Um Novo Começo

Todos os Direitos Reservados ©

Resumo

"Está gostando, Scarlet? Você curte o nosso toque? Consegue sentir em todos os lugares? Você com certeza está nos deixando no paraíso. Só o roçar da sua mão me traz um prazer intenso. Quero sentir você até... Ela era tão quebrada quanto se podia ser. Fugindo do passado e fechada para qualquer um que cruzasse seu caminho. Eles se apaixonaram à primeira vista e souberam que a queriam para sempre. Mas conseguirão protegê-la quando o passado a alcançar? Ficarão ao seu lado ou a expulsarão de vez?

Status
Completo
Capítulos
38
Classificação
4.7 25 avaliações
Classificação Etária
18+

Capítulo 1

Ryder não estava pensando e, com certeza, não estava ouvindo a mulherzinha fofa atrás da mesa. Tinha que admitir que ela era bem bonita, com aquele cabelo ruivo cortado curto e os traços delicados de duende. Não era alta, mas tinha curvas que qualquer homem apreciaria. Ela gesticulava bastante enquanto falava da parceria que estava por vir. Ele notou como os olhos dela brilhavam de entusiasmo ao mencionar coisas que claramente adorava. Mas ela não o atraía. Talvez fosse a garota da noite anterior ou simplesmente o cansaço, mas não conseguia se forçar a prestar atenção no que ela tagarelava com tanto entusiasmo. Só queria mesmo era ir para casa e cair na sua cama convidativa.

Ryder estava exausto. Era a única forma de descrever como se sentia. Sabia que tinha uma reunião com a assessora de imprensa e, mesmo assim, tinha saído para beber com o irmão na noite anterior. Sabia que o irmão não iria embora antes do último pedido e foi assim mesmo. Claro que a morena bonita com quem dançaram pode ter tido algo a ver com a hora em que ficaram fora. Quanto tempo ficaram acordados? Melhor perguntar para a Candice. Ou seria Charlotte?

De qualquer forma, depois de algumas horas de diversão, chamaram um táxi para ela e, como os cavalheiros que eram, a acompanharam até a porta antes de desabar e apagar. Em sua defesa, estavam comemorando a conclusão do segundo livro e a reunião com a assessora. Mas quando chegou à reunião, mal conseguia manter os olhos abertos e sentia uma certa raiva do seu irmão gêmeo, Gabe, por fazê-lo lidar com o lado comercial da coisa.

Pensando apenas na cama, levantou-se rápido e foi em direção à porta. Assim que a abriu, não conseguiu evitar um gemido. Diante dele estava a bunda mais linda que já tinha visto. Estava presa às pernas mais incríveis, que, na saia lápis preta, pareciam não ter fim. Como alguém podia ter uma bunda tão perfeitamente redonda?

As mãos coçavam para estender a mão e tocá-la. Talvez depois deslizasse as mãos por aquelas pernas intermináveis e visse se eram tão macias quanto pareciam. Que diabos ela estava fazendo, curvada daquele jeito, dando a qualquer um que passasse uma visão perfeita do seu corpo? Ryder sentiu vontade de jogar o paletó sobre ela para que ninguém mais visse aquela cena. Em silêncio, desejou que ela se levantasse e virasse, para que pudesse ver o rosto que pertencia àquela visão de tirar o fôlego.

Lembrou-se rapidamente de que estava ali pelos livros que ele e o irmão tinham escrito. Sabia que, se assinasse o contrato, não só seriam publicados de novo, como teria mais reuniões na esperança de dar uma espiada no rosto que vinha com aquelas pernas de dar água na boca. Virou-se depressa, fechou a porta e voltou para a mulher atrás da mesa.

— Acho que essa vai ser uma ótima parceria. Onde é que eu assino? — perguntou, com aquele sorrisinho matador que só ele tinha. Viu os olhos dela se arregalarem e não conseguiu conter uma risadinha. Aquilo ia ser muito mais divertido do que imaginava. Mal podia esperar para chegar em casa e contar ao irmão sobre sua descoberta.

Enquanto caminhava em direção ao seu Mustang preto e elegante, avistou aquela bunda perfeita atravessando a rua apressada. Queria ver o rosto dela. Não entendia por que ela o afetava tanto. Só sabia que afetava. Mudou rapidamente de direção e entrou na pequena lanchonete, pedindo um sanduíche. Sentou-se do outro lado do estabelecimento, olhando ao redor em busca daquela bunda linda.

Avistou a nova assessora do outro lado e, ao lado dela, a mulher mais linda que já tinha visto. O cabelo loiro e longo caía em ondas suaves pelos braços. A pele parecia macia, e ele conseguia imaginar os dedos deslizando por ela. Será que era mesmo tão macia quanto parecia? As maçãs do rosto altas e o rosto oval perfeito combinavam. Ficou olhando para aqueles lábios carnudos em formato de coração enquanto ela passava a língua por eles, fazendo sua calça ficar ainda mais apertada. Imagens dele passando a língua por aqueles lábios enquanto os dedos deslizavam pelo rosto e desciam pelo pescoço invadiram sua mente.

Ryder não conseguiu evitar olhar para os olhos dela. Mesmo de longe, dava para ver o formato felino, e não pôde deixar de imaginar aqueles olhos revirando de prazer, com os lábios entreabertos num gemido suave. De repente, ela riu baixinho de algo que a assessora disse, e ele soltou um suspiro quando uma nova imagem lhe veio à mente. A calça ficou ainda mais apertada quanto mais olhava para aquela mulher perfeita, e ele soube que precisava tê-la.

Saiu depressa da lanchonete, tentando acalmar o desejo que o consumia, e seguiu para casa, onde sabia que o irmão estaria esperando. Tinha tanta coisa para contar que não sabia por onde começar. O novo contrato ou a deusa de salto alto? Decidiria na hora, mas achou melhor começar pelo acordo, já que não se lembrava de quase nada sobre ele, ao contrário da deusa, da qual se lembrava de cada detalhe.

Enquanto dirigia para casa, pensou em como o irmão reagiria a ela. Será que ela seria tudo o que eles queriam? Esperava que não fosse fácil de conquistar. Os dois adoravam um desafio, e ela parecia ser exatamente isso. O que seria preciso para que ela os aceitasse? Será que sequer falaria com eles? Qual era o nome dela? Sentiu um aperto no peito só de pensar nela. Nunca tinha sentido algo tão intenso por nenhuma mulher antes. O que havia de tão diferente nela que despertava todas essas emoções? Esperava ter algumas respostas antes do fim da semana, pelo menos.

Ponto de vista de Scarlet.

Scarlet chegou ao escritório quinze minutos mais cedo, como fazia todos os dias. Apressou-se pelos corredores, com os olhos baixos ou desviando o olhar de todos, na esperança de chegar à sua sala antes que alguém pudesse dizer alguma coisa. Segurando firme o copo do Starbucks, entrou depressa, sentou-se e ligou o computador. Abriu a agenda rapidamente.

Entregar a correspondência, três comunicados de imprensa para eventos futuros, o chefe tinha quatro compromissos, almoço com a Cammy e, depois, precisava digitar o orçamento e os relatórios semanais de progresso. Claro que o dia estava cheio, mas era simples para ela e rotineiro, que era como gostava de viver. Nunca notava os olhares que recebia enquanto seguia sua rotina diária. Na verdade, sempre era observada.

Ao se levantar da mesa para entregar a correspondência, todas as cartas escorregaram de sua mão e caíram no chão. Quando se abaixou para pegá-las, achou ter ouvido um gemido alto e se levantou depressa, procurando de onde vinha o som. Olhou ao redor, balançou a cabeça por sua bobagem e concluiu que devia estar ouvindo coisas. Recolheu as cartas rapidamente e saiu da sala para seguir com o trabalho do dia.

Como de costume, não olhava para ninguém e falava pouquíssimas palavras ao passar pelas pessoas para quem entregava a correspondência. Nem precisava, já que se movia tão rápido que ninguém tinha tempo de dizer nada. Estava satisfeita com essa parte da sua vida, pois não queria que ninguém invadisse sua solidão. Isso só trazia dor, e, quando se mudou para aquele estado um ano e meio antes, tinha jurado nunca mais deixar ninguém se aproximar o suficiente para machucá-la de novo. Nesse tempo, tinha aprendido autodefesa e se certificou de aprender bem. Palavras nunca mais a magoariam. Tinha se tornado emocionalmente fria e alheia a todos ao seu redor.

Na hora do almoço, correu para a pequena lanchonete do outro lado da rua. Sua melhor amiga e chefe, Cammy, já estava lá, esperando com um sanduíche de presunto da Nova Inglaterra e um copão de Coca. Apressou-se até a mesa, murmurando: — Desculpa, me enrolei no trabalho — enquanto se sentava.

— Tá tudo bem, eu sei como você é trabalhadora — disse Cammy, rindo baixinho. Scar apenas deu um sorrisinho e pegou o sanduíche, dando uma mordida grande, sem se importar com quem a visse comendo como uma esfomeada. O sanduíche parecia derreter na boca. Adorava almoçar ali. Sempre faziam sua comida do jeito perfeito, e sabia que o café para viagem que pegaria na saída seria delicioso. Como alguém conseguia fazer um sanduíche que levava a boca direto para o céu, ela não fazia ideia. Cozinhava bem, mesmo que fosse só para si mesma, mas o que preparavam naquela lanchonete sem nome era algo que só tinha provado ali.

— E aí, alguma novidade? — perguntou Cammy, e a resposta era sempre a mesma.

Scar revirou os olhos e disse apenas: — Não, e você sabe disso. Está tudo igual ao que estava hoje de manhã, quando você perguntou. Terminaramm o almoço depressa, sabendo que precisavam voltar ao trabalho.

— Não acredito que consegui fechar com aquele último cliente. Tinha certeza de que ele ia embora e nunca mais voltaria. Teria sido uma pena, porque aí eu não teria anos para babar nos músculos daquele homem. Como ele consegue escrever todos aqueles romances com o irmão e ainda ficar tão gato de jeans, eu nunca vou entender. Mas fico imaginando como deve ser o irmão. Dizem que são gêmeos, então deve ser parecido, mas dá vontade de saber, né? Imagina só dois deles andando pelo escritório a qualquer hora. A população feminina inteira vai morrer de infarto se ele for pelo menos metade de bonito que o irmão. — Scarlet apenas revirou os olhos de novo, sabendo como a amiga era fissurada em homens.

Ele provavelmente era bonito, mas Scar nunca prestava atenção em coisas assim em ninguém ao seu redor. Pela experiência, sabia que era melhor nem olhar duas vezes para ninguém. — O que ele escreve? — acabou perguntando. Precisava saber para definir os comunicados de imprensa e as promoções que faria para eles. Cada gênero exigia um tipo de abordagem.

— Romances policiais. São melhores do que eu poderia esperar. Talvez até deixe você ajudar com esse projeto, já que ele já tem dois escritos, e, deixa eu te contar, são ótimos. — Scar sabia que a chefe não estava brincando. Cammy nunca aceitaria um cliente que não escrevesse bem. Pela expressão da amiga, aqueles livros eram tudo o que ela procurava e mais um pouco. Começou a ficar animada só de pensar em ler os novos livros, só pela cara da chefe. Devia ser uma história e tanto, pensou.

— São sombrios e eletrizantes de mais de um jeito. Faz tempo que não leio nada parecido. Não me entenda mal, nossos outros clientes são incríveis, cada um no seu estilo. Mas esses livros têm algo que te prende e te faz ler até o fim sem conseguir parar. Juro que não consegui largar. — Ouviu Cammy continuar.

— Como você conseguiu fazer ele assinar? Você disse que ele estava indo embora. — perguntou de repente. Cammy tinha seus truques para convencer as pessoas a fazerem o que ela queria, mas não tinha ouvido nenhum grito vindo da sala. Aliás, nem tinham pedido café para a reunião. Quando um cliente precisava ser convencido de que eles eram a melhor opção, normalmente ela tinha que levar alguma coisa para ajudar.

— Ainda não sei como aconteceu. Ele estava indo para a porta. Já tinha até aberto quando gemeu e se virou. Juro que achei que ele tinha batido com a porta em si mesmo. Voltou para a minha mesa e disse: ‘Acho que essa vai ser uma ótima parceria. Onde é que eu assino?’. Para dizer que fiquei chocada é pouco. — Scar já estava pensando nos comunicados de imprensa e nas sessões de autógrafos que teria que organizar para os novos livros. Sabia que, se ele já tinha dois prontos, seriam lançados com cerca de um ano de diferença.

Nesse meio-tempo, teriam que fazer bastante barulho em torno do primeiro e, no lançamento, com uma sessão de autógrafos, coordenariam mais alguns eventos nos primeiros meses. Depois que o burburinho do primeiro livro diminuísse, começariam a trabalhar no segundo. Enquanto isso, o misterioso escritor deveria estar escrevendo um terceiro. Bom, pelo menos tinha ajuda do irmão gêmeo desaparecido.

— Preciso fazer o irmão dele aparecer, no entanto. Ele não deu as caras. Foi quase como se estivessem me testando, vendo se eu era profissional. Não me importo. Não são os primeiros e com certeza não serão os últimos a fazer isso. Mas ainda assim, um deles não aparecer foi estranho, já que os dois precisam assinar para fechar tudo. Esse foi o primeiro momento em que duvidei, porque, se estivessem falando sério em assinar, por que os dois não vieram? — Scarlet precisava saber quanto tempo teria para se dedicar ao projeto antes de começar a trabalhar nele de verdade.

— Quando vamos começar os comunicados de imprensa? — Cammy só conseguiu chutar que seria no próximo mês, já que não sabia quando o segundo irmão apareceria para finalizar tudo.

Enquanto olhava para o nada, não percebeu a amiga falando sem parar sobre como era o novo escritor. Estava ocupada demais planejando tudo o que precisava fazer para notar o homem bonito que a observava do outro lado da lanchonete. Logo terminaram o almoço e voltaram para o escritório. Cammy terminou a papelada dos clientes anteriores, e Scarlet anotou ideias e lembretes no computador para o novo cliente. Costumava fazer isso, pois precisava de uma lista para dar conta de tudo o que fazia no dia a dia.

Adorava essa parte do trabalho. O silêncio que a cercava e seus pensamentos enquanto planejava todas as coisas diferentes que poderiam fazer para um lançamento. A festa de lançamento, que, mesmo nunca comparecendo, adorava organizar. O dia passou rápido, e Scarlet correu para o cais, como fazia todos os dias.