DEVOTA A VOCÊ 🌶️🌶️🌶️🌶️🌶️ VERSÃO VERY SPICY (UMA SAGA SONS OF ASH MC — LIVRO 8 - DOC X VAL)

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Resumo

ELE DEVERIA APENAS DAR PONTOS NOS PACIENTES. EM VEZ DISSO, ELE A JOGOU SOBRE A MESA DE EXAMES, PRENDEU SEU CORPO QUE SE CONTORCIA SOB O DELE E ROSNOU "GOOD GIRL" CONTRA A XERECA MOLHADA DELA ANTES DE ENTERRAR A LÍNGUA BEM FUNDO. ELE A LAMBEU COMO UM HOMEM FAMINTO. Ele se ajoelhou entre as pernas dela. Sua boca encontrou a buceta dela com a mesma precisão metódica que ele aplicava a tudo — sem hesitação, sem incerteza, apenas a pressão firme e implacável de sua língua no clitóris dela. Ela gritou. Seus quadris balançaram. Ele a manteve pressionada com uma mão espalmada contra seu estômago, prendendo-a à mesa enquanto a devorava como se fosse a única coisa que ele sempre quis fazer. Ele deslizou dois dedos dentro dela. Curvou-os. Encontrou o ponto que a fazia ver estrelas. "Olhe para mim", ele disse. Ela olhou. "Isso. Fique aqui. Comigo. Se entregue." ELA COLECIONAVA LÍNGUAS CORTADAS. ELE COLECIONAVA OS PEDAÇOS QUEBRADOS DELA. A primeira vez que Doc viu Valeria Russo, ela estava segurando uma língua decepada em um saco plástico e ameaçando transformar uma mulher em petiscos para cachorro. Ele deveria ter fugido. Ele era médico — um curandeiro que perdera sua licença por escolher a misericórdia em vez do protocolo. Em vez disso, ele olhou para a Valquíria — a executora mais mortal da Bratva Morozov, uma mulher que matou sua família abusiva aos quinze anos e passou doze anos se tornando uma lâmina em vez de uma pessoa — e deu nota seis de dez. Agora ele é o único homem que ela deixa tocar nela. O único homem que viu suas cicatrizes e as chamou de requintadas. O único homem que pode prendê-la, chamá-la de "good girl" e fazê-la gozar tão forte que ela esquece que deveria ser um monstro. "Você não pode usar o sexo para fugir de mim. Se você quer que eu te foda, eu vou. Mas você vai olhar para mim enquanto eu faço isso. Sem desaparecer. Sem correr. Sem fingir que sou outra pessoa."

Status
Completo
Capítulos
28
Classificação
4.8 18 avaliações
Classificação Etária
18+

1

DOC

O Pit era exatamente o tipo de lugar que você odiaria se fosse normal. Placas enferrujadas. Asfalto rachado. Um touro mecânico que não funcionava desde a administração Reagan. O ar estava impregnado de fumaça de cigarro, uísque derramado e aquele cheiro particular de couro que tinha sobrevivido a brigas de bar demais. Para os Sons of Ash, era território sagrado — terreno neutro onde podiam beber, rir e fingir que o mundo lá fora não estava tentando matá-los.

A mesa deles era uma monstruosidade de madeira descombinada que acomodava quinze pessoas confortavelmente e vinte quando arrastavam cadeiras extras. Hoje à noite, a turma toda estava presente.

Axle sentava na cabeceira, Scarlett aconchegada debaixo do braço dele como se tivesse sido esculpida para caber ali. Os cachos escuros dela caíam sobre os ombros de um vestido bordô que fazia os olhos dele escurecerem toda vez que olhava para ela. Ele mal tinha tocado no uísque — nunca bebia muito com ela ao lado, ocupado demais com o calor do corpo dela contra o seu.

— Você está encarando de novo — murmurou Scarlett, sem desviar o olhar da conversa com Rain.

— Eu sempre encaro. Se acostuma.

— Ele fala isso há dois anos — observou Grimm do outro lado da mesa. Rain estava sentada no colo dele, o cabelo preto até a cintura solto e selvagem, olhos escuros suaves na luz fraca. O braço de Grimm envolvia a cintura dela com a posse casual de um homem que tinha matado por ela e faria de novo sem pestanejar.

— E vou falar por mais cinquenta — respondeu Axle.

Hound estava na terceira cerveja e no segundo prato de asinhas, molho espalhado pelos nós dos dedos. Tara sentava ao lado dele, olhos âmbar divertidos enquanto o observava devorar uma coxinha com o entusiasmo de um golden retriever que tinha descoberto churrasco.

— Você tem molho na testa — disse Tara.

— Onde? — Ele limpou o lugar errado.

Ela riu, estendendo a mão com um guardanapo. — Você é um desastre.

— Seu desastre — corrigiu ele, sorrindo.

— Infelizmente.

Tank era uma montanha de silêncio na outra ponta, Rose encolhida contra ele com o filho Alexander dormindo no colo dela. O menino tinha três anos — uma miniatura do pai, mesmos olhos escuros, mesma quietude perturbadora. Luna estava na Suíça com Aleksandr, e a sede do clube estava mais silenciosa sem os comandos imperiosos dela.

— Você viu a planilha que Voss fez para o orçamento de fraldas? — perguntou Rose para Tara.

— Tinha gráficos de pizza.

— Para fraldas.

— Voss tem gráficos de pizza para tudo — anunciou Cray, deslizando para um assento com um prato de nachos. O cabelo vermelho-fogo dela estava desbotando para ruivo nas raízes, e ela usava o suéter de Voss — uma monstruosidade cinza enorme que engolia as curvas dela mas de alguma forma a fazia parecer mais obscena. — Ele tem um gráfico de pizza para nossa vida sexual.

— Cray — alertou Voss, as orelhas já ficando rosadas.

— Frequência de posições. Duração. Nível de decibéis dos meus gritos—

Cray.

— —com uma subseção para "vezes que a sede do clube nos ouviu". Essa fatia é bem grande.

Sydney bufou cerveja pelo nariz. — Essa é minha fatia favorita!

As orelhas de Voss tinham ficado carmesim. — Você é uma variável de caos que eu falhei em considerar.

— E mesmo assim você casou comigo. — Cray beijou o rosto dele, deixando uma marca de queijo de nacho. — Estatisticamente falando, você está preso comigo.

Raze e Rina estavam aconchegados num canto, a barriga enorme de grávida dela pressionando contra a mesa. Gêmeos previstos para daqui a seis semanas. Raze mantinha uma mão na barriga dela, traçando padrões distraídos, olhos escuros distantes do jeito de um homem que já estava contando os dias.

— Eles estão chutando — disse Rina.

— Eles sempre estão chutando.

— São seus filhos. Claro que são violentos.

Raze quase sorriu. Quase. — Eles puxam a mãe.

— A mãe deles é bioquímica.

— A mãe deles quase desmantelou um império farmacêutico grávida de oito meses. Violência é um espectro.

Natasha sentava ao lado de Sydney, a armadura de CEO descartada pela noite — cabelo solto, diamantes na garganta, um vestido preto de costas nuas que tinha feito Sydney engasgar com a própria língua quando ela saiu do quarto. Elijah estava numa festa do pijama com Nancy, e Natasha bebia o vinho com a deliberação cuidadosa de uma mulher que raramente se permitia relaxar.

— Você está pensando em trabalho — disse Sydney.

— A fusão.

— Você sempre está pensando na fusão.

— A fusão vale quatrocentos milhões de dólares.

— Eu valho pelo menos quinhentos milhões. E estou bem aqui.

Ela riu apesar de si mesma, inclinando-se para ele. — Tudo bem. Chega de fusão. No que eu deveria pensar então?

— No fato de que eu te amo. Que Elijah me chamou de "pai" ontem sem pensar. Que eu vou casar com você com tanta força.

— Você já está noivo de mim.

— Vou casar com você com mais força ainda.

Doc sentava um pouco afastado do caos, tomando uma água com gás com limão. Mais quieto que o normal — olhos cor de avelã distantes, rosto juvenil sombreado pela exaustão perpétua que nunca o deixava de verdade. Ele estava pensando na clínica. Nos pacientes que não conseguiu salvar. Na licença que tinha perdido e nas razões pelas quais a perdeu.

— Para de ficar remoendo — disse Scarlett, cutucando-o com o pé.

— Não estou remoendo.

— Você está encarando sua água com gás como se ela guardasse os segredos do universo.

— Talvez guarde. Talvez os segredos do universo sejam carbonatados.

Knuckles sentava numa mesa menor para dois perto do bar com uma mulher chamada Marissa. Vinte e dois anos. Bonita de um jeito sintético — loira de caixinha, cílios de caixinha, lábios injetados com algo que não era bem colágeno. Ele estava saindo com ela de vez em quando há algumas semanas, e nem ele conseguiria explicar por quê. Ela ria alto demais. Tocava o braço dele com frequência demais. Olhava para o kutte dele com uma avareza que o deixava desconfortável.

— Você está tão quieto hoje à noite — disse Marissa, os dedos traçando o antebraço dele. — No que você está pensando?

— No clube. Tem uma corrida chegando.

— Ugh, sempre o clube. E eu?

— Você está aqui.

— Não é isso que eu quis dizer.

Os prospects — Jax, Milo e um garoto novo chamado Theo, ainda apavorado com todo mundo — se aglomeravam perto do bar, fingindo que não estavam observando a mesa principal. Eles sempre observavam. Aprendendo. Esperando que alguém precisasse de uma cerveja ou uma porta aberta ou um corpo descartado.

— Ela está encarando o vinho há dez minutos — sussurrou Jax, acenando na direção de Natasha.

— Ela está pensando — disse Milo. — CEOs pensam.

— Ela está pensando em assassinato. Aquela é a cara de assassinato.

— Você não conhece a cara de assassinato.

— Eu conheço. Tank tem. Natasha tem. Scarlett definitivamente tem.

— Scarlett tem a cara de "vou te destruir legalmente". É diferente.

Theo não falou. Estava ocupado demais tentando não derrubar a cerveja.

Então a porta se abriu.

Ela entrou como se fosse dona do lugar e já tivesse calculado o custo de queimá-lo.

O macacão de couro veio primeiro — um traje de couro preto gasto mas caro que se colava a cada curva letal como se tivesse sido pintado nela. O zíper estava puxado baixo o suficiente para expor o volume dos seios, o oco da garganta, o brilho de uma corrente prateada. O cabelo dela era castanho-palha, cor de feno sujo, bagunçado pelo vento e selvagem ao redor de um rosto que interrompeu todas as conversas no recinto.

Os olhos dela eram cinzentos. Não prateados, não cinza-azulados, não o cinza suave da névoa matinal — cinzentos como uma lâmina. Cinzentos como o céu antes de um tornado. Cinzentos como algo que tinha visto demais e esquecido como recuar.

Os lábios dela eram vermelhos. O tipo de vermelho que pertencia a estrelas de cinema vintage e femmes fatales. O tipo de vermelho que dizia eu sei exatamente o que estou fazendo.

Os homens no bar — motoqueiros, estivadores, a coleção usual de fora da lei e desajustados — ficaram rígidos. Não era luxúria. Luxúria era uma mulher de saia curta. Isso era o reconhecimento instintivo e primitivo de um predador entrando no recinto.

Os Sons of Ash ficaram imóveis.

A mão de Axle apertou o ombro de Scarlett. Os olhos pálidos de Grimm rastrearam o movimento da mulher com a precisão fria de um atirador de elite. Tank mudou o peso, a estrutura maciça se enrolando. Hound parou de mastigar. Só isso já era um sinal do apocalipse.

— Ela não está aqui para beber — murmurou Grimm.

— Sem brincadeira — respondeu Axle.

Ela passou pelo bar, pelas mesas de sinuca, pelo touro mecânico morto. Não olhou para os homens que encaravam. Não olhou para as mulheres sussurrando atrás das mãos. Ela caminhou direto para a mesa de Knuckles e parou.

— Marissa Brown?

A voz dela era mel escuro. Fumaça e pecado. O tipo de voz que descia pela espinha e se instalava no estômago.

Marissa olhou para cima. A expressão dela mudou de confusão para irritação para algo que poderia ter sido medo, se ela fosse esperta o suficiente para reconhecê-lo. — Sim? Eu te conheço?

A mulher sorriu. Não foi um sorriso agradável. — Não. Mas você conhece Caleb.

O nome atingiu como uma granada. O rosto de Marissa ficou pálido, depois vermelho, depois algo entre os dois. — Não sei do que você está falando.

A mulher puxou um celular manchado com algo escuro e molhado — sangue, Knuckles registrou, aquilo era sangue — e abriu um chat com a facilidade de alguém que tinha feito aquilo antes. A tela mostrava um rosto. O rosto de Marissa. Abaixo dele, uma selfie sem blusa. Abaixo disso, uma mensagem: Vem aqui. Estou com saudades, amor.

O bar ficou em silêncio.

Knuckles olhou para o celular. Olhou para Marissa. Olhou de volta para o celular. A mandíbula dele se contraiu.

— Knuckles — disse Hound baixinho —, recua. Não se mete no meio disso.

— Eu não estava—

— Recua.

Knuckles saiu da cadeira, mãos levantadas, olhos ainda em Marissa. A mulher não o reconheceu. A atenção dela permaneceu fixa na loira agora gaguejando como um motor afogado.

— Você transou com o marido da minha irmã — disse a mulher. A voz dela permaneceu calma. Melosa. Aterrorizante.

— EU NÃO—

Tapa.

O tapa começou em algum lugar nos quadris dela, viajou pelo ombro e explodiu no rosto de Marissa com a força de um tiro. Marissa voou da cadeira — voou, o corpo descrevendo um arco breve e desajeitado antes de atingir o chão.

Os Sons of Ash se levantaram. Todos eles. Cadeiras rasparam para trás. Mãos foram para armas. Axle já estava se movendo, Scarlett pressionada atrás dele.

A mulher não notou. Ela contornou a mesa e chutou Marissa nas costelas — um golpe afiado e preciso que mandou a loira deslizando para a parede. O impacto soou como um saco molhado de carne batendo no concreto.

Marissa desabou. Ofegou. Tentou rastejar.

A mulher se agachou ao lado dela. A voz dela caiu para algo quase gentil. — Eu menti. Ele não é da minha irmã. É do meu primo. Ela tem quatro filhos. Quatro. Se você se meter entre ela e a família dela de novo— — Ela deixou o silêncio se estender. — —e eu vou te matar. E antes de te matar, vou deixar a rede de putas saber onde ele enfia o pau além da esposa. E então— — Aquele sorriso terrível e lindo voltou. — —vou descascar sua pele com um descascador de legumes. Pendurar. Secar. Transformar em carne seca. E dar para os cachorros.

Marissa fez um som que não era bem uma palavra.

— Você me entendeu?

Marissa assentiu, a cabeça sacudindo como uma boneca quebrada.

— Ótimo.

A mulher se levantou. Endireitou o macacão de couro. Virou-se para sair.

Então Natasha falou.

— Por que chutar ela? Por que não punir ele?

Sydney agarrou o antebraço dela. — Tasha, não—

Mas a mulher já estava se virando. Muito devagar. Muito deliberadamente. Os olhos cinzentos dela se fixaram em Natasha com uma intensidade que fez Sydney se posicionar na frente da noiva, o corpo um escudo.

A mulher não o notou. Não se importou. Ela enfiou a mão no casaco e retirou um saco plástico com fecho. Dentro havia algo rosa e molhado e recém-cortado.

Uma língua.

— Eu puni — disse ela. — Ele não precisa de boca. Ele precisa dos dedos para trabalhar e sustentar os filhos. Considerei a língua um órgão vestigial.

Ela sorriu de novo — aquele sorriso fantasmagórico, terrível e lindo.

— Isso responde sua pergunta?

A voz de Sydney saiu estrangulada. — Responde. Com certeza responde.

Natasha não recuou, mas o rosto dela estava pálido, e a mão dela agarrava o braço de Sydney com força suficiente para deixar marcas.

A mulher examinou a mesa. O olhar dela varreu os irmãos, as old ladies, os prospects — e parou em Doc.

Ele era o único que não tinha se levantado. O único cuja mão não tinha ido para uma arma. O único olhando para ela não com medo ou raiva ou horror, mas com algo completamente diferente.

Avaliação. Curiosidade. Reconhecimento.

— Seus kuttes — disse ela. — Sons of Ash. Já ouvi falar de vocês.

Ela caminhou em direção à mesa deles, quadris balançando, botas clicando na madeira marcada. Ela parou a alguns passos de Doc, apoiou-se numa cadeira, inclinou a cabeça.

— E quem é este cavalheiro distinto?

O recinto prendeu a respiração.

Doc não recuou. Não se levantou. Não alcançou nada. Ele apenas olhou para ela com olhos cansados cor de avelã — os olhos de um homem que tinha visto sofrimento demais e ainda se importava.

— Sou Doc. Eu ajudo quando os irmãos sangram.

— Então sua profissão e seu nome de estrada são idênticos. — Os olhos cinzentos dela brilharam com algo que poderia ter sido diversão. — Eficiente.

Doc deu de ombros. "Não é mesmo."

Eles se encararam por um longo momento.

"Bem, Doc," ela disse, "aproveite sua noite. Espero que tenha gostado do show."

"Seis de dez."

O salão congelou novamente.

Ela o encarou. Então — devagar, como o sol rompendo nuvens de tempestade — ela sorriu. Um sorriso diferente do anterior. Menos terrível. Mais real. Fez ela parecer mais jovem. Fez ela parecer perigosa de uma forma completamente diferente.

"Você deve ter muita experiência em quebrar coisas," ela disse.

"Vem com o território. Risco ocupacional." Ele tomou um gole de água com gás. "Eu já cortei e costurei mais gente do que você provavelmente matou."

Algo sombrio e faminto brilhou em seus olhos cinzentos. Algo que parecia quase esperança. "Hm. Eu gosto de você, Doc. Tenha uma boa noite."

Ela piscou — realmente piscou — e saiu do bar.

A porta se fechou atrás dela. A moto lá fora rugiu e desapareceu na noite.

Por um longo momento, ninguém falou.

"Que porra acabou de acontecer?" Hound exigiu.

Ninguém tinha uma resposta.

Marissa ainda estava ofegante no chão, soluçando, seu cabelo loiro perfeito grudado de sangue. Doc suspirou, empurrou a cadeira para trás e foi até lá sem dizer mais nada. Ele se ajoelhou, verificou o pulso dela, examinou as pupilas. "Ombro deslocado. Possivelmente costelas rachadas. Ela vai precisar de um raio-X."

"Eu não dou a mínima para o raio-X dela," Knuckles disse, voz estranha e tensa. "Eu estava saindo com ela. Eu estava literalmente saindo com ela."

"E agora não está mais," Grimm disse.

"Ela tinha uma língua no bolso! Uma língua humana!"

"Saco ziplock," Sydney corrigiu. "Tecnicamente não estava no bolso."

"Isso não melhora!"

Doc terminou o exame e se levantou. "Alguém chame uma ambulância. Ela precisa de um hospital."

"Eu ligo," Tara disse, já pegando o telefone.

Axle ainda estava olhando para a porta. "Grimm."

"Sim."

"Descubra quem ela é."

"Já estou nisso." Grimm tinha o telefone na mão, dedos voando. "Voss, preciso de tudo que você tem."

"Cinco minutos," Voss disse. Suas orelhas ainda estavam levemente rosadas, mas sua voz era puro profissionalismo.

Scarlett se aproximou mais de Axle. "Ela é aterrorizante. Mas ela não é... aleatória. Ela foi atrás de uma mulher que dormiu com um homem casado. Ela pegou a língua desse homem. Ela tem um código."

"Um código que envolve descascadores de legumes e carne seca."

"Eu não disse que era um bom código."

Rain estava tremendo levemente, o braço de Grimm apertado ao redor dela. "Ela me lembrou alguém. De antes. Alguém que eu conhecia. Antes de Grimm me encontrar. Antes de eu aprender a ser algo além de assustada."

Raze olhou para Rina, mão ainda em sua barriga. "Você não vai a lugar nenhum sozinha por um tempo."

"Estou grávida de gêmeos. Mal consigo ir ao banheiro sozinha."

"Ótimo. Mantenha assim."

Tank não tinha falado. Ele ainda estava de pé, seu corpo enorme um escudo entre Rose e a porta, Alexander aninhado contra seu peito. Rose tocou seu braço. "Ela foi embora."

"Eu sei."

"Então sente."

Ele sentou. Mas seus olhos permaneceram na porta.

Cray estava sorrindo. "Eu gosto dela."

"Claro que gosta," Voss murmurou.

"Ela é eficiente! Ela trouxe evidências! Ela fez uma apresentação completa!"

"Ela tinha uma língua decepada."

"Recursos visuais, Voss. Recursos visuais."

Os prospects se amontoaram perto do bar, olhos arregalados. Theo parecia que ia vomitar. Jax parecia que ia pedir um autógrafo. Milo estava em algum lugar no meio.

"Essa foi a coisa mais aterrorizante que já vi," Theo sussurrou.

"Essa foi a coisa mais incrível que já vi," Jax rebateu.

"Mesma coisa," Milo disse.

A volta para a sede foi silenciosa. Não o silêncio confortável de irmãos que passaram décadas juntos — o silêncio tenso de homens que testemunharam algo que não conseguiam processar.

Marissa tinha sido colocada em uma ambulância, ainda soluçando, ainda se desculpando com ninguém. Knuckles tinha assistido ela ir embora com uma expressão meio alívio e meio crise existencial.

Agora eles estavam espalhados pela sala comum. As mulheres estavam agrupadas nos sofás. Os irmãos ocupavam vários estados de tensão.

Rina continuava mexendo o chá. Ela estava mexendo há dez minutos. A mão de Raze descansava em seu ombro, polegar traçando círculos, mas ela não parecia notar. "Fico pensando na língua," ela disse. "A precisão. Você precisaria de conhecimento cirúrgico para remover uma língua de forma limpa. Estruturas vasculares, feixes nervosos — não é uma amputação simples."

"Adoro que seja nisso que você está pensando," Raze disse.

"É o que eu faço. Sou bioquímica."

"Você é aterrorizante."

"Estou grávida dos seus gêmeos. Você não pode me chamar de aterrorizante."

Knuckles se apoiou no batente da porta, braços cruzados, rosto ilegível. "Eu terminei com Marissa," ele anunciou.

"Bom, essa é uma palavra para isso," Sydney disse. "Quando ela foi quebrada literalmente."

Hound bufou na cerveja.

"Não é hora, Sydney." A voz de Scarlett estava afiada.

"Sempre é hora."

Voss tinha montado o laptop na mesa de centro, dedos voando pelo teclado. Cray estava ao lado dele, seu caos usual contido, olhos escuros focados do jeito que significava que ela estava levando isso a sério.

"Achei," Voss disse.

Todos se aproximaram.

"Valeria Russo. Conhecida em certos círculos como a Valkyrie. Executora para a Bratva Morozov desde os quinze anos. Treinada pessoalmente por Dmitri Morozov. Eles controlam territórios no Distrito Industrial, as ferrovias, os pátios de carga — nenhuma sobreposição com nossas operações, por isso nunca a encontramos antes."

"Por que ela foi ao The Pit?" Axle perguntou.

"Ela foi por Marissa. Especificamente. A Bratva não tem problema conosco. Isso foi pessoal."

"O que mais?"

Voss hesitou. "Especialista em combate. Treinada em espionagem, trabalho sujo e o que os arquivos chamam eufemisticamente de 'armadilha de mel'. Ela é rápida — mais rápida que qualquer um nesta sala, exceto possivelmente Grimm. Ela tem uma política de tolerância zero. Qualquer um que a prejudique ou prejudique alguém sob sua proteção — ela elimina. Os arquivos a rotulam como psicopata."

"Ela é?" Rain perguntou baixinho.

"Os arquivos não sabem tudo."

"E quanto à família dela?" Rose perguntou. Ela estava segurando Alexander, o punho minúsculo dele enrolado em seu dedo, olhos escuros piscando sonolentos. Luna ainda estava na Suíça — três semanas agora, aprendendo o que quer que Aleksandr estivesse ensinando — e Rose sentia falta dela com uma ferocidade que a surpreendia.

Voss rolou a tela. "Ela os matou. Aos quinze anos. Padrasto, dois meio-irmãos, mãe. Todos enforcados. A Bratva Morozov a encontrou em pé sobre os corpos. Eles a acolheram em vez de executá-la."

"Por quê?" Scarlett perguntou. "Por que acolher uma garota de quinze anos que acabou de assassinar a família inteira?"

"Não sabemos. O arquivo não diz."

"Você consegue descobrir?"

"Eventualmente. Mas alguém enterrou os detalhes bem fundo. Isso não é ofuscação padrão da Bratva. Isso é pessoal."

Grimm se inclinou para frente. "O que mais?"

"O nome de nascimento dela era Valeria Russo. Ela não usa mais. Ela atende por Val — ou a Valkyrie. Nenhum associado conhecido fora da organização Morozov. Nenhum parceiro romântico conhecido. Nenhuma fraqueza conhecida."

"Todo mundo tem fraquezas," Tank resmungou.

"Não de acordo com este arquivo."

A sala ficou quieta.

A voz de Aleksandr veio pelo viva-voz. Voss tinha ligado para ele no meio da busca — o velho conhecia todo mundo, tinha conexões se estendendo por continentes e décadas. "A Valkyrie," Aleksandr disse, seu sotaque carregado, voz como cascalho envolto em veludo. "Já ouvi falar dela. Dmitri Morozov é meu primo — distante, mas sangue. Ele a acolheu quando ela era criança. Treinou ela pessoalmente. Fez dela sua protegida."

"Por quê?" Axle perguntou.

"Porque ela o lembrava de si mesmo. Porque ela estava quebrada de um jeito que ele reconhecia. Porque ela tinha quinze anos e já tinha aprendido que a única pessoa que a protegeria era ela mesma." Uma pausa. "Uma vez vi ela trabalhar. Ela não luta com homens como eu ou Tank — ela sabe melhor. Ela é esperta. Desestabiliza antes de atacar. Mas se você lutasse com ela, ela te esmagaria ou te daria a melhor luta da sua vida. Difícil dizer qual."

"Ela carrega línguas decepadas em sacos ziplock."

"Ela carrega justiça na forma que for necessária. A língua foi uma mensagem. A mensagem foi recebida. O que mais você quer?"

"Quero saber se ela é uma ameaça para minha família."

"Ela só é uma ameaça se você a prejudicar. Não a prejudique. É muito simples."

A ligação terminou.

"Sua família é louca," Sydney disse para Cray.

"Minha família é eficiente," Cray corrigiu. "Tem diferença."

Scarlett se levantou, andando de um lado para o outro. "Ela falou com Doc. Especificamente com Doc. Por quê?"

"Não sei," Doc disse. Ele estava quieto desde que voltaram, sentado no canto com sua água com gás, rosto ilegível.

"Ela disse que gostou de você."

"Ela disse muitas coisas."

"Ela piscou para você."

"Eu notei."

"Ela olhou para você como —" Scarlett pausou, procurando. "Como se estivesse vendo algo que não esperava. Algo que queria."

Doc não respondeu.

Grimm o observou com olhos pálidos e conhecedores. "Você sentiu também."

"Não sei do que você está falando."

"Sabe sim. A atração. O reconhecimento. Você olhou para ela e não viu um monstro. Você viu uma ferida."

"Grimm—"

"Ela é como Rain. Como Rose. Como todas as mulheres que vieram até nós quebradas e afiadas e aterrorizadas de serem suaves. Ela é uma de nós. Só não sabe ainda."

Doc colocou a água com gás de lado. Suas mãos estavam firmes. Sua voz estava firme. Seus olhos não estavam. "Ela matou mais gente do que eu operei. Ela carrega partes de corpos decepadas no bolso. Ela ameaçou transformar uma mulher em petiscos para cachorro."

"E ainda assim," Grimm disse, "você deu seis de dez para ela."

O canto da boca de Doc se contraiu. "Ela foi desleixada com o chute. Muito impulso. Já vi melhor."

"Não foi por isso que você disse."

"Não. Não foi."

"Por que você disse?"

Doc olhou para a porta — a porta pela qual ela tinha saído, a porta que ainda parecia guardar o fantasma de sua presença. "Porque ela estava esperando que alguém a tratasse como pessoa em vez de ameaça. Porque todo mundo naquele bar olhou para ela como se fosse um monstro. Eu quis ver o que aconteceria se eu não fizesse isso."

"E o que aconteceu?"

"Ela sorriu. Disse que gostou de mim. Piscou." Ele pausou. "Funcionou."

"Você é louco?" Hound exigiu. "Ela poderia ter te matado!"

"Ela não matou."

"Ela poderia ter!"

"Mas não matou. Ela olhou para mim como —" Ele parou. Engoliu. "Como se eu fosse a primeira pessoa que realmente a viu. E eu acho... acho que talvez eu tenha sido."

A sala ficou em silêncio.

Knuckles saiu do batente da porta. "Se você vai ir atrás dela—"

"Não vou atrás de nada."

"Se você vai ir atrás dela," Knuckles repetiu, "só tome cuidado. Eu namorei uma mulher que dormiu com o marido da prima. Essa mulher está no hospital. Estou solteiro. Não deixe isso acontecer com você."

"Não é a mesma coisa."

"É exatamente a mesma coisa. Você está atraído por uma mulher que resolve problemas com violência. Eu estava atraído por uma mulher que criava problemas com infidelidade. Nós dois temos gosto péssimo."

"Marissa foi um erro," Sydney disse. "Val é... outra coisa."

"Algo aterrorizante."

"Algo interessante," Doc corrigiu.

Os irmãos trocaram olhares.

"Doc," Axle disse, sua voz carregando o peso do comando, "se você quer encontrá-la, vamos te apoiar. Mas tome cuidado. Ela não é como as outras. Ela não é uma sobrevivente que precisa ser salva. Ela é uma arma que precisa de um motivo para parar de ser uma."

"Eu sei," Doc disse. "Não estou tentando salvá-la."

"Então o que você está tentando fazer?"

Doc pensou no jeito que ela tinha sorrido para ele. No jeito que seus olhos cinzentos tinham brilhado com algo sombrio e faminto. No jeito que ela tinha dito Eu gosto de você, Doc como se fosse uma confissão.

"Estou tentando entendê-la," ele disse. "E talvez —" Ele pausou. "— talvez dar a ela um motivo para voltar."

Scarlett sorriu. Era um sorriso conhecedor — o sorriso de uma mulher que tinha estado onde Doc estava e reconhecia o terreno. "Ela vai. Elas sempre voltam."

"Como você sabe?"

"Porque você olhou para ela como pessoa. E pelo que vi —" Ela olhou para a porta. "— acho que ninguém fez isso há muito tempo."

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