Chapter 1
A chave de latão escorregou dos dedos trêmulos de Ethan, caindo contra o piso de linóleo com um claque seco e ecoante. Seu coração batia em um ritmo violento e errático contra as costelas enquanto ele se abaixava para pegá-la, com as mãos de vinte anos tremendo tanto que mal conseguia encaixar a chave de volta na fechadura.
O apartamento estava silencioso demais. Essa foi a primeira coisa que ele notou. Normalmente, Chris estaria tocando algum disco indie obscuro, ou Jamie estaria esparramado no sofá reclamando de seus turnos na galeria. Em vez disso, havia apenas um atrito rítmico e baixo. Um som abafado e úmido que fez os pelos da nuca de Ethan se arrepiarem.
Ele empurrou a porta, fazendo as dobradiças rangerem suavemente em protesto.
“Chris?” Ethan chamou, sua voz falhando um pouco, fina e aguda no ar pesado. “Jamie? Esqueci minha carteira...”
Ele entrou no corredor, chutando seus tênis gastos, e caminhou em direção ao quarto principal. A porta estava entreaberta, deixando uma fresta de luz morna e fraca cair sobre o piso escuro de madeira. O ar tornou-se espesso, pesado com o cheiro inconfundível e metálico de suor e sexo.
Ethan empurrou a porta completamente e o ar foi violentamente arrancado de seus pulmões.
Ali, entrelaçados nos lençóis de linho cinza que Ethan tinha comprado para o aniversário deles, estavam as duas pessoas em quem ele mais confiava no mundo. Chris — vinte e oito anos, com cabelos pretos bagunçados e brilhantes de suor e olhos cinzentos impressionantes, semicerrados em puro êxtase — movia os quadris para baixo com uma intensidade viciosa e rítmica. Abaixo dele, arqueando as costas e arranhando a cabeceira, estava Jamie.
O rosto de Jamie estava manchado de lágrimas e prazer, com a boca aberta em um gemido alto e úmido que atravessou o peito de Ethan.
“P-porra, Chris, aí mesmo — não para, por favor—” Jamie engasgou, sua voz falhando conforme Chris entrava nele novamente, uma estocada brutal e profunda que fez a estrutura de madeira da cama bater contra a parede com um baque ensurdecedor.
Ethan ficou paralisado na porta, seu cabelo loiro caindo sobre seus olhos azuis arregalados de choque. Ele não conseguia se mover. Seus membros pareciam estar cheios de chumbo.
“Meu Deus, Jamie, você está tão apertado,” Chris gemeu, sua voz áspera e rouca, parecendo a de um estranho. Ele jogou a cabeça para trás, com os músculos tensionados e brilhando sob a luz fraca do quarto, aproveitando uma onda rápida e castigadora de atrito até que seu corpo se contorceu. Com um grito final e rouco, Chris enterrou-se fundo em Jamie, disparando seu esperma quente direto dentro do cu de Jamie.
Um fio espesso e perolado de porra começou imediatamente a escorrer do cu escancarado de Jamie, pingando lentamente pela sua parte interna da coxa enquanto ele convulsionava sob o peso de Chris, ofegante e tremendo.
Por um segundo longo e agonizante, ninguém se moveu.
Então, Chris levantou a cabeça lentamente. Seus olhos cinzentos, geralmente tão calorosos quando olhavam para Ethan na mesa de café da manhã, travaram na porta. Não havia pânico neles. Nenhum esforço imediato e desesperado para pegar um lençol. Apenas um cálculo frio e apático.
“Ethan,” Chris disse, sua voz totalmente desprovida de remorso enquanto se afastava de Jamie. Um som úmido de sucção preencheu o silêncio, e mais da porra de Chris escorreu do corpo trêmulo de Jamie para os lençóis.
O estômago de Ethan revirou. Ele cobriu a boca com a mão, sentindo o gosto de bile no fundo da garganta.
“Você...” Ethan finalmente conseguiu dizer, sua voz um sussurro patético e trêmulo. “Você está... na nossa cama. Minha cama.”
Jamie puxou o lençol até o peito, com o rosto ficando vermelho, embora houvesse um sorriso doentio e satisfeito à espreita nos cantos de seus lábios trêmulos. “Ethan, olha, não é... apenas aconteceu, ok? Você está sempre trabalhando, sempre tão... distante—”
“Cala a boca, Jamie,” Ethan sibilou, a traição pura queimando através de seu choque como ácido. Ele apontou um dedo trêmulo para o homem que chamara de melhor amigo por quatro anos. “Você estava na minha cozinha ontem comendo o meu delivery. Você estava me abraçando. E você está... você está escorrendo a porra dele nos lençóis que eu lavei no domingo.”
Chris rolou para fora da cama com um suspiro pesado, completamente nu. Ele caminhou até o armário, pegou uma calça de moletom e a vestiu sem um pingo de vergonha. Seus olhos cinzentos se estreitaram levemente ao olhar para Ethan, como se Ethan fosse quem estivesse sendo um incômodo.
“Não faz um escândalo disso, Eth,” Chris disse, passando a mão pelo cabelo preto úmido. “Nós estamos nos distanciando há meses. Você sabe disso, eu sei disso.”
“Distanciando?” A voz de Ethan falhou, as lágrimas finalmente caindo sobre seus cílios, quentes e rápidas pelas bochechas. “Nós falamos sobre nos mudar para o litoral no ano que vem! Você disse que me amava na sexta-feira!”
“As pessoas dizem coisas,” Chris murmurou friamente, caminhando até a cômoda e pegando sua carteira e chaves. “Eu estou indo embora. Vou pegar minhas roupas depois. Mas estou limpando tudo.”
“Ótimo,” Ethan cuspiu, embora seu corpo inteiro estivesse tremendo tanto que mal conseguia ficar de pé. “Saiam. Os dois. Saiam do meu apartamento agora mesmo.”
Jamie saiu da cama apressado, vestindo suas calças jeans e moletom às pressas, recusando-se a encontrar os olhos de Ethan enquanto passava por ele na porta. “Sinto muito, Ethan. De verdade.”
“Não me toca,” Ethan disparou, pressionando-se contra a parede do corredor para evitar encostar na jaqueta de Jamie.
Jamie não disse mais nada. Ele disparou para fora da porta da frente, a fechadura batendo atrás dele com um som seco e final.
Chris demorou-se na sala de estar, pegando sua jaqueta de couro no cabideiro. Ele parou, olhando de volta para a cozinha, e então suspirou profundamente, esfregando a nuca.
“O quê?” Ethan gritou, com lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto agarrava seu peito. “O que mais você poderia querer levar? Minha dignidade? Isso você já levou!”
“Leo,” Chris disse secamente.
Ethan congelou. Ele olhou para o canto da sala de estar, onde um grande cão branco, um mestiço de Pastor Maremano, estava deitado em uma cama de cachorro, observando-os com olhos castanhos pesados e melancólicos.
Leo era enorme — ficando quase tão alto quanto a cintura de Ethan nas quatro patas, com um peito largo, uma pelagem branca e espessa e patas do tamanho de pratos de jantar. Chris o havia resgatado de um abrigo dois anos atrás, mas desde que Leo tinha beliscado a mão de Ethan durante a segunda semana em que estavam juntos, Ethan tinha um medo absoluto da besta. O cachorro era grande demais, imprevisível demais e possuía um rosnado baixo e vibrante que fazia o sangue de Ethan gelar sempre que Leo chegava perto demais.
“Eu não posso levá-lo para o motel onde vou ficar,” Chris continuou, vestindo sua jaqueta. “É pequeno demais. Não permitem animais. Ele é seu problema agora.”
“Meu problema?” A voz de Ethan subiu uma oitava, o pânico puro cortando seu coração partido. “Chris, não! Você sabe que eu não dou conta dele! Ele me odeia! Ele é enorme, ele é basicamente um urso polar, e ele me mordeu no ano passado—”
“Ele não te mordeu, ele beliscou porque você pisou no rabo dele,” Chris rebateu, perdendo a paciência. “Apenas alimente-o duas vezes por dia, leve-o para passear de manhã e à noite, e pare de ser tão dramático sobre tudo.”
“Chris, espera—”
A porta da frente se abriu, e com um bater seco e ecoante, Chris se foi.
O apartamento mergulhou em um silêncio absoluto e sufocante.
Ethan estava parado no meio do corredor, com o peito arfando, lágrimas pingando de seu queixo. O ar ainda cheirava fracamente a sexo, suor e sabão em pó barato. Seu namorado de três anos tinha acabado de foder seu melhor amigo na cama deles, e agora ele estava completamente, totalmente sozinho.
Lentamente, de forma aterrorizante, um som de farfalhar pesado quebrou o silêncio.
Ethan enrijeceu, seus olhos azuis disparando para o canto da sala de estar.
Leo estava se levantando.
O enorme cão branco esticou as patas dianteiras, soltando um bocejo longo e estrondoso que exibia uma boca cavernosa e rosa e fileiras de dentes afiados. Então, sacudindo sua pelagem espessa com um baque alto de pelo contra o piso, Leo virou sua cabeça pesada e fixou seus olhos escuros e inteligentes diretamente em Ethan.
A respiração de Ethan prendeu na garganta. Ele pressionou as costas contra a parede, seus dedos cavando no reboco.
“Fica,” Ethan sussurrou, sua voz tremendo violentamente. “Fica longe, Leo. Bom garoto. Apenas... fica.”
Leo não ouviu. O cachorro grande deu um passo lento e deliberado à frente, suas patas enormes caminhando silenciosamente pelo chão. Ele atravessou a sala de estar, indo direto pelo corredor estreito em direção a onde Ethan estava colado contra a parede.
O coração de Ethan batia contra as costelas como um pássaro preso. Ele queria correr para seu quarto, mas o quarto significava a cama — significava a memória de Chris e Jamie entrelaçados nos lençóis. Ele estava preso.
Leo parou a apenas um passo de distância de Ethan. De perto, o cachorro era imponente, seu peito branco era largo e poderoso, irradiando um calor corporal pesado e distinto. Ethan fechou os olhos com força, preparando-se para um rosnado, para o estalo afiado de mandíbulas, para a dor de uma mordida que encerraria o pior dia de toda a sua vida.
Em vez disso, um focinho úmido e quente encostou gentilmente contra o pulso nu de Ethan, exatamente onde seu pulso disparava como um louco.
Ethan abriu um olho, tremendo.
Leo inclinou sua cabeça maciça, sua longa língua rosa saindo para dar uma lambida hesitante e desajeitada na mão de Ethan. Então, com um suspiro suave e lúgubre que soou incrivelmente humano, o cão gigante pressionou seu ombro branco e pesado diretamente contra as canelas de Ethan, ancorando-se ali no corredor vazio e silencioso.