Capítulo 1
Bem-vindos, anjos!
Algumas coisas:
♡ Nem sempre menciono contracepção ou ISTs, por favor, assumam que os personagens estão se prevenindo e não brincando de roleta russa com a gravidez.
♡ Eu escrevo em inglês britânico. Por favor, não corrijam minha ortografia usando o inglês americano (é super irritante, desculpe 😩).
♡ Dito isso, se notarem erros gramaticais, seria ótimo se pudessem apontá-los. Ocasionalmente, uso linguagem coloquial que pode estar gramaticalmente incorreta. Por exemplo, “You good?” em vez de “Are you good?”, etc. Fiquem à vontade para ignorar esses casos.
♡ Escrevo romances maduros. As palavras “clit” e “cock” aparecerão. Se não é a sua praia, por favor, retire-se sem reclamações.
♡ Vocês podem me seguir no Instagram: naughtyxchristian.
Este livro foi editado e ampliado! Se você é um leitor que está retornando, espero de verdade que goste da nova versão e agradeço pelo esforço de voltar ❤️ L x
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Gabriel.
Uma escolha pode mudar tudo. Uma única escolha, pequena e simples, pode remodelar completamente o caminho da sua vida, desviando você e te levando a uma direção que nunca imaginou seguir.
Acordo para mais um dia neste buraco infernal. Na verdade, não é tão ruim assim, só não é onde eu quero estar. Ninguém acorda e escolhe a prisão. Ninguém em sã consciência decide colocar a vida em espera e passar os dias atrás das grades.
Wily acena para mim em reconhecimento enquanto entramos na fila para os chuveiros. Eu não tinha conhecimento prévio sobre a prisão antes de ser preso. Nunca tive experiência com isso ou com qualquer pessoa que tivesse passado por uma. Eu não fazia ideia do que esperar e, felizmente, meu advogado foi útil ao me esclarecer antes da minha encarceramento. Eu era um ignorante sobre o sistema judiciário, sobre os passos dados antes e depois da sentença. Tudo foi um aprendizado para mim. Ganhei um conhecimento que nunca quis e que nunca pensei que precisaria.
Antes dessa fase da minha vida, meus únicos pensamentos sobre a prisão vinham de séries de TV e filmes. Vim para cá com medo de deixar o sabonete cair no banho e ser esfaqueado no refeitório. Passei os primeiros meses olhando por cima do ombro, esperando que algo acontecesse. Acontece que estou em uma prisão de Categoria C, o que significa que é de segurança baixa e a maioria de nós está aqui por crimes menores e não violentos, como pequenos furtos ou lavagem de dinheiro.
Ainda existem uns filhos da puta maldosos neste lugar e, se você olhar do jeito errado para a pessoa certa, pode se meter em problemas, mas, no geral, é bem fácil ficar na sua e não causar confusão.
Um chuveiro fica vago e eu tiro meu uniforme. Odeio o quanto estou porra acostumado a ficar nu na frente de outros caras. No começo, eu dizia a mim mesmo que não era diferente de usar o vestiário da academia. Agora, porém, mal penso nisso. Mantenho meus olhos nos azulejos e sinto um alívio quando entro debaixo do jato de água. Não consigo sentir o peso do olhar de ninguém sobre mim. A maioria dos caras aqui só quer se limpar e sair; eles não estão nem fodendo para quem está ao redor.
Assim que estou lavado e me sinto minimamente humano de novo, me seco e volto para minha cela. Tenho uma sessão de treinamento esta manhã. Parte da minha sentença exige que eu continue meus estudos enquanto estiver na prisão, o que significa que tenho que frequentar pelo menos dois cursos técnicos. A liberdade antecipada vem com a condição de exibir bom comportamento e provar que posso ser um membro útil da sociedade com meu conhecimento e habilidades.
Treinei por dois anos em um curso de culinária e agora trabalho nas cozinhas. Meu outro curso escolhido é marcenaria e, na verdade, estou ficando muito bom em fazer pequenas figuras. Um dos prisioneiros que conheço ganha dinheiro vendendo suas esculturas para uma loja na cidade.
No momento em que a campainha soa uma hora depois, as portas se abrem e somos liberados. Há uma cacofonia de barulho enquanto saímos e descemos a passarela para as escadas. Wily me encontra na fila e começa a caminhar ao meu lado. Pegamos nosso café da manhã em bandejas e nos sentamos com um grupo de outros detentos.
“Já teve resposta deles?”, ele me pergunta.
Eu balanço a cabeça. “Tenho horário no computador hoje à tarde, poderei verificar meu e-mail então.”
No mês passado, me inscrevi para o serviço de Escolta Prisional, que é exatamente o que parece. Você tem que cumprir certos critérios para ser aceito e, felizmente, tenho tudo o que exigem. Meus exames de sangue foram feitos na semana passada e devem dar bons resultados, já que estou na melhor forma física da minha vida. Não há razão para não ser aceito no programa, mas a sorte não está do meu lado há muito tempo, porra, então não sei.
Estou na torcida pra caralho.
Hetty.
O ônibus para com um solavanco na minha frente. Espero minha vez de subir e encosto o celular no leitor para comprar uma passagem simples. Encontro um assento na frente, ao lado de uma mãe com uma criança pequena no colo. No momento em que minha bunda toca o assento, puxo meu livro da bolsa. Acabei de comprá-lo na cidade, tipo, sete minutos atrás, mas estou morrendo de vontade de continuar lendo. Eu era aquela pessoa irritante que se enfiava no meio das pessoas na calçada, com o nariz enfiado no livro. Já estou na página 22 e desesperada por mais.
Assim que estou entrando na história e os personagens estão tendo seu primeiro momento, a criança se inclina curiosamente. Fico tensa quando aquela pessoinha invade meu espaço pessoal. A mãe não percebe e olha pela janela. A criança respira em cima de mim; seu hálito quente cheira a doces e é enjoativo de tão açucarado. Dou um sorriso forçado e volto a ler.
”Ele pressionou sua lín-gua”, a criança luta com a palavra e eu congelo de horror.
A mortificação me invade quando percebo que a criança está lendo meu livro, em voz alta, para o ônibus todo. Fecho o livro de um golpe antes que a criança possa ler mais da frase (para o clitóris dela) e realmente estragar meu dia.
“O que você está dizendo, querida?”, a mãe pergunta à criança.
Meu sorriso é forçado quando encontro seus olhos. Com um suspiro, dou as costas para elas e olho pela janela, irritada por não poder continuar a leitura. Terei que esperar até chegar em casa.
Aquele filho da puta.
Jogo mais tralha do meu ex pela janela. Ele ainda não sabe que é meu ex. Ele continua muito ocupado tentando implorar por perdão.
“Foi um acidente!”
Certo. Ele só acidentalmente ficou excitado e enfiou o pau em outra mulher. Não tem como, porra, chamar dormir com outra mulher de “acidente”.
“Hetty, você sabe que eu te amo. Foi um erro, uma coisa de uma vez só da qual me arrependo. Porra, eu me arrependo tanto.”
Apesar de eu dever ignorá-lo, solto um bufo de deboche. Jogo mais roupas dele pela janela.
Como ele pode dizer que me ama quando dormiu com outra pessoa? Você não faz isso com a pessoa que ama.
“Porra! Dá para parar de jogar minhas coisas?”, ele grita.
Ele tenta pegar punhados do chão antes que eu possa arremessar. Começo a jogar o resto nele. É engraçado ver suas calças e moletons enrolados na cabeça dele.
“Porra, amor! Para, porra!”
“Engraçado. Você não acha que deveria ter parado antes de ter fodido com ela?”, respondo gritando e me viro para encará-lo. Sinto como meu rosto está quente agora, e o dele está igual, vermelho de vergonha e raiva. “Você pensou nisso quando estava dentro dela, hein? Não, você não pensou. Dá o fora daqui, Kevin.”
O rosto dele se contrai e suas mãos caem inutilmente ao lado do corpo. “Sinto muito, Hetty. De verdade.”
Eu realmente acredito nele. Acho que ele sente muito. Ele sente muito por ter sido pego, talvez até sinta muito por ter me magoado, mas isso não muda o fato de que ele fez o que fez. Ou melhor, ele fez quem ele fez.
Jogar as roupas dele pela janela me fez sentir um pouco melhor. Eu precisava de uma saída saudável para minha raiva e encontrei. Gosto do fato de que ele vai ter que descer e recolher suas roupas da calçada.
Respiro fundo para me acalmar e olho para ele. “Nós terminamos, Kevin. Você fez uma merda enorme e não consigo mais confiar em você. Pegue o resto das suas coisas antes que eu jogue tudo pela janela e vá embora.”
”Hetty, se você ao menos me deixasse explicar.”
”Explicar o quê? Você dormiu com outra pessoa, não tem nada para explicar!”, levanto as mãos em exasperação. “Por favor, vá embora.”
Ele me dá um olhar de dor e junta as mãos como se estivesse rezando.
Ah, por favor, não. Não caia de joelhos nem nada do tipo.
Os joelhos dele atingem o tapete. Porra.
“Hetty, por favor, me dê outra chance. Você significa tudo para mim.”
Eu olho com desprezo para sua forma patética no chão diante de mim.
”Claramente não. Saia, por favor. Não quero te ver de novo. Vou bloquear seu número. Na verdade, quero minha chave de volta antes de você ir.”
Ele acena, derrotado. Felizmente, ele se levanta do chão. Ele está praticamente fungando enquanto luta para tirar minha chave do molho dele. Pego dela e dou um passo atrás, com os braços cruzados sobre o peito em posição defensiva.
“Vá, Kevin. Tenha uma boa vida.”
“Sinto muito, Hetty”, ele diz, sombrio.
Ele pega o resto de suas coisas e sai arrastando os pés pela porta. Bato a porta atrás dele com um suspiro de alívio. As lágrimas vêm quando caio no meu sofá e as deixo sair. Eu realmente achei que ele era um dos bons. Nosso aniversário de seis meses seria em duas semanas; eu tinha planos para irmos ver o musical favorito dele no West End, mesmo que eu não goste de musicais. Em vez disso, encontro mensagens no telefone dele e agora estou aqui, magoada e solteira.
Que maravilha.