"The Veil, the Fail, and the Prince Who Turned Pale"
“Onde está a coisa que pedi para você buscar?”, exigiu o Príncipe Herdeiro Oliver, com a voz transbordando impaciência e um tipo estranho de entusiasmo, como se estivesse prestes a receber um tesouro aguardado há muito tempo.
“Isto, Vossa Alteza”, disse o atendente com reverência, entregando uma tela enrolada. “Um retrato pintado pelo antigo artista do palácio do Reino de Braveland.”
Os olhos de Oliver brilharam. Braveland — terra de supostos bárbaros, onde os rumores diziam que as mulheres puniam maridos infiéis fritando suas partes íntimas para o jantar.
Ele também ouvira sussurros de que as princesas de lá colecionavam amantes da mesma forma que esquilos colecionam nozes. Este casamento, por mais desagradável que fosse, era político — um laço elegante para encerrar séculos de guerras de fronteira.
Com um floreio dramático, Oliver desenrolou o retrato.
E imediatamente desejou não ter feito isso.
Ele soltou um ruído estrangulado que era meio suspiro, meio engasgo. A mulher que o encarava parecia menos uma princesa e mais o açougueiro mais sobrecarregado do reino.
A “donzela de dezenove anos” descrita no dossiê parecia ter pulado a fase da juventude completamente — sua barriga projetava-se mais do que seus seios, seu cabelo lembrava palha após uma seca, e seu rosto parecia um campo de batalha onde a acne tinha organizado um golpe muito bem-sucedido.
Oliver recuou como se a própria pintura tivesse tentado beijá-lo. “Pelos céus! Isto é… isto é grotesco!”, ele gritou. “Temos certeza de que não é o bobo da corte fantasiado?”
O atendente limpou a garganta nervosamente. “Vossa Alteza… a Princesa Clarabelle já está a caminho do reino.”
O lábio de Oliver se curvou. Seus sonhos de se casar com uma beldade tinham acabado de ser substituídos por pesadelos de ser esmagado em sua noite de núpcias. “Chega!”, ele latiu. “Mandem assassinos. Eu me recuso a deixar que essa… essa coisa horrível coloque os pés na minha porta.”
E com isso, ele jogou o retrato de lado, como se ele pudesse infectar as paredes do palácio com sua hediondez. A ironia, claro, era que o príncipe herdeiro tinha acabado de autorizar o que se tornaria o maior constrangimento de seu reinado.
“Duas carruagens”, murmurou o Assassino Um, semicerrando os olhos para a estrada como se estivesse decifrando o maior mistério de suas carreiras. “A princesa trouxe sua babá idosa. Aquela com o brasão e as rodas mais chiques deve ser a dela.”
“Por que sem guardas?”, perguntou o Assassino Dois, coçando a cabeça. “Apenas criadas e cocheiros? Parece… imprudente.”
“Eles são de Braveland”, justificou o Assassino Três com presunção. “Provavelmente acham que suas mulheres bárbaras conseguem morder espadas ao meio. Confiança é a armadura delas.”
“Chega de conversa”, interrompeu o Assassino Quatro, já flexionando suas adagas como se estivesse fazendo um teste para uma peça. “Vamos fazer nosso trabalho.”
Com a graça de gatos bêbados, eles atacaram a carruagem mais luxuosa, com lâminas brilhando e caos acontecendo. Em minutos, emergiram vitoriosos, limpando o sangue das mãos com a arrogância de homens que tinham acabado de ganhar uma boa recompensa.
O Assassino Dois espiou dentro e recuou. “Por tudo que é sagrado! Ela é ainda mais feia pessoalmente. Não admira que o príncipe herdeiro a quisesse morta. Aquele retrato não fez justiça às… atrocidades dela.”
Os outros concordaram gravemente, como se tivessem acabado de realizar uma nobre misericórdia em vez de um crime pago. Satisfeitos, voltaram para as sombras, parabenizando-se por um trabalho bem feito.
Os assassinos marcharam para a câmara real como heróis conquistadores, cheirando levemente a suor, cavalo e excesso de confiança.
“Vossa Alteza”, anunciou o Assassino Um com orgulho teatral, “o serviço está feito. A suposta princesa não o incomodará mais.”
Para provar seu triunfo, o Assassino Dois deu um passo à frente e apresentou um objeto manchado de sangue: o brasão real de Braveland, arrancado da carruagem mais bonita. Ele o exibiu com a reverência de um padre oferecendo uma relíquia sagrada.
Os olhos de Oliver brilharam como uma criança mimada desembrulhando um presente de aniversário adiantado. Ele arrebatou o distintivo, acariciou-o entre os dedos e sorriu com a satisfação presunçosa de um homem que acreditava que o universo girava apenas ao seu redor.
“Muito bem”, ele declarou, estufando o peito. “Vocês me pouparam de uma vida inteira de miséria conjugal com uma mulher digna apenas de assustar o gado. A história os lembrará como heróis!”
Os assassinos trocaram olhares satisfeitos, cada um silenciosamente se classificando como o mais heroico. O Assassino Três até imaginou uma balada sendo escrita em sua honra: “Os Quatro Que Salvaram o Príncipe de um Amor Feio.”
Oliver serviu-se de uma taça de vinho e bebeu profundamente, já fantasiando sobre um futuro onde permaneceria gloriosamente solteiro — ou pelo menos encontrasse uma esposa que parecesse menos alguém capaz de ganhar uma queda de braço de seus cavaleiros.
Na manhã seguinte, o Príncipe Herdeiro Oliver estava na entrada principal do Pinnacle Hall, tentando parecer real enquanto suprimia um bocejo monumental. Ministros alinhavam os degraus em seus trajes cerimoniais, rostos rígidos com dignidade, enquanto a própria expressão de Oliver gritava acabe logo com isso.
Afinal, por que se dar ao trabalho de ficar animado? Ele tinha certeza de que a princesa já era um cadáver, cuidadosamente tratado por seus bobos contratados. Hoje não passava de pompa e ostentação, uma performance para esconder a verdade inconveniente da ordem sangrenta da noite anterior.
Mas então veio o som das trombetas.
Um sedã luxuoso rolou para o pátio, brilhando com o brasão real de Braveland. A porta se abriu e uma mulher saiu.
O coração de Oliver despencou em seus sapatos cravejados de joias.
Impossível. Os assassinos tinham lhe entregado um distintivo, uma prova manchada de sangue! Seria possível…? Não, certamente não. Ele certamente não estava prestes a ser superado pela sua própria incompetência — bem, pela incompetência deles, mas ainda assim.
Seu primeiro pensamento foi simples: Eu vou torturar e matar aqueles idiotas.
Mas conforme a princesa se aproximava, outro pensamento deslizou em seu cérebro. Sua figura era inegavelmente… feminina. Seus braços, esguios. Nada da compleição de um açougueiro brutamontes. Nada de músculos protuberantes preparados para quebrá-lo como um galho em sua noite de núpcias.
Oliver franziu a testa. A suspeita era uma fera teimosa. Ela é magra, sim. Mas o rosto — certamente o rosto é o show de horrores do retrato. A acne, o nariz, a linha do cabelo trágica…
Os ministros se moveram em expectativa. O salão ficou tenso. A tradição ditava que ele deveria esperar até os votos para levantar o véu. Mas Oliver, bêbado de curiosidade e arrogância, não conseguiu resistir a desafiar séculos de costume.
Ele se inclinou para frente, com os dedos tremendo levemente, e levantou o véu.
O que ele viu quase tirou a presunção dele.
A Princesa Clarabelle era de tirar o fôlego. Radiante. Bonita o suficiente para fazer os poetas repensarem o trabalho de suas vidas. Ela era tão deslumbrante, na verdade, que Oliver percebeu com uma clareza dolorosa: ele não apenas falhou em matá-la — ele tinha arranjado uma maneira de se humilhar na frente de toda a sua corte.
Pela primeira vez em sua vida mimada, o queixo do Príncipe Herdeiro Oliver caiu tanto que ele parecia um bacalhau assustado. O silêncio no salão era ensurdecedor — e delicioso.