Chantagem à Inocente

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Resumo

O que você faria se um desconhecido aparecesse à sua porta tentando espalhar mentiras sobre seu pai? E se seu pai fosse justamente o xerife da cidade? E se ele dissesse que o incriminou por um crime que não cometeu? E se ele afirmasse ter provas para destruí-lo e usaria isso... a menos que você interviesse para impedi-lo? Mas ele não quer dinheiro. Nem qualquer outra coisa que você tente oferecer. Ele quer você. Ele quer você por inteiro. Ele quer que você lhe dê algo que nunca deu a mais ninguém: sua virgindade.

Gênero
Romance
Autor
NWarren
Status
Completo
Capítulos
72
Classificação
4.7 17 avaliações
Classificação Etária
18+

A Noite Escura

Os primeiros dias de setembro costumam ser quando alunos do primeiro ano e veteranos se preparam para mais um ano letivo. Mas, para mim, o mês de setembro tem outro significado: minha mãe faleceu há exatamente dez anos em um acidente de carro.

No ano passado, fiquei uma semana a mais nas férias de verão para garantir que meu pai ficasse bem quando eu voltasse para a faculdade. Peguei um voo de Nova York para Denver na manhã seguinte ao fim das aulas, porque tinha decidido deixar meu Jeep em casa enquanto estivesse fora.

Mas este ano é diferente.

Dessa vez, não pretendo voltar para a NYU depois das férias de verão, e o prazo para me matricular nas aulas está chegando rápido, já que me avisaram que não teria outra prorrogação como no ano passado.

Mas havia mais por trás disso. A verdade sobre minha decisão de deixar a universidade veio depois que me afoguei num mar sem fim de trabalhos, provas e livros que não entendia. Fiquei para trás em três matérias e precisava estudar a cada minuto do dia só para não me afogar de vez. A depressão começou a bater porque eu nunca dormia direito. Não tinha vida social, o que não era muito diferente de estar em casa, mas ainda assim era uma experiência solitária e triste.

Também sentia muita falta de casa. Não me sentia parte da alta sociedade de Nova York. Não me encaixava com aquelas garotas de casacos caros e roupas impecáveis, nem me interessava pelos caras de cabelo perfeitamente cortado e jeito de modelo. Percebi que Nova York não era o lugar onde eu deveria estar.

Não. Não tem mais nada lá para mim.

Folhas douradas e avermelhadas cobrem a estrada por onde dirijo. É uma estrada secundária que as pessoas usam para evitar o trânsito intenso da via expressa para a cidade, mas como acabei de tirar minha carteira de motorista, não conheço bem o caminho.

Estou curtindo minha playlist, batendo as mãos no volante e cantando alto *"Sleeptalk"*, do Dayseeker, quando ouço um barulho estranho vindo da frente do carro. Em segundos, o Jeep para devagar embaixo de um poste de luz, que pisca de um jeito sinistro antes de apagar.

O som some, mas logo outro ruído estranho vem de debaixo do capô.

Ótimo. Era só o que me faltava.

Folhas secas estalam sob meus pés enquanto me aproximo da frente do Jeep. Com um suspiro irritado, levanto o capô, tomando cuidado para não levar uma baforada daquela fumaça fedida na cara. O cheiro forte invade minhas narinas, queimando tudo. Engasgo com a tosse e me afasto para deixar o ar fresco limpar minha garganta.

Quando a ardência passa, olho as peças debaixo do capô. Depois que a fumaça some no ar da noite, tento entender o que pode estar errado. Não tenho sorte. Observo o resto: a transmissão, algumas bobinas e o que acho que é a vareta do óleo. Não faço ideia do que estou olhando, muito menos do que fazer para consertar, mas sei que motores não deveriam soltar fumaça assim.

Sem querer admitir derrota, levanto o capô até travar e dou um passo para trás, tentando analisar melhor. Folhas secas passam voando, levadas por uma rajada de vento.

A Shello Ave. tem só algumas casas espalhadas pela estrada, mas não vejo nenhum carro nas garagens, nem luzes acesas. Porém, no alto de uma ladeira sinuosa, avisto uma casa no estilo Tudor, com luzes fortes que parecem um farol no meio da escuridão.

Pego o celular no banco do passageiro e tento pedir ajuda. Disco para Toby Marshall, um amigo próximo que trabalha na delegacia com meu pai. Depois de alguns toques, a voz suave e amigável de Toby pede para deixar recado. Explico que não sei onde estou, que meu Jeep quebrou e que estou apavorada. Antes de desligar, murmuro o nome da rua para que ele me encontre mais fácil.

Quando a noite volta a ficar silenciosa, pego um moletom com zíper do banco de trás e o visto por cima da camiseta marrom, fechando até pouco abaixo do busto. Em seguida, pego as chaves no bolso e tento ligar para Toby de novo — sem sucesso. Dessa vez, a chamada nem completa, e a tela escurece devagar.

Bateria arriada.

Desesperada, aperto o botão de ligar várias vezes, mas a tela nem acende. Não tenho escolha: preciso subir até aquela casa na colina e torcer para ter um telefone lá dentro para chamar alguém da delegacia e acabar com essa noite de merda.

Aperto o botão do chaveiro com o desenho de um cadeado e espero os faróis do Jeep piscarem duas vezes, acompanhados de dois toques curtos da buzina, confirmando que o carro está trancado. Então começo a caminhada pela estrada sinuosa até a casa com as luzes acesas, apertando o botão de ligar do celular sem parar.

— Droga! — digo em voz alta, sozinha, enquanto continuo subindo a estrada escura.

A voz do meu pai ecoa na minha cabeça: *"Sempre deixe uma bateria reserva no carro. Você nunca sabe quando vai precisar de carga total."*

Droga.

Demoro vinte minutos para chegar ao último trecho da subida e solto um suspiro aliviado quando piso no asfalto liso da entrada, notando uma picape Chevrolet escura estacionada em frente à garagem.

A casa é térrea, no estilo Tudor, com venezianas azul-marinho e um telhado levemente inclinado. Tem um detalhe de tijolos aparentes perto da porta de vidro grande, que, estranhamente, combina com o resto.

Caminho pela trilha de pedras até a varanda, e uma luz de movimento me ilumina na hora, como um holofote. Congelo no lugar, me sentindo como uma ladra pega no flagra.

O sangue gela nas veias, mas depois de um instante, levanto as mãos para proteger os olhos da luz forte. Ouço a porta se abrir, mas não consigo ver quem está ali, por causa do clarão.

— Posso ajudar? — pergunta uma voz masculina e grave. O tom é seco, mas o timbre rouco me faz estremecer.

Não consigo falar por causa do coração batendo forte no peito, mas consigo gaguejar: — Desculpa. Meu Jeep quebrou lá embaixo, não sei onde estou, meu celular morreu e não tenho carregador. — As palavras saem atropeladas, sem que eu consiga me controlar. Percebo que estou tagarelando para a luz forte e tento olhar além dela para ver o rosto do homem, mas só consigo distinguir uma sombra borrada.

Depois de um segundo, a silhueta some dentro da casa por um instante, e a luz forte se apaga, me dando chance de piscar algumas vezes para recuperar a visão. Quando uma figura alta e escura reaparece, foco nela até que a imagem fica mais nítida e o homem surge devagar, meio desfocado.

Caramba!

A primeira coisa que noto são os olhos azuis, tão claros e hipnotizantes, com um olhar gélido que, surpreendentemente, me aquece por dentro. Depois, vejo o cabelo loiro e grosso, o rosto esculpido com traços marcantes, e quase esqueço como se fala.

Uau.

É o cara mais gato que já vi na vida.