os meses. Nandini terminaria a faculdade em um ano. E depois? Casamento? Um emprego? Ou será que ela, Vasanti, expandiria os 14%? O Sr. Thomas tinha setenta e dois anos. Ele não tinha filhos. A loja precisaria de alguém quando ele se fosse. Uma gerente. Uma proprietária.

Ela dormiu sem sonhos, ou, se sonhou, sonhou com balancetes que fechavam perfeitamente, com trens que chegavam na hora certa e com o futuro de uma filha escrito em uma língua que ela estava apenas começando a aprender.