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The Another Infernal Universe

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Resumo

Em the another infernal universe o ano é 3077. A Terra é um deserto escaldante de 3.000 graus, vigiada por dois sóis e habitada por raças deformadas pela evolução. Wesley e Júnior são híbridos rejeitados, sobrevivendo de migalhas e lutas em ringues clandestinos. Eles não buscam glória, buscam apenas uma saída em um mundo caótico.

Gênero
Fantasy
Autor
pedro
Status
Em Andamento
Capítulos
2
Classificação
n/a
Classificação Etária
16+

Das estrelas ao mundo.

“Quando a estrela de nosso sistema atravessou o céu pela primeira vez, o primeiro instinto do homem foi admirá-la, o segundo foi correr.”

Ela vinha de longe — não da distância que os olhos podem medir, mas daquela outra distância, a que faz o corpo reconhecer instintivamente que a escala das coisas ao redor está completamente errada. Uma entidade do tamanho de um sol em movimento, brilhando com a intensidade de algo que nunca pertenceu àquele canto do universo, avançou em direção ao sistema como uma faca em câmera lenta.

Na superfície do planeta, um homem parou no meio de uma rua qualquer e levantou os olhos. O brilho refletia nas suas pupilas. Por um segundo ele ficou imóvel, como se a mente estivesse processando algo que nem mesmo os olhos acreditavam ser real. Então o pânico chegou — não apenas nele, mas em todos ao mesmo tempo, aquele tipo de terror coletivo que transforma multidões em ondas de corpos e gritos se manifestando.

Extinções em massa são mais comuns do que a vaidade humana permite aceitar. A vida, no fundo, é uma aposta contra probabilidades absurdas. Mas quando uma única existência carrega dentro de si energia suficiente para obliterar bilhões de outras em um sopro… o universo cobra seu preço.

O planeta durou alguns minutos.

Os oceanos evaporaram antes dos continentes. A crosta terrestre começou a brilhar por baixo, o núcleo exposto pela força que o comprimia de fora. E então — num clarão branco e absoluto que não fez barulho nenhum, porque não havia mais ar para conduzir som — tudo se foi.


A algumas horas-luz dali, a tripulação de uma nave de observação assistiu a tudo em silêncio.

Era como ver um ser feito de luz,— luz condensada em forma, em pensamento, em consciência. E então, ao ver o planeta simplesmente parar de existir, nenhum deles disse nada. Estavam ocupados demais tentando entender o que havia acabado de acontecer.

O copiloto foi o primeiro a quebrar.

Não gritou. Não chorou. Simplesmente se afundou no próprio desespero como alguém se afogando em uma piscina — com a consciência clara de que estava sendo engolido, mas sem força para tentar qualquer resistência, no fundo, ele ja sabia que seu destino estava traçado.

E então algo dentro dele disse não.

Não foi pensado. Não foi decidido. Foi mais primitivo do que isso — mais fundamental do que qualquer instinto que ele conhecia. Sua vontade de viver entrou em combustão de uma forma que não respeita física, que não respeita lógica, que não respeita as regras sobre o que um ser pode ou não suportar. Ele ultrapassou todos os limites ao mesmo tempo. Quebrou as próprias regras da realidade.

E se transformou em outra coisa que nao poderia ser compreendida nem mesmo usando todas as palavras que a boca humana é capaz de proferir.

A nave então, foi engolida pelo mesmo clarão branco que consumiu o planeta….


A luz corta para a terra

Um jovem que aparenta ter 17 a 19 anos acorda num solavanco.

Depois de um sonho tao bizarro sua cabeça latejava com a familiaridade desagradável de quem dorme mal toda noite e já parou de esperar que melhore. Ele ficou por um momento olhando para o teto do quarto de hotel — um teto que provavelmente havia sido branco em algum ponto da história, mas que agora exibia a paleta natural das décadas sem manutenção: amarelo, cinza, uma mancha escura no canto que era melhor não investigar. O calor já estava presente nas primeiras horas da manhã, pesado e denso como se o ar tivesse textura.

O jovem se levantou, e em seguida desceu as escadas do hotel pisando com cuidado nos degraus frouxos — o terceiro, o sétimo e o décimo primeiro, nessa ordem, memorizados por instinto de tanto evitá-los. Lá fora, a cidade acordava com a urgência em retardo, como quem não tem muito pelo que se apressar.

Ele virou numa viela e parou.

— Estamos atrasados, Júnior.

Das sombras mais densas do beco, uma silhueta se moveu. Júnior surgiu da escuridão com a naturalidade de quem cresceu na rua. Era alto, mais alto do que a maioria, com uma magreza que enganava — os braços e ombros denunciavam que aquele corpo havia trabalhado muito para ficar da forma que estava. Levava consigo um sorriso sincero e genuíno, que ia totalmente contra qualquer coisa nos arredores, tudo soava podre ou ruim, mas ainda assim ele mantia o sorriso

Ele soltou um comentário sobre estarem atrasados para um lugar que nem iria pagar direito de qualquer forma. Wesley não respondeu — mas os cantos da boca se mexeram, involuntários.

Os dois voltaram a andar.

Até chegarem a um bar, que era exatamente o tipo de estabelecimento que não aparece em nenhum mapa e existe em todos os bairros esquecidos: fachada caindo, uma porta que chiava em dois tons distintos, e um garçom com o rosto tão familiar que Wesley nem sabia mais se sabia o nome dele ou se havia inventado um a ponto de acreditar. O homem acenou com a cabeça — aquele aceno específico de eu sei por que vocês estão aqui — e alcançou algo atrás de uma vela gasta. Uma sequência de cliques secos, e o chão se abriu.

As escadas desciam para a terra como uma garganta.


O ringue clandestino era um dos poucos lugares onde as regras do mundo acima simplesmente não existiam. Não havia lei, mas havia protocolo — e violar o protocolo tinha consequências piores do que qualquer lei. A arena era pequena, quente, com iluminação estroboscópica que servia tanto para o espetáculo quanto para desorientar os lutadores. O público era exatamente o tipo de público que prefere assistir a sofrimento do que habilidade.

O oponente de Wesley era enorme, do tipo que faz o chão tremer, Ele caminhou até o centro do ringue com a arrogância específica de quem nunca foi realmente derrubado — ou pior, de quem foi e nao liga.

A atmosfera de excitação e gritos da plateia engolia qualquer outro pensamento dos lutadores, nao havia absolutamente nada passando na mente de ambos quando se encontraram no meio do ringue, o juiz olhou pra ambos e disse:

“Façam um bom espetáculo, principalmente você Wesley, veja bem suas decisões, sei bem o tipo de lutador que você é…”

Wesley o estudou por dois segundos.

Depois se moveu.

Um golpe. Único, seco e preciso como uma agulha tecendo. O gigante desabou com a lentidão perturbadora das coisas muito grandes caindo — aquela fração de segundo em que a gravidade ainda está começando a agir. Wesley ficou parado sobre ele, olhando de cima com uma expressão que não era raiva nem satisfação. Era algo mais vazio. Desprezo. A plateia vaiou com fúria, copos e lixo voando em direção ao ringue.

Na saída, um segurança esperava com os braços cruzados e uma sentença pronta: três meses de banimento. Por terminarem rápido demais, por quebrarem a regra de ouro do entretenimento, foram considerados um mau negócio.

Wesley recebeu a notícia sem expressão.

Enquanto o elevador de serviço fechava suas portas enferrujadas, ele avistou pelo espaço que diminuía uma figura parada nas sombras do ringue. Um homem. Observando os dois com os olhos transbordando decepção — o olhar de quem esperava mais.

As portas fecharam.

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