Muito Além da Fachada

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Resumo

**Muito Além da Fachada** *por Katie Spears* Adrian Hale passou anos assinando cheques e resolvendo problemas — especialmente aqueles que vêm acompanhados de decepções amorosas. Como o filantropo mais rico do país, ele aprendeu a reconstruir prédios, reputações e comunidades inteiras. O que ele não aprendeu foi a enxergar a mulher que está parada silenciosamente à sua frente. Lena Marlowe nunca pediu que um bilionário salvasse o seu bairro. Ela construiu algo melhor — com garra, noites em claro e crianças que mereciam muito mais do que apenas promessas. Quando a corrupção ameaça destruir tudo, Lena se recusa a ser deixada de lado ou silenciada. À medida que as traições vêm à tona e milhões desaparecem, Adrian precisa confrontar os danos causados sob o seu próprio teto — e decidir se Lena é apenas mais um rosto no gala ou a única pessoa que o enxergou de verdade. Em uma cidade de fachadas brilhantes e sacrifícios silenciosos, o amor não é decoração. É o alicerce.

Gênero
Romance
Autor
PerezK
Status
Completo
Capítulos
75
Classificação
5.0 1 avaliação
Classificação Etária
13+

Prólogo

Os rotores do helicóptero ainda diminuíam a velocidade quando Adrian Hale pisou no jardim do terraço e soltou o ar, como se fosse a primeira vez que respirava fundo o dia todo.

A cidade se estendia lá embaixo, feita de vidro, aço e luz; o ângulo perfeito, o favorito dos criadores de folhetos. Daqui de cima, as rachaduras não apareciam. Era impossível ver as pessoas dormindo nas entradas das lojas ou as crianças fazendo o dever de casa sob a luz do letreiro de uma loja de conveniência porque a energia tinha sido cortada em casa.

Mas Adrian sabia exatamente onde estavam essas rachaduras.

Ele passara as últimas três noites estudando-as em um mapa, com círculos vermelhos rabiscados em torno dos bairros mais pobres da cidade. As manchetes chamavam de "o bairro esquecido". Ele crescera ouvindo sua mãe dizer: Ninguém está esquecido, eles só são mais fáceis de ignorar.

Ele se recusava a ignorá-los.

Atrás dele, as portas de vidro se abriram com um chiado.

— Querido, você está se escondendo.

A voz de Sloane era suave como a água de um lago, mal provocando uma ondulação. A festa no terraço fervilhava lá dentro — música, risadas, o tilintar das taças de champanhe —, mas aqui, sob o halo suave das luzes e o perfume das rosas brancas, parecia mais silencioso.

Adrian se virou.

Ela estava impecável, é claro. Sloane Mercer sempre estava. A seda prateada deslizava pelo seu corpo como mercúrio líquido, e os diamantes em seu pescoço capturavam as luzes da cidade. Para qualquer observador, ela era o par perfeito para ele: elegante, equilibrada, inalcançável.

Para Adrian, ela era… complicada.

— Só tomando um pouco de ar — disse ele. — Reuniões de conselho e benfeitores. Eu precisava de um momento para lembrar por que estamos fazendo isso.

Seus lábios vermelhos se curvaram. — Você quer dizer, além de manter seu nome na primeira página?

Ele sorriu levemente, sem cair na provocação. — O nome é a isca. O trabalho é o que importa.

Ela se aproximou, os dedos deslizando para a dobra do braço dele, marcando território sem dizer uma palavra. — Você encantou a todos eles — murmurou ela, com o olhar voltado novamente para a festa. — Metade desta sala assinaria suas fortunas se você pedisse.

— Essa é a ideia — disse ele, levemente. — Temos três novos compromissos para as clínicas, dois para moradias juvenis, e alguém acabou de prometer fundos de contrapartida para o programa de treinamento profissional. É uma boa noite.

— É uma noite exaustiva — rebateu Sloane. — Você poderia deixar outra pessoa fazer o papel de pedinte. Você tem gente para isso.

Adrian olhou de volta para a cidade, com o coração atraído para um ponto específico de escuridão ao longe. — Não quero mandar pessoas para lugares em que eu mesmo nunca estive. Parece…

— Desorganizado — sugeriu ela, uma ruga delicada aparecendo na ponta do nariz. — Perigoso. Indevido.

— Real — disse ele calmamente.

Ela seguiu seu olhar, embora ele duvidasse que ela realmente visse o que ele via. Para ela, provavelmente era apenas uma parte da cidade que rendia conversas ruins em coquetéis. — Isso é sobre aquilo… como seu assistente chamou? O projeto de imersão?

— A Horizon Initiative. — As palavras o aqueceram por dentro. — Estamos finalmente prontos. Intervenção direta no bairro mais carente da cidade. Microcréditos. Creche no local. Treinamento de habilidades. Uma ponte da sobrevivência para a estabilidade.

Lá estava — aquela pequena contração em sua expressão. Sumiu quase instantaneamente, suavizada por seu brilho de socialite, mas ele a conhecia bem demais para não notar.

— Hmm — disse ela, sem se comprometer. — E você pretende ir lá pessoalmente?

— Sim. — Adrian se apoiou no muro baixo de pedra que margeava o jardim, a brisa da cidade puxando sua gravata. — Quero conhecer as pessoas que usarão os programas. Perguntar o que elas realmente precisam, em vez de presumir que sabemos o que é melhor a partir de uma sala de conferências.

— Adrian. — Ela permaneceu onde estava, perfeitamente ereta, a imagem da preocupação contida. — Você é o homem mais rico do país. Você não precisa… fazer turismo de pobreza para provar que se importa.

Ele deixou a observação passar; já ouvira variações disso antes. — Não é turismo — disse ele calmamente. — É parceria.

Os dedos dela apertaram levemente o braço dele. — Pelo que entendi, essas pessoas estão lá por causa de suas próprias decisões. Drogas. Preguiça. Filhos que não podem sustentar. É trágico, sim, mas despejar dinheiro nisso não vai resolver o problema na raiz.

Seu maxilar se contraiu. A voz de sua mãe surgiu em sua memória: Você não conhece a história de alguém pelo seu pior momento, querido.

— Elas merecem opções — disse ele simplesmente. — Uma saída.

— E o que você merece? — O tom dela esfriou um pouco. — Você trabalhou mais do que qualquer pessoa que conheço. Você construiu a Hale Horizons a partir de nada além de uma herança e um senso de responsabilidade excessivo. Você já deu tanto, Adrian. Em algum momento, você tem permissão para viver sua vida.

Ele olhou de lado para ela. — Minha vida é isso.

Ela riu suavemente, mas o riso não chegou aos seus olhos. — Essa é a resposta para o comunicado de imprensa.

Ele se virou totalmente para encará-la então, gentil, mas firme. — Eu vi um rascunho dos planos arquitetônicos hoje — disse ele, recusando-se a entrar na discussão que ela preparava para ele. — A sede será bem no centro do bairro. Um espaço de coworking, creche no primeiro andar, uma cozinha comunitária…

— Adrian. — A voz de Sloane se tornou mais incisiva. — Você está construindo um campus para eles?

— Uma plataforma de lançamento — corrigiu ele. — Traremos mentores das minhas empresas, ajudaremos a criarem seus próprios negócios. Não é apenas caridade. É investimento.

— Em pessoas que nem podem entender o que está sendo dado a elas. — Seus lábios se apertaram e depois suavizaram. — O que acontece quando vandalizarem o local? Quando o crime aumentar no seu lindo pequeno centro? O conselho não vai gostar desse tipo de má publicidade.

— O conselho responde a mim — disse ele suavemente.

Ela manteve o contato visual, os ombros angulados com uma postura treinada. — Será? Ou é você quem responde a eles quando decidirem que você é mais um passivo do que um visionário?

Ele soltou um suspiro lento. — Nós não vamos cancelar este projeto, Sloane.

— Eu não disse que deveríamos. — O tom dela se iluminou tão rápido que sua cabeça doeu. Ela alisou uma ruga imaginária na lapela dele. — Eu estou apenas… preocupada. Você carrega tanto peso nos ombros. Não é saudável. Você está exausto, mal dorme, e ainda quer se jogar em bairros perigosos como se não fosse… você.

— Como se eu não fosse rico — traduziu ele, com um canto da boca se contorcendo. — Estou ciente do que sou.

— Então aja como tal — disse ela, suave, mas insistente, com as pontas dos dedos traçando o tecido caro sobre seu peito. — Deixe as fundações fazerem o trabalho pesado. Assine os cheques. Organize as festas. Você é o rosto da campanha, querido. Não o agente de campo.

Ele olhou além dela novamente, onde as luzes da cidade terminavam e as sombras dominavam.

Em algum lugar naquela escuridão, uma garota contava seus últimos dólares em uma mercearia, decidindo o que poderia viver sem esta semana. Em algum lugar, uma criança calçava sapatos furados, fingindo que seus pés não estavam congelando.

Ele os via com muito mais clareza do que os doadores cintilantes dentro desta bolha no terraço.

— Lançamos a Horizon Initiative em dez dias — disse ele, mais para si mesmo do que para ela. A data repousava em seu peito como uma promessa. — Estarei lá no primeiro dia. Quero ver o rosto deles quando perceberem que têm opções.

Os lábios de Sloane se abriram, um lampejo de irritação rompendo a fachada. — E se algo acontecer com você?

Ele sorriu, breve e real. — Vou levar segurança.

— Não foi isso que eu quis dizer. — A mão dela caiu de seu peito. — Toda vez que você sai perseguindo esse seu complexo de salvador, você arrisca mais do que imagina. Sua reputação. Seus negócios. Nós.

Ele quase perguntou que "nós"?, mas engoliu as palavras. Ele aprendera, ao longo do último ano, que as conversas com Sloane eram como contratos: cada frase negociável, cada silêncio obrigatório.

Em vez disso, ele disse: — É assim que eu sou.

— E quem eu sou é alguém que não quer ver você se autodestruindo em nome de pessoas que roubariam seu relógio se você virasse as costas por meio segundo — respondeu ela. — Não sou a vilã por estar preocupada.

Ele teve que dar esse ponto a ela. Na superfície, tudo era apresentado como preocupação, como cuidado. Ela sempre sabia exatamente como colocar as palavras para que discordar dela o fizesse sentir-se ingrato.

— Agradeço por você se preocupar — disse ele. — Mas isso não está aberto a debate.

Lá estava. O fim da linha.

Por uma fração de segundo, algo afiado brilhou em seus olhos — mágoa, ou raiva, ou um cálculo tão rápido que ele poderia ter imaginado. Então desapareceu, substituído por um sorriso pequeno e sereno.

— Claro — disse ela. — Você já decidiu.

Adrian assentiu uma vez. — Já.

— Então eu vou apoiar você. — Ela se aproximou novamente, envolvendo o pescoço dele com os braços como se nada tivesse passado entre eles além de carinho. Seu perfume era caro e frio. — Eu sempre apoio.

Ele sabia que isso não era bem verdade, mas a deixou abraçá-lo, permitindo que a cena se tornasse algo pronto para as câmeras, caso alguém os tivesse seguido até o terraço. — Obrigado — murmurou ele.

Lá dentro, a banda aumentou o volume, um sinal de que o leilão estava prestes a começar. Ele prometera fazer um discurso. Dizer a uma sala cheia de pessoas com sapatos de mil dólares por que deveriam se importar com bairros em que nunca pisariam.

Sloane alisou suas mãos pelas mangas dele, consertando detalhes invisíveis. — Vamos — disse ela, com a voz doce como mel novamente. — Vamos convencer o mundo de que você é perfeito.

Ele soltou um riso abafado e deixou que ela o guiasse em direção às portas.

Atrás de sua expressão composta, sua mente já estava trabalhando.

Este projeto já era ruim o suficiente — ruas sujas, pessoas perigosas, uma imagem horrível. Mas Adrian indo lá pessoalmente? Câmeras pegando ele apertando a mão de criminosos, abraçando mulheres chorando em casacos puídos? A narrativa poderia sair do controle. Investidores eram assustadiços. Membros do conselho faziam fofoca. E Sloane nunca esquecera a lição que seu pai lhe incutira: Percepção é lucro. Se perder um, você perde os dois.

Adrian acreditava que era intocável. Ele estava enganado.

Se ela não conseguisse dissuadi-lo dessa nobre pequena missão suicida, ela teria que ser… criativa.

Ela poderia falar com membros do conselho, apresentando isso como preocupação com a segurança dele. Plantar sementes de dúvida sobre a sustentabilidade da Iniciativa. Pressionar alguns doadores para levantar questões na próxima reunião — questões gentis e razoáveis que o forçariam a desacelerar. Talvez arranjar um escândalo no bairro na semana anterior ao lançamento — nada grande, apenas o suficiente para ganhar manchetes sobre o aumento do crime, para deixar seus assessores nervosos.

Ou ela poderia seguir o caminho mais simples. Conversas cheias de lágrimas sobre o quanto ela estava assustada. Noites sem dormir, mãos trêmulas, talvez até um ou dois ataques de pânico encenados. Adrian odiava sentir que estava machucando alguém. Ele já mudara de curso antes porque ela "sofrera" com alguma coisa.

Sim. Isso seria mais fácil de controlar.

Eles chegaram às portas. Ela passou o braço pelo dele, com o rosto radiante enquanto voltavam para a luz dourada do salão de festas no terraço. As pessoas se viraram, os olhos brilhando, a corrente de atenção fluindo em direção a eles.

— Pronta? — sussurrou ela.

— Para o discurso? — perguntou ele. — Sempre.

Ele não fazia ideia de que ela não estava perguntando sobre isso.

Sloane direcionou seu sorriso para a sala, calculando em silêncio. Dez dias até o lançamento. Dez dias para salvá-lo de si mesmo.

Ou, se isso falhasse, garantir que a Horizon Initiative nunca saísse do chão.

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