Olhe para mim!
Zara soltou um suspiro pesado, seus olhos percorrendo o prontuário médico à sua frente. O cansaço de ter feito um turno dobrado apenas dois dias atrás ainda pesava em seus ombros. O pagamento extra era fundamental naquele momento — seu aluguel tinha subido, e as horas extras eram sua única opção.
A ala estava sobrecarregada de pacientes, um contraste gritante com os turnos noturnos tranquilos da pediatria aos quais ela estava acostumada. Uma coisa era lidar com uma ala movimentada, outra bem diferente era quando a enfermeira-chefe estava doente e o diretor clínico, Dr. Lane, era alguém que todos pareciam ansiosos por evitar.
As enfermeiras do dia tinham sido simpáticas o suficiente, mas Zara notou uma tensão palpável, principalmente depois que elas saíam da sala do Dr. Lane. Estava claro que ele tinha escolhido aquele dia para estar de muito mau humor.
Ela olhou para Chelsea, a única outra enfermeira trabalhando com ela, e soltou um suspiro de frustração. — Precisamos que um médico autorize o aumento da morfina da Sra. Davidson. Quem está disponível?
— O único que pode autorizar isso agora é o Dr. Lane... — murmurou Chelsea, com a voz carregada de inquietação enquanto terminava suas anotações.
Os olhos de Zara foram para a porta da sala do Dr. Lane — a porta que todos evitavam ativamente. Ela não conseguia entender o nível de intimidação. Ela nunca tinha conhecido o homem, mas se recusava a deixar que o mau humor de um médico interferisse em suas funções.
Endireitando a postura, Zara virou-se para Chelsea com determinação. — Eu vou resolver isso. Alguém tem que resolver.
A expressão de Chelsea mudou para uma de preocupação apreensiva. — Talvez espere um pouco? Joanne acabou de sair de lá com cara de quem viu um fantasma.
— Não tenho o luxo do tempo, Chels... — disse Zara com firmeza, pegando a ficha. — Me deseje sorte!
Chelsea observou maravilhada enquanto Zara batia na porta, com uma mistura de admiração e ansiedade no olhar.
Zara bateu na porta, seus nós dos dedos batendo na madeira com mais força do que o necessário. Ela esperou, sentindo um nó de tensão se formar em seu estômago. Uma breve pausa, e então uma voz baixa e irritada respondeu de dentro.
— Entre.
Ela engoliu em seco, com os nervos à flor da pele ao entrar na sala. O Dr. Lane estava sentado atrás de sua mesa, com fichas e livros médicos espalhados ao seu redor em desordem. Sua cabeça estava baixa, uma mão segurando a testa enquanto a outra rabiscava furiosamente na página. Ele nem se deu ao trabalho de olhar para cima quando ela entrou; o único som na sala era o arranhar de sua caneta.
Zara fechou a porta, forçando-se a manter a calma enquanto pigarreava. — Dr. Lane, você tem um momento para autorizar um aumento de morfina para uma paciente?
— Idade? — Seu tom foi seco, impaciente.
— Sessenta e oito — ela respondeu, tentando conter sua irritação.
— Histórico de abuso de drogas?
— Não, senhor.
— Sexo?
— Feminino.
— Condição?
— Ela fez um transplante de rim recentemente.
Nem por um momento ele levantou os olhos dos papéis à sua frente. Seus ombros estavam tensos, suas respostas eram mecânicas, quase como se mal notasse a presença dela. Não era difícil entender por que as outras enfermeiras o evitavam naquele dia. Mas Zara já tinha lidado com médicos difíceis antes — ela não ia recuar só porque Zack Lane estava de mau humor.
— Deixe a ficha — ele murmurou. — Eu verei isso em quinze minutos.
Zara se irritou. — Estarei nas rondas então. Você poderia dar uma olhada rápida e assinar agora? A paciente está com muita dor.
O suspiro dele foi pesado, carregado de exasperação. — Você fez os exames de sangue dela? Com a diálise e a função renal enfraquecida, não posso assinar isso até que estejam prontos. E o Dr. Ramirez?
— Ela começa a diálise amanhã, senhor, e o Dr. Ramirez está na sala de cirurgia 3.
— Então chame outro médico — Zack respondeu, com o tom curto, como se o assunto já estivesse encerrado.
— Você é o único outro médico disponível, senhor — disparou Zara, sua paciência diminuindo enquanto ela apertava a ficha em sua mão.
Os ombros de Zack ficaram ainda mais tensos, sua cabeça ainda enterrada na papelada que tinha consumido sua manhã. O peso das novas exigências do conselho do hospital o pressionava, amplificando a frustração que fervilhava logo abaixo da superfície. Sua mente já estava sobrecarregada, e o pedido persistente da enfermeira parecia apenas mais um problema com o qual ele não tinha energia para lidar.
— Apenas faça o exame de sangue — ele respondeu rispidamente, a rispidez em sua voz inegável agora. Foi mais duro do que ele pretendia, mas ele não tinha energia para se controlar.
A irritação de Zara disparou, o calor queimando atrás de seus olhos. Ela tinha uma montanha de tarefas para lidar, incluindo começar seu novo emprego como supervisora de enfermagem em uma ala onde mal tinha começado a trabalhar, além de navegar por um departamento caótico lutando contra a falta de funcionários. Ela sabia que o Dr. Lane estava sob pressão, mas sua indiferença a irritava de uma maneira que estava ficando difícil de tolerar.
— Sim, senhor — ela retrucou, com a voz tensa pela frustração mal contida.
Ela se virou bruscamente, com a mão já na maçaneta, mas algo a impediu de sair furiosa. A imagem das enfermeiras frenéticas lá fora passou por sua mente — dispersas, nervosas, tentando administrar o departamento com poucos médicos de plantão. A última coisa que precisavam era de um líder ocupado demais com seu próprio estresse para ver o que estava acontecendo ao seu redor. Seus dedos se apertaram na maçaneta enquanto ela hesitava, uma ousadia inesperada borbulhando dentro dela.
Não. Ela não ia sair e deixá-lo chafurdar em seu estresse enquanto o resto deles se esforçava para manter o barco flutuando.
Ela se virou novamente; a frustração de Zara explodiu, suas palavras escapando antes que pudesse se conter. — Dr. Lane, com todo o respeito, precisamos de você lá fora agora, não enterrado aqui dentro. Estamos com falta de pessoal e estamos lutando — precisamos de alguém focado, não alguém indiferente. Se este hospital vai funcionar direito hoje, precisamos de você no comando. E o mínimo que você poderia fazer é olhar para mim quando estou falando com você!
A cabeça de Zack se ergueu rapidamente, levantando-se da cadeira em um movimento único e autoritário. Sua boca se abriu, pronta para repreender a falta de profissionalismo dela, mas as palavras morreram em seus lábios. Ele ficou totalmente paralisado pela visão à sua frente. Ela era deslumbrante — muito mais bonita do que ele esperava, e a visão dela o atingiu como um choque no sistema.
Seus olhos, amendoados e com um tom achocolatado intenso, continham uma tempestade de emoções — raiva, desafio, talvez até um lampejo de arrependimento. Mas não era apenas sua expressão que o cativava. Seus lábios cheios e carnudos, macios e convidativos, chamavam sua atenção, e suas maçãs do rosto altas apenas realçavam sua beleza impressionante. Ele estava pasmo, completamente desarmado pela presença dela.
Sua pele cor de mocha parecia brilhar; lisa e impecável, e tudo o que Zack conseguia pensar era em como seria incrível sentir aquilo sob seu toque — ou provar. Sua mente se deleitava com a ideia de percorrer cada centímetro dela com a língua, e antes que percebesse, seus olhos desceram, observando descaradamente seu corpo. Mesmo com o uniforme, cada curva estava à mostra.
Seus seios fartos subiam e desciam a cada respiração curta, e ele não pôde deixar de imaginar como eles seriam pressionados contra ele. Sua cintura era fina, mas seus quadris eram incrivelmente atraentes. Ele só conseguia pensar em se perder no calor entre suas coxas grossas, seu corpo sendo uma tentação que ele não tinha certeza se conseguiria resistir.
A atração era magnética, e foi preciso cada gota de sua força de vontade para manter a voz firme. — Com licença? — Sua voz era baixa, mais um rosnado do que algo coerente.
Ele não confiava em si mesmo para dizer mais nada.
Zara engoliu em seco, claramente perturbada pela tensão, mas continuou, aproximando-se apesar da carga magnética entre eles. Sua voz vacilou levemente enquanto ela colocava a ficha médica na mesa dele. — Olhe, eu entendo que você está ocupado, mas estamos com poucos médicos devido às doenças. A enfermeira-chefe também está doente e, como é meu primeiro dia como supervisora de enfermagem, não consigo delegar sem a autorização dela. Então, agora, você é responsável pelas enfermeiras também. A maioria das enfermeiras que trabalham hoje são novatas, e agora elas estão aterrorizadas de entrar aqui ou estão saindo aos prantos. Você é o capitão deste navio, Dr. Lane. Precisamos de você.
Suas palavras foram rápidas, mas quando ela olhou para ele novamente, sentiu o fôlego faltar. O Dr. Zack Lane era diferente de qualquer pessoa que ela já tinha visto — sua presença por si só era avassaladora. Seu cabelo loiro escuro estava propositalmente bagunçado no topo, e sua barba por fazer, um tom mais escuro, dava-lhe um ar de elegância rústica.
Mas eram seus olhos que a prendiam — azul oceano, intensos e penetrantes, emoldurados por cílios longos demais para um homem. Seu rosto era esculpido magistralmente, seu maxilar marcado estava tenso de frustração, e a visão dele com o uniforme só aumentou a reação dela. Ele era alto, quase dois metros, se ela fosse adivinhar, e seus músculos preenchiam o tecido de uma maneira que fazia seu pulso acelerar. Sua mente divagou, imaginando como seria ser envolvida por aqueles braços e mantida perto dele.
Ela se forçou a se concentrar, a lembrar onde estava. — Será só isso, enfermeira...? — ele perguntou, com a voz num ronco baixo enquanto esperava que ela dissesse seu nome.
— Adams — ela respondeu rapidamente, com a voz quase num sussurro.
Ele assentiu, com o maxilar rígido, e ela sabia que deveria sair. A tensão entre eles era espessa, quase insuportável, mas ela não conseguia se livrar da sensação de que ele estava lutando contra algo dentro de si mesmo.
— Por favor, faça um exame de sangue antes de administrar qualquer morfina. — Ele assinou o pedido e se recostou, dispensando-a com um final: — Você pode sair da minha sala agora. — Zara sentiu um lampejo de raiva por sua arrogância. No entanto, a imagem dele, tão crua e poderosa, estava gravada em sua mente. Ela tinha que ir.
Zara pegou o pedido e a ficha médica e saiu da sala, deixando a porta fechar atrás de si enquanto soltava um suspiro profundo, tentando recuperar a compostura. Seu coração estava disparado, e ela lutou para estabilizar sua respiração. Olhando para cima, ela captou o olhar de Chelsea no posto de enfermagem, com a simpatia clara nos olhos da amiga.
— Nem diga nada — murmurou Zara, sentando-se na cadeira ao lado da colega.
Chelsea ergueu as mãos em sinal de rendição, seus lábios se curvando em um sorriso apreciativo. — Obrigada por tentar, chica.
Zara suspirou, abrindo suas anotações. — Ele é sempre assim?
Chelsea balançou a cabeça, dando de ombros. — Nem tanto. O Dr. Lane geralmente é ótimo — incrível, até. Não tenho certeza do que está acontecendo com ele hoje. Talvez o pai dele e o conselho do hospital estejam pressionando-o novamente.
Zara franziu a testa. — O pai dele?
— Sim — Chelsea assentiu. — O pai dele é dono do hospital.
Claro, pensou Zara, revirando os olhos. — Então ele é um "Nepo Baby"...
Chelsea deu uma risadinha. — Sim, mas, para ser justa, ele é um dos melhores cirurgiões do mundo. Temos sorte de tê-lo. E não atrapalha o fato de ele ser incrivelmente lindo.
Zara concordou com um resmungo, mantendo a boca fechada. Sim, ele era devastadoramente lindo. E se a umidade repentina entre suas coxas servisse de indicação, ela estava em sérios apuros. Ela tinha que ficar bem longe de Zack Lane — o médico rude, arrogante, mas inegavelmente irresistível.