A Máfia e a Irmã Errada

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Resumo

"Eu aceito este homem como meu legítimo esposo." Emelia olha para o noivo da irmã ao dizer as palavras. O que começou como um acordo para quitar a dívida de sua família logo se tornou uma revelação distorcida sobre até onde pais cruéis são capazes de ir para favorecer um filho em detrimento do outro.

Status
Completo
Capítulos
35
Classificação
4.5 44 avaliações
Classificação Etária
13+

Capítulo 1 - O Incêndio


Edit; Pessoal, vocês sabiam que agora dá para reagir ou comentar nas curtidas ou descurtidas de vocês? E nos comentários dos parágrafos também?

Além disso, OBRIGADA POR TODO O CARINHO. Agradeço por todas as adições que vi até agora... Estou de olho em vocês... ❤️😎

EDIT; Elize, minha primeira avaliação neste livro. Eu amei. Obrigada, querida.

Vamos nessa....


Emelia encarava o homem muito mais alto, com o coração acelerado sob as camadas de renda branca que a cobriam. O véu, que deveria simbolizar pureza e um novo começo, parecia sufocante ao tocar sua pele. Ela lutava para respirar, seus pensamentos em um turbilhão caótico.

O mafioso, Maximilian Drake, pairava sobre ela, sua aura sombria irradiando poder e intimidação. Sua presença consumia a pequena capela, ofuscando a luz bruxuleante das velas e os sussurros dos convidados do casamento.

"Recite seus votos, ou posso garantir que sua família traidora pagará caro", ele sussurrou, a voz um ruído grave destinado apenas aos ouvidos dela. Cada palavra destilava uma ameaça arrepiante que percorreu sua espinha. Ela estava tão assustada que esqueceu até da dor no braço, onde fora praticamente arrastada pelo corredor pelos homens da máfia.

C-casamento? Com o noivo da irmã? A mente de Emelia girava. Aquilo deveria quitar a dívida deles, mas como? E que dívida? Até onde a garota sabia, eles eram podres de ricos. Mas o peso da situação desabou sobre ela, e ela olhou para os convidados sentados à sua frente — amigos, família e a elite da alta sociedade, reunidos para testemunhar a união de Amelia Langston e Maximilian Drake.

Mas não era sua irmã que estava no altar hoje; era Emelia, forçada ao papel contra a sua vontade, com o véu escondendo sua identidade dos espectadores.

Ninguém desconfiou de nada, pois todos achavam que era Amelia ali. Aliás, onde estava a irmã dela? Seus pais estavam sentados, tranquilos e confortáveis, com sorrisos enormes, sem nem notar que a outra filha não estava no assento ao lado. A outra filha, no caso, ela mesma.

Ela, Emelia, chegara àquela posição diante do altar como um peão em um jogo perigoso, e não como uma noiva disposta. Uma mistura enjoativa de traição e desespero girava dentro dela enquanto lutava para manter a compostura. O tecido macio do vestido da irmã parecia estranho em sua pele; os detalhes intrincados eram um contraste cruel com a turbulência em seu coração.

Os olhos castanhos do Sr. Drake atravessavam seu véu, cheios de uma intensidade que não dava margem para negações. Ele era a personificação do dinheiro antigo e de segredos sombrios, um homem cujas raízes familiares mergulhavam fundo no submundo da sociedade. Como herdeiro de um legado manchado pelo crime, ele usava o poder como arma, e ela era meramente uma ferramenta para seus objetivos.

"Eu..." ela começou, a voz mal passando de um sussurro, embargada pela emoção. Como poderia fazer aquilo? Como poderia trair a irmã? O pensamento de sua irmã Amelia em perigo em algum lugar, com a escuridão cercando-a, fazia seu estômago revirar.

"Diga as palavras, Srta. Langston", ele insistiu, a voz mais suave, porém carregada de urgência. "Ou não posso garantir a segurança da sua família."

O olhar castanho dele prendeu o dela, e por um breve momento, ela sentiu o peso de suas escolhas pairar sobre seus ombros. Ela sempre fora a quietinha, a que seguia as regras. Mas, naquele instante, enfrentava uma decisão que mudaria tudo. Até onde se lembrava, tudo o que Emelia queria eram seus pais, e agora que os encontrara... isso?

"Como bônus, vou investigar Colleen."

Seus olhos de cores diferentes se arregalaram com aquilo — bem, ainda mais do que já estavam. Colleen? Como ele sabia sobre ela?

"Claro que tenho sua ficha. Diga as palavras e torne-se minha esposa... legalmente."


Alguns Anos Atrás...

O orfanato não era nada parecido com as histórias trágicas que as pessoas costumavam imaginar. Para Emelia, era o único lar que conhecera, e embora as paredes fossem velhas e gastas, o espírito dentro delas era acolhedor. Não havia cuidadores frios ou punições cruéis. Em vez disso, eles tinham festas de aniversário, pequenos presentes de Natal e risadas. Não era muito, mas era um lar.

Aos quatorze anos, Emelia conseguiu um emprego de meio período em uma pequena lanchonete na rua de baixo, economizando cada centavo para o dia em que seria forçada a deixar o orfanato, aos dezoito. Ela passava as tardes limpando mesas, enchendo xícaras de café e ouvindo o burburinho das conversas. Era uma vida simples, mas ela não se importava. Tinha suas amigas e, acima de tudo, tinha Colleen.

Colleen era sua melhor amiga desde que conseguia se lembrar. Eram inseparáveis, passando noites longas sussurrando segredos no dormitório compartilhado. Colleen sonhava em ser enfermeira, alguém que pudesse ajudar as pessoas e tornar o mundo um pouco melhor. Emelia, por outro lado, não sabia o que o futuro reservava, mas com Colleen ao seu lado, não parecia algo tão assustador.

Elas dividiam tudo, de segredos a roupas de segunda mão. A vida era suportável enquanto tivessem uma à outra. Não tinham luxo, mas Emelia sentia um senso de pertencimento, embora secretamente desejasse mais. Queria estar em uma casa normal com seus pais, quem quer que fossem. Talvez ter um irmãozinho, e Colleen poderia ser sua irmã.

À noite, deitada no dormitório silencioso, Emelia costumava pensar no futuro. Perguntava-se como seria a vida quando fizesse dezoito anos e tivesse que ir embora. Era um pensamento que a deixava igualmente empolgada e amedrontada.

"Eu estarei logo atrás de você", Colleen sempre a tranquilizava. "Vamos conseguir empregos, encontrar um lugar para morar. Talvez até viajar."

Aquele era o sonho delas: deixar a cidade para trás, explorar o mundo juntas e construir um futuro nos seus próprios termos. Contanto que tivessem uma à outra, Emelia acreditava que era possível.

Mas a vida tem o hábito de mudar em um piscar de olhos...

Naquela noite, Emelia acordou com o cheiro de fumaça.

Por um momento, achou que estava sonhando. O calor do cobertor e a calmaria reconfortante do dormitório a embalavam em uma sensação de segurança. Mas, conforme seus olhos se abriram, o cheiro acre ficou mais forte, arranhando sua garganta e enchendo seus pulmões de pânico.

"Colleen?" ela sussurrou, sentando-se na cama.

Ela esticou a mão por instinto, mas Colleen não estava ao seu lado. A cama estava vazia. Normalmente elas não dormiam juntas, mas às vezes entravam escondidas na cama uma da outra quando os cuidadores estavam dormindo.

O medo a despertou completamente. Emelia balançou as pernas para fora da cama e tropeçou em direção à porta, descalça. As outras garotas no dormitório começaram a se mexer; murmúrios de confusão quebrando o silêncio.

"Levantem!" ela gritou, mais alto desta vez, a voz falhando de urgência. "Algo está errado."

A fumaça ficou mais densa enquanto corriam para o corredor, onde o caos já se instalava. Cuidadores corriam de um lado para o outro, tentando organizar as crianças e empurrá-las para as saídas. Os menores choravam, apavorados, agarrados aos seus cobertores enquanto eram arrastados para fora dos quartos.

As chamas lambiam as bordas das paredes de madeira antiga, espalhando-se mais rápido do que Emelia conseguia processar. O prédio rangia sob o peso do fogo, gemendo conforme o inferno engolia tudo em seu caminho.

Mas tudo em que Emelia conseguia pensar era em Colleen.

Ela disparou pelo corredor, desviando da correria de corpos em pânico, o coração batendo forte no peito. "Colleen!" ela gritou, a voz mal audível acima do rugido das chamas e dos gritos das crianças apavoradas. "Onde você está?"

Seus pés a levaram para os fundos do orfanato, onde os adolescentes mais velhos tinham seus quartos. Era mais silencioso ali, assustadoramente silencioso, com as chamas projetando sombras bruxuleantes nas paredes.

E então ela viu: a porta da sala de TV estava entreaberta e uma figura imóvel estava deitada no sofá. Um pavor se instalou no fundo de seu estômago enquanto ela se aproximava, as mãos trêmulas ao empurrar a porta. Imediatamente, ela soube que era sua amiga.

Então ela viu a mancha escura se espalhando pelo peito da amiga, encharcando a camiseta cor de limão. "Colleen?" ela chamou com uma sensação doentia de pavor no estômago. Mas não obteve resposta. Ela caminhou até ela lentamente porque suas pernas pareciam pesadas, apesar de todo o caos ao redor.

Dando um toque na perna dela, ela encarou o rosto de Colleen. Seus olhos estavam abertos, mas voltados para baixo, como se olhassem para os joelhos de Emelia. O peito de Emelia apertou, e ela a sacudiu novamente, desta vez com mais força; foi então que sentiu a rigidez no corpo dela.

Não — ela negou, agarrou a mão de Colleen e puxou com força para acordá-la, mas ela permaneceu imóvel.

Colleen estava morta.

Emelia congelou, a mente girando, incapaz de processar o que via. Sua melhor amiga, aquela que estivera com ela em tudo, se fora. Uma faca estava no chão ao lado do sofá, brilhando na luz fraca.

Aquilo não foi um acidente. Colleen tinha sido assassinada...