Embarcando em uma nova odisséia
O despertador tocou e, com ele, uma onda de ansiedade tão instantânea que fez Christian se sentar de supetão, com a mão na testa. Seu coração disparou na hora e, por um momento de pânico, ele sentiu a cama vazia e pensou: "Porra, eu perdi ele!", antes de ouvir o barulho do chuveiro no banheiro.
Caramba.
Ele se jogou de volta, pegou o celular, desligou o alarme com os olhos ainda pesados e jogou o aparelho no lugar de Darren. Ele precisou de um tempo para esfregar os olhos, tentando colocar a cabeça no lugar e acalmar o coração.
Mas hoje era o grande dia. Estava oficializado.
Tinha tudo para ser um dia corrido, empolgante e terrivelmente novo, e ele estava cheio de dúvidas, receios e medos sobre o momento que viria pela frente.
Viagem? Aviões? Sessão de fotos? Era tudo tão idiota que parecia que Christian estava falando da vida de outra pessoa, mas, porra, ele tinha se comprometido. Além disso, Darren estava praticamente empurrando ele porta afora, pelos desejos pessoais dele e pelos de Chris. No fundo, Christian tinha certeza de que aquela era a ideia mais estúpida de todos os tempos.
No entanto, lá no fundo?
Uma parte dele estava um pouco empolgada.
Ele vinha se preparando para esse dia há meses; estava ocupado fazendo planos, memorizando horários, revendo as regras dos aeroportos, reservando hotel... Graças a Deus pelo Darren.
Ele pelo menos sabia como essa porra funcionava e, sem ele e seu apoio incondicional, Christian nem teria pensado em pedir um transporte para quando chegasse em Nova Orleans. Chris chegou a cogitar um voo com três conexões, em pânico, até que Darren abriu um aplicativo no celular e conseguiu um voo direto para ele atravessar o país.
Em quatro horas ele estaria no chão, encontraria Owen no hotel e Christian não ia mentir: ele estava apavorado. Ele nem sabia como fazer o check-in em um hotel e vivia repetindo para si mesmo que ninguém nasce sabendo fazer essas coisas. As pessoas faziam isso literalmente todo santo dia e ficavam bem. Que o avião não ia cair em uma bola de fogo e espalhar seus restos pela pista, e que tudo ia dar certo.
Ele ia ficar bem.
Christian engoliu em seco e quase, quase pegou o celular para mandar mensagem para Owen cancelando tudo, quando a porta se abriu e aquele lindo deus loiro saiu, secando o cabelo molhado com uma toalha. Chris esqueceu completamente de cancelar qualquer porra, vendo aquele corpo bronzeado, musculoso e glorioso caminhar nu e jovem para fora do banheiro vaporoso.
Meu Deus do céu. Christian sorriu feliz só de vê-lo, sentiu um aperto no peito se soltar e bagunçou o cabelo, admirando aquele corpo de tirar o fôlego. — Bom dia.
Darren jogou a toalha na cadeira ao passar e deu um sorriso, e caramba, aquele sorriso nunca deixava de me dar um tesão. Chris riu e ficou satisfeito quando aquele corpanzil de quase dois metros praticamente avançou e se jogou em cima dele no colchão, fazendo-o pular sob o peso, ficando preso debaixo do lençol e dando risadinhas como um idiota quando aquela boca larga se pressionou contra sua testa.
— Bom dia, querido. Porra, você é um colírio para os meus olhos.
Christian sorria com uma leveza ridícula e passou as mãos pela nuca e pelos ombros dele, de repente encantado por estar vivo novamente. — Eu estou literalmente aqui o tempo todo.
— Eu fiquei naquele banho por eras. Sinto que não te vejo há pelo menos vinte minutos, amor. — Ele era um bobalhão mesmo. Chris estava rindo à toa enquanto aquela boca percorria seu rosto, beijando o caminho até o maxilar e rolando alegremente sobre ele com seu corpo esguio e pesado. — É tipo tortura. Como é que a gente vai ficar separado por uma semana?
Christian virou o rosto, com os olhos se fechando sob o deslizar dos lábios, e chutou o lençol, sentindo uma pontada de empolgação quando aquelas mãos agarraram e percorreram as curvas dos seus lados. — Eu sempre posso cancelar? — Ele disse com esperança real.
Darren riu contra suas clavículas, acomodou-se por cima dele e Christian estava bastante feliz com a posição; deixou seus olhos passearem pela barriga reta, pelo pau incrível que já estava semi-ereto e pelas coxas poderosas, apoiando a mão atrás da cabeça antes de deixar os outros dedos seguirem o mesmo caminho.
— Você não vai cancelar porra nenhuma. Bela tentativa, querido. — Ele deu um sorriso malicioso e se moveu sob a mão, que agora explorava seus detalhes com interesse. — Primeiro, o depósito da reserva não é reembolsável e você sabe muito bem que eu nem vou estar aqui, então... — Ele pulsou sob a mão e aqueles olhos escuros impressionantes subiram para ele com um sorrisinho feliz. — ...Supere esse seu ataque de pânico iminente. — Darren se inclinou novamente, muito satisfeito com aquele deslizar de dedos, e encontrou a boca dele.
Sinceramente, Darren estava empolgado por ele.
Ele realmente estava. Tinha levado ele, Owen, três ligações de Eli, e depois uma reforçada do fotógrafo Servio, e até de Joel, para convencer Christian dos méritos de sair pelo mundo. Todos tiveram que lembrá-lo de como ele se divertiu da última vez que saiu daquela porra de casa e acalmar seus terrores constantes sobre o cenário iminente.
Servio tinha sido o principal nessa batalha, garantindo a Christian que tudo seria muito controlado; que ninguém ia bater nele, que ele precisaria estar inteiro de um dia para o outro para fotografar com os outros três modelos. Por isso, Servio não podia deixar ele ficar acabado entre os trajetos.
E porque ele queria Christian demais no projeto, Servio até adiou o ensaio só para dar a chance de Chris conhecer os candidatos primeiro, descobrir com quem ele se sentia confortável e, mais importante, permitir que se instalassem na casa alugada enquanto Darren começava o ano letivo na Colorado State.
Por outro lado, Darren também queria dar um respiro a Christian depois daquele março passado. Deus sabia que eles tinham passado pelo inferno. Por muito tempo, Chris esteve em terapia diária com Masha, tentando realinhar sua saúde mental e lidar com muita merda interna. Ele teve pesadelos por semanas com Mikael Mariol, com a morte de Darren, com ficar preso em um jardim, e revivia aquele dia horrível em que Darren levou um tiro no quintal do irmão como se estivesse passando em um filme.
Darren não estava nada confortável com a ideia de ele sair até que, pelo menos, ele parasse de acordar suando frio, alcançando-o desesperadamente em um ataque de pânico.
Agora, porém, dezembro chegou e já fazia alguns meses sem nenhum episódio; Christian parecia radiante, e Darren não pôde deixar de notar que seus pesadelos diminuíram quando deixaram Roster para trás e subiram de volta para as montanhas. Mudança de ares, talvez? Ele não sabia, mas estava aliviado. Ele ainda fazia sessões pelo Zoom com Masha a cada duas semanas, já que se recusava a tentar achar um novo terapeuta no Colorado, mas funcionava para ele e era só disso que Darren queria saber.
Resumindo a história, Servio tinha ficado feliz em adiar tudo, remarcado tudo, porque ele deu uma única olhada em Christian e quase teve um troço. O russo exclamou, muito alto durante o FaceTime, que queria Christian para as fotos, custasse o que custasse para deixá-lo confortável. Servio adiou de julho para dezembro, na confiança de que Chris conseguiria antes da inauguração da exposição na galeria no ano seguinte, em fevereiro.
Então, em outras palavras?
Não tinha porra de jeito nenhum de Chris não se mexer e deixar o cara na mão.
No entanto, naquele momento, certamente não fazia mal nenhum acalmar aquela testa febril com um pouco de preliminares, ou com um pouco de brincadeira do seu Daddy.
Seu próprio pensamento o fez sorrir contra a boca de Christian, antes de se afundar entre aquelas coxas que estavam mais do que dispostas a acomodá-lo, tendo o mesmo pensamento de sempre: se e quando isso deixaria de ser tão bom entre eles?
Alguns dias, parecia que ele redescobria esse homem todo de novo, e esta manhã? Foi tão doce; apenas um momento de risadas, rolagens na cama, um pouco sonolento, de pura calma e prazer entre eles.
Christian ainda sorria e esticou o braço para a gaveta lateral, finalmente tendo que interromper o beijo para olhar o que fazia, mordendo o lábio com um sorriso bobo enquanto aquela boquinha má seguia um novo curso pelo seu pescoço. Os lábios de Darren trilharam o ombro enquanto ele se retorcia, sentindo o pau pesado roçar entre suas nádegas, enquanto ele lutava para abrir a porra da gaveta procurando o KY. — Amor, me ajuda!
— Mmm... — foi sua única resposta, enquanto aquela língua alcançava suas costelas. Chris se contorceu, balançou com prazer real e começou a rir quando Darren encontrou seu umbigo antes de desaparecer mais para baixo.
— Amor. — Christian finalmente pegou a porra do frasco e se jogou para trás, ofegando com empolgação real, e arqueou-se feliz demais sob aquele míssil de busca e destruição em sua virilha. Ele teve um momento de puro abandono, com os quadris flexionando ao ver o homem deslizar como um sonho em direção às suas partes mais doces. — Eu não acho que tenhamos tempo... ah, porra.
Chris tinha que admitir; a prática estava levando à perfeição, e Darren tinha chegado ao ponto de destruir Christian com a boca. Prazer que entortava a espinha, fazia as coxas tremerem e os dedos dos pés se encolherem, e parte disso era habilidade, a outra metade era o próprio homem. — Porra... Oh, Deus. — Christian soltou o lubrificante e apenas enroscou os dedos naquele cabelo úmido, quase chutando o ar de tão bom que estava. — Amor, por favor, não para. Ai meu Deus.
Darren adorava. Ele realmente adorava. A voz de Chris era a coisa mais fofa que ele já tinha ouvido e, durante o sexo, qualquer coisa? Era tão excitante, ele amava ouvir aquela respiração, quase um gemido. Amava observar essa criatura fluida e linda se contorcer e balançar sob ele. Hoje, porém, ele também queria satisfazer o que, com certeza, seria um longo tempo de separação.
Tinha ocorrido a ele, no banho, que eles tinham se visto todos os dias, por quase um ano, de qualquer forma possível, e essa seria a primeira separação entre eles como um casal.
Sem abraços antes de dormir, sem pele doce ou coxas para mordiscar, ou acordar e ver essa pessoa humana ao seu lado. Não era apenas Chris tendo um momento de crise, era bom para os dois. Darren sabia disso. Logicamente.
Ainda era uma merda, mas ele também ia embarcar na sua própria mini-aventura. Francamente, ele preferiria ter ido para Nova Orleans para uma semana de libertinagem e diversão, do que ir para a cabana da família lidar com a recaída e a recuperação de Drew em uma "viagem de rapazes" com seu pai e Caleb.
Mas aquilo era bom, e eles tinham mais de uma hora antes de precisarem estar no aeroporto. Tempo mais do que suficiente para balançar o mundo do seu amante doce e lindo, e ir embora.
E ele balançou, até sentir aquela flexão de prazer na boca, e Chris se esforçou com pequenos chutes nas pernas, arqueou as costas para ele e quase gritou: — Amor, por favor... Deus. Por favor, me come logo.
Era bom e fez Darren rir em volta daquele apêndice, antes de subir, encontrar o frasco descartado e aquela boquinha quente e ofegante enquanto ele abria a tampa, se apoiava nos joelhos e passava um pouco nos dedos. — Eu te amo tanto, Chris. Você sabe disso? — Ele mordeu o lábio inferior e aqueles olhos escuros estavam afundados nele, fazendo seu peito apertar, eles eram tão lindos.
— Sim. — Chris puxou o rosto dele para baixo, um pouco desesperado, e alinhou suas coxas com as dele em antecipação. — Eu sei, amor, eu também te amo.
Darren sabia, e pressionou para baixo, jogou o frasco no chão e deslizou uma boa quantidade de pau para dentro do buraco, e, Senhor do céu, era sempre incrível.
Chris se afundou, suas mãos caíram para trás e aqueles olhos se fecharam, e Darren apenas... porra, ele conseguia com isso. Toda vez. Tão incrivelmente bom, e aqueles quadris podiam girar de maneiras que o viravam do avesso e o jogavam através do tempo e do espaço.
Foi um jeito incrível de começar a manhã, isso era certo, e ele tinha certeza de que ia precisar dessa "incrível" odisséia pela frente.