O Último Lance

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Resumo

Shayla Douglas guardou o maior segredo do seu coração por anos: Aaron Parker, o astro quarterback da NFL, é o único homem que ela sempre desejou. Mas ele também é inalcançável, protegido por uma muralha de fama, carisma sombrio e o papel inquebrável de "melhor amigo" que sempre desempenhou em sua vida. Shayla está determinada a seguir em frente. Porém, isso se torna impossível quando Aaron pede que ela seja sua assessora de imprensa. Trabalhar com ele reacende tudo o que ela tentou enterrar — e não ajuda o fato de que ele também parece sentir a mesma atração. Presos em um turbilhão de olhares furtivos, momentos roubados e paixões escandalosas, Aaron e Shayla precisam decidir se estão dispostos a arriscar tudo por um amor que pode mudar tudo… ou destruir de vez. Livro 2 da série Amor na Cidade

Status
Completo
Capítulos
96
Classificação
4.9 32 avaliações
Classificação Etária
18+

Melhores Amigos pra Vida Toda

15 Anos Atrás...

Aaron Parker, de treze anos, resmungou ao sair marchando da aula de Literatura Inglesa, a mochila pendurada em um ombro. Assim que o sinal tocou, ele já estava fora da sala, ansioso para escapar dos corredores da Juniper Ridge Middle School. Faziam duas semanas que tinha começado na escola nova, e odiava cada segundo.

Mudar de Nova York para Los Angeles tinha sido um choque cultural, para dizer o mínimo. Tudo parecia muito claro, muito barulhento, muito diferente. Mas o que piorava tudo — o que tornava insuportável — era estar longe do pai.

Em Nova York, seus pais viviam brigando. Discussões altas, acaloradas, que pareciam explodir do nada. Uma noite, não se aguentavam; na outra, riam e se abraçavam como se nada tivesse acontecido. Por anos, Aaron aprendeu a ignorar, achando que era só o jeito deles. Por isso, quando a mãe sentou ele e a irmã Gabriella para dizer que iam se divorciar, ele não acreditou. Eles sempre tinham feito as pazes antes — por que não fariam dessa vez?

Mas não fizeram.

Em vez disso, a mãe arrumou as malas e os levou de volta para Los Angeles, para morar com a Abuela. Aaron não entendia por que tinha que ir. O pai era seu melhor amigo, sua âncora. Queria ficar com ele, mas a mãe não lhe deu escolha.

Agora, Aaron acordava toda manhã com a ausência do pai pesando no peito. Em Nova York, mesmo com o pai trabalhando até tarde, ainda o via — no café da manhã apressado, às vezes à noite, quando ele chegava cansado mas sorrindo, e nos fins de semana, se tivessem sorte. Mas ali, em Los Angeles, Aaron percebia o quanto o pai se matava de trabalhar para manter tudo em ordem. E como sentia falta dele.

Aaron passou a mão no rosto enquanto se apressava pelo corredor lotado, mantendo a cabeça baixa. Adaptar-se a uma escola nova no meio do ano era um pesadelo. Todo mundo já tinha seus grupinhos, suas rotinas, suas piadas internas. Seus amigos estavam a mais de 3 mil quilômetros de distância, e ele se sentia um estranho naquela cidade banhada de sol.

Não era de muita conversa, principalmente com gente que não conhecia. Isso tornava ser o novato ainda mais difícil. Era exaustivo tentar descobrir onde se encaixava, e na maioria dos dias, nem se dava ao trabalho.

A única coisa que o mantinha de pé era a promessa dos testes para o time de futebol na semana seguinte. A mãe tinha jurado que o manteria no esporte e seguiria o cronograma de sempre, e ele se agarrou a essa promessa como a uma tábua de salvação. Futebol era tudo. Era a única coisa que parecia constante, o único lugar onde sabia quem era.

Seu sonho era ser quarterback dos New York Giants — exatamente como ele e o pai sempre sonharam. Mudar para Los Angeles parecia uma sentença de morte para esse sonho, mas ele se recusava a desistir. Não podia.

Enquanto seguia pelo corredor, Aaron se preparou mentalmente. Daria um jeito, como sempre fazia. Mas, no fundo, não conseguia parar de desejar que o pai estivesse ali, torcendo por ele como antes, lembrando-o de que podia fazer qualquer coisa. Porque, sem ele, o sonho parecia um pouco mais solitário. Um pouco mais difícil de segurar.

Aaron ajeitou a mochila, apertando as alças enquanto tentava lembrar o caminho de volta para a biblioteca. A mãe tinha feito ele prometer que manteria as notas altas se quisesse continuar no futebol, e quebrar essa promessa não era uma opção. Futebol era a única coisa que o mantinha são no momento.

Ao virar a esquina, deu de cara com um corredor mais longo e silencioso. Mais adiante, uma garota estava sentada num banco, a cabeça baixa sobre um gibi. O cabelo cacheado estava preso num coque baixo e arrumado, e ela parecia completamente absorta no próprio mundo. Por um instante, Aaron teve inveja daquilo — da capacidade de se perder em algo, de escapar da realidade de ser o novato numa escola que parecia não querer saber dele.

Ele olhou de volta para o caminho que deveria seguir, concentrando-se no corredor à frente, quando, de repente, foi empurrado com força por trás. O impacto o jogou no chão, a canela raspando com força no piso de cerâmica enquanto o tornozelo torcia de dor. Um gemido escapou dos seus lábios enquanto se apoiava nos braços, tremendo levemente com o impacto.

Ao levantar os olhos, viu dois garotos parados sobre ele, com expressões de desdém e satisfação arrogante. Alan e Cody — dois dos líderes da campanha não oficial para tornar sua vida um inferno. Era só o azar dele que tinham escolhido aquele dia para lembrá-lo de que não pertencia àquele lugar.

Os punhos de Aaron se cerraram, o maxilar travando enquanto a raiva fervia dentro dele. Tinha vontade de revidar, de dar a eles um motivo para se arrependerem de mexer com ele. Afinal, ele podia — era faixa-preta, treinado para se defender. Mas tinha feito uma promessa à mãe e à Abuela depois de quebrar o nariz de um valentão na escola antiga: nada de brigas.

Odiava valentões.

Ainda assim, a frustração queimava sob a pele. De que adianta ser faixa-preta se não posso usar?

— Tá indo pra algum lugar, novato? — Alan zombou, o rosto rechonchudo se contorcendo em escárnio enquanto se aproximava.

Antes que Aaron pudesse responder, Cody piorou a situação com um chute rápido na canela já machucada. A dor explodiu, subindo pela perna, e ele prendeu a respiração, a visão embaçando por um instante com o ardor.

A risada dos dois foi interrompida por uma voz — calma, clara e afiada o suficiente para cortar a tensão.

— Ei! Qual é o problema de vocês?

Os três garotos congelaram, virando-se para a menina do banco. Ela agora estava de pé, o gibi abandonado, os braços cruzados sobre o peito enquanto encarava Alan e Cody com um olhar que poderia derreter aço. O fogo nos olhos dela contrastava de forma surpreendente com seu corpo pequeno, e por um momento, Aaron esqueceu a dor na perna.

Ela não estava só defendendo ele — parecia pronta para enfrentar os dois sozinha. Alan, ignorando a garota completamente, deu um chute forte no tornozelo de Aaron. A dor o atravessou, branca e ardente, enquanto a raiva subia à cabeça.

— Ei, deixa ele em paz! — ela gritou, colocando-se corajosamente entre Aaron e os dois garotos que o intimidavam.

— Cai fora, nanica — Alan rosnou, estreitando os olhos para ela.

Cody, o amigo, deu um passo à frente, chegando bem perto do rosto dela. — Sai da frente, Shayla.

— Não! — ela retrucou, a voz firme apesar do medo que borbulhava por dentro. — Para de encher o saco dele só porque ele é novo.

Alan puxou o punho para trás como se fosse bater nela. Shayla instintivamente levantou os braços para se proteger, preparando-se para o impacto. Aaron tentou se levantar, desesperado para ajudar, mas uma dor aguda atravessou seu tornozelo, deixando-o gemendo e incapaz de ficar de pé.

Foi então que Cody segurou o braço de Alan, o pânico estampado no rosto. — Cara, essa é a irmãzinha do Shamar. Deixa pra lá, não vale a pena.

Alan lançou um olhar venenoso para Shayla enquanto passava por ela. Os olhos dele desceram para Aaron, que ainda segurava a canela sangrando. — Se considera sortudo. Da próxima vez, uma garota não vai te salvar.

Shayla observou os dois se afastarem, o coração acelerado. Virou-se para o garoto no chão, que não era nem um pouco pequeno para ser totalmente indefeso, pensou. Lembrou a si mesma que precisava ficar fora dos problemas dos outros, mas não conseguiu evitar — odiava valentões, e o novato estava na escola havia duas semanas, parecia meio perdido… e meio sozinho.

Ela entendia bem aquele sentimento. Suspirou e estendeu a mão para ajudá-lo, mas ele a afastou com um movimento de ombro.

— Não preciso da ajuda de uma garota — murmurou, o orgulho claramente ferido.

Shayla revirou os olhos. Ele falava igualzinho ao irmão dela, Shamar. — Azar o seu. Sou só o que você tem agora.

— Só me deixa em paz — Aaron resmungou, fazendo uma careta enquanto tentava não olhar para ela.

— Você tá sangrando — Shayla apontou, com um tom suave, uma ponta de preocupação na voz.

Aaron lançou um olhar irritado para ela. — E daí?

Shayla suspirou, cruzando os braços como se já tivesse ouvido aquilo mil vezes. — Ser o novato é uma merda. Eu já fui a novata, mas pelo menos tinha meu irmão. É mais difícil quando não tem ninguém pra te proteger.

— Não preciso que ninguém me proteja — Aaron disse, balançando a cabeça com teimosia.

Ela sorriu, e algo naquele sorriso fez o estômago de Aaron dar uma reviravolta. Ele desviou o olhar, franzindo a testa, recusando-se a deixar que ela percebesse que tinha o deixado meio sem jeito.

— Tá bom, vou te deixar em paz. Mas pelo menos me deixa te ajudar a levantar — ela ofereceu, o tom leve, mas os olhos brilhando com um toque de malícia.

— Tá bom — ele resmungou, ainda não muito convencido.

Shayla se agachou ao lado dele, pegou sua mão e passou o braço com cuidado pela cintura dele. Ele deixou que ela o ajudasse a se levantar. — Tá, vamos te levar pra enfermeira.

— Espera, o quê?! Você não falou nada de enfermeira. Não preciso de enfermeira! — Aaron gaguejou, o pânico tomando conta da voz.

Shayla revirou os olhos, mantendo-o firme enquanto começavam a andar pelo corredor. — Desculpa, cara. Regras da escola: se sangra, tem que ver a enfermeira Dee.

Aaron suspirou fundo, sentindo-se encurralado, mas acabou se resignando, resmungando: — Isso é uma merda.

Ela riu, mantendo o ritmo ao lado dele. — Nem me fale! Aliás, sem querer ofender, mas você tá fedendo a grama molhada.

Ele não conseguiu evitar — uma risada escapou antes que pudesse se conter. Havia algo nela, na confiança tranquila dela, que o fazia se sentir um pouco menos… miserável. Enquanto mancavam juntos, no fundo, ele estava grato pela ajuda.

“Eu sou a Shayla, aliás.”

“Aaron”, ele disse, olhando de relance com um meio-sorriso.

“Prazer em conhecer você, Aaron.” Ela lhe lançou um olhar caloroso que, de alguma forma, fez o dia inteiro parecer um pouco mais claro.

Ele assentiu, sentindo-se estranhamente tímido. Não sabia muito bem o que dizer — na verdade, não queria admitir o quanto se sentia aliviado. Não queria estar ali, nem em lugar nenhum, na verdade, mas, de repente, não era tão ruim assim.

Quando chegou a segunda-feira, o tornozelo e a canela de Aaron já estavam curados, mas sua opinião sobre a nova escola não. Ele odiava aquele lugar. Los Angeles podia ser uma cidade grande, mas não era Nova York. Em Nova York, as pessoas sabiam cuidar da própria vida. Ali, todo mundo só queria se meter — fazendo perguntas invasivas sobre a família dele, o que faziam, quanto dinheiro tinham e por que ele tinha se mudado. E se ele mandasse todo mundo cair fora, de repente ele é que virava o problema. Nada naquele lugar parecia com casa.

Na hora do almoço, ele sentou sozinho, frustrado por ao mesmo tempo querer e odiar a própria solidão. Pensou na irmã, Gabriella, que estudava em outra escola; nunca imaginou que sentiria tanta falta dela. E sentia falta dos amigos de Nova York. Por um segundo, pensou em fugir, mas as seletivas de futebol eram no dia seguinte, e ele não queria nada além de voltar a fazer parte de um time.

“Ei, Aaron! Posso sentar com você?”

Ele olhou para cima e viu a garota da sexta-feira — Shayla. Ela era bonita, mas parecia irritantemente insistente.

“Você não tem amigos pra sentar?”, ele perguntou, com um tom mais seco do que pretendia.

O sorriso de Shayla vacilou, e por um instante ele se sentiu culpado. Ela tinha sido a única pessoa legal que ele conhecera desde que chegara, e ali estava ele, dispensando-a.

Nunca seja grosso quando alguém está sendo gentil com você, hijo! A voz da mãe ecoou na sua cabeça.

“Eu… desculpa”, ele murmurou, sem conseguir encará-la.

Shayla deu de ombros, o sorriso tranquilo voltando. “Tudo bem. Eu também não tenho amigos aqui.”

A sinceridade dela o surpreendeu, e ele se viu um pouco curioso.

“Sério? Mas o seu irmão é superpopular”, Aaron disse, surpreso.

“É, mas as pessoas me ignoram na maior parte do tempo”, Shayla respondeu, dando de ombros.

“Ah…” Aaron se mexeu, sem saber o que dizer.

“Enfim, desculpa te incomodar. Espero que seu tornozelo esteja melhor”, ela murmurou e começou a se virar.

“Espera!”, ele chamou.

“O quê?” Shayla olhou para trás, com um brilho de curiosidade nos olhos.

Ele se afastou um pouco e apontou para o lugar ao lado. “Senta aqui.”

Ela sorriu, mas não se mexeu. “Qual é a palavra mágica?”

Aaron a encarou como se ela tivesse acabado de criar chifres. “Tá falando sério?”

Ela começou a se virar de novo, e Aaron gemeu. “Tá bom, tá bom! Por favor?”

“Isso!” Ela deu um gritinho, sentando ao lado dele com um sorriso radiante.

Aaron revirou os olhos, mas não conseguiu evitar um meio-sorriso. Shayla notou e considerou aquilo uma vitória.

“Você sabe que é superchata, né?”, ele disse, rindo.

Ela deu uma risadinha e deu de ombros. “Bom, agora que somos amigos — aguenta aí, florzinha.”

Sem pensar duas vezes, ela dividiu o sanduíche, entregando metade para ele. Aaron ficou olhando, surpreso com o gesto.

“Por que você me deu isso?”, ele perguntou, confuso.

Ela deu de ombros, como se fosse a coisa mais natural do mundo. “Parece que você não gosta do seu. O meu é de pasta de amendoim com geleia. O seu é… o quê, maionese com ovo?”

Aaron fez uma careta, e Shayla riu. Ele deu uma mordida no sanduíche de pasta de amendoim, e, pela primeira vez no dia, sentiu-se um pouco mais em casa.

“Valeu. Minha avó sempre faz esse, e eu me sinto mal de dizer que não gosto.” Não sabia por que tinha sido tão sincero com ela, mas, de alguma forma, era fácil conversar com Shayla.

“Eu entendo”, Shayla assentiu. “Meu pai às vezes faz omelete de espinafre. Odeio, mas era o prato favorito da minha mãe. Ele começou a fazer muito depois que ela faleceu.”

Aaron olhou para ela, sentindo uma pontada de empatia. “Sinto muito pela sua mãe.”

Ela deu de ombros, um pouco triste. “Tudo bem…”

Ver Shayla triste o deixou desconfortável, ainda mais agora que, aparentemente, eram amigos. Sem pensar, fez uma careta que costumava fazer para arrancar risadas da avó, arregalando os olhos e enchendo as bochechas.

O rosto de Shayla se iluminou, e ela sorriu, depois caiu na gargalhada. “Você é esquisito”, disse, rindo. “Mas perfeito, já que eu também sou.”

Aaron riu, dando outra mordida no sanduíche. Ainda não estava animado com Los Angeles, mas pelo menos agora tinha uma amiga. Com Shayla ao lado, talvez — só talvez — não fosse tão ruim assim.


Atualmente…

Shayla respirou fundo, tentando se acalmar enquanto esperava no portão de desembarque do LAX. A qualquer momento, Aaron passaria por aquelas portas, e a emoção de revê-lo a invadiu, uma mistura de ansiedade e nervosismo que deixou suas mãos um pouco trêmulas. A mãe dele — Luisa, o pai — Joe, a avó — Maria, o irmão dela, Shamar — a noiva dele, Monica, e o pai dela — Reggie — todos esperavam, os olhos fixos no portão. A irmã dele, Gabriella, se juntaria a eles mais tarde.

Mas nenhum deles estava tão ansioso quanto ela.

Os dedos brincavam, inquietos, com as pontas das tranças enquanto seus olhos vasculhavam a multidão em busca de um vislumbre dele — o quarterback de 1,93 m, pele morena, olhos verdes que, contra todas as probabilidades, de alguma forma era seu melhor amigo. Já fazia mais de seis meses desde a última vez que se viram, e cada dia longe só a fez perceber o quanto ele significava para ela. Finalmente, Aaron estava de volta a Los Angeles depois de passar um ano em Nova York, emprestado aos Giants como quarterback.

De certa forma, ela não conseguia acreditar no que ele tinha conquistado. Depois de uma temporada razoável como calouro e de perder por pouco a disputa pela posição de quarterback titular naquele ano, ele foi rebaixado a reserva. Shayla tinha visto o quanto aquilo o abalou. Ver a luta dele naquela época tinha sido doloroso, sabendo que ele carregava o peso da insegurança. E então, quando foi negociado com Nova York, ela o viu se debater com a mudança, sentindo que tinha sido deixado de lado. Tentou estar presente, na medida do possível, apesar da distância e dos fusos horários, mas algumas noites a deixaram se sentindo impotente.

Mas algo mudou em Aaron quando ele estava em Nova York. Quando o quarterback titular dos Giants se machucou nos treinos, Aaron assumiu o controle. Foi como vê-lo se transformar diante dos seus olhos. Ela o viu liderar o time até o Super Bowl e, com aquele passe impossível no último segundo, garantir a vitória de forma inesquecível. Foi um momento que ela jamais esqueceria, vendo-o fazer a virada da vida. Toda a família — tanto a dele quanto a dela — viajou para Atlanta para o jogo. Ela gritou até ficar rouca, o coração acelerado a cada passe que ele dava. A emoção, a energia — tinha sido eletrizante.

Mas o dever chamou, e Shayla teve que sair logo depois do jogo para pegar um voo marcado pelo chefe. Tudo o que conseguiu fazer foi mandar uma mensagem de vídeo parabenizando Aaron, torcendo para que ele entendesse. No dia seguinte, conversaram por horas no FaceTime, aproveitando o momento, mesmo que fosse através de uma tela. Ela fez questão de dizer o quanto estava orgulhosa e como a conquista dele a deixava feliz.

Como relações-públicas esportiva, ela sempre manteve o relacionamento com Aaron em segredo. Não era algo que ela alardeava; a última coisa que queria era tratamento especial por seu melhor amigo ser o principal quarterback do país. Ser uma das poucas mulheres na equipe sênior — e a única mulher negra — já era desafiador o suficiente. Tratamento especial tinha o jeito de minar o respeito que ela tanto se esforçara para conquistar, e ela aprendera da pior forma que preferia deixar seu trabalho falar por si.

Agora, porém, com os LA Kings sob nova administração, Shayla sentia uma esperança renovada pela carreira de Aaron. Michael Lane, CEO da Lane Corp, tinha causado alvoroço ao comprar o time, no que foi o primeiro grande investimento da empresa no mundo dos esportes. Todo mundo esperava que Lane, um nova-iorquino, comprasse um time mais perto de casa, mas ele surpreendeu a todos ao mirar em Los Angeles. Mais importante ainda, ele deixou claro que o futuro dos Kings seria construído em torno de uma figura central.

Aaron Alejandro Parker.

Ao pensar no que aquilo significava, seu coração acelerou. Mal podia esperar para vê-lo de volta aos Kings, liderando o time com a habilidade e o coração que ela conhecia tão bem. Mas, ao mesmo tempo, sentia uma tensão que não conseguia explicar — um puxão que não era só orgulho ou amizade. Enquanto esperava ele aparecer, se perguntou se, talvez, o tempo separados a tivesse deixado mais corajosa. Talvez, só talvez, ela enfrentasse a verdade e finalmente fosse honesta com Aaron sobre seus sentimentos.

A verdade era que não conseguia se forçar a dizer. Não era corajosa o suficiente, e mesmo que fosse, Shayla tinha certeza de que a namorada supermodelo de Aaron, Nicole Drew, teria algo ácido — e cortante — a dizer, com aquela elegância ensaiada que ela sempre usava como arma.

“Lá está ele! Hijo, por aquí!”, Luisa chamou, se soltando do abraço do marido e correndo na direção do filho.