The Luna He Threw Away por Alice_Just_Alice55 em Inkitt
Personalizar legibilidade
Aa

A Luna que Ele Rejeitou

Todos os Direitos Reservados ©

Resumo

Tria deu a Silvercrest tudo o que tinha: sua lealdade, seu coração e sua vida como Luna. Então, o Alfa Delvan a rejeitou diante de toda a alcatéia e escolheu outra mulher em seu lugar. Exilada, ferida e secretamente grávida dos filhos que ele expulsou antes mesmo de saber que existiam, Tria foge para o território de Ironwood, onde o Alfa Ravin lhe oferece algo em que ela já não acredita mais: um refúgio sem correntes. Mas o vínculo que Delvan destruiu ainda a faz sofrer, inimigos cercam as terras sagradas e Tria precisa decidir se o destino merece o poder de definir o futuro de seus filhos — ou se o amor só é sagrado quando é uma escolha.

Status
Completo
Capítulos
42
Classificação
4.9 18 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1: A Convocação

Tria havia trançado flores-da-lua em seu cabelo.

Foi uma tolice.

Delicado demais. Esperançoso demais.

Mas Delvan a convocara para o pátio central logo antes do nascer da lua, e a parte antiga dela — aquela que o amava antes mesmo que o destino o nomeasse seu — perguntou-se se esta noite seria diferente.

Talvez ele finalmente tivesse se lembrado dela.

Não da sua Luna. Não da mulher que se sentava ao lado dele no conselho, acalmava famílias furiosas, abençoava filhotes recém-nascidos e sorria até seu rosto doer.

Ela.

Tria.

A garota que um dia correu descalça com ele pelos pinheiros de Silvercrest. A garota que dividiu bolinhos de mel roubados atrás do salão dos anciões.

Quando o laço de parceiros despertou dois anos depois, brilhante como prata e ardendo sob suas costelas, Tria acreditou que a Deusa da Lua apenas confirmara o que seu coração já sabia.

Delvan era dela.

Ela era dele.

O "para sempre" parecia simples.

Agora, enquanto ela atravessava o caminho de pedra em direção ao pátio, aquele laço deu uma pulsação fraca e inquieta.

Delvan não olhava para ela de verdade há semanas.

Ele ainda beijava sua testa ao passar. Ainda a deixava sentar ao seu lado. Ainda pedia que ela acalmasse disputas e consolasse viúvas.

Mas, à noite, seu lado da cama esfriara.

Seu cheiro também mudara.

Menos cheiro de fumaça de pinho e chuva.

Mais distância.

Mais Selene.

Tria afastou o pensamento. Sua loba se agitou, inquieta sob sua pele.

Esta noite não.

Esta noite, Delvan a chamara.

O pátio surgiu à frente.

Tria diminuiu o passo.

O bando inteiro estava lá.

Todos.

Silvercrest lotava o pátio, da plataforma elevada do Alfa até o círculo externo de tochas de pinho. Guerreiros estavam ombro a ombro. Curandeiros se aglomeravam em mantos claros. Mães mantinham os filhos por perto.

Seus cheiros atingiram Tria de uma vez.

Curiosidade.

Inquietação.

Medo.

Um garotinho levantou a mão para acenar, mas a baixou quando a mãe apertou seu ombro.

Algo estava errado.

No extremo do pátio, Delvan estava na plataforma, vestindo preto cerimonial, com o fecho de Silvercrest brilhando em sua garganta. O luar refletia em seu cabelo escuro. Ele parecia, em cada centímetro, o Alfa que ela o ajudara a se tornar.

E ao lado dele, estava Selene.

Selene, com os cabelos louros claros soltos sobre um ombro. Selene, vestida em um azul suave, como se a tristeza tivesse se tornado bela. Selene, cujas pestanas baixaram no instante em que Tria olhou para ela, como se ela fosse a pessoa prestes a ser ferida.

A dor sob as costelas de Tria se intensificou.

Seus pés se moveram, pois parar teria significado demonstrar fraqueza, e Tria aprendera cedo que a dor de uma Luna deve ser guardada a portas fechadas.

Ela subiu os três degraus da plataforma.

Delvan não estendeu a mão para ela.

Ele não sorriu.

"Delvan?", ela perguntou baixinho.

O olhar dele desviou para as flores-da-lua em seu cabelo.

Por um batimento cardíaco terrível, algo passou por seu rosto.

Talvez uma lembrança.

Arrependimento.

Então, desapareceu.

"Tria", ele disse.

O nome dela soou formal demais na boca dele.

Um sussurro percorreu o bando.

Tria olhou dele para os lobos reunidos, e depois de volta para ele. "O que é isso?"

Delvan se endireitou. A ordem de Alfa pesou no ar, tão forte que vários lobos baixaram os olhos.

Tria não o fez.

Ela nunca precisara fazer.

"Tomei uma decisão", Delvan anunciou. "Uma decisão pelo futuro de Silvercrest."

O Beta Garian estava perto dos degraus da plataforma, com os braços cruzados e uma expressão esculpida em pedra. Quando seus olhos encontraram os de Tria, ela viu um aviso ali.

E raiva.

Não contra ela.

Nunca contra ela.

Sua loba pressionou com força contra suas costelas.

Fuja.

Mas Tria permaneceu.

Porque Delvan era seu parceiro.

Porque Silvercrest era seu lar.

Porque certamente, certamente, ele não faria disso algo cruel.

"Por tempo demais", disse Delvan, "nos curvamos a leis antigas sem questionar. Tratamos o destino como se fosse uma ordem. Como se o laço da Deusa da Lua devesse decidir o que um Alfa precisa."

O pátio ficou em silêncio.

"O destino não é lei."

Um suspiro de choque escapou de alguém lá embaixo.

Os dedos de Tria se fecharam em sua saia.

Delvan olhou para o bando, não para ela. "Silvercrest não pode ser governada por sentimentalismo. Não podemos confundir tradição com força, ou devoção com dever. Um Alfa deve ser livre para escolher o que protege seu bando, mesmo quando essa escolha é difícil."

Escolha.

A palavra soou errada.

Álgida e afiada. Como uma lâmina que ele passara semanas convencendo a si mesmo de que era honrosa.

"Ele não deve ser acorrentado", continuou Delvan, "a um laço que não lhe serve mais."

Não serve mais.

As palavras deslizaram sob as costelas de Tria.

Ela esperou que ele olhasse para ela.

Ele não olhou.

A mão de Selene tremia delicadamente ao lado do corpo. Sua boca se contraiu em uma linha de tristeza fingida.

A imagem perfeita de uma tristeza relutante.

Tria, de repente, odiou a suavidade de suas próprias flores.

Por fim, Delvan se virou.

O laço de parceiros dentro dela o alcançou por instinto, desesperado e brilhante, como uma mão tateando na escuridão.

Encontrou apenas pedra.

"Eu escolhi minha verdadeira Luna", ele disse.

Alguém sussurrou: "Não".

Delvan levantou a mão.

Selene deu um passo à frente.

O pátio entrou em ebulição.

"O quê?"

"Alfa..."

"Ela é sua parceira destinada!"

"Luna Tria?"

Um ancião se adiantou, sua bengala batendo na pedra. "Isso não tem precedentes."

O maxilar de Delvan se apertou. "É necessário."

Tria não conseguia se mover.

Todo o seu corpo se transformou em uma única ferida exposta.

"Delvan", ela sussurrou. "Não faça isso."

A garganta dele se moveu.

Por um batimento, ela viu o garoto do riacho. O garoto que colocara um colar de coração dourado em sua palma aos dezesseis anos e dissera: "Quando eu for Alfa, você nunca ficará sozinha".

O colar repousava contra sua pele agora.

Fria como pedra de rio.

Então Selene oscilou.

Apenas um pouco.

A atenção de Delvan voltou-se para ela. Sua mão foi ao cotovelo dela, mantendo-a firme.

Tria sentiu o vínculo rasgar.

Não romper.

Ainda não.

Mas rasgar.

Uma linha crua de agonia abriu-se atrás do seu esterno.

Delvan encarou a alcateia. “Eu, Alfa Delvan de Silvercrest, rejeito Tria como minha companheira.”

As palavras atingiram como garras.

Tria cambaleou.

A dor explodiu pelo vínculo, branca e cegante. Sua loba uivou dentro dela, mas o som ficou preso na garganta de Tria. O pátio girou. Mãos se estenderam de baixo, mas pararam, pois ninguém ousava subir na plataforma.

Ninguém ousava tocar em uma Luna sendo destruída pelo seu Alfa.

Ela piscou com força.

Ela não cairia.

Não na frente das crianças que ela confortou durante febres. Não na frente dos anciãos a quem serviu. Não na frente dos guerreiros cujas feridas ela costurou.

Não na frente de Selene.

Delvan continuou, com a voz mais baixa agora.

“Eu a destituo do título de Luna.”

A alcateia rugiu.

Não eram aplausos.

Raiva.

Guerreiros se transformaram. Mães agarraram seus filhos. Ômegas começaram a chorar. Em algum lugar, um jovem lobo rosnou até que um mais velho o puxou de volta.

“Mas ela é nossa Luna”, alguém sussurrou.

As palavras se espalharam.

“Ela é nossa Luna.”

O coração de Tria apertou.

Delvan ouviu. Seu cheiro azedou de raiva, embora seu rosto permanecesse controlado.

“Não há espaço para duas Lunas em Silvercrest”, disse ele.

Garian deu um passo à frente. “Alfa.”

Os olhos de Delvan cortaram para ele. “Recue.”

“O conselho não concordou com o exílio.”

Exílio.

A palavra atingiu Tria com mais força do que a rejeição.

Delvan olhou para ela novamente, e desta vez ela viu a verdade.

Ele sabia que estava machucando-a.

Talvez não o custo total. Talvez não o quão fundo a ferida chegaria.

Mas ele sabia.

E ele decidiu que valia a pena.

“Ao amanhecer”, disse Delvan, “você deixará o território de Silvercrest.”

Por um batimento cardíaco, ninguém respirou.

Então Tria riu.

Um som pequeno e partido.

Delvan estremeceu.

Bom.

Ela queria que ele tremesse. Queria que ele sangrasse. Queria que ele retirasse as palavras, engolisse-as, engasgasse com elas.

Em vez disso, ele permaneceu ali com Selene ao seu lado.

Selene finalmente levantou os olhos.

Eles estavam molhados.

É claro que estavam.

Tria olhou para aquele rosto bonito e triste e não viu nada de gentil.

Sua loba surgiu.

Pelos ondularam sob sua pele. Seus ossos doíam com a necessidade de mudar, de correr, de morder, de fazer qualquer coisa, menos ficar parada naquela plataforma sendo despedaçada pelo macho que o destino lhe dera.

“Diga alguma coisa”, disse Delvan calmamente.

Como se ela lhe devesse isso.

Tria deu um passo à frente.

O vínculo gritou.

O cheiro dele a envolveu, familiar o suficiente para ser insuportável. Cheiro de pinho e chuva fria. Todas as noites ela acreditou que o amor era sagrado porque a Deusa o fizera assim.

Ela ergueu o queixo.

Sua voz saiu firme.

Isso quase a destruiu.

“Espero que ela tenha valido a alcateia que você acabou de quebrar.”

O rosto dele empalideceu.

Selene prendeu a respiração.

Tria se virou antes que qualquer um pudesse responder.

A alcateia se abriu enquanto ela descia. Não porque ela os comandava. Porque o luto se movia como uma lâmina, e ninguém queria ser cortado.

Uma garotinha soluçou: “Luna?”

Tria quase parou.

Sua loba arranhava sua pele.

Para longe.

Ela atravessou o pátio com a rejeição queimando em seu sangue e flores da lua tremendo em seu cabelo.

Ninguém a deteve.

Talvez estivessem esperando que Delvan voltasse atrás.

Ela também.

Mesmo naquele momento.

Alguma parte tola e ferida dela esperava por sua mão em seu pulso. Por sua voz quebrar. Por ele dizer seu nome da maneira que costumava fazer.

Tria alcançou o arco leste.

Nenhuma mão veio.

Atrás dela, a voz de Delvan subiu, envolta em comando de Alfa.

“A decisão está tomada.”

O último fio de esperança dentro dela silenciou.

Tria correu.

Não como uma mulher.

Não havia mais espaço em seu corpo humano para tanta dor.

Seu vestido rasgou enquanto ela se transformava. Ossos estalaram e se reformaram. Pelos brotaram sobre a pele. As flores da lua se espalharam pela pedra como pequenas mortes brancas. Sua loba atingiu o chão com força, as garras raspando, o colar de ouro emaranhado na pelagem grossa de seu pescoço.

Ofegos a seguiram.

Alguém gritou.

Talvez Garian.

Talvez um ancião.

Ela não olhou para trás.

Ela saltou pelo arco e passou pelos jardins de ervas que ela plantara, passou pela toca do berçário, passou pelo salão do conselho onde sua caligrafia preenchia registros que Delvan nunca se deu ao trabalho de ler.

Cada cheiro doía.

Cada pedra a conhecia.

Silvercrest tinha sido seu lar desde o primeiro suspiro que ela se lembrava de ter dado.

Agora, o lugar a cuspia sob a lua.

A floresta a engoliu na orla da aldeia. Galhos chicoteavam seu rosto. A terra voava sob suas patas. O vínculo rompido arrastava-se atrás dela como uma corrente presa em seu peito, mas sua loba corria mais rápido.

Até que os sons da alcateia desaparecessem.

Até que as tochas se tornassem faíscas entre as árvores.

Até que apenas a lua permanecesse acima dela, e a agonia dentro dela.

Então, fracamente, trazida através da escuridão pelo vínculo que ainda se recusava a morrer, ela ouviu a voz de Delvan.

“Tria!”

Apenas uma vez.

Uma ferida.

Um apelo.

Um erro.

Sua loba tropeçou.

Por um terrível batimento cardíaco, a garota dos bolos de mel e joelhos enlameados olhou de volta de dentro dela.

Então Tria baixou a cabeça.

E não parou.

Capítulos
1. Capítulo 1: A Convocação
Deixe Alice_Just_Alice55 saber o que você pensou sobre este capítulo!
Amo isso

22

Amo isso

Engraçado

0

Engraçado

Picante

1

Picante

De Suspense

8

De Suspense

Emocional

14

Emocional

Profundo

0

Profundo

Tocante

1

Tocante

Chocante

3

Chocante

Boa Escrita

5

Boa Escrita

Enredo Envolvente

7

Enredo Envolvente

Personagem Ótimo

5

Personagem Ótimo

Diálogo Forte

4

Diálogo Forte

Ver 2 comentários anteriores...
author

Your story was such a good read! I wasn't planning to read that much, but you totally pulled me in. It gave me a few ideas that I think would fit your story really well.

22 dias
1
author

so the pack is actually against this i hope they do not show respect to the homewrecker or the alpha anymore...this is when the council or king should come in strip him of his alpha title and label her as a traitor since she disrespected her luna (actually the alpha too) and both banished. they want to be together so bad then let them but they both disrespected the moon goddess and do not deserve to lead a pack.

19 dias
2
author

my kind of story

17 dias
1

Outras Recomendações

RAINHA BLACK

Rosa de Ferro: Uma história impactnte para quem lê, eu amei a leitura e todo os contecimentos, e a família unida independente de tudo o que aconteceu o amor e a confiança entre eles foi d+, foi muito bom escrevê-la🫶

Leia Agora
Entre dois amores.

Vicki Diniz: A estória foi muito boa e envolvente. Apenas acho que poderia substituir os muitos capítulos dramáticos por mais romance. Mas no geral gostei!

Leia Agora
Ainda Assim

Jandira: Estou adorando ler essa história cheia de intrigas e realidade dura.

Leia Agora
The Luna He Threw Away