𝑜 𝑐𝑜𝑚𝑒𝑐̧𝑜 𝑑𝑒 𝑢𝑚𝑎 ℎ𝑖𝑠𝑡𝑜́𝑟𝑖𝑎
𝐴 𝑚𝑒𝑛𝑠𝑠𝑎𝑔𝑒𝑚 𝑞𝑢𝑒 𝑚𝑢𝑑𝑜𝑢 𝑇𝑢𝑑𝑜.
“A sorte não cai do céu, às vezes chega vibrando no meio de um entardecer qualquer.“
Uma mensagem
E-mail internacional
— o quê? — Evelyn disse com um tom surpreso encarando a tela do telefone completamente em choque. No Brasil, ela já tinha aprendido a desconfiar de mensagens estranhas.. Um erro? Ou talvez um trote?
Antes de perceber seus pés se moveram em direção a estrada de cascalho, organizar os pensamentos correndo pelo parque era uma tarefa difícil, ultrapassando as pessoas com leve empurrãozinho.
— Licença! Desculpa! Tô passando! — a voz saiu fina com a pressa para chegar em casa. As senhorinhas estavam sentadas no banco de concreto do outro lado da pracinha, esboçaram um pequeno sorriso ao vê-la correndo.
— Esses jovens de hoje em dia são tão produtivos… — a senhorinha de rosa comentou entrelaçando os dedos em cima das pernas, os olhos acompanhando a menina de longe.
— Sim, lembro dos tempos antigos, a gente correndo… Tempos bons. — Acenou suavemente a idosa de amarelo concordando com o comentário. Já a jovem tão dedicada, passou esbarrando nos moços do lado resmungando desviando dos ciclistas que pedalam na estradinha. O corpo parou no início da faixa de pedestre esperando o sinal mudar pro verde, ergueu o queixo pra cima encarando o semáforo, o pé batia contra o chão impaciente com a demora — o coração acelerado, o peito subindo e descendo com a respiração irregular, só aumentava a ansiedade, os dedos batucando a lateral da coxa esperando.
— Vai, vai, vai… — Resmungou vagamente pro ar, no segundo que a cor mudou de forma lenta pro alaranjado. Bufou em irritação, mas logo o verde apareceu e em fração de segundos disparou em direção ao outro lado estendendo a mão no poste de metal, o segurando firmemente para impulsionar para a direita, o que não foi muito inteligente porque quase tropeçou nos próprios pés. As pessoas que passavam do lado da Evelyn sempre a olhavam com estranheza ou apenas soltavam resmungos irritados por causa dos empurrões constantes. Ela continuou os passos apressados desviando dos postes de concreto desajeitadamente tendo que pular por cima dos buracos do solo feitos com o tempo. Suas pernas aos poucos ficam pesadas conforme os passos foram desacelerando no começo da rua inclinada e cumprida.
— Aí Meu Deus… — Exclamou Evelyn sem ar nos pulmões, cansada, apoiou a mão na parede cambaleando até uns degraus da calçada, sentou soltando um ar preso. Os ombros se encolheram ficando com o corpo mole, as mãos apoiadas no chão reorganizando os pensamentos, no entanto, sua atenção foi atraída por um animal, um gato lambendo sua pata ao seu lado totalmente calmo. Sua pelagem branca com manchas laranjas eram deslumbrantes, um contraste a calçada suja e escura.
— Psp Psp Psp Ps — ela emitiu estalando os dedos na tentativa de chamar o felino. Entretanto, o gato nem fez questão de responder a chamada, apenas ficou olhando estreitamento para ela com as orelhas baixas e a cauda movendo contra o solo como se dissesse: “ qual é o seu problema? “ O animal virou-se empinando o rosto balançando a cauda lentamente de jeito debochado se afastando dela. Evelyn arregalou os olhos, surpresa.
— Ousado! — virou o rosto fazendo bico infantil por causa da rejeição, continuou assim por uns segundos antes de se levantar pousando as mãos contra o chão para dar impulso.
— Nem queria ser sua amiga mesmo. — deu os ombros pro felino, passou os dedos nos fios da franja a jogando para trás meio desorganizada. Olhou para a ladeira com o rosto contorcido, respirou fundo recuperando as energias que restavam e começou a subir mesmo sentindo a cabeça girar
_________ Algumas Horas Depois _______
Um estrondo ecoou pelo corredor da entrada chamando atenção de Juliana, mãe de Evelyn, que inclinou a cabeça para fora do batente encarando a figura da filha cansada na entrada, mas não demorou para falar, sua voz saindo alta transmitindo uma fúria. Apontava a colher de madeira úmida do molho de tomate, os dedos apertavam contra a madeira.
— QUEEEEBRA! NÃO É VOCÊ QUE COMPRA! — os ombros da garota sobre saltaram ao escutar o grito da mãe do corredor, fechou a porta devagar desta vez com um sorrisinho nervoso. Girou os calcanhares na direção da cozinha e caminhou até lá respirando ainda meio irregular.
— Mãe! Eu recebi um E-mail internacional! Tô achando que é aquilo! — Disse rápido dando uns pulinhos no lugar feliz mesmo sabendo a possibilidade de acabar sendo um trote. A mãe encarou por alguns segundos tentando lembrar e quando relembrou todo seu rosto se iluminou abrindo um sorriso suave.
— Vai abrir agora? Ou vai esperar suas irmãs? — Perguntou ela cruzando os braços na frente do corpo encostando o ombro no batente da porta. Evelyn deu meia volta indo até o sofá da sala, sentou com um suspiro aliviado já pegando o celular nas mãos.
— Vou abrir agora, não sei que horas elas vão chegar. — Resmungou desbloqueando a tela com a digital, deslizou o dedo movendo para os E-mails do aplicativo, o celular travou com os movimentos rápidos o que fez Evelyn dá uns tapas no aparelho pra pegar, funcionou até. Juliana assistia atrás dela depois de se aproximar, as mãos sobre o sofá e a cabeça inclinada para frente olhando a briga da filha e o telefone. Porém, a garota conseguiu entrar no aplicativo onde havia o e-mail novo com uma mensagem, os dedos ficam tensos ao clicar na mensagem — apoiou o queixo na mão arrancando as pelinhas dos lábios, a perna balançando freneticamente ao ler o texto… O silêncio preencheu o ar da casa, nenhuma palavra foi dita, ela apenas desligou o celular pendendo a cabeça para frente com a expressão frustrada. A mãe dela notou de imediato a decepção no olhar da filha e para amenizar a situação, esfregou a mão sobre as costas da menina dizendo com a voz suave.
— Ei… Na próxima você consegue… — mas antes que ela pudesse continuar , Evelyn abriu um sorriso largo nos lábios se virando para mãe.
— EU PASSEI! CONSEGUI A BOLSA DE ESTUDOS! — ela não conseguiu evitar a voz aguda de animação, suas bochechas rosadas se apresentavam mais conforme ria docemente de alegria, Juliana se assustou com a mudança de humor, no entanto, o rosto relaxou por causa da notícia boa.
— Que susto, menina! Quase me mata do coração! — Soltou uma risada curta pondo a mão no peito sentindo os batimentos acelerados, a sensação de alegria esquentando o coração.








